sábado, 17 de fevereiro de 2018

CORNÉLIO PIRES - 60 ANOS DE SAUDADE

CORNÉLIO PIRES
Fon Fon, 1915.
http://memoria.bn.br


Há 60 anos falecia o escritor e compositor CORNÉLIO PIRES.

Cornélio Pires nasceu em Tietê (SP), em 13 de julho de 1884.

Foi o pioneiro na divulgação da cultura sertaneja. Também foi cantor, cineasta, empresário artístico e produtor de discos. Ele recusava anúncios de bebidas alcóolicas, cabarés e casas de jogo do bicho.

Escreveu e realizou palestrar abordando a cultura caipira, sendo considerado o primeiro showman da música caipira brasileira. Pesquisador dessa cultura de raiz, Cornélio Pires apresentava-se desde 1910, realizando conferências sobre o cotidiano caipira. Lançou vários livros sobre o tema.

Em 1923 realizou o filme Brasil Pitoresco, ao lado de Flamínio de campos Gatti, e em 1924 lançou uma de suas obras mais conhecidas, o livro As estrambóticas aventuras do Joaquim Bentinho. Ainda em 1924 realizou a primeira apresentação de música caipira na cidade de São Paulo, com um grupo de violeiros no cine república.

Tendo seu projeto de gravação de discos caipiras rejeitado pela Columbia, em 1928, pagou do próprio bolso a produção de uma série especial de 25 mil discos, numerados com a identificação 20.000 e rótulo vermelho, pela mesma Columbia. O sucesso foi imediato, a tiragem inicial foi toda vendida apenas no caminho da cidade de Jaú. Isso exigiu novas prensagens dos discos. Os discos eram divididos em cinco séries: humorística, folclórica, regional, serenatas e patriótica. Ele mesmo cantava e em várias gravações, antes do início da música, ele explicava rapidamente o conteúdo da composição e sua história.


CORNÉLIO PIRES
A Cigarra, 1919.
http://memoria.bn.br


Em 1931 participou do primeiro musical brasileiro, o filme Coisas Nossas.

Foi o primeiro cantor a gravar modas de viola, com Jorginho do Sertão, em 1929.

Em 1949, começou a trabalhar na Companhia Antártica, onde divulgava produtos sem álcool. Ligado há anos ao Espiritismo, fundou em sua cidade natal, Tietê, a Granja de Jesus, que era destinada a prestar assistência a menores carentes.

Cornélio Pires faleceu vitimado por um câncer na faringe, em 17 de fevereiro de 1958, em São Paulo (SP).

Os médiuns Chico Xavier e Waldo Vieira psicografaram um livro de Cornélio Pires, intitulado O Espírito de Cornélio Pires: antologia poética, publicado pela FEB Editora.


CORNÉLIO PIRES
O Cruzeiro, 1930.
http://memoria.bn.br


Trago algumas de suas gravações, inclusive as primeiras modas de viola gravadas no Brasil. São registros da rica cultura de uma parte de nosso interior.




SIMPLICIDADES DE CAIPIRA
Anedota
Gravada por Cornélio Pires
Disco Columbia 20.002-B, matriz 380053-1
Lançado em maio de 1929



NUMA ESCOLA SERTANEJA
Anedota
Gravada por Cornélio Pires
Disco Columbia 20.002-B, matriz 380058-2
Lançado em maio de 1929



DESAFIO ENTRE CAIPIRAS
Desafio
Gravado por Cornélio Pires
Acompanhamento da Turma Caipira
Disco Columbia 20.004-B, matriz 380105
Lançado em maio de 1929



DANÇAS REGIONAIS PAULISTAS
Cana verde – Cururu
Gravado por Cornélio Pires
Acompanhamento da Turma Caipira
Disco Columbia 20.005-B, matriz 380104
Lançado em maio de 1929



JORGINHO DO SERTÃO
Moda de Viola de Cornélio Pires
Gravada por Cornélio Pires
Disco Columbia 20.006-B, matriz 380259-1
Lançado em outubro de 1929



MODA DO PIÃO
Moda de Viola
Gravada por Cornélio Pires
Disco Columbia 20.007-B, matriz 380258
Lançado em outubro de 1929



MECÊ DIZ QUE VAI CASÁ
Moda de Viola
Gravada por Cornélio Pires
Disco Columbia 20.008-B, matriz 380284
Lançado em outubro de 1929



TRISTE ABANDONO
Moda de Viola
Gravada por Cornélio Pires
Disco Columbia 20.009-B, matriz 380260
Lançado em outubro de 1929



SITUAÇÃO ENCRENCADA
Moda de Viola
Gravada por Cornélio Pires
Acompanhamento da Caipirada Barretense
Disco Columbia 20.021-B, matriz 380571
Lançado em abril de 1930



ESCOIENDO NOIVA
Moda de Viola
Gravada por Cornélio Pires
Acompanhamento da Caipirada Barretense
Disco Columbia 20.021-B, matriz 380572
Lançado em abril de 1930










Agradecimento ao Arquivo Nirez


Fontes:
dicionariompb.com.br
http://www.febeditora.com.br














PIXINGUINHA - 45 ANOS DE SAUDADE

PIXINGUINHA
http://www.suasletras.com



Há 45 anos falecia o compositor PIXINGUINHA.

Alfredo da Rocha Vianna nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 23 de abril de 1897, filho de Raimunda da Rocha Vianna e Alfredo da Rocha Vianna. Seu pai, além de funcionário dos Correios e Telégrafos, era músico amador, promovendo em sua casa várias reuniões com músicos e chorões, como Irineu de Almeida, Neco, Quincas Laranjeiras e seu amigo Carlos Espíndola, pai da futura cantora Aracy Côrtes, que participava ainda menina das reuniões, dançando com sua irmã Dalva enquanto os rapazes faziam a música.

Ele também era flautista, orquestrador, regente e saxofonista.

Várias versões explicam o surgimento do nome Pixinguinha. Para uns, foi sua prima Eurídice quem o batizou como Pizindim ou Pizinguim (menino bom). Chegou a estudar no Colégio São Bento, onde foi sacristão. Através de seus irmãos, iniciou-se na música, passando a acompanhar seu pai, que o levava aos bailes. Era irmão do músico e compositor China (Otávio Vianna).

Ainda adolescente gravou seus primeiros discos, fazendo parte do Choro Carioca, comandado por Irineu de Almeida, onde tocava flauta. O registro se deu em 1911 na gravadora Favorite Record, com a polca de Guilherme Cantalice, Nhonhô no Sarilho, onde seus irmãos China e Léo também faziam parte. Com apenas 16 anos foi levado pelo violonista Tute (Arthur Nascimento) para substituir o flautista Antônio Maria Passos na orquestra do Cine Teatro Rio Branco. Mesmo com a relutância de um dos sócios, Sr. Auler, em empregar um rapaz muito jovem, o sucesso de suas interpretações garantiram-lhe o emprego. Também tomou parte no Grupo do Caxangá, organizado pelo compositor e violonista João Pernambuco.

O grupo mais famoso, que ele ajudou a criar, foi Os Oito Batutas, que era uma continuação reduzida do Grupo do Caxangá. Os Oito Batutas foi contratados para tocar na sala de espera do Cinema Palais, cujo gerente era Isaac Frankel. Porém, o conjunto fez muito sucesso, tornando-se uma atração à parte e fazendo mais sucesso que os filmes. Em 28 de janeiro de 1922 os batutas embarcaram para Paris, patrocinados por Arnaldo Guinle, seu fã. Mas, só viajaram sete integrantes, por razão que foram apresentados como Os Batutas, ou Les Batutas: Pixinguinha, Donga, China, Nelson Alves, José Alves de Lima, José Monteiro, na voz e ritmo, e Jacó Palmieri. O oitavo batuta era J. Thomaz, que não viajou por estar doente e não foi substituído. Com novos integrantes, como Josué de Barros ao violão e J. Ribas ao piano, o grupo viajaria ainda em 1922 para Buenos Aires, onde faria algumas gravações em 1923.

Em 1926, Pixinguinha atuou como regente na célebre Companhia Negra de Revistas, criada e dirigida por De Chocolat, que era composta por artistas negros marginalizados pelas outras companhias teatrais da época. Nessa companhia fazia parte estrelas como Rosa Negra e Dalva Espíndola, irmã de Aracy Côrtes. Também nessa empresa teatral, ele conheceria sua futura esposa, a atriz Jandyra Aymoré, nome artístico de Albertina da Rocha, a Bety, que seria sua companheira pelo resto da vida.

A vida e carreira de Pixinguinha é riquíssima. Ele continuaria compondo e gravando, bem como sendo regente de gravadoras como a Victor, conduzindo as competentes orquestras Diabos do Céu e Orquestra Victor Brasileira, além de outras. Teve por parceira apenas uma mulher, a cantora Carmen Miranda, no samba Os Home Implica Comigo, gravado por ela em 1930. Suas composições foram gravadas por vários intérpretes ao longo das décadas, atravessando gerações. Em meados dos anos 40 gravou ao saxofone várias peças ao lado de Benedito Lacerda, um memorável encontro. Suas composições mais conhecidas são Rosa e Carinhoso. Rosa foi gravada originalmente pelo Choro Pixinguinha em 1917, recebendo letra posteriormente de Otávio de Souza e gravada em 1937 por Orlando Silva. Carinhoso foi gravado originalmente em 1928 na Parlophon, como choro, pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, recebendo o título de Carinhos; João de Barro lhe deu letra e Orlando Silva o gravou em 1937, como samba estilizado, na Victor com o título de Carinhoso.

Sendo inspiração e referência para inúmeros artistas, Pixinguinha faleceu em 17 de fevereiro de 1973, no Rio de Janeiro, vitima de problemas cardíacos, durante a cerimônia de batismo do filho de um amigo, em Ipanema. Ele tinha 75 anos.


PIXINGUINHA
Revista Carioca, 1936.
Arquivo Nirez


Vamos ouvir várias gravações com a participação de Pixinguinha como intérprete ou como compositor. Trago algumas de suas gravações no Choro Carioca, em solos de flauta e tocando saxofone na companhia de Benedito Lacerda, na flauta. As outras gravações foram feitas por intérpretes dos anos 20 e 30 que registram a obra de Pixinguinha.



PIXINGUINHA COMO INTÉRPRETE

NHONHÔ EM SARILHO
Polca de Guilherme Cantalice
Gravada pelo Choro Carioca
Disco Favorite Record 1-450-002, matriz 11129
Gravado em lançado em 1911




NININHA
Polca de Irineu de Almeida
Gravada pelo Choro Carioca
Disco Favorite Record 1-450.004
Gravado em lançado em 1911




DAINÉIA
Polca de Irineu de Almeida
Gravada pelo Choro Carioca
Disco Favorite Record 1-450.005
Gravado em lançado em 1911




SÃO JOÃO DEBAIXO D´ÁGUA
Tango de Irineu de Almeida
Gravada pelo Choro Carioca
Disco Favorite Record 1-450.006, matriz 11141
Gravado em 08 de maio de 1911 lançado nesse mesmo ano




TAPA BURACO
Choro de Alfredo Viana (Pixinguinha)
Gravado por Pixinguinha na flauta
Acompanhamento do Grupo dos Ases
Disco Odeon Record 123.067
Gravado em lançado em 1926




INFANTIL
Choro de Alfredo Viana (Pixinguinha)
Gravado por Pixinguinha na flauta
Acompanhamento de violão e cavaquinho
Disco Odeon 10.158-A, matriz 1568
Lançado em abril de 1928




VAMOS BRINCAR
Choro de A. Viana (Pixinguinha)
Gravado por Pixinguinha na flauta
Acompanhamento de violão e cavaquinho
Disco Odeon 10.163-A, matriz 1566
Lançado em maio de 1928




AINDA EXISTE
Choro de Alfredo da Rocha Viana (Pixinguinha)
Gravado por Pixinguinha na flauta
Acompanhamento de violão e cavaquinho
Disco Odeon 10.163-B, matriz 1567
Lançado em maio de 1928




RECORDANDO
Choro de Alfredo Viana (Pixinguinha)
Gravado por Pixinguinha na flauta
Acompanhamento de Tute ao violão e Luperce Miranda ao bandolim
Disco Odeon 11.204-A, matriz 4869
Gravado em 19 de junho de 1934 e lançado em março de 1935




SEGURA ELE
Choro de Benedito Lacerda e Pixinguinha
Gravado por Pixinguinha ao saxofone e Benedito Lacerda na flauta
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 80-0447-B, matriz S-078520-1
Gravado em 20 de maio de 1946 e lançado em outubro




URUBATAN
Choro Estilizado de Benedito Lacerda e Pixinguinha
Gravado por Pixinguinha ao saxofone e Benedito Lacerda na flauta
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 80-0534-A, matriz S-078535-1
Gravado em 04 de junho de 1946 e lançado em agosto de 1947




UM A ZERO (1 X 0)
Choro de Benedito Lacerda e Pixinguinha
Gravado por Pixinguinha ao saxofone e Benedito Lacerda na flauta
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 80-0442-A, matriz S-078543-1
Gravado em 12 de junho de 1946 e lançado em setembro




OS OITO BATUTAS (OS 8 BATUTAS)
Choro de Benedito Lacerda e Pixinguinha
Gravado por Pixinguinha ao saxofone e Benedito Lacerda na flauta
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 80-0584-B, matriz S-078735-1
Gravado em 28 de março de 1947 e lançado em 1948




SOLUÇOS
Choro de Benedito Lacerda e Pixinguinha
Gravado por Pixinguinha ao saxofone e Benedito Lacerda na flauta
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 80-0654-A, matriz S-078857
Gravado em 04 de abril de 1949 e lançado em junho de 1950





PIXINGUINHA COMO COMPOSITOR


PROMESSA
Samba de Pixinguinha
Gravado por Benício Barbosa
Acompanhamento da Orquestra Típica Pixinguinha-Donga
Disco Parlophon 12.865-A, matriz 2029
Gravado em outubro de 1928 e lançado em novembro




ONDE FOI ISABÉ
Embolada de Pixinguinha
Gravada por Patrício Teixeira
Acompanhamento da Orquestra Típica Pixinguinha-Donga
Disco Parlophon 12.917-A, matriz 2285
Lançado em março de 1929




SAUDADE DE PIERRÔ
Samba de Pixinguinha e Cândido das Neves
Gravado por Arthur Costa
Acompanhamento da Orquestra Brunswick
Disco Brunswick 10.039-A, matriz 270
Lançado em março de 1930




OS HOME IMPLICA COMIGO
Samba de Pixinguinha e Carmen Miranda
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento de clarinetas e violões
Disco Victor 33.331-A, matriz 50344-2
Gravado em 21 de junho de 1930 e lançado em setembro




JÁ ANDEI
Batucada de Pixinguinha, Donga e João da Baiana
Gravada por Zaíra de Oliveira e Francisco Sena
Acompanhamento do Grupo da Guarda Velha
Disco Victor 33.509-A, matriz 65300-2
Gravado em 24 de novembro de 1931 e lançado em janeiro de 1932




O MEU CONSELHO
Samba de Pixinguinha
Gravado por Leonel Faria
Acompanhamento de Simão e Sua Orquestra Columbia
Disco Columbia 22.005-B, matriz 380954
Lançado em janeiro de 1931




CARINHOSO
Samba Estilizado de Pixinguinha e João de Barro
Gravado por Orlando Silva
Acompanhamento do Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 34.181-A, matriz 80423-1
Gravado em 28 de maio de 1937 e lançado em julho




YAOU AFRICANO
Lundu de Pixinguinha e Gastão Viana
Acompanhamento do Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 34.346-A, matriz 80775-1
Gravado em 29 de abril de 1938 e lançado em agosto




MULATA BAIANA
Samba Jongo de Pixinguinha e Gastão Viana
Acompanhamento do Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 34.346-B, matriz 80776-1
Gravado em 29 de abril de 1938 e lançado em agosto




VOCÊ NÃO DEVE BEBER
Samba de Pixinguinha e Manoel Ribeiro
Gravado por Edmundo Silva
Acompanhamento de Coro Victor e Orquestra
Disco Victor 34.568-B, matriz 33295-1
Gravado em 24 de novembro de 1939 e lançado em janeiro de 1940













Agradecimento ao Arquivo Nirez


Fonte: dicionariompb.com.br

























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