domingo, 15 de julho de 2018

BAHIANO - 74 ANOS DE SAUDADE

BAHIANO
Arquivo Nirez


Há 74 anos falecia o pioneiro cantor BAHIANO.

Manuel Pedro dos Santos nasceu em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 05 de dezembro de 1870.

Trago novamente um texto que escrevi em 2013 sobre Bahiano, com algumas adaptações:


“Há 74 anos, em um sábado 15 de julho de 1944, falecia no Rio de Janeiro o mais popular cantor do começo do século XX, Manuel Pedro dos Santos, mais conhecido como BAHIANO.

Bahiano foi, provavelmente, o primeiro cantor a gravar discos no Brasil e na América Latina, em 1902.
O célebre lundu Isto é Bom, do ator e compositor Xisto Bahia, foi gravado juntamente com dezenas de outras músicas na primeira sessão de gravação para discos em nosso País. Isto é Bom foi a primeira música a ser lançada, em disco Zon-O-Phone 10001.

De 1902 até meados da década de 1920, Bahiano gravou centenas de músicas dos mais variados estilos, fazendo antológicos duetos com vários (e também lendários) artistas de sua época.

Cançonetista do tempo dos chopes berrantes, cafés concertos, Bahiano logo ficou popular no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sua fama o levou às gravações em cilindros e nos discos (chapas), tornando sua popularidade maior ainda.

Versátil, ele estava sempre muito à vontade em suas gravações; assumindo personagens, brincava e implicava com Senhorita Consuelo e Júlia Martins, levando delas divertidas respostas.
Braga, Escudeiro, O. de Azevedo, Cadete, Eduardo das Neves, Mário Pinheiro, entre outros, fizeram desafios ou duetos com ele. Assim, como Risoleta, Maria Roldan, Maria Marzulo, Isaltina e, até arrisco, Medina de Sousa, também gravaram em sua companhia. Aliás, Medina o levou a soltar sua voz em uma interpretação lírica.
Isso sem falar com os novos talentos de uma nova era, pós Belle Époque, como Vicente Celestino e Januário.

Além do pioneirismo, ele gravou muitos sucessos em discos, dos quais vários se tornaram clássicos de nosso cancioneiro: Perdão EmíliaA MulataO Angú do BarãoO Sino da TardeAi PhilomenaPelo Telephone... a lista, só dos clássicos, é imensa.

Digo mais. Bahiano, assim como mais tarde Aracy Côrtes, participou da transição de épocas marcantes. Ele, até mais que Aracy.
Começando a gravar em 1897 (cilindros) e depois em 1902 (discos), juntamente com o início da indústria fonográfica brasileira, ele trazia toda a bagagem cultural e modismos do século XIX. Até então, a única forma de se divulgar a música eram as partituras, teatro musical e bandas de músicas. As composições ficavam um pouco presas em cada cidade, principalmente no Rio de Janeiro, onde eram propagadas entre os moradores. Como vantagem, haviam as partituras para piano e canto, que rodavam o país (e mundo); também, as heroicas excursões feitas pelas trupes teatrais e, não menos importantes, os cantadores, boêmios, e os amantes da música popular, que saiam espalhando as melodias e letras por onde conseguissem chegar. O povo era também um grande divulgador.

Com a chegada da gravação em disco, isso mudou. Ficou mais fácil levar as chapas para as várias regiões do Brasil, onde seriam ouvidas por muitas pessoas, entre um misto de espanto e prazer.

Havia um detalhe: os inúmeros sucessos dos tempos do Brasil Colônia, do Império e início da República, não poderiam cair no esquecimento. Muitos estavam fresquinhos na memória da população graças ao teatro de revista e suas atrizes, e aos cançonetistas que entretinham o público dos cafés concertos. Dessa forma, Bahiano e seus colegas gravaram muitos sucessos de peças teatrais, modinhas e poesias de grandes e saudosos talentos; bem como precisavam ir registrando os sucessos da atualidade e seus modismos.

Dessa forma, ele viveu vários personagens em suas gravações. Saindo do Império, com suas modinhas em cançonetas, ingressou na República, com os lundus que faziam as delícias das plateias teatrais, afinal, ninguém esquecera da Sabina e o fazendeiro Euzébio; ingressou na Belle Époque, cantando o Art Nouveau e sua interessante moda, como também registrou acontecimentos marcantes de sua atualidade, afinal, "A Europa curvou-se ante o Brasil" e entre o clamor de parabéns em meio tom, ‘apareceu Santos Dumont’. Engraxou, foi abanador apaixonado por uma Vassourinha e, até, Feiticeiro, onde partiu com sua Cigana para encontrar a buena dicha nas linhas do coração. Veio a Primeira Grande Guerra e ele cantou para os soldados que partiam. Nesse meio tempo, gravou modinhas lindíssimas e, ele mesmo, também registrou suas impiedosas paródias. Com o sucesso teatral de sua amiga Julinha Martins, colocou a Philomena na história de tal forma que, no futuro (muito futuro) iam incluir um coelhinho no meio, em uma paródia muito sem-vergonha (para usar um termo de outrora). Ai, Philomena, seu eu fosse como tu...

E assim ele foi gravando, sempre animado e inspirado. Se haviam acabado as cançonetas, havia o samba. Por onde? Pelo Telephone mesmo! Afinal, tudo podia ser motivo para um samba ou uma marcha, até um Pé de Anjo.
Sempre reencontrando os colegas, gravou com o coro do Theatro São José, onde sua velha amiga Julinha Martins se sobressai no coro. Aliás, esses dois gravaram nada menos que a Cabocla de Caxangá. Nas palavras de hoje, Júlia Martins e Bahiano tinham uma química incrível nas gravações.

Mas, os anos 20 já vinha com seus jovens e novos astros. Mesmo assim, o sr. Manuel Pedro ainda emplacou sucessos, antes de se afastar. Nesse fase final de sua carreira, nada menos que Luar de PaquetáAi, Seu MéSai da RaiaDe Bam Bam BamVida Apertada...

Mas, ele se afastou. Nosso querido País, ao mesmo tempo em que acolhia os novos talentos da década de 30, esquecia-se de seus antigos intérpretes. Os meios de comunicação, a mídia e as informações aumentavam e se propagavam de forma assustadoramente rápida, mas isso em nada ajudava a lembrar dos pioneiros. E olha que haviam se passado apenas três décadas.

Nesse esquecimento ele faleceu. Nascido na Bahia (05 de dezembro de 1870), na cidade de Santo Amaro da Purificação, Manuel Pedro dos Santos, faleceu meses antes de completar 74 anos.

Para os pesquisadores, amantes da boa e pioneira MPB, ele será sempre lembrado. Nunca sairá de moda.
Em nossos assuntos musicais ele nunca precisará de permissão para fazer parte, basta repetirmos euforicamente a exclamação de Júlia Martins em uma de suas gravações: ‘Entra, Bahiano!’”.


Já homenageamos Bahiano em outras ocasiões:

Bahiano – 69 anos de Saudade: http://bit.ly/2KVxU9r
Bahiano – 72 anos de Saudade: http://bit.ly/2Jq61AC
Bahiano – 73 anos de Saudade: http://bit.ly/2Ldme17


Hoje, trago vinte e cinco gravações feitas por Bahiano na Odeon Record (Casa Edison) entre 1906 e 1922.



JURAMENTO ESQUECIDO
Modinha
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 10.234
Lançado em 1906




QUANTO EU SINTO SER POBRE
Modinha
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 10.235
Lançado em 1906




A BICHARADA
Marcha
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 10.236
Lançado provavelmente em 1906




BAHIANO VAIDOSO
Lundu
Gravado por Bahiano
Disco Odeon Record 10.295
Lançado em 1907




A MUQUECA
Lundu
Gravado por Bahiano
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 10.283
Lançado em dezembro de 1912




A ROSA
Modinha de Bernardo Cunha
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 10.284, matriz R-1359
Lançado em dezembro de 1912




CHULA CARIOCA
Chula
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 10.319
Lançado em dezembro de 1912



NAS MARGENS DE LINDO RIBEIRO
Modinha
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 108.510, matriz XR-1104
Lançado em 1912




VENDEDORA DE FRUTAS
Lundu
Gravado por Bahiano
Disco Odeon Record 108.514, matriz XR-1108
Lançado em 1912




AMANHÃ
Modinha de Gonçalves Dias
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 108.520, matriz XR-1116
Lançado em 1913




NÃO EMPURRE
Cançoneta
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record, matriz XR-1123
Lançado em 1913




LUNDU DO NORTE
Lundu
Gravado por Bahiano
Disco Odeon Record 108.539
Lançado em 1913




AI FILOMENA
Canção de J. Carvalho Bulhões
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de Conjunto
Disco Odeon Record 120.988
Lançado em 1915




A SAUDADE
Modinha
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de cavaquinho e violão
Disco Odeon 121.018
Lançado em 1915




SOLUÇANDO
Modinha
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 121.030
Lançado em 1915




MEIA NOITE
Modinha
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de cavaquinho e violão
Disco Odeon Record 121.062, matriz R-517
Lançado em 1916




SÚPLICA DE AMOR
Modinha de M. Dias
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de cavaquinho e violão
Disco Odeon 121.063, matriz R-519
Lançado em 1916




SONHOS À BEIRA MAR
Serenata
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de violão e cavaquinho
Disco Odeon Record 121.112, matriz R-516
Lançado em 1916




MULHER ADORADA (FRÊMITO D´AMORE)
Modinha de R. Barbiroli
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de violão e cavaquinho
Disco Odeon Record 121.113
Lançado em 1916




PELO TELEFONE
Samba de Ernesto dos Santos (Donga) e Mauro de Almeida
Gravado por Bahiano
Acompanhamento de Conjunto e Coro
Disco Odeon Record 121.322
Gravado e lançado em 1917




O SABIÁ
Canção Sertaneja de José Francisco de Freitas
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de flauta, cavaquinho e violão
Disco Odeon Record 121.532
Lançado em 1919





MESMO ASSIM
Choro à Moda Carioca de Eduardo Souto
Gravado por Bahiano
Acompanhamento de Conjunto
Disco Odeon Record 121.994
Lançado em 1921



PEMBERÊ
Chula Baiana de Eduardo Souto
Gravado por Bahiano
Acompanhamento de Conjunto
Disco Odeon Record 121.995

Lançado em 1921



CABOCLO MAGOADO
Cateretê Paulista de Eduardo Souto
Gravado por Bahiano
Disco Odeon Record 121.999
Lançado em 1921




LUAR DE PAQUETÁ
Tango Fado de Freire Jr. e Hermes Fontes
Gravado por Bahiano
Disco Odeon Record 122.064
Lançado em 1922










Agradecimento ao Arquivo Nirez











sexta-feira, 13 de julho de 2018

ANACLETO DE MEDEIROS - 152 ANOS


ANACLETO DE MEDEIROS
http://banda.cbmerj.rj.gov.br


Há 152 anos nascia o compositor, regente e instrumentista ANACLETO DE MEDEIROS.

Anacleto Augusto de Medeiros nasceu em Paquetá (RJ), no dia 13 de julho de 1866, na antiga Rua dos Muros. Era filho de uma escrava liberta e foi batizado com o nome do santo do dia.

Tendo ingressado na Companhia de Menores do Arsenal de guerra aos nove anos, deu início aos estudos de música tocando flautim na banda da Companha, dirigida por Antonio dos Santos Bocot. Em 1884, entrou para a Imprensa Nacional (então Tipografia Nacional) e, nesse mesmo ano, matriculou-se no Conservatório de Música. Na Tipografia, organizou o Clube Musical Guttenberg.

Em 1886, formou-se no Conservatório de Música, executando vários instrumentos de sopro, preferindo o sax soprano. Com alguns músicos da extinta Banda de Paquetá, fundou a Sociedade Recreio Musical Paquetaense.

A partir de 1887, passou a atuar com mais constância como compositor, lançando polcas, valsas e xotes.

Organizou e foi mestre de várias bandas, onde a mais famosa foi a Banda do Corpo de Bombeiros, que ele organizou em 1896, que ficaria célebre sob sua direção. Essa banda gravaria seus primeiros discos ainda em 1902, no início da Indústria Fonográfica no Brasil.

Suas composições mais famosas são Yara (Rasga o Coração) e Por um Beijo (Terna Saudade), ambas receberam letra de Catullo da Paixão Cearense.

O cantor e pesquisador Paulo Tapajós o considerava como um dos pilares da estruturação da música popular brasileira, em definição harmônica para conjuntos maiores ou bandas.

Ainda na primeira década do século XX, suas composições receberiam gravações de cantores como Bahiano e Mário Pinheiro.

Anacleto de Medeiros faleceu em Paquetá (RJ), em 14 de agosto de 1907, um mês após completar 41 anos de idade.

Trago algumas gravações feitas por Mário Pinheiro, entre 1904 e 1910, de composições de Anacleto de Medeiros, que receberam versos de Catullo da Paixão Cearense. O Fadário e O que tu és, seriam gravadas na Odeon Record e na Victor Record.




SENTIMENTO OCULTO
Modinha de Anacleto de Medeiros com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Odeon Record 40.044
Lançado em 1904



BENZINHO
Cançoneta de Anacleto de Medeiros com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Odeon Record 40.044
Lançado em 1904



O FADÁRIO
Canção de Anacleto de Medeiros com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Odeon Record 40.165, matriz RX-157(15)
Lançado em 1904



POR UM BEIJO
Valsa de Anacleto de Medeiros com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Odeon Record 40.433
Lançado em 1905



O BOÊMIO
Tango Cançoneta de Medeiros com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravado por Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 40.486
Lançado em 1905



PERDOA
Modinha de Anacleto de Medeiros com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Odeon Record 40.512
Lançado em 1905



YARA (RASGA O CORAÇÃO)
Canção de Medeiros com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravado por Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 108.343
Lançado em 1910



O QUE TU ÉS
Modinha de Anacleto de Medeiros com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Odeon Record 70.501



FADÁRIO
Modinha de Anacleto de Medeiros com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Victor Record 99.724
Lançado em 1910



O QUE TU ÉS
Modinha de Anacleto de Medeiros com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Victor Record 99.741
Lançado em 1910









Agradecimento ao Arquivo Nirez
Fonte: dicionariompb.com.br












quarta-feira, 11 de julho de 2018

JOAQUIM CALLADO - 170 ANOS

JOAQUIM CALLADO
Revista Illustrada, 03 de abril1880.
http://memoria.bn.br


Há 170 anos nascia o compositor e flautista JOAQUIM CALLADO.

Joaquim Antônio da Silva Callado Jr. nasceu no Rio de Janeiro em 11 de julho de 1848, sendo filho de Matilde Joaquina de Sousa Callado e Joaquim Antônio da Silva Callado. Seu pai tocava cornetim e era professor de música e mestre da banda Sociedade União de Artistas, sendo também pintor da Sociedade Carnavalesca Zuavos.

Joaquim Callado casou-se com Feliciana Adelaide Callado. O casal teve cinco filhos, Leonor, Alice, Luísa, Elvira e Artur. Viviam em uma casa modesta situada à Rua Visconde de Itaúna, nº40, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Todos os estudiosos da música popular brasileira consideram Joaquim Callado como a figura de proa na implementação e fixação do Choro, nos últimos vinte anos do Império no Brasil, segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Callado foi pioneiro, e pode ser considerado o criador do Choro, ao incorporar violões e cavaquinhos, instrumentos comuns aos conjuntos da época.

Ele criou O Choro de Callado, grupo que era constituído por um instrumento solista, a flauta, dois violões e um cavaquinho. Era exigido dos três instrumentais de corda boa capacidade de improvisar sobre o acompanhamento harmônico. Callado trabalhou com inúmeros instrumentistas, que se destacaram na fase de fixação da nova maneira de interpretar modinhas, lundus, valsas e polcas.

Entre os chorões com quem conviveu, destacam-se os flautistas Viriato (seu grande amigo), Luisinho, Bacuri, Inacinho Flauta, Soares Caixa-de-fósforos, Artur Fluminense; os violonistas Juca Vale, Manduca do Catumbi, Capitão Rangel e o cavaquinhista Zuzu Cavaquinho.

Joaquim Callado iniciou seus estudos musicais (piano e flauta) possivelmente com o pai. Em 1856, iniciou seus estudos de composição e regência com o maestro Henrique Alves de Mesquita. Destacando-se com a flauta, Callado tornou-se um virtuoso muito popular no Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. Ainda muito jovem, começou a trabalhar como músico profissional, tocando em festas e bailes.

Provavelmente, sua primeira exibição em uma sala de concertos, como flautista, tenha ocorrido em julho de 1866, numa apresentação para a família imperial no Teatro Ginásio Dramático.

Compôs sua primeira música, Querosene, em 1863. Com 19 anos de idade, obteve seu primeiro sucesso com a quadrilha Carnaval de 1867.

Em 13 de janeiro de 1869, Callado conseguiu, pela primeira vez, ver publicada uma composição sua, a polca Querida por Todos, dedicada à sua amiga a compositora Chiquinha Gonzaga.
Durante a década de 1870, ele conquistaria muitas vitórias profissionais. Foi nessa época que várias de suas composições foram publicadas, como a polca Linguagem do Coração, em 1872 e Cruzes, Minha Prima, em 1875, que foi uma das músicas de maiores sucesso do final do século XIX.

Em 1873, ele foi o responsável pela primeira vez em concerto do gênero lundu, gênero musical até então tido como música de escravos. Sua obra Lundu Característico obteve tanto sucesso que, segundo o pesquisador Vasco Mariz, “lhe rendeu a nomeação para a cadeira de flauta do Imperial Conservatório de Música”.

Alcançando grande prestígio, em 1879 foi condecorado com a Ordem da Rosa, no grau de Comendador, junto com outros professores do Conservatório. Esta era a mais alta condecoração oferecida pelo Império.

Ele também foi nomeado professor de música do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, por intermédio de seu padrinho, o marechal-de-campo José Basileu Neves Gonzaga, pai de sua amiga Chiquinha Gonzaga.

Logo após o Carnaval de 1880, o Rio de Janeiro sofreu uma epidemia de meningite. Joaquim Callado contraiu a doença, vindo a falecer em 20 de março de 1880, no Rio de Janeiro, meses antes de completar 32 anos. Ele foi sepultado no dia 21, em uma cova rasa, no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo. Em 27 de julho de 1885, alguns músicos organizaram um recital no Teatro D. Pedro II, para angariar fundos visando comprar uma modesta casa na Rua do Conde, para a família do compositor e também uma sepultura junto à de seu amigo Viriato, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.

Um mês após sua morte, foi publicada sua última composição, a polca Flor Amorosa, que se tornou um clássico da música popular brasileira e sua obra mais conhecida, recebendo versos de Catullo da Paixão Cearense.

Segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, Joaquim Callado elevou a virtuosidade da flauta, imprimindo estilo próprio à execução desse instrumento, tocando a melodia em rápidos saltos oitavados, de forma que os ouvintes tivessem a impressão de estarem ouvindo duas flautas simultaneamente. Tornou-se exemplo para toda uma escola de flautistas extraordinários, entre os quais, Viriato, Patápio Silva, Nola, Plínio, Henrique Flauta, Pixinguinha, Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho.

Em 1999, foi exibida pela Rede Globo a minissérie Chiquinha Gonzaga, de Lauro César Munis e Marcílio Moraes, baseada na vida da compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga. Ela seria interpretada pelas atrizes Gabriela Duarte e Regina Duarte. Joaquim Callado seria interpretado pelo ator Norton Nascimento e sua esposa, Feliciana, foi interpretada pela atriz Adriana Lessa. O maestro Henrique Alves de Mesquita foi interpretado pelo ator Milton Gonçalves.


No começo da década de 1900 as músicas de Joaquim Callado passaram a receber gravações. Flor Amorosa foi a mais gravada, a partir de 1904 pelos Irmãos Eymard, e em 1913, com os versos de Catullo, por Aristarco Dias Brandão. As gravações de Flor Amorosa contam também com a presença de Abigail Alessio Parecis, em 1929, e Francisco Carlos, em 1958.

Trago algumas dessas gravações, inclusive Linguagem do Coração, cuja gravação foi feita por Pedro de Alcântara no flautim, sendo acompanhado pelo grande Ernesto Nazareth ao piano.

Confiram também a gravações de Samba Característico e o sucesso Cruzes, Minha Prima, interpretadas pelo maestro Artur Camilo, ao piano.




LINGUAGEM DO CORAÇÃO
Polca de Joaquim Callado
Gravada por Pedro de Alcântara ao flautim
Acompanhamento de Ernesto Nazareth ao piano
Disco Odeon Record 108.789, matriz XR-1462
Lançado em 1913



SAMBA CARACTERÍSTICO
De Joaquim Callado
Gravado por Artur Camilo ao piano
Disco Odeon Record 120.525
Lançado em 1913



CRUZES MINHA PRIMA
Polca de Joaquim Calado
Gravada por Agenor Bens na flauta
Acompanhamento de Artur Camilo ao piano
Disco Odeon Record 120.672
Lançado em 1913



FLOR AMOROSA
Polca de Joaquim Callado
Gravada pelos Irmãos Eymard
Disco Odeon Record 10.027, matriz R-3
Lançado em 1904



FLOR AMOROSA
Modinha de Joaquim Callado com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Aristarco Dias Brandão
Disco Odeon Record 120.255, matriz XR-1812
Lançado em março de 1913



FLOR AMOROSA
De Joaquim Callado com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Abigail Alessio Parecis
Acompanhamento de violão
Disco Columbia 5.003-B, matriz 380023
Lançado em fevereiro de 1929



FLOR AMOROSA
Choro Canção de Joaquim Callado com versos de Catullo da Paixão Cearense
Gravado por Francisco Carlos
Acompanhamento de Bandinha
Disco RCA Victor 80-1967-A, matriz 13-J2PB-0403
Gravado em 06 de maio de 1958 e lançado em agosto









Agradecimento ao Arquivo Nirez











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