domingo, 14 de junho de 2009

Linda Baptista - 90 Anos!


Hoje, dia 19 de Junho marca o aniversário de 90 anos da grande cantora Linda Baptista!
Linda foi uma das maiores intérpretes de nossa MPB, eleita Rainha do Rádio por 11 anos consecutivos!
Era filha do famoso ventrílloquo e cantor Baptista Junior e irmã da também consagrada cantora Dircynha Baptista.

Linda cantando o samba Bom Dia, com as Três Marias, conjunto vocal do qual fazia parte Marília Baptista.


sábado, 23 de maio de 2009

Carmélia - 100 anos!!


Hoje uma pessoa muito especial para mim completaria 100 anos.
Ela não foi cantora ou atriz.
Era minha avó.
Minha querida avó Carmélia (1909 - 1995).

Faço esta homenagem a ela com uma música que ela muito gostava: Nós queremos uma valsa.


Aqui em uma gravação de Carlos Galhardo, de 1941.
Esta músca tem parte da melodia insprada na Valsa dos Patindores, do francês Émile Waldteufel, adaptada e co versos de Nássara e Frazão.

Na segunda foto, ao lado de minha avó está sua amiga Noemia (de vestido branco, à direita). As fotos são do anos 20.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Não há ninguém mais feliz - marcha de 1939


Bela marcha gravada por Aurora Miranda em uma linda interpretação, como só ela sabia fazer.

Simples e maravilhosa ao mesmo tempo.



O estilo romantico de Aurora era notado no samba e na marcha, como esta de Alcy Pires Vermelho.


Não há ninguém mais feliz
Que eu, que eu
Porque o teu coração
É meu, só meu
A vida assim é melhor
Guardo este verso de cor
Não há ninguém mais feliz que eu

É teu, só teu meu sorriso
É teu o meu olhar
Na vida apenas preciso
Amar, amar, amar
Tendo o teu amor
Tenho tudo enfim
Hoje eu sou feliz
Meu viver é assim



Não há ninguém mais feliz



Disco Odeon 11.767-A, Matriz 6122. Gravado em 9 de Junho de 1939, disco lançado em Setembro de 1939. Acompanhamento do conjunto Odeon, sob a direção de Simon Bountman.

Agradecimento à pesquisadora Thais Matarazzo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Tome mais um chopp - marcha de 1934

Marcha de Nássara gravada por Carmen Miranda.

Segundo o pesquisador Abel Cardoso Jr.: "Instantâneo da casa Nice, com seu café, chope e bife mal passado. Nássara era um dos líderes a animar o ambiente. Carmen não ia ao Nice e era censurada por isso!"


Carmen fala: Já vai tão cedo? Tome mais um chope...

Com você ausente ninguém vai ficar contente
O ambiente num instante vai mudar...
Tome mais um chope, vê se come mais um bife
que ainda é cedo pra você se retirar

Meu amor, por favor, não vá-se embora
Espere ao menos que desponte a aurora

Com você lá fora todo mundo logo chora
e lhe implora pelo menos pra voltar...
Tome mais um chope, vê se come mais um bife
que ainda é cedo pra você se retirar


Ouça Tome mais um chopp

Carmen Miranda gravou na Victor em 10 de Outubro de 1934, sendo acompanhada pelos Diabos do Céo(sob direção de Pixinguinha).
Disco Victor 33.858-B
Matriz 79721-1
Disco lançado em dezembro de 1934.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A Abelha e a Flor - canção de 1904

Canção de W. H. Penn e letra de Catullo da Paixão Cearense, gravado pela Inimitável Risoleta na Colúmbia Record, em 1912.

Mário Pinheiro fez duas gravações dessa canção, em 1904(Odeon Record) e 1910(Victor Record).

Em 1910, Orestes de Mattos faria uma gravação na Brazil Record.

Risoleta era uma das grandes cantoras do início do século XX. Em vários de seus discos vinha gravado no selo: "Pela Inimitável Risoleta".


Letra com um leve duplo sentido, comum entre algumas composições da época.

Junto a um belo jasmineiro
dois felizes namorados
se sentaram bem cuidados
E o cupido traiçoeiro
numa abelha transformado
quer o mel, tirar da flor
que dá o amor
Vendo um lírio perfumado
se introduz, rapidamente
e o amante de repente
faz beber o mel da flor
que embriaga o coração
e, do amante, ouve o amor
esta canção:

Porque não sou eu
a abelha e tu a flor
a flor
Provo os lábios teus
gozar o mel de amor
de amor
Nesta tarde tão ditosa
em que o céu era formoso
e que a fonte, além, cantava
Dizia ao lírio cheiroso
Madrigais de amor à rosa
que tristonha
se inclinava tão formosa
E o amante se abrasava
junto à moça
de repente quer beijar-lhe
o colo ardente
Ela, de olhos baixos, chora
mas, na boca, um beijo implora
E do amante
ouve o amor esta canção:

Porque não sou eu
a abelha e tu a flor
a flor
Provo os lábios teus
gozar o mel de amor
de amor...


A Abelha e a Flor
Canção de W. H. Penn com letra de Catullo da Paixão Cearense
Gravado por Mário Pinheiro em 1904
Disco Odeon Record 40.159
Matriz RX-12
Acompanhamento de piano






Foto: Mário Pinheiro.
Agradecimento ao Arquivo Nirez

terça-feira, 28 de abril de 2009

Sapoty - canção brasileira de 1928

Canção brasileira com letra de Freire Junior e música de Afonso Martinez Grau.

Foi lançada pela atriz Dulce de Almeida na revista "Você quer é carinho", de 1928.

Nesse mesmo ano, recebeu gravação do cantor Francisco Alves.

PS. Transcrevi a letra com parte da grafia original.

O sapoty é a mulata brasileira
A trigueirinha faceira
que faz da gente o que quer
É uma fructa rechonchuda, saborosa
é também apetitosa
como a mestiça mulher

Tal qual a fructa
a mulatinha é desejada
Mesmo verde é procurada
pelos 'morcegos' gulosos
É molezinha
e delicada e tão macia
Quem afinal não a aprecia
com os seus requebros maldosos?

Qual a fructa melhor daqui?
Sapoty!
Qual a mulher que a todos mata?
A mulata!
Qual das duas se gosta mais?
São iguais!
Tem, as duas, a mesma cor
e sabor.


Ouça Sapoty

Gravação de Francisco Alves de 1928
Disco Odeon 10.210-B
Matriz 1738
Acompanhamento Jazz Band Pan American

domingo, 5 de abril de 2009

Aracy Côrtes, Senhora Rainha

Aracy nasceu em 31 de Março de 1904, no Rio de Janeiro.
Seu nome de batismo era Zilda de Carvalho Espíndola, e ai de quem escrevesse errado sem o “E”...

Era filha de Argemira de Carvalho Espíndola e Carlos Espíndola. Afirmava ser “uma mestiça terrível – filha de brasileiro com espanhol e neta de paraguaio”.

Era a caçula dos irmãos Silvino e Dalva.
O contato de Zilda com a música se deu ainda em sua infância. Seu pai era amante da música e tocava choros em sua flauta.

A amizade com Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna) se iniciou na infância dos dois, quando eram vizinhos (a diferença de idade entre eles era de sete anos).
Nas reuniões musicais na casa do futuro compositor ela e a irmã já ensaiavam os primeiros passos de dança.

Um dia Zilda comunicou aos pais que havia sido convidada para atuar em um grupo amador, os “Filhos de Talma”.

Pouco depois estreava no Democrata Circo ( que também seria chamado de Circo Spinelli, usando o sobrenome de seu dono), onde o célebre Benjamin de Oliveira era a atração principal. Apesar do desmaio na apresentação inicial o publico gostou da garota e, em pouco tempo, já estava com a Companhia Arruda excursionando por São Paulo e Minas Gerais. Genésio Arruda, dono da companhia, era especialista no tipo “caipira”.

Quando seu amigo Pixinguinha formou o conjunto Os Oito Batutas, no qual seu irmão China (Otávio Vianna) também fazia parte, a menina Zilda foi cogitada para fazer umas apresentações com o grupo.

Mas era preciso fazer uma grande mudança.

China e Mário Magalhães, o crítico teatral do jornal “A Noite”, estavam na redação desse vespertino quando resolveram inseri-la ao conjunto. Porém, Mário achava que o nome Zilda não combinava e, após pensarem bastante concordaram que Aracy era algo bem brasileiro.

Mas, Aracy “de quê”? Uma dúvida mais complicada que a primeira, pois teriam de arranjar um sobrenome marcante, que se encaixasse com o nome.

Enquanto pensavam entrou, apressado, o repórter policial Côrtes. Ao ver o colega, Mário encontrou sua resposta. Assim, nascia Aracy Côrtes.

Ela não gostou da mudança e no início só usava somente metade no nome.

Daí para o grande meio de divulgação da música popular, de artistas e compositores, o Teatro de Revista (um poderoso veículo de comunicação que trazia a atenção da população ao que acontecia na política e nos costumes sociais), seria um pulo.

Sua estréia profissional nos palcos das revistas aconteceu em 31 de Dezembro de 1921.

A peça era “Nós, pelas costas!”, de J. Praxedes, com música de Pedro de Sá Pereira, com estréia no Theatro Recreio Dramático (ou Theatro Recreio), onde ela ainda iria brilhar inúmeras vezes.

O Recreio ficava na Praça Tiradentes, onde se encontravam os mais famosos teatros e a concentrava as peças de Revistas. Como já existia outra Zilda no elenco a solução foi usar definitivamente o pseudônimo. E a garota estreou como Aracy Côrtes mesmo.

Sua interpretação da personagem “Vinho do Porto”, na cena “No Domínio de Baco”, apresentava momentos de crua sensualidade pagã, segundo a imprensa. O crítico Mário Nunes a destacava como “figurinha de brasileira petulante”.


Obs: Artigo em 5 partes.

Aracy e as primeiras gravações- Parte 2

O Teatro de Revista tinha em Ottília Amorim um dos grandes nomes da época e, pouco depois, Margarida Max e Lia Binatti. Junto a elas Aracy foi fazendo seu nome e até ser considerada uma de suas Rainhas.

Em breve, seria a figura principal dos palcos da Praça Tiradentes, lançando vários clássicos imortais de nossa MPB em primeira mão e lançando novos compositores como: Ary Barroso, Lamartine Babo, Noel Rosa, Assis Valente...

Segundo a revista Noite Illustrada, de 19 de Outubro de 1938, Aracy era “a decisão da vida de um compositor”.

E, para um iniciante ter uma de suas composições inseridas em algum teatro da Praça Tiradentes já era um grande passo... ter essa música interpretada por Aracy Côrtes era a consagração!

Gravou suas primeiras músicas em 1925, ainda na lendária Casa Edison.
Até 1926 podemos ouvir, na grande maioria dos discos, um locutor anunciando o título da música, o intérprete e algumas informações adicionais.

Em seu primeiro registro sonoro, a jovem cantora recebeu o título de “Graciosa Estrela Brasileira”. Nesse ano, gravou A Casinha (também conhecida como A Casinha da Colina, de Pedro de Sá Pereira e Luís Peixoto), Petropolitana (autor ignorado) e Serenata de Toselli (de E. Toselli).

Volta a gravar no final de 1928. A gravadora era a Parlophon.

Em seu primeiro disco elétrico já trazia um clássico: o samba de Sinhô (José Barbosa da Silva) Jura...! , lançada pela própria Aracy na revista Microlândia, estreada no Teatro Fênix em 28 de Setembro de 1928.

O pesquisador Abel Cardoso Junior informava que Aracy precisou repetir a música sete vezes no primeiro dia da apresentação e, segundo a própria cantora, “Isso deixou Sinhô tão emocionado que ele subiu no palco chorando”.

O disco seguinte seria igualmente histórico e marcaria Aracy pelo resto de sua vida por causa da música do lado A.

Ela gravava pela primeira vez Yayá .

Essa composição já havia sido gravada, com títulos e versos diferentes, por Vicente Celestino (Linda Flôr, com versos de Cândido Costa) e Francisco Alves (Meiga Flôr, com letra de Freire Júnior), sem o sucesso desejado. Nem a competente atriz Dulce de Almeida conseguiu que emplacasse quando lançou, antes de todos, na peça A Verdade ao Meio-Dia, em 1928.

Com novos versos, de Luis Peixoto e Marques Porto, a melodia do maestro Henrique Vogeler entraria para a história não com o nome que Aracy lançou na revista Miss Brasil (Theatro Recreio em 20 de Dezembro de 1928), mas rebatizada pelo público como Ai Yoyô.

Aracy e seu estilo inconfundível - Parte 3

Soprano, Aracy foi quem adaptou o canto lírico para cantar a nossa música popular.

Ela sabia valorizar a melodia e em cada registro seu deixou sua marca, seus “erres”, sua dicção e os agudos maravilhosos.

E sua improvisação, apenas com sons? Perfeita!

Basta ouvirmos Reminiscências, de Jota Soares e Carlos Medina.

Aí, percebemos porque ela era considerada soberana.

Uma curiosidade: Aracy gravou essa música duas vezes.

Talvez em nossa discografia não apareça esse detalhe.

Mas, se ouvirmos atentamente alguns exemplares da música veremos, na parte do improviso, que se trata de versões diferentes.
Ela troca de lugar com a orquestra e, com improvisação através de sua voz, interpreta a parte dos instrumentos que a acompanham e estes solam a parte que seria cantada por ela.

Não foi à toa que Abel Cardoso Junior ao escrever escrever sobre essa música, afirmou: Aracy dá uma verdadeira aula de voz e interpretação!

Em suas gravações ela assumia as personagens que interpretava nos palcos ou que faziam sucessos.

Podia ser a mulher bem resolvida de Sim, mas desencosta (Cândido das Neves); como poderia ser triste e bela com A Minha Dor, de Oscar Cardona (que também era ator).

O tema “mulher de malandro” nos deu Tu qué tomá meu home (Ary Barroso e Olegário Mariano) e Você é o homem do meu peito (J. Cabral e M. Rodrigues).
A Bahia foi cantada através de Meu Sinhô do Bonfim (Pedro de Sá Pereira, Luís Peixoto e Marques Porto), Zomba (do cantor Francisco Alves) ou a já citada Baianinha.

Os Quindins de Yayá (de Pedro de Sá Pereira e Cardoso de Menezes e Carlos Bittencourt – não confundir com a homônima de Ary Barroso) nos davam idéia da malícia de sua atuação.

E Um Sorriso (de Benedito Lacerda) ainda nos deixa emocionados.

Gravou também na Odeon e na Colúmbia.

Aproximadamente foram 71 músicas em discos 78 rpm.

É uma pena que não tenha gravado mais.

Basta citarmos alguns títulos de músicas que devem a ela seu sucesso para desejarmos mais gravações suas: Aquearela do Brasil, No Morro, Eh, Eh (depois rebatizada de Boneca de Pixe), Na Grota Funda – Esse mulato vai ser meu (que viraria No Rancho Fundo), Guacyra, Harmonia das Flores, Ai Yoyô, Jura, Na Pavuna, Tem Francesa no Morro, Tico Tico no Fubá, Yes, Nós temos Banana...

Excursionou com sucesso por Paris, Portugal e Espanha.

Criou sua própria companhia teatral: Companhia Aracy Côrtes/Pinto Filho.
Pinto Filho foi um de nossos grandes atores cômicos.

Teve destaque no rádio e foi eleita a Rainha da Atrizes de 1939.

Após décadas de êxitos ela se afastou dos palcos.

Retornou com grande sucesso no show Rosa de Ouro (de 1965), em que dividia o palco com os estreantes Clementina de Jesus Paulinho da Viola. Sua entrada era anunciada com a música Senhora Rainha, de Hermínio Bello de Cravalho.
Por conta desse espetáculo fez mais algumas gravações e lançou mais composições, também interpretando seus sucessos.
Em 1984, aos 80 anos, participou em um show na Sala Funarte ao lado da cantora Marília Barbosa que, segundo a própria Aracy, era a única que poderia ser sua sucessora.

Em 8 de Janeiro de 1985 ela falece no Rio de Janeiro. Seu corpo é velado no Teatro João Caetano. A imprensa dedica homenagens à artista; afirmando que, com ela, ia embora toda uma era do nosso teatro.

E foi verdade...


Aracy, análise de uma estrela - Parte 4

Ela, aos 28 anos já era considerada uma grande profissional. Um nome bastante respeitado.

Se revisarmos sua carreira, veremos que ela pegou uma fase de transição em nossa cultura.

Iniciando profissionalmente no início da década de 1920, Aracy começou a atuar no finalzinho da Belle Époque brasileira.


Interpretou nos palcos compositores veteranos que faziam parte da geração de 1900, como Paulino Sacramento, e foi uma das últimas cantoras a gravar ainda no processo mecânico, na lendária Casa Edison.

Conseguiu tudo isso até os 21 anos.

Em seguida a esses acontecimentos, seguiu sua carreira em meio às transições dos loucos anos 20, passou a gravar no processo elétrico e lançou sucessos de compositores da (sua) atualidade, como Sinhô e novos talentos como Ary Barroso.

Adaptou-se com perfeição na interpretação dos novos estilos de se cantar samba, da marcha e também às mudanças de como se fazia o Teatro de Revista.
Era sempre atual e inovadora; como quando subiu o morro para contratar sambistas que nunca haviam visto um palco, mas, que eram perfeitos na interpretação de sua composições.

Falar de Aracy Côrtes é, e sempre será, um imenso prazer para mim.Pronunciar seu nome já me dá um prazer indescritível, nome sonoro e imponente, que me evoca sua voz e interpretação impagáveis.Eu escrevi uma breve citação de algumas fases de sua vida. Sua história merece, como já aconteceu (e provavelmente acontecerá novamente) um livro inteiro ou um blog só para ela.Idéia que vou por em prática um dia.

Se buscarmos conhecer quem foram nossos artistas do passado veremos como foi rica e grandiosa nossa cultura.
Como Aracy Côrtes outras mulheres e homens deixaram um belo legado para a posteridade.

Garanto-lhes uma coisa: é um universo apaixonante onde todos vão ficar fascinados ao conhece-lo!

Quem se habilita?

sábado, 4 de abril de 2009

Aracy, ouçam sua voz! - Final

Ouça Aracy Côrtes




A Casinha - Canção brasileira de Pedro de Sá Pereira e Luís Peixoto.
Gravada em 1925. Disco Odeon Record 122.884. Aracy é acompanhada pela famosa Jazz Band Sul Americana de Romeu Silva.

Lançada na revista Secos e Molhados em 1924.





















Jura...! - Samba de José Barbosa da Silva, o Sinhô.
Gravado em 1928, disco Parlophon 12.868-A, Matriz nº 2071, lançado em Novembro de 1928.
Aracy é acompanhada por Simão Nacional Orchestra.


Foi lançado na revista Microlândia em 1928.





















Yayá - Canção brasileira de Henrique Vogeler, Luís Peixoto e Marques Porto.
Disco Parlophon 12.926-A, Matriz nº 2366, lançado em Março de 1929.
Aracy é acompanhada pela Orchestra Parlophon.

Foi lançado na revista Miss Brasil, em 1928.
Ps. Trata-se de um samba-canção, o nosso primeiro. Porém, eu copiei as informações como estão no selo do disco.































.
Quindins de Yayá - Samba de Pedro de Sá Pereira, Cardoso de Menezes e Carlos Bittencourt.
Disco Odeon 10.457-A, Matriz nº 2815, lançado em Agosto de 1929.
Aracy é acompanhada pela Orchestra Pan American.

Lançada na revista Compra um Bonde, em 1929.





















O amor vem quando a gente não espera (Samba da Penha) - Samba
De Ary Barroso, Cardoso de Menezes e Carlos Bittencourt.
Disco Odeon 10.469-A, Matriz nº 2.866, lnaçado em Outubro de 1929.

Lançado na revista Comigo é na Madeira, em 1929.




























Obs: Nessa série de pequenos artigos sobre Aracy Côrtes usei a grafia e acentuação originais de títulos de músicas e nome de pessoas.


Agradecemos ao ARQUIVO NIREZ (Fortaleza-Ce).


Fontes:
Revista Phono-Arte, 1929/1930.
Revista Noite Illustrada, 1930.
Araci Cortes - Linda Flor, da autoria de Roberto Ruiz, 1984.
Viva o Rebolado - Vida e morte do Teatro de Revista brasileiro, Salvyano Cavalcanti de Paiva, 1991.

terça-feira, 31 de março de 2009

Aracy Côrtes, 105 anos!

Hoje é o grande dia!
105 anos de Aracy Côrtes e a recolocação da placa em sua homenagem no Teatro João Caetano.
Trazer a placa de volta ao teatro tem sido idéia defendida por J. Maia e o ex diretor do João Caetano, Paulo Roberto.

Hoje às 19H, sob a direção de Daniel Dias, haverá a cerimônia, marcada pela apresentações de artistas e exposições de fotos de Aracy, do arquivo de J. Maia.

Em homenagem à querida artista, escreverei uma pequena biografia, com fotos e gravações. Não será uma biografia completa, pois, o espaço seria pequeno para tal. Assim, falarei em geral de sua vida e carreira.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O dia 31!

A Praça Tiradentes (RJ) vai reviver seus dias de glória!

Está se aproximando o dia em que Aracy Côrtes completaria 105 anos!
Na data, 31 de Março, será marcada com a recolocação da placa em homenagem à atriz e cantora, e acontecerá no Teatro João Caetano, palco (literalmente) onde Aracy lançou inúmeros êxitos e mereceu os mais calorosos aplausos.

Esse carinho irá se repetir terça-feira próxima. O diretor do teatro, Daniel Dias da Silva e a Secretária de Cultura Adriana Rattes receberão figuras ilustes como o cenógrafo J. Maia, que trabalhou e amparou Aracy em suas últimas décadas de vida.
Maia possui um rico acervo sobre a cantora e, durante a homenagem, estarão expostas fotografias de seu acervo pessoal.
O público também poderá apreciar as apresentações de Carol Bezerra e André Protásio.

O Teatro João Caetano fica na Praça Tiradentes s/n, Rio de Janeiro.
O evento se iniciará às 19H.




Um Sorriso
Samba -canção de Benedito Lacerda
Gravado por Aracy Côrtes em 17 de Julho de 1934, disco lançado em Agosto de 1934.
Disco Odeon nº 11.144-B, Matriz 4880
Aracy é acompanhada pela Orquestra Odeon

Acervo Marcelo Bonavides

terça-feira, 24 de março de 2009

Um novo título

Resolvi mudar o título de meu blog.
Antes, chamado "Marcelo Bonavides" (eu ehehe), agora "Estrelas que nunca se apagam". É um título bem poético e, quem sabe, piegas. Será? Enfim.. Poético porque evoca artistas que atuaram, no mínimo, há quase 70 anos atrás, em uma época em que era normal ser romântico. Piegas, porque muita gente não conhece nossa história, seja política, econômica, cultural.. e acham que esses artistas nunca existiram e, na feroz prática de descartar tudo, inclusive valores, podem torcer o nariz ao que foi feito há muito tempo atrás... e torcem mesmo!
Por enquanto deixarei esse título (parece mais nome de modinha do Catullo, gravada na Casa Edison por Mário Pinheiro ou Bahiano, ou até por Risoletta ou Senhorita Odette).
As estrelas não se apagaram, foram esquecidas. E pessoas que não possuem "olhos para enxergar" não conhecerão seu valor. Mas, aos que conseguem realmente ver, um belo firmamento os aguarda!


"Os Olhos Della"
Schottisch de Irineu de Almeida. Gravado pela Banda da Casa Edison em 1907.
Disco Odeon Record nº108.143, Matriz 676.

Esta música recebeu versos de Catullo da Paixão Cearense, feitos em homenagem à atriz Appolônia Pinto.


Agradecimento ao Arquivo Nirez.

Para Aracy!

O dia 31 de Março próximo será duplamente especial.
Marcará os 105 anos da atriz e cantora Aracy Côrtes, grande nome da Música Popular Brasileira de todos os tempos. Aracy nasceu em 1904, no Rio de Janeiro, e nessa mesma cidade faleceu, em 1985, meses antes de completar 81 anos. Sua carreira no Teatro de Revista foi antológica, chegando a ser considerada uma de suas rainhas e, até, sinônimo do próprio gênero musical. Não bastando esse sucesso, ainda marcou sua presença nos discos, rádios e excursões, inclusive ao exterior.
Em um dos teatro onde era soberana, o João Caetano (RJ), havia uma placa em sua homenagem, pelos grandes serviços prestados ao Teatro Brasileiro. Após algumas reformas a placa foi removida e não havia voltado ao seu lugar.
Na atual administração o diretor do João Caetano, o cearense Daniel Dias da Silva, está preparando uma homenagem à Aracy, no dia de seu aniverário, com a reinauguração da placa.
Um ato que merece nossoa aplausos pelo respeito e atenção a um dos grandes nomes de nossa história cultural que, mais uma vez, recebe a atenção merecida.

Estamos contentes com a homenagem!

domingo, 22 de março de 2009

MARCAS D´ÁGUA

Minhas amigas e amigos que acompanham meu Blog. Vou explicar o porque que marco as fotos postadas aqui.
É simples: elas fazem parte de coleções e arquivos particulares.
Arquivos que levaram mais de 20 anos e, até, 50 anos para serem formados.
E não nos enganemos, na Internet a maioria das pessoas copia foto e quando posta em algum lugar não coloca o credito de origem. Infelizmente é assim. Poucos são os que respeitam.

Em um comentário recente, feito na postagem do artigo sobre Carmen Miranda, um(a) internauta ficou indignado com o fato das fotos estarem com marcas d´água. Afirmou que Carmen era domínio público e que eu, o postador, era um mané qualquer que me achava no direto de assim apresentar as fotos. Bem, o "mané" tem nome e sobrenome: MARCELO BONAVIDES, Ator, Pesquisador Musical e Jornalista. E se ser cuidadoso com seu acervo ou com o dos colegas é ser mané, serei com orgulho!
E esse Sr. Sra. Anônimo, quem é??... enfim............. Por que não assina o que posta aqui??

As fotos pertencem a arquivos sérios e serão SEMPRE aprsentadas com marcas d´água. Carmen ou qulquer outros artistas aaqui citados assim serão apresentados. já tive fotografias copiadas e nunca colocaram meu nome nos créditos. Não irei cometer esse erro novamente, nem vou faltar com o respeito com meus colegas pesquisadores, pessoas sérias que sempre assinam seus nomes em trabalhos ou comentários.
Sem mais.

Obrigado.

MARCELO BONAVIDES

terça-feira, 17 de março de 2009

As Centenárias de 2009!

A ano de 2009 marca o centenário de vários artistas. A mais famosa centenária, sem dúvida, é Carmen Miranda, maior nome de nossa Música Popular Brasileira no exterior e uma das maiores interpretes de nosso samba emarcha. Porém outros nomes importantes merecem resgate: Elisa Coelho, Olga Praguer Coelho e Laura Suarez. As três foram de grande importância para nossa música e cultura e também completariam 100 anos.
Todas elas serão relembradas aqui.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A Pequena Centenária Notável

É difícil imaginarmos um ícone que se mantém sempre atual completar 100 anos.
Isso acontecerá nessa segunda feira dia 9 de fevereiro quando se comemora o centenário de nascimento da cantora Carmen Miranda.
A imagem da artista se renova a cada geração, mantendo sua originalidade e contemporaneidade, símbolos de uma vanguarda que, mesmo depois de mais de cinco décadas de sua morte, se mantém inalterada.

Ao iniciar sua carreira artística em 1929, tendo como padrinho o compositor e violonista baiano Josué de Barros, Carmen lançou um disco pela gravadora Brunswick, recém inaugurada no Brasil. Meses depois, iria para a também novata Victor, onde em seus primeiros discos já apresentava um estilo diferente de interpretação.

Nessa época, a grande figura das telas de cinema e representante da mocinha moderna era a atriz americana Clara Bow, conhecida como A Garota do It (The It Girl). Esse “It” era o diferencial que tornava uma mulher especial em relação às outras: o carisma envolto em uma contagiante vitalidade. Logo, Carmen passou a ser a Garota com o It na Voz, para depois, ser batizada pelo locutor César Ladeira de Pequena Notável, devido a sua estatura de 1, 52 cm. Outros adjetivos como A Embaixatriz do Samba, e Brazilian Bombshell (já nos EUA), seriam associados a ela.

Com o sucesso extraordinário da marcha Pra você gostar de mim (Tai), seu terceiro disco, da autoria do médico Joubert de Carvalho, a artista ficou conhecida nacionalmente, passando a ser o carro chefe da gravadora. Daí para novos sucessos em discos, no rádio, no cinema e em cassinos foi rápido. A cantora que começou a carreira imitando a grande estrela do teatro de revista Aracy Côrtes, agora, teria suas próprias imitadoras. Lançaria moda pelo país e chegaria a ter o maior salário pago a um artista de rádio, ainda por cima uma sambista, o que gerou várias críticas.
Vários compositores de renome faziam questão que suas composições fossem gravadas por ela: Assis Valente, Ary Barroso, Lamartine Babo, Custódio Mesquita, João de Barro, só para citar alguns.

Seu prestigio se espalhava pelo Brasil através dos discos, rádio e de excursões, como a que fez no início da década de 30 ao Nordeste, se estendendo ao exterior em suas várias tournées pela Argentina, onde ao lado de sua inseparável irmã, a cantora Aurora Miranda, era querida e respeitada.
Inusitada foi sua participação, ao lado de Pixinguinha, na composição Os home implica comigo, um samba de 1930. Ao que consta ela foi umas das poucas mulheres a compor com o autor de Carinhoso em peça gravada.

No ano de 1939 lança, no filme Banana da Terra, o samba jongo do novato compositor baiano Dorival Caymmi O que é que a baiana tem?, passando a apresentar o número no Cassino da Urca, onde era a atração principal. Vestida de forma estilizada com os trajes de baiana, Carmen chamou a atenção do empresário americano Lee Schubert, que a levou para uma bem sucedida temporada na Broadway. A partir daí ela ganhou Hollywood e o mundo, divulgando de forma definitiva a fantasia de baiana, que já era usada por nossas atrizes 50 anos antes dela ( inclusive no exterior).
Sua fama e a imagem da mulher extrovertida com frutas na cabeça passaram a se confundir com o Brasil. Após seu sucesso nos EUA e com a Segunda Guerra Mundial, seus filmes passaram a ser um meio útil para promover a Política da Boa Vizinhança. Segundo o escritor Ruy Castro, ao contrário do que algumas pessoas pensam, Carmen “estourou” nos EUA antes de Franklin Roosvelt implantar uma aliança com os países da América Central e do Sul.
Com os musicais em technicolor, chegou a ser a atriz mais bem paga de Hollywood, onde morava com sua mãe, a portuguesa Maria Emília, sua irmã Aurora e seu cunhado Gabriel Richaid.


O “espírito família” sempre foi uma marca da cantora. Sempre rodeada por amigos e familiares, quer no Brasil ou em sua casa na Califórnia que, para muitos, era uma espécie de embaixada brasileira informal.
Essa simplicidade era notada no meio artístico. A cantora Jesy Barbosa destacou em entrevista ao pesquisador Abel Cardoso Jr o seu espírito de amizade. As duas estavam disputando o título de Rainha da Canção Brasileira de 1930 e, vendo que Jesy apresentava maior votação, Carmen passou a torcer pela vitória da colega.

Outro caso famoso é o que envolve o cantor Carlos Galhardo. Quando um executivo americano, presidente regional da gravadora Victor, foi visitar os estúdios brasileiros Carmen foi convidada a cantar para o “patrão”. No meio da apresentação o jovem Galhardo, em inicio de carreira, entra no estúdio, causando a ira do executivo que, por meio de palavrões, o expulsa. Carmen, que já veterana e o principal nome da gravadora, em solidariedade a seu colega dirige os mesmo palavrões ao agressor, afirmando: “Eu sou brasileira, ele é brasileiro e o senhor tem que nos respeitar!” (ela, na verdade, era portuguesa mas considerava-se brasileira). E assim encerrou a audição para o executivo...

Carmen Miranda foi, sem dúvida, a cantora que mais se destacou no Brasil durante a década de 30. Seu estilo criava uma cumplicidade com o público, que a ouvia repetidas vezes nos discos ou acompanhavam suas apresentações. Quando iniciou a carreira, surpreendeu pela forma espontânea de cantar e o rompimento com o estilo lírico, predominante até então entre as cantoras. É interessante lembrar que um ano antes de Carmen, a cantora, pesquisadora de folclore e violonista pernambucana Stefana de Macedo já cantava em discos com um tom de voz não tão lírico. A forma impostada se dava pela ausência de microfones nos teatros e pelo processo de gravação ser mecânico até 1926. Coube à Aracy Côrtes, então o grande nome no cenário artístico, a adaptar o canto lírico para interpretar músicas populares, mantendo seus belos e famosos agudos.

O estilo de Aracy seria imitado por Carmen quando ainda fazia audições amadoras em festas beneficentes, porém, com a carreira consolidada adquiriu seu próprio, cabendo à Odete Amaral e Dalva de Oliveira seguirem a escola de Aracy.

Há um esquecimento em nosso país da cultura e dos artistas do passado. Mesmo com o esforço e a iniciativa de pessoas que tentam resgatar o que foi feito há várias décadas, ainda temos muitos nomes no ostracismo. Algumas dessas cantoras também completariam 100 anos em 2009, como Elisinha Coelho (A primeira intérprete de No Rancho Fundo - 01/03), Olga Praguer Coelho (Pesquisadora de folclore e violonista de fama mundial que faleceu em 2008 meses antes de completar 99 anos – 12/08) e Laura Suarez (Atriz, cantora e compositora, eleita Miss Ipanema em 1929 – 23/11).

Artistas que tiveram grande destaque e que foram vencidos pelo tempo, não por falta de talento e sim vitimas de nossa pouca memória. Carmen Miranda é um mito que sobrevive e sobreviverá por várias gerações. Porém, o mérito de sua imagem ter chegado até nós, décadas após sua morte, se deve a quem? Ao Brasil ou aos EUA? Afinal, a imagem que se perpetua a cada geração é a que foi propagada largamente de Hollywood para o mundo. Sabemos quem é a Carmen Miranda que cantava com frutas na cabeça em um inglês engraçado, mas, será que conhecemos bem a Carmen Miranda intérprete de sambas como Triste Sambista ou Veneno pra Dois?

Assim como as novas gerações foram redescobrindo e admirando o talento de Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira e Clementina de Jesus ficariam surpresos com a descoberta da Carmen Miranda brasileira, a intérprete de marchas e sambista de alta qualidade.
As novas gerações perceberão que essa cantora centenária continua em forma e atual.



"Por Causa de Você"
Samba de André Filho. Gravado em 14 de Abril de 1932. Disco lançado em Junho de 1932.
Carmen é acompanhada pelo Grupo do Canhoto, sob a direção de João Martins.
Disco Victor nº33.555-B, Matriz 65.456-1.



Agradecimento ao Arquivo Nirez.

domingo, 5 de outubro de 2008

Helena Pinto de Carvalho - A Nobreza da MPB

Hoje, dia 5 de Outubro de 2008, é um dia especial para mim. Uma de minhas cantoras favoritas estaria completando 100 anos, se viva fosse. Helena Pinto de Carvalho foi uma dessas estrelas cadentes que passam iluminando e encantando o caminho que percorrem.
Escrevi um artigo baseado na pesquisa de outra fã de Helena, Taís Matarazzo, e em dados coletados por mim. Divido com vocês um pouco dessa adorável artista.


A Nobreza da MPB

Nascida em berço de ouro, filha de um conde carioca, Helena Pinto de Carvalho possuía todos os indicativos para ser apenas uma figura de destaque da sociedade de São Paulo. Ao invés disso marcou, em sua curta existência, seu nome na história Música Popular Brasileira e nos filmes musicais; tudo isso com o incentivo de seu esposo, um bem sucedido engenheiro.

Artista Victor, 1930


Helena Falcão Huet Barcellar nasceu em São Paulo em 5 de Outubro de 1908. Sua mãe, Francisca Falcão, nascida no Ceará e criada em Bauru (SP), foi uma rica proprietária de terras. Após ficar viúva do primeiro casamento, e com uma filha pequena (também Francisca, nascida em 1894), casou-se com o conde e engenheiro da Estrada de Ferro Sorocabana Joaquim Huet Bacellar, nascido no Rio de Janeiro. Dessa união, nasceram Helena e Mariana (1913).
A família Huet Barcellar vai morar no Rio de Janeiro e, com a morte de Joaquim, em 1923, Francisca volta a São Paulo com as filhas.
A pesquisadora Thais Matarazzo escreveu uma monografia sobre Helena.Segundo entrevistas com parentes da cantora, “desde criança sentia vontade de cantar, era extrovertida, alegre, culta, amava a arte e cantava somente em casa em reuniões familiares”.

Nos anos de 1920 houve uma revolução dos costumes. As mulheres que ate então usavam roupas longas, escondendo seus corpos, passaram a usar saias curtas, com as pernas à mostra e várias aderiram ao novo corte de cabelo à la Garçonne, onde as longas madeixas davam lugar a um corte curto, com a nuca exposta. Nessa época, Surge o Rádio no Rio de Janeiro (1922), em São Paulo acontece a Semana de Arte Moderna (1922) e, novamente no Rio de Janeiro, era inaugurada a era das gravações fonográficas elétricas (1927), onde não só tenores e sopranos podiam registrar suas vozes. Nesse período efervescente de nossa cultura a jovem Helena se casa em 1927, aos 19 anos. Seu esposo, o engenheiro Paulo Pinto de Carvalho, tinha 34 anos. Paulo se mostraria um homem sem preconceitos e a frente de seu tempo, pois, iria incentivar sua esposa a abraçar a carreira artística.

Moças Pioneiras
As moças das chamadas “boas famílias” começaram a se infiltrar no meio artístico nesses anos revolucionários. Décadas antes, algumas mulheres conseguiram destaque e respeito no teatro de revista e na música popular, como a atriz e cantora Pepa Delgado e a atriz e empresária Cinira Polônio. Porém, era de praxe criticar e censurar a maioria das artistas, basta vermos o caso de Chiquinha Gonzaga que, mesmo com seu grande talento, sofreu preconceitos em grande parte de sua vida ou da soprano Zaíra de Oliveira que ganhou medalha de ouro no concurso de canto do Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro e, por ser negra, não recebeu o prêmio que lhe cabia: uma bolsa de estudos na Europa. Poucos anos depois desse fato lamentável, surgiram as primeiras cantoras/pesquisadoras do folclore nacional. As cariocas Helena de Magalhães Castro, Elsie Houston, Celeste Leal Borges e Jesy Barbosa, as pernambucanas Stefana de Macedo e Amélia Brandão Nery e a amazonense Olga Praguer Coelho (falecida em abril passado, aos 98 anos), todas radicadas na então Capital Federal, ousaram quando passaram suas carreiras artísticas de amadoras para profissionais.
Até a primeira Miss Ipanema, eleita em 1929, a carioca Laura Suarez, aderiu às suas colegas. Todas eram cantoras, compositoras, arranjadoras e, em alguns casos, professoras de violão. O instrumento deixava de ser marginalizado para ser companhia obrigatória nos recitais em que as jovens artistas tomavam parte.

A esse grupo, Helena vai dar sua contribuição, mesmo de São Paulo, quando passa a se apresentar, em julho de 1928, na Rádio Educadora Paulista. Ao seu lado, outros nomes femininos revelados na ocasião: de Dolly Ennor, Zezé Lara, Sonia Carvalho, Rachel Freitas.

Gravações fonográficas
Em 20 de maio de 1930, Helena entrava nos estúdios da gravadora Victor de São Paulo para gravar seu primeiro disco. Nessa época, ainda eram fabricados os discos 78 rotações por minutos (rpm), os chamados discos de cera, com uma música em cada lado. No lado A ficou registrado o samba-canção de Gáudio Viotti, X. Y. Z. e J. Canuto “Teus olhos me contam tudo”; o lado B trazia o samba de Ary Kerner “Morena cor de canela”, música gravada anteriormente pelo cantor Sylvio Salema e pela cantora Elsie Houston.
Nos discos alternava seu nome como em “Helena P. de Carvalho" ou “Helena de Carvalho.


Entre 1930 e 1931, gravou 7 discos e 14 músicas nas grvadoras Victor e Columbia. Os compositores eram os nomes de destaque da época como Napoleão Tavares, o também cantor Jayme Redondo, Ary Kerner e os veteranos Chiquinha Gonzaga e Marcello Tupynambá. Foi versátil em sua pequena discografia.
Sua voz, clara e harmoniosa, possuía, como se falava na época, brejeirice.

Dominava bem os sambas e marchinhas que interpretava. Basta ouvirmos “Num sorriso dos teus”, samba canção de Napoleão Tavares e Jayme Redondo, que teremos sua interpretação destilando romantismo e uma sutil sensualidade; “Sou morena”, Canção de Chiquinha Gonzaga e Viriato Correa, onde ela é brejeira e sedutora ou em “Nhá Carola”, marcha de Petit (Hudson Gaya) que, ao lado do cantor Pilé, encarna a caipira engraçada que busca casamento, mas finge desdenhar do seu amado.
Em todas as músicas a cantora imprimia uma interpretação romântica, mesmo em estilos diferentes.

Esse Jeitinho que Você Tem
Não tardou para que seu talento fosse cada vez mais reconhecido e divulgado. Em 1931 é convidada a participar do primeiro filme musical feito no Brasil.
E cabe a ela ser a primeira cantora a aparecer no filme, sendo apresentada pelo poeta Guilherme de Almeida. Acompanhada ao piano canta, de seu repertório, a toada “Esse jeitinho que Você Tem”, de Marcello Tupinambá, com um ritmo mais lento, mais romântico.


Após as filmagens dará entrevista à revista “A Platea”, de São Paulo.
Em sua monografia, Thais transcreveu a matéria, onde se lia que Helena estava “elegantíssima numa criação parisiense em cor verde veio até o nosso ‘bureau’ de trabalho, em companhia do seu esposo Sr. Paulo Pinto de Carvalho”.
Perguntada sobre a experiência de representar para uma câmera, a cantora respondeu: “Fiquei nervosíssima”.
Sobre o futuro: “Eu não alimento programas no meu cérebro. Em todo caso, se meu trabalho agradar e a fabrica novamente me chamar, não tenho motivos para recusar o convite. A arte é uma coisa tão linda”.

Em relação ao futuro do cinema brasileiro, afirmou que acreditava em “um futuro brilhante para o cinema nacional. É claro que não são nas capitais, cuja gente muito ‘rafineé’ e cheia de historias, há de sempre encontrar aqui ou ali um senão para criticar. Mas como o Brasil não é formado pelas capitais e sim, ele é todo esse aglomerado quase infinito de vilas e cidadezinhas, que se espalham do Amazonas ao rio Grande do Sul, eu creio que não exagerei, se disser que tenho certeza do triunfo da nossa cinematografia”.

Helena afirmou que o canto sempre foi um de seus maiores prazeres, principalmente a canção brasileira.

A entrevista segue:
“E qual é o seu maior sucesso? Indagamos.

Mme. Pinto de Carvalho teve um olhar de modéstia. Para encoraja-la, nós lhe dissemos que as mulheres bonitas não gostam nunca de falar de si. Acham mais interessante que os outros digam. Mme sorriu afinal se decidiu:

- Acho que fui ouvida com muito carinho, em “Jeitinho que você tem...” Alias, está é minha canção preferida”.

Estrela Cadente
Sua participação nos rádios continuou. Nos anos seguintes, ficou mais escassa por conta de excursões artísticas pelo Brasil e, segundo o pesquisador Abel Cardoso Junior, Europa. Aliando suas atividades artísticas, trabalhava como funcionária pública ao lado do marido como chefes na Seção Contabilidade e Departamento de Municipalidades de São Paulo.

Durante muitas décadas, pouco ou nada se soube sobre Helena. Em 1988 a empresa Revivendo, situada em Curitiba e especializada em relançar gravações de nomes da MPB da Época de Ouro, lançou o LP intitulado “Jóias de Nossa Música” enfocando Mário Reis, Moreira da Silva, Sônia Carvalho e Helena Pinto de Carvalho. Dos três nomes, somente Helena deixava uma lacuna sobre seu paradeiro. O próprio organizador das biografias contidas no disco, Abel Cardoso Junior, desconhecia onde ela estaria. Essa curiosidade foi desfeita mais de vinte anos depois, quando a jovem pesquisadora Thais Matarazzo, de São Paulo, resolveu pesquisar sobre as cantoras dos anos 30. A descoberta do paradeiro da cantora veio acompanhada de uma surpresa.
No dia 5 de dezembro de 1937, um domingo, às 23 horas, Helena sentiu-se mal. Segundo Vera, sua sobrinha que na ocasião contava com 11 anos e se encontrava em sua casa, em entrevista à Thais quase 60 anos depois, afirmou que sua tia deu um grito muito alto e foi encontrada deitada na cama, já morta. Mais surpreendente foi a causa: enfarte fulminante. Ela tinha 29 anos.
Embora os jornais tivessem lamentado a perda de um nome de peso do radio paulistano, integrante do elenco da Rádio Cultura, seu nome foi sendo esquecido através dos anos, devido a pouca memória de nosso país.

Assim como Yolanda Osório e Ita Cayubi, Helena Pinto de Carvalho foi uma das promessas lançadas em disco no longínquo ano de 1930. Como suas colegas, não decepcionou. Teve, até, mais sorte que muitas dela, uma vez que o esposo era seu fã numero um e grande incentivador, ao contrário dos demais conjugues da época, que “aposentavam” suas esposas da carreira artística através do casamento. Poderia ter sido uma socialite dos dourados anos 30, usando o título de nobreza de seu pai. Ao contrário, abraçou o samba e a marchinha e fez do cateretê, sua canção favorita; ritmos que ela tão bem dominou e interpretou seja nas capitais ou nas cidades do interior, pelo país afora. E sempre se negando a cantar estilos estrangeiros, numa valorização à música popular brasileira.
Na leva de jovens e modernas cantoras que a safra de 1930 lançou, e que foi liderada pela iniciante Carmen Miranda, Helena saiu-se de forma notável.

Sobre como seria sua carreira, caso a morte não a tivesse levado tão cedo, Thais responde: “Helena era uma cantora eclética, não tinha filhos, seu marido era aquiescente com sua carreira, sempre que podia se apresentava em shows de teatro, com outros cantores, acho que ela continuaria cantando e atuando talvez na televisão, não em cassinos, por que ela era membro da alta sociedade, ainda com tabus”.

Aradecimento pelas fotos:
Arquivo Nirez
Arquivo Thais Matarazzo

Bibliografia:
JUNIOR, Abel Cardoso. Jóias da Nossa Música. Curitiba, 1988.
MATARAZZO, Thais. Helena Pinto de Carvalho. São Paulo, 2003.
OBS: Algumas gravações de Helena Pinto de Carvalho estarão disponíveis na comunidade em sua homenagem no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=15694837

domingo, 15 de junho de 2008

Crônica de Thais Matarazzo

É com grande satisfação que apresento aqui uma crônica escrita por minha amiga Thais Matarazzo.

Thais é engenheira e está estudando jornalismo. Há vários anos vem se dedicanco ao resgate de nossas cantoras da Fase de Ouro do Rádio, tanto de São Paulo como do Rio de Janeiro.

Aqui, ela nos conta sobre o encontro que teve com a inesquecível Aurora Miranda no texto "A Outra Pequena Notável".




A OUTRA PEQUENA NOTAVEL

Por Thais Matarazzo
S. Paulo, 1º-10-2007
Publicado em 3/10/2007, pelo INOVE


“- Alô, alô, senhores ouvintes, a sua PRA-9, Rádio Mayrink Veiga, tem o prazer de anunciar mais uma audição com a ‘Pequena Notável’, Carmen Miranda...”. Era assim que nos idos anos 30, o locutor, ou melhor usando o termo da época o “speaker”, César Ladeira anunciava os cantores e cantoras ante ao microfone da referida emissora carioca.

Carmen Miranda juntamente com Francisco Alves foram os grandes azes do rádio brasileiro. Mais, naturalmente, tínhamos outros artistas que não deixavam por menos... Entre estes está Aurora Miranda, minha cantora preferida daquela época.

Em 1934, Carmen acompanhada pelo Bando da Lua, foram realizar uma temporada artística em Buenos Aires, atuaram na Rádio Belgrano, poderosa estação Argentina da época. Aurora, irmã de Carmen, ficou no Brasil e além de atuar no seu “quarto de hora” precisou substituir a mana; então o “speaker” César Ladeira (o maior locutor de rádio do Brasil), que adorava criar slogans para os cantores, anunciou: “- Alô, alô, srs. ouvintes agora ouviremos ‘a outra pequena notável’...”, e o slogan pegou, Aurora passou a ser conhecida como a “A outra pequena notável”.

Seu timbre de voz é mais romântico e suave, afinadíssima! Depois de Carmen foi à cantora que mais gravou discos no Brasil na década de 30. Seu primeiro disco saiu em junho de 1933, pela gravadora Odeon, com a marcha junina “Cai, cai, balão” (Assis Valente) e o samba “Toque de amor”, cantando em dueto com Francisco Alves, que se dispôs a gravar com a novata cantora. Aurora era uma promessa, irmã da inigualável Carmen Miranda! Não era qualquer uma!

Seu primeiro sucesso relativo aconteceria no carnaval do próximo ano com a marcha “Se a lua contasse” de Custódio Mesquita. Durante o período de 1935 a 1939, Aurora viajou artisticamente quatro vezes para Buenos Aires, acompanhada por Carmen e o Bando da Lua, sempre obtendo êxito.

As comparações eram inevitáveis, Aurora parecia não se importar com isso. Conformava-se em ser Aurora Miranda, a irmã da Carmen Miranda. De temperamento alegre e tímido Aurora fez o Brasil inteiro cantar o Rio de Janeiro como a “Cidade Maravilhosa”, marcha que o compositor André Filho deu a ela em fins de 1934. Ganhou o 2º lugar no concurso oficial de sambas e marchas do Rio de Janeiro em fevereiro de 1935.

Em abril de 1939 Carmen é convidada a ir para os Estados Unidos. Aceito o convite parte junto com o Bando da Lua para temporada de 16 meses. Aurora continuou sua carreira no Brasil, deixou a Rádio Mayrink Veiga e foi para a Rádio Tupi, também passou a cantar no lendário Casino da Urca. Neste ínterim, o cupido entra em cena e Aurora conheceu aquele que viria a ser seu futuro marido Gabriel Richaid.

O casamento se realiza em setembro de 1940, tendo como madrinha a irmã Carmen e o Dr. Paulo Machado de Carvalho, diretor da Rádio Record de S. Paulo, onde as irmãs costumavam fazer temporadas pré-carnavalescas. Como dizia o sábio jornalista Mauro Pires, Aurora se “aposentou pelo casamento”, deixou a carreira de lado, passando a cuidar do seu lar.

Em 1942, Aurora e seu marido vão ao encontro de Carmen e Dª. Maria Emília, a mãe, nos Estados Unidos, por influência de Carmem, ela passa a se apresentar em alguns night-clubs, e também faz pontas em alguns filmes, dentre todos, o que ela ganhou maior destaque foi em “Three Caballeros”, que no Brasil ganhou o título de “Você já foi a Bahia”, de 1945. Aurora aparece na famosa cena com o Pato Donald e Zé Carioca, cantando e dançando o samba “Os quindins de yayá” (Ary Barroso), a cena se passa na Bahia e ainda conta com a presença dos rapazes do Bando da Lua, tendo destaque para Aloísio de Oliveira (líder) e o violonista Zé Carioca, que inspirou Walt Disney a criar o personagem do papagaio homônimo.

Em fins de 1951, Aurora volta para o Brasil juntamente com seu marido Gabriel e com dois filhos que nasceram na Califórnia: Gabriel Jr. e Maria Paula. Volta a cantar por um tempo, grava alguns discos e abandona a carreira definitivamente. Com certeza Aurora deixou sua bela voz registrada na memória da música popular brasileira, nas mais de 150 gravações que fez.

Conheci Aurora Miranda no verão de 2001, no Rio de Janeiro, para mim foi uma enorme felicidade, pois como já relatei, é minha cantora preferida. Quando cheguei ao seu apartamento, no bairro do Leblon, acompanhada de minha mãe e irmã, Aurora estava sentadinha no sofá. Ela sorriu para nós três. Acho que pensou que minha mãe era sua fã. Então expliquei que no caso era eu mesma. Disse da minha admiração pela sua voz, por sua devoção com a irmã Carmen, etc. Ela ficou muito feliz, segurou a minha direita durante todo tempo em que ali permaneci; já não estava se lembrando muito das coisas e já não falava muito bem. Mais senti forte seu sentimento de gratidão, por ter se lembrado dela. Ela percebeu que também foi uma cantora muito importante e que tinha uma fã individual só para ela, não precisava dividir com Carmen...


Thais e Aurora Miranda.


Carminha, Thais e Cecília Miranda (sentada), irmã de Carmen e Aurora Miranda.





quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Jesy Barbosa, 20 Anos de Saudade

Esse meu blog está se iniciando com homenagens póstumas. Mas elas são merecidas.

Quero enfocar nessa postagem uma cantora que descobri em 1989. Eu procurava outra intérprete quando me deparei com sua foto na capa de um LP. Era um disco relançando gravações feitas entre 1929 e 1931, aproximadamente. Os outros intérpretes a dividirem com ela esse LP eram Elisinha Coelho, Sylvio Caldas e Breno Ferreira.

Seu olhar meigo e terno me cativaram e, depois de ouvir sua voz e como interpretava as músicas, tornei-me fã.

Seu nome é Jesy Barbosa. Hoje, injustamente esquecida. Mas, a maioria das grandes intérpretes de nossa música passada está em igual situação. Meu medo é tornar esta página um pouco amargurada, mas farei força para que seja o contrário. Porém, a verdade tem que ser dita.

Jesy foi o grande nome feminino escolhido pelos executivos da gravadora Victor quando resolveram instalar uma filial aqui no Brasil, especializada em nossa música. Era ela o nome forte para chamar a atenção do público.

Suas pimeiras gravações foram Medroso de Amor, samba-canção de Zizinha Bessa e Olhos Pálidos, canção de Josué de Barros. Jesy fez a gravação no dia 11 de Setembro de 1929 e o disco foi lançado em Novembro deste mesmo ano.

Em 1930 foi eleita Rainha da Canção Brasileira, vencendo nomes de peso como Zaíra de Oliveira, que ficou em segundo lugar, e a jovem iniciante Carmen Miranda que, demonstrando coleguismo e amizade, ao ver que estava fora do pelito juntou-se à torcida da futura vencedora.

Em Abril de 1933, nossa artista é entrevistada pela revista Vida Doméstica. O título da reportagem, poético como a entrevistada, é significativo em sua vida - Violão, meu companheiro. Nella, Jesy afirma "...sou campista. Quero muito bem á minha terra...nasci mesmo no coração de Campos." À pergunta "...e esse violão invejável porque os seus dedos longos o acariciam, como entrou na sua vida?" ela respode "Não entrou. Elle já estava. Quando me conheci por gente, elle era mais alto do que eu, empunhava-o pequititinha...".

- Estás brincando; isso é uma história lindamente inventada. A entrevista segue... Os grandes olhos luzentemente negros de Jesy Barbosa pousam cheios de uma claraverdade na observação, num gesto reprehensivo de confirmação. E a bocca, onde dormem todas as sonoras harmonias das vocalizações triunphaes das grandes noites de seratas d´honore, com apllausos febricitantes e coroações sagradoras, deixa cahir, uma a uma, as palavras emotivas de uma evocação que põem um lugar antigo dentro da alma:


- Era o violão de mamãe.

Seu pai, Luiz Barbosa (não confundir com o cantor) era poeta, tendo no violão um um camarada das madrugadas lyricas de rapaz, cheio de sonhos e de talento. Em uma época onde o instrumento não pertencia às rodas aristocráticas, o jovem apaixonou-se por uma moça da sociedade de Campos, Srta. Victoria Barbosa. Sentindo que era correspondido em seu amor, Luiz tratou de esconder da amada o violão. Noivaram e, quando ja estavam casados, foi tomado de grande surpresa ao ver entrar em sua casa um violão! Sua esposa, entre sorrisos, confessou que também tocava o instrumento e escondera esse detalhe como o noivo havia escondido sua predileção artística. Dessa união de grandes sensibilidades artísticas e o determinismo da belleza se affirmaria quando ao inicial-a a senhora sua mãe no manejo do violão, alcançaria dentro em pouco em o meio do Rio de Janeiro, as glórias de precursora da divulgação de nossos cantares regionaes atravéz do radio, cujos programmas eram recem irradiados.

Estudiosa, sem vaidade continuou progredindo sempre, e "Rainha da Canção" (sic) , proclamada em memorável pleito, cursava as aulas de canto com Madame Show, que a iniciou e a formou nessa arte.

Ao pedirem que lhes autografe a entrevista, com uma citação sobre ela própria, a cantora escreve:

"Quando nasci Fatalidade mandou que Tristeza me puzesse uma cantiga no coração" .

Jesy Barbosa
Também era poetisa e jornalista. O poeta Orestes Barbosa definiu Jesy como uma figura macerada, com os olhos esquecidos no rosto triangualr, e adicção perfeita, tirando os efeitos originais, falando dentro da música, preferindo as canções de emoção e pensamento - a última romântica num raro grupo que resiste na última trincheira da valsa que é a musicalidade da carta de amor...

Jesy Barbosa nasceu em 15 de Novembro de 1902 e faleceu No Rio de Janeiro em 30 de Dezembro de 1987, aos 85 anos.

Fontes: As fotografias de Jesy Barbosa pertencem ao Arquivo Nirez, de Fortaleza-Ceará.

A primeira fotografia é a original que Jesy presenteou à redação da revista Phono-Arte, para divulgação de seus discos, em 1930. Hoje a foto e a revista são de propriedade de Nirez.

Nela, lê-se:

A Rainha da Canção Brasileira

Artista Victor

Jesy Barbosa



A segunda foto faz parte da matéria publicada na revista Vida Doméstica, de 1933. Também faz parte do Arquivo Nirez.

Pesquisa de MARCELO BONAVIDES.


IMPORTANTE!
Se você gostou das matérias e for copiá-las, FAVOR colocar o crédito das fotos e do texto, bem como o nome do pesquisador.
Obrigado.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

23 Anos sem Aracy Côrtes

Para um amante ardoroso da Música Popular Brasileira é impossível citar Aracy Côrtes sem se emocionar. O seu nome tem um ar de divindade e impõe respeito.
Para mim, Aracy Côrtes é sinônimo de MPB. Sua importância para a nossa cultura ainda não foi devidamente reconhecida pela maioria dos brasileiros, apesar das belas homenagens feitas a ela. Ouço suas gravações e me sinto atraído pelas menos famosas, aquelas oriundas dos palcos da Praça Tiradentes onde ela foi rainha, onde seus agudos e brejeirice enlouqueciam e hipnotizavam platéias. Suas histórias e lendas fascinam, mas o meu interesse maior é a verdadeira Aracy.

Muito se falou sobre sua fama de briguenta e desbocada. Fico me perguntando se ela não tivesse essa personalidade forte, será que teria triunfado numa época machista? Em uma época em que negaram o prêmio principal da Academia Nacional de Música à sua primeira colocada, a grande Zaíra de Oliveira por ela ser negra? Em uma época onde se uma moça não tivesse o pulso forte e a convicção que era talentosa conseguiria ter seu talento artístico reconhecido? Aracy percebeu isso e defendeu seu espaço.
Uma vez ela comentou: “Já pensou se eu tivesse nascido americana?”. Talvez tivesse seu temperamento cultuado e não criticado. Afinal, divas estrangeiras têm o direito sagrado de serem temperamentais e, muitas vezes, nós achamos isso o máximo. Já nossas divas parecem não possuir esse “privilégio”.
O talento e legado de Aracy segue engalanado e digno. A fragrância da Linda Flor fez-se música e podemos aprecia-la em suas gravações.

Entre inúmeros sucessos, coube a ela lançar e imortalizar, em 1928, o primeiro samba-canção "Linda Flor", gravado no começo de 1929 com o título de "Yayá" e mais conhecido como Ai Yôyô.
No dia 08 de Janeiro de 1985 Aracy falecia.

Como escreveu Evandro Teixeira no Jornal do Brasil por ocasião da data, "Quando seu corpo sair do Teatro Recreio (sic), onde está sendo velado desde ontem, para o Cemitério São João Batista, onde será sepultado às 9 horas de hoje, mais que uma época, toda uma arte estará partindo com ela."

PS. O corpo de Aracy foi velado no Teatro João Caetano. O teatro recreio já havia sido demolido.


















Agradeço ao Acervo Nirez pela foto do Jornal do Brasil e ao meu amigo Carlos Branco que me ajudou na revisão.

A foto de Aracy jovem (aos 20 anos, em 1924) pertence à capa do livro "Aracy Côrtes - Linda Flor", de Roberto Ruiz, publicado em 1984 pela Funarte, em comemoração aos 80 anos de Aracy.


Pesquisa de MARCELO BONAVIDES.

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O Início.

Olá, me chamo Marcelo e não sei bem como iniciar essa apresentação. tenho medo de ser muito formal ou informal em excesso. Enfim, melhor ir deixando as palavras e idéias se manifestarem.

Eu trabalho como ator e também sou pesquisador musical. Minha grande paixão, há 20 anos, é conhecer e resgatar as atrizes/cantoras populares da metade do século XIX( 1859) até a década de 1930. Coleciono gravações e discos 78 rpm (os chamados discos de cera) desde o início da indústria fonográfica em nosso país (1902). Partindo disso, também pesquiso o Teatro de Revista desse período e a Música Popular Brasileira, e também sou um amante do cinema. Gosto dos cantores e sou fã de vários. Porém, notei que a figura feminina no período da Belle Époque brasileira, e até antes, era pouco ou quase nada mencionada. Ao buscar mais informações sobre essas mulheres, me deparei com poucas publicações. Muitas delas apenas citando seus nomes e nada de suas carreiras. Insisti e consegui descobrir uma porta para uma época muito interessante, com personagens mais interessantes ainda. A artista que me proporcionou esse contato se chama Pepa Delgado. O interessante é que Pepa viveu de 1887 até 1945 e, mesmo 48 anos depois de sua partida, ela inspirava um jovem de 17 anos a ter o grande desejo de escrever sua biografia e a de suas colegas. Isso deu início ao contato com sua família e a uma amizade muito especial travada com seu filho e neta. Foram eles que me doaram um rico material e me cederam informações preciosas para que eu começasse um quebra-cabeça, cuja imagem esboçada trazia outras personagens tão interessantes quanto Pepa.


Outras artistas são resgatadas por mim.

Faço questão de ir buscar as que, hoje, estão mais esquecidas. Nosso país é apontado como "sem memória". Eu até concordo com isso. Vide as dificuldades que nós, pesquisadores, temos de encontrar certos dados. Mas há pessoas (muitos jovens, diga-se de passagem) que se dedicam ao resgate nos mais variados setores, sejam por paixão ou profissionalmente; uma nova realidade começa a surgir. Entre esses jovens destaco Thais Matarazzo Cantero.



Não nos esqueçamos dos "mestres" como Jota Efegê, Ary Vasconcelos, Abel Cardoso Junior que muito contribuiram, e continuam contribuindo com suas obras, pelo conhecimento de de nosso passado musical. E, também, os atuais "mestres" que tanto nos ajudam, como Maria Helena Martinez Correa e Nirez (Miguel Ângelo de Azevedo).



Quero usar esse espaço para expor minhas idéias e pesquisas.
Grande Abraço a todos!