segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Amélia Lopiccolo - 140 anos!



Em 24 de setembro de 1869 nascia a atriz Amélia Lopiccolo, em Roma, Itália.

Amélia veio ao Brasil em 1888 e fez uma brilhante carreira em nossos palcos, atuando no teatro de revista, em burletas, dramas... Foi um dos ícones da virada do século XIX para XX.

Chiquinha Gonzaga dedicou a ela uma de suas mais deliciosas composições: Yaya Fazenda, etc... e tal! . Vemos na partitura : "À exímia artista Amélia Lopiccolo". É apresentada como canção brasileira. F. P. Almeida Junior foi o autor da letra.

Essa música seria gravada em 1907 pela cantora Nina Teixeira, em dueto com Geraldo Magalhães, com o título de Baiana e Capadócio, sendo adicionados novos versos. Em 1912, a Inimitável Risoletta gravou a versão original, mantendo o título Yayá Fazenda, etc... e tal! .

Ouça a versão de A Baiana e o Capadócio, gravada em 1907 pelos cançonetistas Os Geraldos, formado pelos gaúchos Nina Teixeira e Geraldo Magalhães.

Disco Odeon Record.







domingo, 27 de dezembro de 2009

Dia 19 de Agosto!

O dia 19 de agosto marca o aniversário de nascimento de doi grandes intérpretes de nossa música. Aracy de Almeida e Francisco Alves.

Aracy, "A Dama do Encantado", completaria 95 anos (nascida em 1914) e Chico, o "Rei da Voz", completaria 111 anos (nascido em 1898).

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Carmen Miranda, 54 anos de Saudade.

Carmen Miranda nos deixou em 05 de agosto de 1955, aos 46 anos.


54 anos depois, seu nome permanece vivo e sua imagem eternizada.

Burucuntum - 1930




Tenho um novo amor - 1932




Piaçaba pra vassoura - 1932








quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

SINHÔ - 79 anos sem o Rei do Samba.

No dia 04 de agosto de 1930 perdíamos nosso Rei do Samba, Sinhô.
José Barbosa da Silva nasceu em 18 de setembro de 1888 no Rio de Janeiro.

Foi um famoso pianeiro nas festas da vida noturna carioca. Além de piano, tocava flauta, violão e cavaquinho. Foi um dos maiores compositores que tivemos. Começando a lançar suas músicas no final dos anos 10, Sinhô teria nos anos 20 a consagração artística.

Gravou a música de sua autoria Fala Baixo, com a Banda da Fabrica Popular.
Nessa gravadora, A Popular, da autoria de João Batista Gonzaga (companheiro da compositora Chiquinha Gonzaga), Sinhô lançou o jovem cantor-ator Francisco Alves em 1919. Chico gravou suas primeiras músicas Oh Pé de Anjo, Fala Meu Louro (Papagaio Louro) e Alivia Esses Olhos. Todas as três músicas fizeram sucesso no teatro de revista, principalmente Oh Pé de Anjo, cuja revista homônima de 1920 colocou nos palcos as estrelas Ottília Amorim, Júlia Martins e Henriqueta Brieba, ao lado de Alfredo Silva.

Sinhô continuou compondo com grande sucesso para o teatro, enquanto tinha suas músicas gravadas pelos grandes nomes da época. Eduardo das Neves, Bahiano, Fernando e o Jazz Band Sul Americano de Romeu Silva, Frederico Rocha, Zeca Ivo, Albertino Rodrigues, Gustavo Silva e Carlos Lima foram alguns dos artistas que gravaram músicas do compositor entre 1919 a 1926.

A gravação elétrica surgiu em 1927 e Francisco Alves voltou a gravar várias de suas composições. Mário Reis passa a ser, a partir de 1928, um de seus melhores intérpretes, na segunda metade da década de 1920.

Em 1927 foi coroado Rei do Samba, em São Paulo, no Teatro da República, durante a Noite Luso-Brasileira. Oswald de Andrade se encarregou da coroação. Era a elite intelectual e artística paulistana reconhecendo o valor da música popular.

O curioso é que a discografia de Sinhô foi em sua maior parte registrada por homens. Poucas mulheres tiveram esse privilégio. No teatro de revista a grande divulgadora de suas músicas foi Aracy Côrtes que, também, lançou clássicos que marcariam a vida do compositor e da própria cantora, como Jura!..., cuja partitura vem com a designação de “O Maior Samba do Mundo”. Sinhô sabia fazer sua propaganda e, à sua forma, fazia bem.

Podemos contar as seguintes mulheres que gravaram Sinhô: as duas sobrinhas de Francisco Alves que em 1919 acompanharam o tio nas histórias gravações, participando do coro. Em 1928 temos Aracy Côrtes e Rosa Negra, duas estrelas do teatro musicado. Rosa era um dos principais nomes da célebre Companhia Negra de Revistas e gravou com Francisco Alves Não Quero Saber Mais Dela. Aracy gravou Jura!... e, em 1930, Mal de Amor. Já em 1930, teríamos Sinhô através das novatas Ita Cayubi, com Canjiquinha Quente, e Carmen Miranda, com Burucuntum e Feitiço Gorado (que só seria lançado em 1932).

Sinhô foi o precursor do samba-choro compondo Meus Ciúmes, que a competente e brejeira Yolanda Osório gravou em 1931.


Em 1989, Sinhô foi interpretado pelo ator Paulo Barbosa na novela Kananga do Japão, exibida pela Rede Manchete. A novela abordava, entre outros temas, a vida musical carioca dos anos 30. No Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, que existia na praça XI, no Rio de Janeiro, os personagens dançavam maxixes, sambas, canções e outros ritmos, interpretados por Zezé Motta em sua personagem Lulu Lion. O acompanhamento era feito por piano e uma orquestra ao vivo e muitas composições dos anos 20 e 30 puderam ser conhecidas pelas novas gerações.

Cabeça de Ás, maxixe por Fernando e o Jazz Band Sul Americano de Romeu Silva - 1925





Cauhã, valsa por Januário de Oliveira - 1930







quinta-feira, 6 de agosto de 2009

SÃO JOÃO 2009

O São João do Blog chegou bem atrasado, mas chegou!
Selecionei 11 músicas com nossas queridas estrelas e astros de outrora.
Aproveitem!



Cai, cai, Balão!

Primeira gravação de Aurora Miranda, que estreou no disco com sucesso, ao lado do Rei da Voz Francisco Alves, com esta marcha de Assis Valente. Ambos são acompanhados pela Orquestra de Simon Bountman. Disco Odeon 11.018-A, Matriz 4674. Gravado em 22 de Maio de 1933, lançado em Junho de 1933.




Cai cai balão!
Você não deve de subir
Quem sobre muito
Cai depressa sem sentir
A ventania
De sua queda vai zombar
Cai, cai, balão!
Não deixe o vento te levar

Numa noite de fogueira
Enviei a São João
O meu sonho de criança
Num formato de balão
Mas o vento da mentira
Derrubou sem piedade
O balão de meu destino
Da cruel realidade

Atirada pelo mundo
Eu também sou um balão
Vou subindo de mentira
No azul da ilusão
Meu amor foi a fogueira
Que bem cedo se apagou
Hoje vivo de saudade
É a cinza que ficou!



Chegou a Hora da Fogueira

Célebre marcha junina de Lamartine Babo gravada por Carmen Miranda e Mários Reis na Victor. Acompanhamento da Orchestra Diabos do Céo (grafia original), sob a regencia de Pixinguinha. Disco 33.671-A, Matriz 65766-1, gravado em 5 de Junho de 1933 e lançado em Julho desse mesmo ano.




Chegou a hora da fogueira
É noite de São João
O céu fica todo iluminado
Fica o céu todo estrelado
Pintadinho de balão
Pensando no caboclo a noite inteira
Também fica uma fogueira
Dentro do meu coração

Quando eu era pequenino
De pé no chão
Eu cortava papel fino
Pra fazer balão
E o balão ia subindo
Para o azul da imensidão

Hoje em dia o meu destino
Não vive em paz
O balão de papel fino
Já não sobe mais
O balão da ilusão
Levou pedra e foi ao chão.





Isto é lá com Santo Antônio

Marcha de Lamartine babo. Carmen Miranda e Mário Reis gravaram na Victor em 14 de Maio de 1934, sendo o disco lançado em Junho desse mesmo ano. Disco Victor nº 33.789-A, Matriz 79643-1. Acompanhamento da Orquestra Diabos do Céo, sob o comando, arranjo e orquestração de Pixinguinha.




Eu pedi, numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimonio
São João disse que não
São João disse que não
Isto é lá com Santo Antônio
(Matrimônio, matrimônio
Isto é lá com Santo Antônio)

Implorei a São João
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio
São João ficou zangado
São João só dá cartão
Com direito a batizado
(Matrimônio, matrimônio
Isto é lá com Santo Antônio)

São João não me atendendo
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Disse o velho num sorriso
Minha gente, eu sou chaveiro
Nunca fui casamenteiro
(Matrimônio, matrimônio
Isto é lá com Santo Antonio)



Onde está seu carneirinho?




São João! Meu São João
Onde está seu carneirinho?
Já sei!
Foi ver soltar balão!
E você ficou sozinho.
São João! Meu São João!
Ai, não fique triste não
Quando a gente quer bem
O mundo é mesmo assim
É só ingratidão

São João, meu santinho camarada
Me arranje, por favor, um novo amor
Prometo iluminar a sua morada
Com mil e um balões de cor.

Meu amor, que era meu
E muito meu
Foi-se embora para nunca mais voltar
E eu fiquei sozinha, pedindo a você
Um novo amor
Pra me consolar.




O Meu Sonho Foi Balão
A menina prodígio Dyrcinha Baptista gravou essa marcha de Alberto Ribeiro e Hervé Cordovil em 06 de Maio de 1935, um dia antes de completar 13 anos!

Dircynha foi, provavelmente, o primeiro fenômeno infantil de nossa MPB, pois, aos 8 anos (em 1930) já gravava seu primeiro disco comercial.

Era filha do ventríloquo Baptista Junior e irmã da grande Linda Baptista.
Pixinguinha e sua Orquestra Diabos do Céo fazem o acompanhamento.
Gravação Victor, disco 33938-A, Matriz 79902-2. Disco lançado em Junho de 1935.




Balão! Balão!
No céu desapareceu
O meu sonho de amor
Foi balão que a saudade envolveu
Vejo um balão bem pequenino
Envolvido numa serração
É bem igual
O destino do meu coração (balão)
Fiz um brinquedo de criança
Dos castelos da minha ilusão
Tudo acabou
Sob cinzas no meu coração.





Santo Antônio, São Pedro e São João

A brilhante Aracy de Almeida gravou essa marcha de Herivelto Martins e Bide (Alcebíades Barcelos em 20 de maio de 1935, sendo o disco lançado em junho de 1935.







O acompanhamento é da Orchestra Diabos do Céo, sob direção de Pixinguinha.


O disco é Victor 33.937-B, com a Matriz 79916-1.


Santo Antônio, São Pedro e São João
Fizeram uma combinação
Tirar do firmamento as estrelas
Deixando a terra na escuridão

Se a terra ficar na escuridão
Não há de escurecer meu coração
Que para o iluminar
Eu tenho a luz do teu olhar.






Sonho de Papel

Marcha de Alberto Ribeiro que Carmen Miranda gravou em 10 de maio de 1935, sendo o disco lançado em junho de 1935. Disco Odeon nº 11.228-A, Matriz 5039.

Acompanhamento da Orquestra Odeon. Carmen a cantou no filme Estudantes, de 1935.




E um balão vai subindo
Vem caindo a garoa
O céu é tão lindo
E a noite é tão boa!
São João! São João!
Acende a fogueira

No meu coração!
Sonho de papel
A girar na imensidão
Soltei em teu louvor
Um sonho multicor
Ó meu São João!
Meu balão azul
Foi subindo devagar
E o vento que soprou
Meu sonho carregou
Não vai mai voltar!





São João há de sorrir

Marcha de José Maria de Abreu e Francisco Matoso gravada pela bela e talentosa cantora e rádio-atriz Zezé Fonseca em 15 de maio de 1936, sendo o disco lançado em junho de 1936.

O acompanhamento ficou a cardo dos Diabos do Céo (sic), conjunto liderado por Pixinguinha.

Disco Victor nº 34.062-B, Matriz 80156-1.

Suba meu lindo balão
Lá no céu procure São João
E se você chegar lá sem cair
Ele, agradecido, há de sorrir

E quando passar
Junto ao portão do meu amor
Diga pra ele que meu coração
É mais quente que seu calor

Se você cair
Hei de sentir, lindo balão
E desta vez São João vai sorrir
Mas há de sorrir de compaixão






Pula a fogueira 

Marcha de Getúlio Marinho (Amor) e João Bastos Filho.

Gravada por Francisco Alves em 25 de maio de 1936, na Victor. Disco 34068-A lançado em junho de 1936. Matriz 80163-1.





Pula a fogueira Iaiá
Pula a fogueira Ioiô
Cuidado para não se queimar
Olha que a fogueira
Já queimou o meu amor

Nesta noite de festança
Todos caem na dança
Alegrando o coração
Foguetes, cantos e troça
Na cidade e na roça
Em louvor a São João

Nesta noite de folguedo
Todos brincam sem medo
A soltar seu pistolão
Morena flor do sertão
Quero saber se tu és
Dona do meu coração.



Pedro, Antônio e João

Marcha de Oswaldo Santiago e Benedicto Lacerda gravada por Dalva de Oliveira e Herivelto Martins em 19 de junho de 1939, disco lançado em julho de 1939.





É o lado A de Noites de Junho.Disco Columbia nº55.074-A, Matriz 163-1.

Com a filha de João
Antônio ia se casar
Mas Pedro fugiu com a noiva
Na hora de ir pro altar

A fogueira está queimando
E um balão está subindo
Antônio estava chorando
E Pedro estava fugindo
E no fim dessa história
Ao apagar-se a fogueira
João consolava Antônio
Que caiu na bebedeira.



Noites de Junho



Marcha de João de Barro e Alberto Ribeiro gravada por Dalva de Oliveira, com o acompanhamento de Benedicto Lacerda e seu Conjunto Regional.

Gravação de 19 de junho de 1939, disco lançado em julho de 1939.Disco Columbia nº 55.074-B, Matriz 164-2.

Noite fria, tão fria de Junho
Os balões para o céu vão subindo
Entre as nuvens aos poucos sumindo
Envoltos num tênue véu
Os balões devem ser com certeza
As estrelas daqui deste mundo
Que as estrelas do espaço profundo
Que as estrelas do espaço profundo São os balões lá do céu.

Balão do meu sonho dourado
Subiste enfeitado, cheinho de luz
Depois as crianças tascaram
Rasgaram teu bojo de listas azuis
E tu que invejando as estrelas
Sonhavas ao vê-las ser astro no céu
Hoje, balão apagado, acabas rasgado
Em trapos ao léu.







domingo, 14 de junho de 2009

Linda Baptista - 90 Anos!


Hoje, dia 19 de Junho marca o aniversário de 90 anos da grande cantora Linda Baptista!
Linda foi uma das maiores intérpretes de nossa MPB, eleita Rainha do Rádio por 11 anos consecutivos!
Era filha do famoso ventrílloquo e cantor Baptista Junior e irmã da também consagrada cantora Dircynha Baptista.

Linda cantando o samba Bom Dia, com as Três Marias, conjunto vocal do qual fazia parte Marília Baptista.







domingo, 24 de maio de 2009

Carmélia - 100 anos!!


Hoje uma pessoa muito especial para mim completaria 100 anos.
Ela não foi cantora ou atriz.
Era minha avó.
Minha querida avó Carmélia (1909 - 1995).
Faço esta homenagem a ela com uma música que ela muito gostava: Nós queremos uma valsa.

Aqui em uma gravação de Carlos Galhardo, de 1941.
Esta música tem parte da melodia inspirada na Valsa dos Patinadores, do francês Émile Waldteufel, adaptada e co versos de Nássara e Frazão.



Na segunda foto, ao lado de minha avó está sua amiga Noemia (de vestido branco, à direita). As fotos são do anos 20.






quinta-feira, 14 de maio de 2009

Não há ninguém mais feliz - marcha de 1939


Bela marcha gravada por Aurora Miranda em uma linda interpretação, como só ela sabia fazer.

Simples e maravilhosa ao mesmo tempo.



O estilo romantico de Aurora era notado no samba e na marcha, como esta de Alcy Pires Vermelho.


Não há ninguém mais feliz
Que eu, que eu
Porque o teu coração
É meu, só meu
A vida assim é melhor
Guardo este verso de cor
Não há ninguém mais feliz que eu

É teu, só teu meu sorriso
É teu o meu olhar
Na vida apenas preciso
Amar, amar, amar
Tendo o teu amor
Tenho tudo enfim
Hoje eu sou feliz
Meu viver é assim



Não há ninguém mais feliz
Disco Odeon 11.767-A, Matriz 6122. Gravado em 9 de Junho de 1939, disco lançado em Setembro de 1939. Acompanhamento do conjunto Odeon, sob a direção de Simon Bountman.







Agradecimento à pesquisadora Thais Matarazzo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Tome mais um chopp - marcha de 1934

Marcha de Nássara gravada por Carmen Miranda.

Segundo o pesquisador Abel Cardoso Jr.: "Instantâneo da casa Nice, com seu café, chope e bife mal passado. Nássara era um dos líderes a animar o ambiente. Carmen não ia ao Nice e era censurada por isso!"

Carmen Miranda gravou na Victor em 10 de Outubro de 1934, sendo acompanhada pelos Diabos do Céo(sob direção de Pixinguinha).
Disco Victor 33.858-B
Matriz 79721-1
Disco lançado em dezembro de 1934.




Carmen fala: Já vai tão cedo? Tome mais um chope...

Com você ausente ninguém vai ficar contente
O ambiente num instante vai mudar...
Tome mais um chope, vê se come mais um bife
que ainda é cedo pra você se retirar

Meu amor, por favor, não vá-se embora
Espere ao menos que desponte a aurora

Com você lá fora todo mundo logo chora
e lhe implora pelo menos pra voltar...
Tome mais um chope, vê se come mais um bife
que ainda é cedo pra você se retirar






sexta-feira, 1 de maio de 2009

A Abelha e a Flor - canção de 1904

Canção de W. H. Penn e letra de Catullo da Paixão Cearense, gravado pela Inimitável Risoleta na Colúmbia Record, em 1912.

Mário Pinheiro fez duas gravações dessa canção, em 1904(Odeon Record) e 1910(Victor Record).

Em 1910, Orestes de Mattos faria uma gravação na Brazil Record.

Risoleta era uma das grandes cantoras do início do século XX. Em vários de seus discos vinha gravado no selo: "Pela Inimitável Risoleta".


Letra com um leve duplo sentido, comum entre algumas composições da época.

Junto a um belo jasmineiro
dois felizes namorados
se sentaram bem cuidados
E o cupido traiçoeiro
numa abelha transformado
quer o mel, tirar da flor
que dá o amor
Vendo um lírio perfumado
se introduz, rapidamente
e o amante de repente
faz beber o mel da flor
que embriaga o coração
e, do amante, ouve o amor
esta canção:

Porque não sou eu
a abelha e tu a flor
a flor
Provo os lábios teus
gozar o mel de amor
de amor
Nesta tarde tão ditosa
em que o céu era formoso
e que a fonte, além, cantava
Dizia ao lírio cheiroso
Madrigais de amor à rosa
que tristonha
se inclinava tão formosa
E o amante se abrasava
junto à moça
de repente quer beijar-lhe
o colo ardente
Ela, de olhos baixos, chora
mas, na boca, um beijo implora
E do amante
ouve o amor esta canção:

Porque não sou eu
a abelha e tu a flor
a flor
Provo os lábios teus
gozar o mel de amor
de amor...


A Abelha e a Flor
Canção de W. H. Penn com letra de Catullo da Paixão Cearense
Gravado por Mário Pinheiro em 1904
Disco Odeon Record 40.159
Matriz RX-12
Acompanhamento de piano




Foto: Mário Pinheiro.
Agradecimento ao Arquivo Nirez

terça-feira, 28 de abril de 2009

Sapoty - canção brasileira de 1928

Canção brasileira com letra de Freire Junior e música de Afonso Martinez Grau.

Foi lançada pela atriz Dulce de Almeida na revista Você quer é carinho, de 1928.

Nesse mesmo ano, recebeu gravação do cantor Francisco Alves.

PS. Transcrevi a letra com parte da grafia original.

Gravação de Francisco Alves de 1928
Disco Odeon 10.210-B
Matriz 1738
Acompanhamento Jazz Band Pan American





O sapoty é a mulata brasileira
A trigueirinha faceira
que faz da gente o que quer
É uma fructa rechonchuda, saborosa
é também apetitosa
como a mestiça mulher

Tal qual a fructa
a mulatinha é desejada
Mesmo verde é procurada
pelos 'morcegos' gulosos
É molezinha
e delicada e tão macia
Quem afinal não a aprecia
com os seus requebros maldosos?

Qual a fructa melhor daqui?
Sapoty!
Qual a mulher que a todos mata?
A mulata!
Qual das duas se gosta mais?
São iguais!
Tem, as duas, a mesma cor
e sabor.





domingo, 5 de abril de 2009

Aracy Côrtes, Senhora Rainha

Aracy nasceu em 31 de Março de 1904, no Rio de Janeiro.
Seu nome de batismo era Zilda de Carvalho Espíndola, e ai de quem escrevesse errado sem o “E”...

Era filha de Argemira de Carvalho Espíndola e Carlos Espíndola. Afirmava ser “uma mestiça terrível – filha de brasileiro com espanhol e neta de paraguaio”.

Era a caçula dos irmãos Silvino e Dalva.
O contato de Zilda com a música se deu ainda em sua infância. Seu pai era amante da música e tocava choros em sua flauta.

A amizade com Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna) se iniciou na infância dos dois, quando eram vizinhos (a diferença de idade entre eles era de sete anos).
Nas reuniões musicais na casa do futuro compositor ela e a irmã já ensaiavam os primeiros passos de dança.

Um dia Zilda comunicou aos pais que havia sido convidada para atuar em um grupo amador, os “Filhos de Talma”.

Pouco depois estreava no Democrata Circo ( que também seria chamado de Circo Spinelli, usando o sobrenome de seu dono), onde o célebre Benjamin de Oliveira era a atração principal. Apesar do desmaio na apresentação inicial o publico gostou da garota e, em pouco tempo, já estava com a Companhia Arruda excursionando por São Paulo e Minas Gerais. Genésio Arruda, dono da companhia, era especialista no tipo “caipira”.

Quando seu amigo Pixinguinha formou o conjunto Os Oito Batutas, no qual seu irmão China (Otávio Vianna) também fazia parte, a menina Zilda foi cogitada para fazer umas apresentações com o grupo.

Mas era preciso fazer uma grande mudança.

China e Mário Magalhães, o crítico teatral do jornal “A Noite”, estavam na redação desse vespertino quando resolveram inseri-la ao conjunto. Porém, Mário achava que o nome Zilda não combinava e, após pensarem bastante concordaram que Aracy era algo bem brasileiro.

Mas, Aracy “de quê”? Uma dúvida mais complicada que a primeira, pois teriam de arranjar um sobrenome marcante, que se encaixasse com o nome.

Enquanto pensavam entrou, apressado, o repórter policial Côrtes. Ao ver o colega, Mário encontrou sua resposta. Assim, nascia Aracy Côrtes.

Ela não gostou da mudança e no início só usava somente metade no nome.

Daí para o grande meio de divulgação da música popular, de artistas e compositores, o Teatro de Revista (um poderoso veículo de comunicação que trazia a atenção da população ao que acontecia na política e nos costumes sociais), seria um pulo.

Sua estréia profissional nos palcos das revistas aconteceu em 31 de Dezembro de 1921.

A peça era “Nós, pelas costas!”, de J. Praxedes, com música de Pedro de Sá Pereira, com estréia no Theatro Recreio Dramático (ou Theatro Recreio), onde ela ainda iria brilhar inúmeras vezes.

O Recreio ficava na Praça Tiradentes, onde se encontravam os mais famosos teatros e a concentrava as peças de Revistas. Como já existia outra Zilda no elenco a solução foi usar definitivamente o pseudônimo. E a garota estreou como Aracy Côrtes mesmo.

Sua interpretação da personagem “Vinho do Porto”, na cena “No Domínio de Baco”, apresentava momentos de crua sensualidade pagã, segundo a imprensa. O crítico Mário Nunes a destacava como “figurinha de brasileira petulante”.


Obs: Artigo em 5 partes.

Aracy e as primeiras gravações- Parte 2

O Teatro de Revista tinha em Ottília Amorim um dos grandes nomes da época e, pouco depois, Margarida Max e Lia Binatti. Junto a elas Aracy foi fazendo seu nome e até ser considerada uma de suas Rainhas.

Em breve, seria a figura principal dos palcos da Praça Tiradentes, lançando vários clássicos imortais de nossa MPB em primeira mão e lançando novos compositores como: Ary Barroso, Lamartine Babo, Noel Rosa, Assis Valente...

Segundo a revista Noite Illustrada, de 19 de Outubro de 1938, Aracy era “a decisão da vida de um compositor”.

E, para um iniciante ter uma de suas composições inseridas em algum teatro da Praça Tiradentes já era um grande passo... ter essa música interpretada por Aracy Côrtes era a consagração!

Gravou suas primeiras músicas em 1925, ainda na lendária Casa Edison.
Até 1926 podemos ouvir, na grande maioria dos discos, um locutor anunciando o título da música, o intérprete e algumas informações adicionais.

Em seu primeiro registro sonoro, a jovem cantora recebeu o título de “Graciosa Estrela Brasileira”. Nesse ano, gravou A Casinha (também conhecida como A Casinha da Colina, de Pedro de Sá Pereira e Luís Peixoto), Petropolitana (autor ignorado) e Serenata de Toselli (de E. Toselli).

Volta a gravar no final de 1928. A gravadora era a Parlophon.

Em seu primeiro disco elétrico já trazia um clássico: o samba de Sinhô (José Barbosa da Silva) Jura...! , lançada pela própria Aracy na revista Microlândia, estreada no Teatro Fênix em 28 de Setembro de 1928.

O pesquisador Abel Cardoso Junior informava que Aracy precisou repetir a música sete vezes no primeiro dia da apresentação e, segundo a própria cantora, “Isso deixou Sinhô tão emocionado que ele subiu no palco chorando”.

O disco seguinte seria igualmente histórico e marcaria Aracy pelo resto de sua vida por causa da música do lado A.

Ela gravava pela primeira vez Yayá .

Essa composição já havia sido gravada, com títulos e versos diferentes, por Vicente Celestino (Linda Flôr, com versos de Cândido Costa) e Francisco Alves (Meiga Flôr, com letra de Freire Júnior), sem o sucesso desejado. Nem a competente atriz Dulce de Almeida conseguiu que emplacasse quando lançou, antes de todos, na peça A Verdade ao Meio-Dia, em 1928.

Com novos versos, de Luis Peixoto e Marques Porto, a melodia do maestro Henrique Vogeler entraria para a história não com o nome que Aracy lançou na revista Miss Brasil (Theatro Recreio em 20 de Dezembro de 1928), mas rebatizada pelo público como Ai Yoyô.

Aracy e seu estilo inconfundível - Parte 3

Soprano, Aracy foi quem adaptou o canto lírico para cantar a nossa música popular.

Ela sabia valorizar a melodia e em cada registro seu deixou sua marca, seus “erres”, sua dicção e os agudos maravilhosos.

E sua improvisação, apenas com sons? Perfeita!

Basta ouvirmos Reminiscências, de Jota Soares e Carlos Medina.

Aí, percebemos porque ela era considerada soberana.

Uma curiosidade: Aracy gravou essa música duas vezes.

Talvez em nossa discografia não apareça esse detalhe.

Mas, se ouvirmos atentamente alguns exemplares da música veremos, na parte do improviso, que se trata de versões diferentes.
Ela troca de lugar com a orquestra e, com improvisação através de sua voz, interpreta a parte dos instrumentos que a acompanham e estes solam a parte que seria cantada por ela.

Não foi à toa que Abel Cardoso Junior ao escrever sobre essa música, afirmou: Aracy dá uma verdadeira aula de voz e interpretação!

Em suas gravações ela assumia as personagens que interpretava nos palcos ou que faziam sucessos.

Podia ser a mulher bem resolvida de Sim, mas desencosta (Cândido das Neves); como poderia ser triste e bela com A Minha Dor, de Oscar Cardona (que também era ator).

O tema “mulher de malandro” nos deu Tu qué tomá meu home (Ary Barroso e Olegário Mariano) e Você é o homem do meu peito (J. Cabral e M. Rodrigues).
A Bahia foi cantada através de Meu Sinhô do Bonfim (Pedro de Sá Pereira, Luís Peixoto e Marques Porto), Zomba (do cantor Francisco Alves) ou a já citada Baianinha.

Os Quindins de Yayá (de Pedro de Sá Pereira e Cardoso de Menezes e Carlos Bittencourt – não confundir com a homônima de Ary Barroso) nos davam idéia da malícia de sua atuação.

E Um Sorriso (de Benedito Lacerda) ainda nos deixa emocionados.

Gravou também na Odeon e na Colúmbia.

Aproximadamente foram 71 músicas em discos 78 rpm.

É uma pena que não tenha gravado mais.

Basta citarmos alguns títulos de músicas que devem a ela seu sucesso para desejarmos mais gravações suas: Aquearela do Brasil, No Morro, Eh, Eh (depois rebatizada de Boneca de Pixe), Na Grota Funda – Esse mulato vai ser meu (que viraria No Rancho Fundo), Guacyra, Harmonia das Flores, Ai Yoyô, Jura, Na Pavuna, Tem Francesa no Morro, Tico Tico no Fubá, Yes, Nós temos Banana...

Excursionou com sucesso por Paris, Portugal e Espanha.

Criou sua própria companhia teatral: Companhia Aracy Côrtes/Pinto Filho.
Pinto Filho foi um de nossos grandes atores cômicos.

Teve destaque no rádio e foi eleita a Rainha da Atrizes de 1939.

Após décadas de êxitos ela se afastou dos palcos.

Retornou com grande sucesso no show Rosa de Ouro (de 1965), em que dividia o palco com os estreantes Clementina de Jesus Paulinho da Viola. Sua entrada era anunciada com a música Senhora Rainha, de Hermínio Bello de Cravalho.
Por conta desse espetáculo fez mais algumas gravações e lançou mais composições, também interpretando seus sucessos.
Em 1984, aos 80 anos, participou em um show na Sala Funarte ao lado da cantora Marília Barbosa que, segundo a própria Aracy, era a única que poderia ser sua sucessora.

Em 8 de Janeiro de 1985 ela falece no Rio de Janeiro. Seu corpo é velado no Teatro João Caetano. A imprensa dedica homenagens à artista; afirmando que, com ela, ia embora toda uma era do nosso teatro.

E foi verdade...


Aracy, análise de uma estrela - Parte 4

Ela, aos 28 anos já era considerada uma grande profissional. Um nome bastante respeitado.

Se revisarmos sua carreira, veremos que ela pegou uma fase de transição em nossa cultura.

Iniciando profissionalmente no início da década de 1920, Aracy começou a atuar no finalzinho da Belle Époque brasileira.


Interpretou nos palcos compositores veteranos que faziam parte da geração de 1900, como Paulino Sacramento, e foi uma das últimas cantoras a gravar ainda no processo mecânico, na lendária Casa Edison.

Conseguiu tudo isso até os 21 anos.

Em seguida a esses acontecimentos, seguiu sua carreira em meio às transições dos loucos anos 20, passou a gravar no processo elétrico e lançou sucessos de compositores da (sua) atualidade, como Sinhô e novos talentos como Ary Barroso.

Adaptou-se com perfeição na interpretação dos novos estilos de se cantar samba, da marcha e também às mudanças de como se fazia o Teatro de Revista.
Era sempre atual e inovadora; como quando subiu o morro para contratar sambistas que nunca haviam visto um palco, mas, que eram perfeitos na interpretação de sua composições.

Falar de Aracy Côrtes é, e sempre será, um imenso prazer para mim.Pronunciar seu nome já me dá um prazer indescritível, nome sonoro e imponente, que me evoca sua voz e interpretação impagáveis.Eu escrevi uma breve citação de algumas fases de sua vida. Sua história merece, como já aconteceu (e provavelmente acontecerá novamente) um livro inteiro ou um blog só para ela.Idéia que vou por em prática um dia.

Se buscarmos conhecer quem foram nossos artistas do passado veremos como foi rica e grandiosa nossa cultura.
Como Aracy Côrtes outras mulheres e homens deixaram um belo legado para a posteridade.

Garanto-lhes uma coisa: é um universo apaixonante onde todos vão ficar fascinados ao conhece-lo!

Quem se habilita?

sábado, 4 de abril de 2009

Aracy, ouçam sua voz! - Final

Ouça Aracy Côrtes







A Casinha - Canção brasileira de Pedro de Sá Pereira e Luís Peixoto.
Gravada em 1925. Disco Odeon Record 122.884. Aracy é acompanhada pela famosa Jazz Band Sul Americana de Romeu Silva.
Lançada na revista Secos e Molhados em 1924.




Jura...! - Samba de José Barbosa da Silva, o Sinhô.
Gravado em 1928, disco Parlophon 12.868-A, Matriz nº 2071, lançado em Novembro de 1928.
Aracy é acompanhada por Simão Nacional Orchestra.
Foi lançado na revista Microlândia em 1928.




Yayá - Canção brasileira de Henrique Vogeler, Luís Peixoto e Marques Porto.
Disco Parlophon 12.926-A, Matriz nº 2366, lançado em Março de 1929.
Aracy é acompanhada pela Orchestra Parlophon.
Foi lançado na revista Miss Brasil, em 1928.
Ps. Trata-se de um samba-canção, o nosso primeiro. Porém, eu copiei as informações como estão no selo do disco.







Quindins de Yayá - Samba de Pedro de Sá Pereira, Cardoso de Menezes e Carlos Bittencourt.
Disco Odeon 10.457-A, Matriz nº 2815, lançado em Agosto de 1929.
Aracy é acompanhada pela Orchestra Pan American.
Lançada na revista Compra um Bonde, em 1929.



O amor vem quando a gente não espera (Samba da Penha)
- Samba
De Ary Barroso, Cardoso de Menezes e Carlos Bittencourt.
Disco Odeon 10.469-A, Matriz nº 2.866, lnaçado em Outubro de 1929.
Lançado na revista Comigo é na Madeira, em 1929.









Obs: Nessa série de pequenos artigos sobre Aracy Côrtes usei a grafia e acentuação originais de títulos de músicas e nome de pessoas.



Agradecemos ao ARQUIVO NIREZ (Fortaleza-Ce).


Fontes:
Revista Phono-Arte, 1929/1930.
Revista Noite Illustrada, 1930.
Araci Cortes - Linda Flor, da autoria de Roberto Ruiz, 1984.
Viva o Rebolado - Vida e morte do Teatro de Revista brasileiro, Salvyano Cavalcanti de Paiva, 1991.

terça-feira, 31 de março de 2009

Aracy Côrtes, 105 anos!

Hoje é o grande dia!
105 anos de Aracy Côrtes e a recolocação da placa em sua homenagem no Teatro João Caetano.
Trazer a placa de volta ao teatro tem sido idéia defendida por J. Maia e o ex diretor do João Caetano, Paulo Roberto.

Hoje às 19H, sob a direção de Daniel Dias, haverá a cerimônia, marcada pela apresentações de artistas e exposições de fotos de Aracy, do arquivo de J. Maia.

Em homenagem à querida artista, escreverei uma pequena biografia, com fotos e gravações. Não será uma biografia completa, pois, o espaço seria pequeno para tal. Assim, falarei em geral de sua vida e carreira.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O dia 31!

A Praça Tiradentes (RJ) vai reviver seus dias de glória!

Está se aproximando o dia em que Aracy Côrtes completaria 105 anos!
Na data, 31 de Março, será marcada com a recolocação da placa em homenagem à atriz e cantora, e acontecerá no Teatro João Caetano, palco (literalmente) onde Aracy lançou inúmeros êxitos e mereceu os mais calorosos aplausos.

Esse carinho irá se repetir terça-feira próxima. O diretor do teatro, Daniel Dias da Silva e a Secretária de Cultura Adriana Rattes receberão figuras ilustes como o cenógrafo J. Maia, que trabalhou e amparou Aracy em suas últimas décadas de vida.
Maia possui um rico acervo sobre a cantora e, durante a homenagem, estarão expostas fotografias de seu acervo pessoal.
O público também poderá apreciar as apresentações de Carol Bezerra e André Protásio.

O Teatro João Caetano fica na Praça Tiradentes s/n, Rio de Janeiro.
O evento se iniciará às 19H.




Um Sorriso
Samba -canção de Benedito Lacerda
Gravado por Aracy Côrtes em 17 de Julho de 1934, disco lançado em Agosto de 1934.
Disco Odeon nº 11.144-B, Matriz 4880
Aracy é acompanhada pela Orquestra Odeon

Acervo Marcelo Bonavides







terça-feira, 24 de março de 2009

Um novo título

Resolvi mudar o título de meu blog.
Antes, chamado "Marcelo Bonavides" (eu ehehe), agora "Estrelas que nunca se apagam". É um título bem poético e, quem sabe, piegas. Será? Enfim.. Poético porque evoca artistas que atuaram, no mínimo, há quase 70 anos atrás, em uma época em que era normal ser romântico. Piegas, porque muita gente não conhece nossa história, seja política, econômica, cultural.. e acham que esses artistas nunca existiram e, na feroz prática de descartar tudo, inclusive valores, podem torcer o nariz ao que foi feito há muito tempo atrás... e torcem mesmo!
Por enquanto deixarei esse título (parece mais nome de modinha do Catullo, gravada na Casa Edison por Mário Pinheiro ou Bahiano, ou até por Risoletta ou Senhorita Odette).
As estrelas não se apagaram, foram esquecidas. E pessoas que não possuem "olhos para enxergar" não conhecerão seu valor. Mas, aos que conseguem realmente ver, um belo firmamento os aguarda!


"Os Olhos Della"
Schottisch de Irineu de Almeida. Gravado pela Banda da Casa Edison em 1907.
Disco Odeon Record nº108.143, Matriz 676.
Esta música recebeu versos de Catullo da Paixão Cearense, feitos em homenagem à atriz Appolônia Pinto.









Agradecimento ao Arquivo Nirez.

Para Aracy!

O dia 31 de Março próximo será duplamente especial.
Marcará os 105 anos da atriz e cantora Aracy Côrtes, grande nome da Música Popular Brasileira de todos os tempos. Aracy nasceu em 1904, no Rio de Janeiro, e nessa mesma cidade faleceu, em 1985, meses antes de completar 81 anos. Sua carreira no Teatro de Revista foi antológica, chegando a ser considerada uma de suas rainhas e, até, sinônimo do próprio gênero musical. Não bastando esse sucesso, ainda marcou sua presença nos discos, rádios e excursões, inclusive ao exterior.
Em um dos teatro onde era soberana, o João Caetano (RJ), havia uma placa em sua homenagem, pelos grandes serviços prestados ao Teatro Brasileiro. Após algumas reformas a placa foi removida e não havia voltado ao seu lugar.
Na atual administração o diretor do João Caetano, o cearense Daniel Dias da Silva, está preparando uma homenagem à Aracy, no dia de seu aniverário, com a reinauguração da placa.
Um ato que merece nossoa aplausos pelo respeito e atenção a um dos grandes nomes de nossa história cultural que, mais uma vez, recebe a atenção merecida.

Estamos contentes com a homenagem!

domingo, 22 de março de 2009

MARCAS D´ÁGUA

Minhas amigas e amigos que acompanham meu Blog. Vou explicar o porque que marco as fotos postadas aqui.
É simples: elas fazem parte de coleções e arquivos particulares.
Arquivos que levaram mais de 20 anos e, até, 50 anos para serem formados.
E não nos enganemos, na Internet a maioria das pessoas copia foto e quando posta em algum lugar não coloca o credito de origem. Infelizmente é assim. Poucos são os que respeitam.

Em um comentário recente, feito na postagem do artigo sobre Carmen Miranda, um(a) internauta ficou indignado com o fato das fotos estarem com marcas d´água. Afirmou que Carmen era domínio público e que eu, o postador, era um mané qualquer que me achava no direto de assim apresentar as fotos. Bem, o "mané" tem nome e sobrenome: MARCELO BONAVIDES, Ator, Pesquisador Musical e Jornalista. E se ser cuidadoso com seu acervo ou com o dos colegas é ser mané, serei com orgulho!
E esse Sr. Sra. Anônimo, quem é??... enfim............. Por que não assina o que posta aqui??

As fotos pertencem a arquivos sérios e serão SEMPRE aprsentadas com marcas d´água. Carmen ou qulquer outros artistas aaqui citados assim serão apresentados. já tive fotografias copiadas e nunca colocaram meu nome nos créditos. Não irei cometer esse erro novamente, nem vou faltar com o respeito com meus colegas pesquisadores, pessoas sérias que sempre assinam seus nomes em trabalhos ou comentários.
Sem mais.

Obrigado.

MARCELO BONAVIDES

terça-feira, 17 de março de 2009

As Centenárias de 2009!

A ano de 2009 marca o centenário de vários artistas. A mais famosa centenária, sem dúvida, é Carmen Miranda, maior nome de nossa Música Popular Brasileira no exterior e uma das maiores interpretes de nosso samba emarcha. Porém outros nomes importantes merecem resgate: Elisa Coelho, Olga Praguer Coelho e Laura Suarez. As três foram de grande importância para nossa música e cultura e também completariam 100 anos.
Todas elas serão relembradas aqui.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A Pequena Centenária Notável

É difícil imaginarmos um ícone que se mantém sempre atual completar 100 anos.
Isso acontecerá nessa segunda feira dia 9 de fevereiro quando se comemora o centenário de nascimento da cantora Carmen Miranda.
A imagem da artista se renova a cada geração, mantendo sua originalidade e contemporaneidade, símbolos de uma vanguarda que, mesmo depois de mais de cinco décadas de sua morte, se mantém inalterada.

Ao iniciar sua carreira artística em 1929, tendo como padrinho o compositor e violonista baiano Josué de Barros, Carmen lançou um disco pela gravadora Brunswick, recém inaugurada no Brasil. Meses depois, iria para a também novata Victor, onde em seus primeiros discos já apresentava um estilo diferente de interpretação.

Nessa época, a grande figura das telas de cinema e representante da mocinha moderna era a atriz americana Clara Bow, conhecida como A Garota do It (The It Girl). Esse “It” era o diferencial que tornava uma mulher especial em relação às outras: o carisma envolto em uma contagiante vitalidade. Logo, Carmen passou a ser a Garota com o It na Voz, para depois, ser batizada pelo locutor César Ladeira de Pequena Notável, devido a sua estatura de 1, 52 cm. Outros adjetivos como A Embaixatriz do Samba, e Brazilian Bombshell (já nos EUA), seriam associados a ela.

Com o sucesso extraordinário da marcha Pra você gostar de mim (Tai), seu terceiro disco, da autoria do médico Joubert de Carvalho, a artista ficou conhecida nacionalmente, passando a ser o carro chefe da gravadora. Daí para novos sucessos em discos, no rádio, no cinema e em cassinos foi rápido. A cantora que começou a carreira imitando a grande estrela do teatro de revista Aracy Côrtes, agora, teria suas próprias imitadoras. Lançaria moda pelo país e chegaria a ter o maior salário pago a um artista de rádio, ainda por cima uma sambista, o que gerou várias críticas.
Vários compositores de renome faziam questão que suas composições fossem gravadas por ela: Assis Valente, Ary Barroso, Lamartine Babo, Custódio Mesquita, João de Barro, só para citar alguns.

Seu prestigio se espalhava pelo Brasil através dos discos, rádio e de excursões, como a que fez no início da década de 30 ao Nordeste, se estendendo ao exterior em suas várias tournées pela Argentina, onde ao lado de sua inseparável irmã, a cantora Aurora Miranda, era querida e respeitada.
Inusitada foi sua participação, ao lado de Pixinguinha, na composição Os home implica comigo, um samba de 1930. Ao que consta ela foi umas das poucas mulheres a compor com o autor de Carinhoso em peça gravada.

No ano de 1939 lança, no filme Banana da Terra, o samba jongo do novato compositor baiano Dorival Caymmi O que é que a baiana tem?, passando a apresentar o número no Cassino da Urca, onde era a atração principal. Vestida de forma estilizada com os trajes de baiana, Carmen chamou a atenção do empresário americano Lee Schubert, que a levou para uma bem sucedida temporada na Broadway. A partir daí ela ganhou Hollywood e o mundo, divulgando de forma definitiva a fantasia de baiana, que já era usada por nossas atrizes 50 anos antes dela ( inclusive no exterior).
Sua fama e a imagem da mulher extrovertida com frutas na cabeça passaram a se confundir com o Brasil. Após seu sucesso nos EUA e com a Segunda Guerra Mundial, seus filmes passaram a ser um meio útil para promover a Política da Boa Vizinhança. Segundo o escritor Ruy Castro, ao contrário do que algumas pessoas pensam, Carmen “estourou” nos EUA antes de Franklin Roosvelt implantar uma aliança com os países da América Central e do Sul.
Com os musicais em technicolor, chegou a ser a atriz mais bem paga de Hollywood, onde morava com sua mãe, a portuguesa Maria Emília, sua irmã Aurora e seu cunhado Gabriel Richaid.


O “espírito família” sempre foi uma marca da cantora. Sempre rodeada por amigos e familiares, quer no Brasil ou em sua casa na Califórnia que, para muitos, era uma espécie de embaixada brasileira informal.
Essa simplicidade era notada no meio artístico. A cantora Jesy Barbosa destacou em entrevista ao pesquisador Abel Cardoso Jr o seu espírito de amizade. As duas estavam disputando o título de Rainha da Canção Brasileira de 1930 e, vendo que Jesy apresentava maior votação, Carmen passou a torcer pela vitória da colega.

Outro caso famoso é o que envolve o cantor Carlos Galhardo. Quando um executivo americano, presidente regional da gravadora Victor, foi visitar os estúdios brasileiros Carmen foi convidada a cantar para o “patrão”. No meio da apresentação o jovem Galhardo, em inicio de carreira, entra no estúdio, causando a ira do executivo que, por meio de palavrões, o expulsa. Carmen, que já veterana e o principal nome da gravadora, em solidariedade a seu colega dirige os mesmo palavrões ao agressor, afirmando: “Eu sou brasileira, ele é brasileiro e o senhor tem que nos respeitar!” (ela, na verdade, era portuguesa mas considerava-se brasileira). E assim encerrou a audição para o executivo...

Carmen Miranda foi, sem dúvida, a cantora que mais se destacou no Brasil durante a década de 30. Seu estilo criava uma cumplicidade com o público, que a ouvia repetidas vezes nos discos ou acompanhavam suas apresentações. Quando iniciou a carreira, surpreendeu pela forma espontânea de cantar e o rompimento com o estilo lírico, predominante até então entre as cantoras. É interessante lembrar que um ano antes de Carmen, a cantora, pesquisadora de folclore e violonista pernambucana Stefana de Macedo já cantava em discos com um tom de voz não tão lírico. A forma impostada se dava pela ausência de microfones nos teatros e pelo processo de gravação ser mecânico até 1926. Coube à Aracy Côrtes, então o grande nome no cenário artístico, a adaptar o canto lírico para interpretar músicas populares, mantendo seus belos e famosos agudos.

O estilo de Aracy seria imitado por Carmen quando ainda fazia audições amadoras em festas beneficentes, porém, com a carreira consolidada adquiriu seu próprio, cabendo à Odete Amaral e Dalva de Oliveira seguirem a escola de Aracy.

Há um esquecimento em nosso país da cultura e dos artistas do passado. Mesmo com o esforço e a iniciativa de pessoas que tentam resgatar o que foi feito há várias décadas, ainda temos muitos nomes no ostracismo. Algumas dessas cantoras também completariam 100 anos em 2009, como Elisinha Coelho (A primeira intérprete de No Rancho Fundo - 01/03), Olga Praguer Coelho (Pesquisadora de folclore e violonista de fama mundial que faleceu em 2008 meses antes de completar 99 anos – 12/08) e Laura Suarez (Atriz, cantora e compositora, eleita Miss Ipanema em 1929 – 23/11).

Artistas que tiveram grande destaque e que foram vencidos pelo tempo, não por falta de talento e sim vitimas de nossa pouca memória. Carmen Miranda é um mito que sobrevive e sobreviverá por várias gerações. Porém, o mérito de sua imagem ter chegado até nós, décadas após sua morte, se deve a quem? Ao Brasil ou aos EUA? Afinal, a imagem que se perpetua a cada geração é a que foi propagada largamente de Hollywood para o mundo. Sabemos quem é a Carmen Miranda que cantava com frutas na cabeça em um inglês engraçado, mas, será que conhecemos bem a Carmen Miranda intérprete de sambas como Triste Sambista ou Veneno pra Dois?

Assim como as novas gerações foram redescobrindo e admirando o talento de Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira e Clementina de Jesus ficariam surpresos com a descoberta da Carmen Miranda brasileira, a intérprete de marchas e sambista de alta qualidade.
As novas gerações perceberão que essa cantora centenária continua em forma e atual.



"Por Causa de Você"
Samba de André Filho. Gravado em 14 de Abril de 1932. Disco lançado em Junho de 1932.
Carmen é acompanhada pelo Grupo do Canhoto, sob a direção de João Martins.
Disco Victor nº33.555-B, Matriz 65.456-1.




Agradecimento ao Arquivo Nirez.
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