sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

22 anos de pesquisa!

Os dias 23 e 24 de dezembro assinalam o aniversário de minhas pesquisas musicais.
Tudo começou há 22 anos quando, no Natal de 1988, fui escolher um disco como presente. Naquela época, eu tinha uma vaga noção de como era a "música de antigamente". Através de novelas e minisséries eu via aqueles rádios antigos no cenário e ficava fascinado com a música que saia deles. Um som melodioso e abafado, evocando o passado.

Na loja Francinet Discos, no Center Um, em Fortaleza, eu fiquei dividido entre dois LPs. Um da Carmen Miranda e outro de Dalva de Oliveira. Eu tinha a noção básica e estereotipada sobre Carmen: uma mulher bonita vestida de baiana, com frutas na cabeça e cantando Mamãe eu Quero. Afinal, era essa imagem que a mídia sempre divulgava...  Porém, as músicas do disco eram do seu início de carreira, gravações do começo dos anos 1930 e, naquela ocasião, ainda eram estranhas para mim. (Mal sabia eu que, com o tempo, me tornaria um fã incondicional desse período e gravações).
Optei pelo LP da Dalva e não me arrependi. O da Carmen eu iria adquirir no ano seguinte. (Mas essa é uma nova história).

O disco da Revivendo trazia músicas como Kalu, Ai Ioiô, Folha Morta...
Foram essas músicas, Dalva e, posteriormente os outros artistas dos anos 40, 30, 20, 10... de nossa música que embalariam minha adolescência. Por tudo isso, posso dizer que fui um privilegiado em ter como ídolos os grandes nomes da MPB de outrora, como Dalva de Oliveira, Francisco Alves, Aracy Côrtes, Mário Reis, Carmen Miranda...
Falarei mais sobre essa época de minha vida.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

AS LARANJAS DA SABINA

Em meados de 1889, defronte à Academia de Medicina, ficava o tabuleiro de Sabina, que vendia suas laranjas. Os acadêmicos faziam do local seu ponto de encontro, onde conversavam, tocavam idéias...

Vendedora de Frutas. Christiano Junior. 1865.


Vendedora de Frutas. Alberto Henschel. 1870.


Vendedoras de Frutas. Marc Ferrez. 1875.

A maioria dos estudantes era contra a forma de governo da época.
Um dia, quando a carruagem de um dos ministros do Império passava pelo local, os estudantes vaiaram, exprimindo sua simpatia pela República.
O fato não passou em branco e o subdelegado agiu. 
Resultado: o tabuleiro de Sabina foi confiscado e ela proibida de vender suas laranjas, pois, considerava-se o local subversivo.

Os estudantes se revoltaram e resolveram agir. Na manhã do dia 25 de julho de 1889 sairam pelas ruas do centro do Rio de Janeiro, em uma grande passeata, tendo à frente Sabina. Todos eles traziam laranjas espetadas em suas bengalas e fizeram uma enorme coroa de legumes, repolhos e laranjas, trazendo uma dedicatória ao subdelegado: "Ao eliminador de laranjas". O cortejo saiu da Faculdade de Medicina.
Após percorrerem a Rua do Ouvidor, onde pararam em frente às redações dos principais jornais, saudando os jornalistas e o povo que os acompanhavam, inclusive o homem dos sete instrumentos. Terminaram por deixar a coroa e todas as laranjas na entrada da delegacia, para o subdelegado, que não se encontrava lá.
Os jornais deram cobertura ao acontecido, sempre destacando o caráter alegre e brincalhão da manifestação, que não teve violências.

Sabina ficara conhecida na cidade e sua história era um prato cheio para alguma Revista de Ano. 
E assim foi feito.
Em 1890, Arthur Azevedo levou à cena a revista musical A República
Essa peça falava do novo sistema de governo que o País passou a ter e, entre os acontecimentos de destaque do ano de 1889, o "caso da Sabina". 
A peça trazia grandes atrizes como Rose Villiot, no papel de República
e Clélia de Araújo como Monarquia.

Rose Villiot

Clélia de Araújo

O número apresentava a personagem Sabina cantando o lundu, da autoria de Arthur e Aluísio de Azevedo, As Laranjas da Sabina. Quem interpretava a personagem era a atriz e soprano grega Ana Manarezzi que, pintada de preto, dava vida à ex-escrava vendedora de laranjas. Ana vivia no brasil desde a infância, por esse motivo, soube cantar e dançar bem o lundu.

Ana Manarezzi caracterizada como Sabina.

Essa música foi um dos maiores sucessos do final do século XIX.
Em 1902, quando a indústria fonográfica chegou ao Brasil, As Laranjas da Sabina foi gravada ainda no sistema de cilíndros pelo cantor Cadete e já em disco por Bahiano, ainda nesse mesmo ano. Em 1905, a atriz Pepa Delgado gravou o lundu. 

Em 1906, a cantora Nina Texeira, em gravação com Geraldo Magalhães, canta um verso do estribilho, 
na música Rapsódia.
Nos anos 40, Dircinha Baptista, acompanhada pela orquestra de Pixinguinha faria uma gravação não comercial para rádio, com o nome de Fadinho da Sabina.
Em 1999 a cantora Maricenne Costa faria uma gravação comercial da música, 
94 anos depois de Pepa Delgado.

Pepa Delgado

A letra cantada em 1890 fazia alusão a um costume de D. Pedro II: quando ia aos teatros ele sempre tomava uma canja de galinha no intervalo do primeiro para o segundo ato. 
Já a letra gravada por Pepa Delgado substitui a palavra Monarca por Mulata. No final da segunda estrofe, também há uma mudança. Os versos originais "deste modo provaram como o ridículo mata", foram substituídos por "deste modo provaram como gostam da mulata".


As Laranjas da Sabina




Sou a Sabina, sou encontrada
todos os dias lá na calçada
lá na calçada da Academia
da Academia de Medicina
Um senhor subdelegado
moço muito resingueiro
Ai, mandou, por dois soldados
retirar meu tabuleiro, ai...


Sem banana macaco se arranja
Mas não pasa o Monarca ( a mulata) sem canja
Mas estudante de medicina
nunca pode
passar sem a laranja
a laranja
a laranja da Sabina.


Os rapazes arranjaram
uma grande passeata
Deste modo provaram
como o ridículo mata (como gostam da mulata).






Agradecimentos ao ARQUIVO NIREZ.
Fontes:
Jornal O PAIZ, Rio de Janeiro, 26 de Julho de 1889
Livro Nossas Atrizes-cantoras: de 1859 a 1926, de Marcelo Bonavides de Castro, 2009.
Livro Viva o Rebolado, de Salvyano Cavalcanti de Paiva, 1991.
Blog Cozinha Cultural http://is.gd/hkbvK
Foto Gravura http://is.gd/hkcyu



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A REPÚBLICA

Há 121 anos, em 15 de novembro de 1889, era proclamada a República.
A Monarquia era substituída pelo regime Republicano, provocando a expulsão da Família Real do País.

Proclamação da República. Tela de Benedito Calixto. 1893.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

STEFANA DE MACEDO


STEFANA 
DE 
MACEDO


Uma das grandes cantoras-pesquisadoras de nosso folclore foi, sem dúvida alguma, Stefana de Macedo.
Também era compositora e professora de violão.
Nascida em Pernambuco em 29 de janeiro de 1903 (a revista Phono-Arte publicou 1903 e depois retificou como sendo 1909). "Filha do Dr. Erasmo V. de Macedo e D. Euxelia de Moura Macedo, figuras de destaque do melhor meio social de Pernambuco".
Quando criança, sua avó cantava modinhas e temas populares para que ela adormecesse, nas noites de lua cheia.

Essas melodias contribuiriam para aprimorar sua alma "nortista, sentimental e vibrante", melancólica e poética, como nos informa a revista Phono-Arte de julho de 1930.
Passou a morar no Rio de Janeiro em 1912, tendo sido educada no Colégio Rampi William.
Começou a estudar violão em maio de 1926 e também " as canções regionaes, nas quaes se especializou com a vantagem de possuir diccção e accento rythmico nortista (sic)". Essas características garantiram-lhe um acentuado sucesso.

Estreou em 06 de novembro de 1926 no "Theatro do Copacabana Palace Hotel", o número de pessoas presente foi muito além do necessário para lotar o lugar. Em maio de 1927, mais um sucesso. Ela se apresentou em recital no salão nobre do Instituto Nacional de Música. Em dezembro desse ano, se apresentou no Theatro Municipal de São Paulo para uma seleta e numerosa platéia, com muito êxito. Seu sucesso e prestigio aumentaria mais ainda em 1928, ao se apresentar em outubro no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 1929 retornou ao Municipal de São Paulo e, mais uma vez ao Rio de Janeiro, com apresentação no Theatro Municipal dessa cidade.



Começou a aprender violão com dois professores, que lhe ensinaram durante seis meses. Depois, ela continuou seus estudos sozinha. Em março de 1928 já dava aulas de canto e violão, com várias alunas inscritas.
É interessante vermos como o violão ia saindo da marginalidade em que vivia até o comecinho do século XX e, na década de 1920, seria adotado por moças de família, representantes da boa sociedade.

Considerava a música nortista (ou nordestina, na época em que o Nordeste era apenas "o Norte") a verdadeira música popular brasileira. Considerava a música do Sul (possivelmente aqui está incluso o Sudeste) influenciada pela música da Argentina, Paraguay e Uruguay. Isso não impediu que ela gravasse zambas.
Antes de gravar discos, apresentava-se na Rádio Sociedade Mayrink Veiga.
Boa parte de seu repertório ela conheceu ainda menina. Dessas recordações da infância contava que A Mulher e o Trem ela ouvira aos nove anos de idade, no carnaval carioca. Como se Dobra o Sino também foi uma das canções que ela aprendeu ainda criança.

Stefana começou a gravar em 1928. Seu primeiro disco trazia as composições de Hekel Tavares e Luís Peixoto: Lua Cheia e Era Aquilo Só.... Hekel acompanhava Stefana ao piano, em disco Odeon.
Foi a primeira cantora a romper com o estilo erudito de cantar, com sua voz suave e afinada, carregada do gostoso sotaque pernambucano.
Sua música mais conhecida é História Triste de Uma Praieira, gravada na Columbia em 1929, uma melodia de dóminio público com versos de Adelmar Tavares, que teve arranjo da própria Stefana.




Seu repertório era de músicas folclóricas ou semi-folclóricas. Encontramos maravilhas como Preta Sinhá, Despedida, Cavalo Marinho, Rede do Ceará...
Ela se dizia muito à vontade diante do microfone; e isso era muito importante no final dos anos 20, uma vez que as gravações elétricas chegaram ao Brasil em 1927. Era preciso ter desenvoltura diante da nova tecnologia. Quando esteve em São paulo, gravando nos estúdios Columbia, ela deixou registrada na cera 20 músicas em apenas cinco dias.
Afirmava ainda que entre os seus sucessos se destacavam Batuque, História Triste de uma Praieira, Bambalelê, Tiá de Junqueira, Olelê Tamandaré, Bicho Caxinguelê.
Em 1931, Stefana apareceu no primeiro filme musical brasileiro, Coisas Nossas, onde cantava Batuque e Bambalelê.
Gravou várias músicas de Hekel Tavares e Amélia Brandão Nery.




Batuque - Motivo Popular, arranjo de Stefana de Macedo
Acompanhamento de Violões
Disco Columbia 5.093-B, Matriz 380228-2
Lançado em outubro de 1929



História Triste de uma Praieira - Canção popular
Versos de Adelmar Tavares, arranjo musical de Stefana de Macedo
Disco Columbia 5.093-B, Matriz 380236-2
Lançado em Outubro de 1929



Preta Sinhá - Canção Regional
De Amélia Brandão Nery
Acompanhamento de Gaó, Chaves e Angelino
Disco Columbia 7.009-B, Matriz 380814-2
Lançado em setembro de 1930



Cavalo Marinho - Samba Regional
De Amélia Brandão Nery
Acompanhamento de Gaó, Chaves e Angelino
Disco Columbia 7.009-B, Matriz 380807-2
Lançado em setembro de 1930









  Agradecimentos ao Arquivo Nirez.






segunda-feira, 27 de setembro de 2010

FRANCISCO ALVES - 58 anos de saudade



Há 58 anos falecia Francisco Alves, o Rei da Voz.
Chico faleceu em um acidente automobilístico na Via Dutra, na altura da cidade de Pindamonhangaba.

Serra da Boa Esperança
Samba canção de Lamartine Babo
Disco Victor 34.174-A, Matriz 80339-1
Gravado em 17 de março de 1937 e lançado em junho de 1937
Acompanhamento da Orchestra Victor Brasileira



Boa Noite, Amor
Valsa de José Maria de Abreu e Francisco Matoso
Disco Victor 34.052-A, Matriz 80111-1
Gravado em 4 de abril de 1936 e lançado em maio de 1936
Acompanhamento da Orchestra Victor Brasileira





Agradecimentos ao Arquivo Nirez.





quinta-feira, 19 de agosto de 2010

FRANCISCO ALVES - 112 ANOS!!



Há 112 anos, no dia 19 de Agosto de 1898, nascia Francisco de Moraes Alves.
Ao iniciar sua carreira como cantor, seria conhecido como Francisco Alves, o Chico Alves, ou Chico Viola ou, simplesmente, O Rei da Voz.

De 1919 a 1952, Chico Alves teve uma carreira marcada por sucessos consecutivos, conquistando várias gerações de admiradores e sendo o cantor que mais gravou no período do disco 78 rpm.
Sua carreira atravessou várias épocas e estilos culturais.
Começou gravando ainda no processo mecânico e, ao passar ao elétrico, fixou sua marca em definitivo na história de nossa música.

Em Fevereiro de 1930, a revista Phono-Arte publicou a relação de algumas músicas de Francisco Alves gravadas pela Odeon. Algumas das gravações foram feitas e lançadas em 1928.
A revista saudava o cantor como o Príncipe da Canção Brasileira.




As músicas eram as seguintes (segue a grafia original):

 Eu vivo assim - Valsa
de Eduardo Souto e Eugênio Fonseca Filho
Disco 10.291-A, Matriz 1987-I
Gravado em 26 de setembro de 1928 e lançado em dezembro desse mesmo ano.
Acompanhamento da Orchestra Rio Artists



Eterna - Canção Brasileira
de Eduardo
Disco 10.291-B, Matriz 1988-I
Gravado em 26 de setembro de 1928 e lançado em dezembro desse mesmo ano.
Acompanhamento da Orchestra Rio Artists



Lua Nova - Canção
de Francisco Alves e Luís Iglesias
Disco 10.341-A, Matriz 1982
Gravado em 26 de setembro de 1928 e lançado em março de 1929.
Acompanhamento do Grupo Odeon



Beija Flôr - Canção
de Freire Junior e A. Roedor
Disco 10.341-B, Matriz 2254
Gravado em 26 de setembro de 1928 e lançado em março de 1929.
Acompanhamento do Grupo Odeon



Yo Te Amo - Thema musical do Paramount Film "A Canção do Lobo"
de Richard A. Whiting
de Nath Shilkret e Jayme Redondo
Disco 10.449-A, Matriz 2796
Lançado em agosto de 1929



Jeannine - Canção thema do First-National-Film "Amor Nunca Morre"
de Nath Shilkret e Jayme Redondo
Disco 10.449-B, Matriz 2796
Lançado em agosto de 1929



Eu Beijo a Sua Mão, Madame - Fox Canção
de Ralph Erwin e Eduardo Souto
Disco 10.501-A, Matriz 3048
Lançado em dezembro de 1929.
Acompanhamento de piano e violino.



Guess Who - Fox Trot
de Morey Davidson e Xodó
Disco 10.501-B, Matriz 3049
Lançado em dezembro de 1929.
Acompanhamento de piano e violino.



Dor de Recordar - Canção blue
de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano
Disco 10.509-A, Matriz 2996
Gravado em 26 de setembro de 1929 e lançado em dezembro desse mesmo ano.
Acompanhamento da Orchestra Pan American



A Voz do Violão - Canção Brasileira
de Francisco Alves e Horácio de Campos
Disco 10.509-B, Matriz 3016
Gravado em 26 de setembro de 1929 e lançado em dezembro desse mesmo ano.
Acompanhamento da Orchestra Rio Artists



Saudades - Valsa
de Alfredo Gama
Disco 10.554-A, Matriz 1621
Gravado em 16 de março de 1928 e lançado em janeiro de 1930.
Acompanhamento dos violões de Rogério Guimarães e Francisco Alves



Caboquinha - Toada Canção
de Alfredo Gama
Disco 10.554-B, Matriz 3347
Gravado em 16 de março de 1928 e lançado em janeiro de 1930.






Agradecimento ao ARQUIVO NIREZ.






ARACY DE ALMEIDA - 96 anos!!

A Dama do Encantado completaria 96 anos nesse 19 de agosto.
Nascida em 1914, Aracy Teles de Almeida foi uma das grandes Divas da MPB!
Em breve, uma homenagem à nossa querida intérprete!!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Julita Perez da Fonseca



"Senhorita Julita Perez da Fonseca, optimo elemento artistico da Radio Sociedade Record e figura brilhante da sociedade de São Paulo. (Photo Cerri)".
Revista Noite Illustrada, 1932.


Agradecimento ao ARQUIVO NIREZ

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

FRUCTA DA TERRA



Aracy Côrtes gravou o disco Odeon 10.471 com duas interessantes músicas. 
O lado A trazia Producto Nacional, com o subtítulo de Fructa da Terra, samba da autoria de Pedro de Sá Pereira, com o acompanhamento da Orchestra Pan American.





A morena gentil
Representa em Sevilha o Brasil
Tenho dengues, derriços
Requebros, feitiços
Que outras não tem
Sou de fato a mulher
Que seduz no olhar a qualquer
Sou quindim procurado
Sou doce de coco
Manjar delicado, ai

Meu Deus
Você não agüenta
Isto tem pimenta
Isto tem dendê
Meu Deus
Este meu tempero
É bem brasileiro
É bom como o quê.


O lado B vem com o foxtrot de Lamartine Babo, Gemer no Violão. No disco vem como samba. Foi lançado por Aracy na revista Comigo é na Madeira, de 1929. O acompanhamento também ficou a cargo da Orchestra Pan American.





Gemer num violão
Meu Deus, me custa crer
O violão é um instrumento
Que tem sentimento
Que tem coração
Uma mulher
Sem carinho no amor
Pega no pinho
Chora as mágoas do amor
Sem sofrer
Não se pode viver
Gemer num violão
Meu Deus
Me custa crer
Que um pedaço de pau
Se ele é bom
Muitas vezes é mau
Faz pensar, meu amor
Que sofri so por ti

Re, mi, fa, sol, lá si, do re, mi
Tenho fé, tenho fé
Ai!
Que hei de ver
Quem me faz padecer
Passando a pão com café.





Agradecimento ao ARQUIVO NIREZ.






quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Carmen Miranda - 55 Anos de Saudade


Há 55 anos, nossa querida Carmen Miranda nos deixava.
Já enfocamos sua vida e carreira em nosso BLOG:
e


Ouça algumas pérolas de Carmen e seu talento inconfundível:
1 - Moreno Bonito
Marcha de Josué de Barros
Gravação de 17 de junho de 1930
Disco Victor 33.331-B, Matriz 50328-2
Acompanhamento de violão e bandolim
Disco lançado em setembro de 1930




2 - É Com Você Que Eu Queria
Marcha de Joubert de Carvalho
Disco Victor 33.346-A
Gravação de 06 de agosto de 1930
Acompanhamento de Orquestra
Disco lançado em setembro de 1930




3 - Como Gosto de Você
Marcha-canção de Gabriel Migliori
Disco Victor 33.402-B, Matriz 65060-2
Gravado em 13 de dezembro de 1930
Acompanhamento de Orquestra
Disco lançado em março de 1931



4 - E Depois
Samba de Jonjoca (João de Freitas Ferreira)
Disco Victor 33.468-B, Matriz 65176-1
Gravação de 29 de junho de 1931
Acompanhamento do Grupo do Canhoto
Disco lançado em outubro de 1931



5 - Por Causa de Você
Samba de André Filho
Disco Victor 33.555-B, Matriz 65456-1
Gravado em 14 de abril de 1932
Acompanhamento do Grupo do Canhoto, sob a direção de João Martins
Disco lançado em junho de 1932



6 - Mulato de Qualidade
Samba de André Filho
Gravado em 01 de junho de 1932
Disco Victor 33.579-A, Matriz 65505-2
Acompanhamento do Grupo do Canhoto
Disco lançado em agosto de 1932



7 - Roda Pião
Canção de Roda Infantil de Dorival Caymmi
Gravado por Carmen e Dorival em 29 de abril de 1939
Disco Odeon 11.751-A, Matriz 6074
Acompanhamento do Conjunto Odeon
Disco lançado em agosto de 1939






Agradecimento ao Arquivo Nirez.






quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Cantoras de SINHÔ

Poucas cantoras gravaram músicas de Sinhô, durante a época dos discos 78 rpm.
Ao todo foram apenas seis cantoras, enquanto o compositor viveu:

Rosa Negra
Não Quero Saber Mais Dela - 1927



Aracy Côrtes
 Jura...! - 1928



Mal de Amor - 1931




Ita Cayuby
Canjiquinha Quente - 1930



Carmen Miranda
Buruncutum - 1930



Feitiço Gorado - 1930




Lucy Campos
Se meu amor me vê - 1930



Yolanda Osório
Meus Ciúmes - 1931





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1 - Não quero saber mais dela
Samba de José Barbosa da Silva, Sinhô
Rosa Negra e francisco Alves
1928

2 - Jura...!
Samba de José Barbosa da Silva, Sinhô
Aracy Côrtes
1928

3 - Mal de Amor
Samba de José Barbosa da Silva, Sinhô
Aracy Côrtes
1931

4 - Canjiquinha Quente
Samba de José Barbosa da Silva, Sinhô
Ita Cayuby
1930

5 - Burucuntum
Samba de José Barbosa da Silva, Sinhô
Carmen Miranda
1930

6 - Feitiço Gorado
Samba de José Barbosa da Silva, Sinhô
Carmen Miranda
Gravado em 1930 e lançado em 1932

7 - Se meu amor me vê
Samba de José Barbosa da Silva, Sinhô
Lucy Campos e Francisco Alves
1930

8 - Meus Ciúmes
Samba-choro de José Barbosa da Silva, Sinhô
Yolanda Osório
1931


Agradecimento ao Arquivo NIREZ pelas fotos e gravações.

SINHÔ - 80 Anos de Saudade!

Há 80 anos, falecia o Rei do Samba, José Barbosa da Silva (o Sinhô).
Sinhô foi tema de um texto em nosso blog no ano passado: http://is.gd/e21P6
Em 1989, ele foi um dos personagens de destaque na novela Kanagnga do Japão, exibida pela saudosa Rede Manchete. O ator Paulo Barbosa deu vida a um carismático Sinhô.
Por essa época, o compositor voltou à mídia, sendo tema de um programa de perguntas e respostas, o Sem Limite.


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Pepa Delgado, 123 anos!!


Hoje seria o aniversário da atriz-cantora Pepa Delgado. É engraçado como certas pessoas entram em nossas vidas, mesmo depois de terem partido. Ouvi a primeira gravação de Pepa no começo dos anos 1990. Me interessei por seu estilo, voz... Queria saber tudo sobre ela. Anos depois, por sorte, encontrei sua família. Ficamos amigos. Inusitado é o fato de Pepa ter vivido entre 1887 e 1945. Começou sua carreira em 1902. Hoje, ela é como se fosse uma avó, um parente a quem respeito e quero bem. Sua família sabe disso e percebeu isso antes de mim mesmo. Coisas da vida. Gosto disso.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Você Quer é Carinho - 1929

Samba de G. Cardoso e J. A. do Nascimento.
Gravado por Arthur Castro, sendo o disco lançado em janeiro de 1929.
Disco Parlophon 12896-B, Matriz 2164. Acompanhamento de Simão Nacional Orchestra.




Você Quer é Carinho

Vamos fazer um ninho
Você quer é carinho
Oh, minha tentação

Você quer é carinho
Eu também quero
Vamos benzinho
Que eu te espero

Vem, meu amorzinho
Oh, minha perdição
Você quer é carinho
Eu não digo que não




Agradecimento ao Arquivo Nirez.







quarta-feira, 9 de junho de 2010

O Eixo da Avenida, por Pepa Delgado - 1904


Valsa de Assis Pacheco, cantada por Pepa Delgado na revista musical Avança, em 1904, e gravada por ela em 1904, disco Odeon Record 10065.

Pepa Delgado foi uma das mais queridas e prestigiadas artistas das primeiras décadas do Século XX. Foi uma das primeiras cantoras a gravar disco no Brasil, fazendo sucesso também no teatro de revista, em burletas, operetas, e atuando no cinema. Casou-se com um militar e abandonou a carreira um ano antes de seu único filho nascer. Mesmo depois de "aposentada", continuou a incentivar e ajudar as novas gerações de artistas, como Abigail Alessio Parecis (sua afilhada de batismo), Colé Santana, Vicente Celestino...

Tive o prazer e a honra de receber de sua neta um precioso material, parte de seu acervo particular, que está incorporado ao Acervo Marcelo Bonavides. Entre os ítens, temos o disco desta valsa, gravada por Pepa e que ela guardou em sua casa.





Eixo da Avenida

Já não tenho prazer nesta vida
Infeliz, como eu sou, jamais vi!...
Pois por causa da tal avenida
O meu noivo querido perdi
Era um moço de louro cabelo
Olhos grandes, chamava-se Aleixo
Mas, fugiu! Nunca mais pude vê-lo...
Desde que houve...a abertura do eixo.

A princípio, era bom, amoroso
Sempre amável e sempre a sorrir...
Tão gentil, tão...tão...tão carinhoso!
E tão mau afinal me sair!
Enganou-me o tratante, o malvado!
Desse engano é que aflita me queixo
Percebi que me havia enganado
Só depois... da abertura do eixo!

Conheci-o num baile valsando...
Vê-lo e amá-lo foi quanto bastou!
Ai, Jesus! Chorarei até quando?...
Que infeliz! Que infeliz, ai que eu sou!
Enganou-me o vilão, foi esperto!...
E a culpada foi eu! É bem feito!
Mas agora que está o eixo aberto
Vou ter noivos a torto e a direito.








domingo, 6 de junho de 2010

O Protector das Creanças - 1917


EMULSÃO DE SCOTT
O Protector das Creanças
Agradavel ao paladar
Rico em Oleo de Figado de Bacalháo (sic)

Revista CARETA, 8 de setembro de 1917.
Arquivo Nirez, Fortaleza-Ce.



Ultimas Creações da Casa Ouvidor - 1927

Novidades da Casa Ouvidor para 1927.
Revista Vida Moderna - Revista do Lar e da Mulher, setembro de 1927.



Agradecimento ao Arquivo Nirez.

Nos Céus, Na Terra, Em Tudo! - 1906

Serenata, como vem no selo do disco, com letra de Catullo da Paixão Cearense e gravada por João Barros em 1906, disco Odeon Record 40.723, tendo o acompanhamento do Grupo do Novo Cordão.
A melodia é da valsa de Irineu de Almeida Bem Te Quero, gravada pelo Grupo do Novo Cordão em 1906, disco Odeon Record 40.720.

Em 1905, com o título Bem Te Quero, foi gravada por Mário Pinheiro em disco Odeon Record 40.424. No disco vem com a designação de modinha.

Em 1910, Mário Pinheiro faria uma nova gravação em disco Victor Record 99.735, gravado provavelmente nos Estados Unidos, na viagem que Mário fez para fazer gravações. Nesse período vemos uma diferença na qualidade de suas gravações.

Nesse mesmo ano de 1910, o grupo Luís de Souza gravaria em disco Columbia Record 11.974.

Letra tirada do livro Lyra dos Salões, de 1926, que apresenta poesias de Catullo. Grafia e pontuações originais.

Nos Céos, Na Terra, Em Tudo!

Sentir no peito uma dor
apremar
e ouvir do coração
o pranto a gottejar;
nas fibras d´alma
um só nome enxertar,
e orvalhar
de pranto...
o orvalhar;
ter uma imagem no estro
a luzir,
mesmo a dormir, a sonhar;
ter n´alma a flor da Agonia
é a poesia de meu penar!

Della o soffrer e o prazer,
della estes ais de agonia,
della a final melodia
de um ai, quando eu morrer!

nos céos, nos dardos crementes
do sol;
no íris do arrebol;
das aves no cantar;
na dolorosa luz crepuscular;
no carpir do mar,
ao luar,
nas ternas auras gementes
do sul;
lá no docel desse azul...
vejo-a n´um bouquet de estrellas,
que, de noite, diadema os céos!

Della os meus carmes serão,
della a canção,
desta lyra dolente!
Esta lagrima quente
de amor,
soffrente,
qual fibra de um´harpa gemente!
Dellas são
os meus ais,
meu coração,
onde guardo este amor!...
Della os meus hymnos de dor!...
Della a flor
deste insonte amor!

Sentir no peito uma dor
apremar,
e ouvir do coração,
o pranto a gottejar;
nos seios d´alma um só nome
enxertar...
e o orvalhar no pranto...
o orvalhar;
ter uma imagem na mente
a luzir,
mesmo a dormir, a sonhar,
ter n´alma a flor da Agonia...
é a poesia do meu penar.

(Walsa Bem te quero, de Irineu de Almeida)

Obs.
Apremar = Oprimir
Insonte = Inocente


No céu, na terra, em tudo - Por João Barros (1906)




Bem te quero - Por Mário Pinheiro (1905)




Bem te quero - Por Grupo do Novo Cordão (1906)




Bem te quero - Por Mário Pinheiro (1910)





Agradecimento ao Arquivo Nirez.





quinta-feira, 27 de maio de 2010

O Angú do Barão - 1903

Cançoneta de Ernesto de Souza. Foi gravada por Bahiano em 1903, em disco Zon-O-Phone X-1.046, nesse mesmo ano encontramos o disco Zon-O-Phone X-670 (provavelmente uma reedição). O cantor João Barros também gravou em 1909, disco Victor Record 98.799.


Copiamos a letra com a grafia e pontuação originais, retirada do livro Lyra Theatral, 3º edição, publicado em 1920, que faz parte do Acervo Marcelo Bonavides. A gravação apresentada no blog é do disco Zon-O-Phone -670, pertencente ao Arquivo Nirez.




Convidado um dia,
Só por cortezia,
Fui a casa d´um Barão,
Um velhinho curvo,
De olhar já turvo,
Mas casado... com um peixão.
Para apreciar,
Com elle almoçar
Um angú de quitandeira;
Lá fui, não pelo angu,
Mas pelos olhos da Baroneza faceira!

Á medida que o angu descia:
Meu peito ardia.
Mas esse ardor,
Não era de pimenta
Que qualquer agüenta
Era só de amor.

Sobre a malagueta,
Credo! Não é peta,
Cálices de Paraty,
O velho entornava
E a língua estalava.
Com um prazer que nunca vi.
D´ahui a boccado
De olhar revirado,
Mette as ventas no meu prato,
Ah! Céos! Que carraspana:
Pobre velho... Já tinha amarrado o gato!

À medida que o angu descia, etc.

- Baroneza (eu digo),
Veja que perigo,
O barão embiragado...”
Ella então corando,
Os olhos baixando,
Sentar deixa-me ao seu lado!
Ai! que sobremeza,
Deu-me a Baroneza,
Na boquinha perfumada.
E o angu de quitandeira,
Só se acabou quando rompia a madrugada...

À medida que o angu descia, etc.




Obs. Amarrar o gato significa embriagar-se.






quinta-feira, 13 de maio de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

Ouvindo Formenti!




Gastão Formenti deixou muitas músicas bonitas gravadas. Em seu repertório encontramos pérolas como esse disco Brunswick lançado em fevereiro de 1931. Disco nº 10.136, matriz do lado A nº 600 e do lado B nº 604.






O lado A nos apresenta o samba de Henrique Vogeler e Horácio de Campos, LUISINHA (com S mesmo, grafia original).




Luisinha

Foi numa noite assim
De formoso luar
Que te vi, junto a mim
Perfumosa, passar
Desde então, sabe Deus
Meu penoso viver
Nos teus olhos, os meus
Vivo triste a sofrer

Teu olhar me enregela
Ele é tão glacial
Como posso viver
Se não sei me conter
Anjo divinal
Procurar esquecer-te
É inútil tentar
Pois o meu coração
Lutará, sempre em vão
A te recordar

Luisinha olha só,
por que tanto desdém?
Quando queres ter dó
desta mágoa, meu bem?
Desde que te notei
Num formoso luar
Nunca mais sosseguei
Minha vida é chorar


O lado B vem com a marcha de José Francisco de Freitas,
Eu Não Posso Perder Pra Você.



Eu não posso perder pra você

Não vê, não vê
Que eu não posso
Perder pra você

Eu não sou trouxa
Pra cair no laço
Eu não me passo
Eu não me passo
Eu não me iludo
Com a tua promessa
Não caio nessa
Não caio nessa

Ando sozinho
E não tenho medo
Sou do brinquedo
Sou do brinquedo
Sou da Coroa
E gosto da folia
Com harmonia
Com harmonia






quinta-feira, 22 de abril de 2010

Elsie Houston - 108 anos!!

Hoje, dia 22 de abril, seria o aniversário da cantora e pesquisadora do nosso folclore Elsie Houston.
Elsie foi uma das cantoras-pesquisadoras pioneiras que surgiram na década de 1920, como Stefana de Macedo, Olga Praguer Coelho, Helena de Magalhães Castro, Celeste Leal Borges, Jesy Barbosa e Amélia Brandão Nery.

Elsie era filha de um famoso dentista americano, James Franklin Houston e da carioca Arinda Galdo. Nasceu no Rio de Janeiro em 22 de abril de 1902.

Há alguns anos, tive acesso a algumas cartas e fotos enviadas por ela a seu melhor amigo, o crítico de arte cearense Lívio Xavier.
Fiquei fascinado com o mundo que se abria diante mim e mais ainda com sua personagem principal, a própria Elsie.

Sua família investiu em sua formação musical. Ela estudou canto lírico com as melhores professoras, como Lilli Lehman na Alemanha (Elsie morou lá com sua irmã mais velha, Celina, e seu cunhado) e Ninon Vallin em Buenos Aires.

Sua trajetória será lembrada pelo blog em breve.
Por hora, saboreemos a belíssima voz de nossa aniversariante.


Macumbagelê - Samba de J. da Paulicéa e Lilico Leal. Elsie é acompanhada por Gaó (o famoso maestro), Zezinho (que nos anos 40 acompanharia Carmen Miranda com o Bando da Lua e seria a inspiração para o personagem ZÉ Carioca, de Walt Disney) e Petit. Gravação feita no início de 1930, provavelmente em janeiro, já que o disco foi lançado em março. Disco Columbia nº5.182-B, matriz 380606-1.
Um belo e animado samba, nota-se a "fuzarca" de seus acompanhantes. É notável Elsie se divertindo.





Morena Cor de Canela - Samba de Ary Kerner Veiga de Castro. Elsie gravou, provavelmente em abril de 1930, sendo o disco lançado em junho. Ela é acompanhada por Zezinho e Petit. Disco Columbia nº5.217-B, matriz 380649. Esse samba foi gravado em maio desse mesmo ano por Helena Pinto de Carvalho e, em janeiro, por Sílvio Salema.









Agradecimento ao Arquivo Nirez, de Fortaleza (Ce), pela foto de Elsie (original) e suas gravações.






terça-feira, 20 de abril de 2010

Aurora Miranda - 95 anos!!

Aurora Miranda (1915-2005) entrou para a história da Música Popular Brasileira em 1933, ano em que fez sua estréia como cantora e gravou sei primeiro disco. A cantora iniciante já emplacava um sucesso, "Cai, Cai Balão", marcha de Assis Valente em que ela é acompanhada pelo maior cantor de então, Francisco Alves. A dupla agradou e ainda deixou registradas mais duas músicas. Aurora já produzia sucessos, gravando no ano seguinte Cidade Maravilhosa, de André Filho (que também canta com ela). Essa música é entoada até hoje e virou o Hino oficial da Cidade do Rio de Janeiro.
Talvez, hoje, poucos lembrem de sua criadora quando citam o Rio como Cidade Maravilhosa ou simplesmente cantam a música.
Seu talento foi tamanho e se mostrou logo de início que qualquer comentário maldoso sobre seu sicesso se dever à irmã famosa, Carmen, morreu antes de surgir. A garota era bamba! Ponto para a família Miranda, que tinha duas grandes cantoras profissionais e ponto para a nossa música que, de uma família, recebia dois grandes e diversos talentos. Carmen extrovertida, contagiando alegria e Aurora com seu repertório de sambas românticos, até sentidos, e sua voz deliciosa. E que voz! Muito agradável de se ouvir, melodiosa, afinada.

É desnecessário dizer que ela foi uma das mais poderosas cantoras dos anos 30, na verdade a segunda mais poderosa, com salários e contratos ímpares. E o que mais nos deixa encantado é o fato de que ela sempre soube o que quis e agiu como queria. Sempre colocou a família em primeiro lugar, acima de sua gloriosa carreira e foi extremamente feliz ao se casar com Gabriel Richaid, que seria seu companheiro por 50 anos. A partir de então, a familia passou a ser o foco principal de Aurora que não descuidou de sua carreira e ainda fazia notáveis trabalhos.

Eu tive o prazer de conversar com ela algumas vezes. Sempre ela foi muito educada, simpática e atenciosa, do mesmo jeito como eu a imaginava ouvindo suas gravações. Sempre cantava para mim e me deixava feliz. Eu ligava para ela e avisava tratar-se de seu "fã do Ceará".

Embora não tendo conhecido pessoalmente, Aurora Miranda passa a ser como uma figura íntima minha e de vários jovens fãs. Suas canções a tornam nossa amiga e, até confidente. Sempre a citamos intimamente pelo primeiro nome, numa forma carinhosa de trazê-la perto.

À ela, o meu sincero carinho e admiração!


Toque de Amor – Samba de Floriano Ribeiro de Pinho. Com Francisco Alves. Disco Odeon 11.018-B, Matriz 4675. Gravado em 22 de maio de 1933.




Se a Lua Contasse – Marcha de Custódio Mesquita. João Petra de Barros no coro do refrão. Disco Odeon 11.074-B, Matriz 4733. Gravado em 21 de outubro de 1933.




Cidade Maravilhosa – Marcha de André Filho. Com André Filho. Disco Odeon 11.154-A, Matriz 4901. Gravado em 04 de setembro de 1934.




Sem Você – Samba de Sylvio Caldas e Orestes Barbosa. Disco Odeon 11.111-A, Matriz 4792. Gravado em 01 de março de 1934.




Câmbio de Amor – Samba de Custódio Mesquita e Paulo Orlando. Disco Odeon 11.165-B, Matriz 4888. Gravado em 07 de agosto de 1934.




Nego, Neguinho – Samba-Canção de Custódio Mesquita e Luís Peixoto. Disco Odeon 11.227-B, Matriz 5023. Gravado em 27 de abril de 1935.




Ano Novo – Marcha de Custódio Mesquita e Zeca Ivo. Disco Odeon 11.292-A, Matriz 5174. Gravado em 23 de outubro de 1935.













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