quarta-feira, 29 de setembro de 2010

STEFANA DE MACEDO


STEFANA 
DE 
MACEDO


Uma das grandes cantoras-pesquisadoras de nosso folclore foi, sem dúvida alguma, Stefana de Macedo.
Também era compositora e professora de violão.
Nascida em Pernambuco em 29 de janeiro de 1903 (a revista Phono-Arte publicou 1903 e depois retificou como sendo 1909). "Filha do Dr. Erasmo V. de Macedo e D. Euxelia de Moura Macedo, figuras de destaque do melhor meio social de Pernambuco".
Quando criança, sua avó cantava modinhas e temas populares para que ela adormecesse, nas noites de lua cheia.

Essas melodias contribuiriam para aprimorar sua alma "nortista, sentimental e vibrante", melancólica e poética, como nos informa a revista Phono-Arte de julho de 1930.
Passou a morar no Rio de Janeiro em 1912, tendo sido educada no Colégio Rampi William.
Começou a estudar violão em maio de 1926 e também " as canções regionaes, nas quaes se especializou com a vantagem de possuir diccção e accento rythmico nortista (sic)". Essas características garantiram-lhe um acentuado sucesso.

Estreou em 06 de novembro de 1926 no "Theatro do Copacabana Palace Hotel", o número de pessoas presente foi muito além do necessário para lotar o lugar. Em maio de 1927, mais um sucesso. Ela se apresentou em recital no salão nobre do Instituto Nacional de Música. Em dezembro desse ano, se apresentou no Theatro Municipal de São Paulo para uma seleta e numerosa platéia, com muito êxito. Seu sucesso e prestigio aumentaria mais ainda em 1928, ao se apresentar em outubro no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 1929 retornou ao Municipal de São Paulo e, mais uma vez ao Rio de Janeiro, com apresentação no Theatro Municipal dessa cidade.



Começou a aprender violão com dois professores, que lhe ensinaram durante seis meses. Depois, ela continuou seus estudos sozinha. Em março de 1928 já dava aulas de canto e violão, com várias alunas inscritas.
É interessante vermos como o violão ia saindo da marginalidade em que vivia até o comecinho do século XX e, na década de 1920, seria adotado por moças de família, representantes da boa sociedade.

Considerava a música nortista (ou nordestina, na época em que o Nordeste era apenas "o Norte") a verdadeira música popular brasileira. Considerava a música do Sul (possivelmente aqui está incluso o Sudeste) influenciada pela música da Argentina, Paraguay e Uruguay. Isso não impediu que ela gravasse zambas.
Antes de gravar discos, apresentava-se na Rádio Sociedade Mayrink Veiga.
Boa parte de seu repertório ela conheceu ainda menina. Dessas recordações da infância contava que A Mulher e o Trem ela ouvira aos nove anos de idade, no carnaval carioca. Como se Dobra o Sino também foi uma das canções que ela aprendeu ainda criança.

Stefana começou a gravar em 1928. Seu primeiro disco trazia as composições de Hekel Tavares e Luís Peixoto: Lua Cheia e Era Aquilo Só.... Hekel acompanhava Stefana ao piano, em disco Odeon.
Foi a primeira cantora a romper com o estilo erudito de cantar, com sua voz suave e afinada, carregada do gostoso sotaque pernambucano.
Sua música mais conhecida é História Triste de Uma Praieira, gravada na Columbia em 1929, uma melodia de dóminio público com versos de Adelmar Tavares, que teve arranjo da própria Stefana.




Seu repertório era de músicas folclóricas ou semi-folclóricas. Encontramos maravilhas como Preta Sinhá, Despedida, Cavalo Marinho, Rede do Ceará...
Ela se dizia muito à vontade diante do microfone; e isso era muito importante no final dos anos 20, uma vez que as gravações elétricas chegaram ao Brasil em 1927. Era preciso ter desenvoltura diante da nova tecnologia. Quando esteve em São paulo, gravando nos estúdios Columbia, ela deixou registrada na cera 20 músicas em apenas cinco dias.
Afirmava ainda que entre os seus sucessos se destacavam Batuque, História Triste de uma Praieira, Bambalelê, Tiá de Junqueira, Olelê Tamandaré, Bicho Caxinguelê.
Em 1931, Stefana apareceu no primeiro filme musical brasileiro, Coisas Nossas, onde cantava Batuque e Bambalelê.
Gravou várias músicas de Hekel Tavares e Amélia Brandão Nery.




Batuque - Motivo Popular, arranjo de Stefana de Macedo
Acompanhamento de Violões
Disco Columbia 5.093-B, Matriz 380228-2
Lançado em outubro de 1929



História Triste de uma Praieira - Canção popular
Versos de Adelmar Tavares, arranjo musical de Stefana de Macedo
Disco Columbia 5.093-B, Matriz 380236-2
Lançado em Outubro de 1929



Preta Sinhá - Canção Regional
De Amélia Brandão Nery
Acompanhamento de Gaó, Chaves e Angelino
Disco Columbia 7.009-B, Matriz 380814-2
Lançado em setembro de 1930



Cavalo Marinho - Samba Regional
De Amélia Brandão Nery
Acompanhamento de Gaó, Chaves e Angelino
Disco Columbia 7.009-B, Matriz 380807-2
Lançado em setembro de 1930









  Agradecimentos ao Arquivo Nirez.






3 comentários:

  1. Parabéns pelo blog Marcelo, nosso patrimônio musical merece alguém como você!!! Estou ansioso pra ver o post sobre a nossa querida Dama do Encantado...
    E a Stefana, olha só, é minha conterrânea e nem sabia rsrs!

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  2. Simplesmente fenomenal seu blog.
    Já estou seguindo e vou indicar no meu.

    http://sabordaletra.blogspot.com/

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  3. Cresci ouvindo minha mãe cantando História Triste de Uma Praieira de Stefana de Macedo. Triste saber que moramos longos anos na mesma cidade (Volta Redonda - RJ) e a vida não nos oportunizou conhecê-la. Minha mãe explodiria de contentamento, certamente! Que Deus as abençõe!

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