Em meados de 1889, defronte à Academia de Medicina, ficava o tabuleiro de Sabina, que vendia suas laranjas. Os acadêmicos faziam do local seu ponto de encontro, onde conversavam, tocavam idéias...
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| Vendedora de Frutas. Christiano Junior. 1865. |
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| Vendedora de Frutas. Alberto Henschel. 1870. |
A maioria dos estudantes era contra a forma de governo da época.
Um dia, quando a carruagem de um dos ministros do Império passava pelo local, os estudantes vaiaram, exprimindo sua simpatia pela República.
O fato não passou em branco e o subdelegado agiu.
Resultado: o tabuleiro de Sabina foi confiscado e ela proibida de vender suas laranjas, pois, considerava-se o local subversivo.
Os estudantes se revoltaram e resolveram agir. Na manhã do dia 25 de julho de 1889 sairam pelas ruas do centro do Rio de Janeiro, em uma grande passeata, tendo à frente Sabina. Todos eles traziam laranjas espetadas em suas bengalas e fizeram uma enorme coroa de legumes, repolhos e laranjas, trazendo uma dedicatória ao subdelegado: "Ao eliminador de laranjas". O cortejo saiu da Faculdade de Medicina.
Após percorrerem a Rua do Ouvidor, onde pararam em frente às redações dos principais jornais, saudando os jornalistas e o povo que os acompanhavam, inclusive o homem dos sete instrumentos. Terminaram por deixar a coroa e todas as laranjas na entrada da delegacia, para o subdelegado, que não se encontrava lá.
Após percorrerem a Rua do Ouvidor, onde pararam em frente às redações dos principais jornais, saudando os jornalistas e o povo que os acompanhavam, inclusive o homem dos sete instrumentos. Terminaram por deixar a coroa e todas as laranjas na entrada da delegacia, para o subdelegado, que não se encontrava lá.
Os jornais deram cobertura ao acontecido, sempre destacando o caráter alegre e brincalhão da manifestação, que não teve violências.
Sabina ficara conhecida na cidade e sua história era um prato cheio para alguma Revista de Ano.
E assim foi feito.
Em 1890, Arthur Azevedo levou à cena a revista musical A República.
Essa peça falava do novo sistema de governo que o País passou a ter e, entre os acontecimentos de destaque do ano de 1889, o "caso da Sabina".
A peça trazia grandes atrizes como Rose Villiot, no papel de República,
e Clélia de Araújo como Monarquia.
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| Rose Villiot |
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| Clélia de Araújo |
O número apresentava a personagem Sabina cantando o lundu, da autoria de Arthur e Aluísio de Azevedo, As Laranjas da Sabina. Quem interpretava a personagem era a atriz e soprano grega Ana Manarezzi que, pintada de preto, dava vida à ex-escrava vendedora de laranjas. Ana vivia no brasil desde a infância, por esse motivo, soube cantar e dançar bem o lundu.
Essa música foi um dos maiores sucessos do final do século XIX.
Em 1902, quando a indústria fonográfica chegou ao Brasil, As Laranjas da Sabina foi gravada ainda no sistema de cilíndros pelo cantor Cadete e já em disco por Bahiano, ainda nesse mesmo ano. Em 1905, a atriz Pepa Delgado gravou o lundu.
Em 1906, a cantora Nina Texeira, em gravação com Geraldo Magalhães, canta um verso do estribilho,
na música Rapsódia.
Nos anos 40, Dircinha Baptista, acompanhada pela orquestra de Pixinguinha faria uma gravação não comercial para rádio, com o nome de Fadinho da Sabina.
Em 1999 a cantora Maricenne Costa faria uma gravação comercial da música,
94 anos depois de Pepa Delgado.
Agradecimentos ao ARQUIVO NIREZ.
Fontes:
Jornal O PAIZ, Rio de Janeiro, 26 de Julho de 1889
Jornal O PAIZ, Rio de Janeiro, 26 de Julho de 1889
Livro Nossas Atrizes-cantoras: de 1859 a 1926, de Marcelo Bonavides de Castro, 2009.
Livro Viva o Rebolado, de Salvyano Cavalcanti de Paiva, 1991.
Blog Cozinha Cultural http://is.gd/hkbvK
Foto Gravura http://is.gd/hkcyu














4 comentários:
Muito bom o texto.
Parabéns pelo seu blog.Leio todos os dias e nunca canso.
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Adorei, baby!
Texto muito bom!
beijosss
interessante seu blog!
abraço
Estou sentindo sua falta aqui!
Abraços
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