quinta-feira, 18 de novembro de 2010

AS LARANJAS DA SABINA

Em meados de 1889, defronte à Academia de Medicina, ficava o tabuleiro de Sabina, que vendia suas laranjas. Os acadêmicos faziam do local seu ponto de encontro, onde conversavam, tocavam idéias...

Vendedora de Frutas. Christiano Junior. 1865.


Vendedora de Frutas. Alberto Henschel. 1870.


Vendedoras de Frutas. Marc Ferrez. 1875.

A maioria dos estudantes era contra a forma de governo da época.
Um dia, quando a carruagem de um dos ministros do Império passava pelo local, os estudantes vaiaram, exprimindo sua simpatia pela República.
O fato não passou em branco e o subdelegado agiu. 
Resultado: o tabuleiro de Sabina foi confiscado e ela proibida de vender suas laranjas, pois, considerava-se o local subversivo.

Os estudantes se revoltaram e resolveram agir. Na manhã do dia 25 de julho de 1889 sairam pelas ruas do centro do Rio de Janeiro, em uma grande passeata, tendo à frente Sabina. Todos eles traziam laranjas espetadas em suas bengalas e fizeram uma enorme coroa de legumes, repolhos e laranjas, trazendo uma dedicatória ao subdelegado: "Ao eliminador de laranjas". O cortejo saiu da Faculdade de Medicina.
Após percorrerem a Rua do Ouvidor, onde pararam em frente às redações dos principais jornais, saudando os jornalistas e o povo que os acompanhavam, inclusive o homem dos sete instrumentos. Terminaram por deixar a coroa e todas as laranjas na entrada da delegacia, para o subdelegado, que não se encontrava lá.
Os jornais deram cobertura ao acontecido, sempre destacando o caráter alegre e brincalhão da manifestação, que não teve violências.

Sabina ficara conhecida na cidade e sua história era um prato cheio para alguma Revista de Ano. 
E assim foi feito.
Em 1890, Arthur Azevedo levou à cena a revista musical A República
Essa peça falava do novo sistema de governo que o País passou a ter e, entre os acontecimentos de destaque do ano de 1889, o "caso da Sabina". 
A peça trazia grandes atrizes como Rose Villiot, no papel de República
e Clélia de Araújo como Monarquia.

Rose Villiot

Clélia de Araújo

O número apresentava a personagem Sabina cantando o lundu, da autoria de Arthur e Aluísio de Azevedo, As Laranjas da Sabina. Quem interpretava a personagem era a atriz e soprano grega Ana Manarezzi que, pintada de preto, dava vida à ex-escrava vendedora de laranjas. Ana vivia no brasil desde a infância, por esse motivo, soube cantar e dançar bem o lundu.

Ana Manarezzi caracterizada como Sabina.

Essa música foi um dos maiores sucessos do final do século XIX.
Em 1902, quando a indústria fonográfica chegou ao Brasil, As Laranjas da Sabina foi gravada ainda no sistema de cilíndros pelo cantor Cadete e já em disco por Bahiano, ainda nesse mesmo ano. Em 1905, a atriz Pepa Delgado gravou o lundu. 

Em 1906, a cantora Nina Texeira, em gravação com Geraldo Magalhães, canta um verso do estribilho, 
na música Rapsódia.
Nos anos 40, Dircinha Baptista, acompanhada pela orquestra de Pixinguinha faria uma gravação não comercial para rádio, com o nome de Fadinho da Sabina.
Em 1999 a cantora Maricenne Costa faria uma gravação comercial da música, 
94 anos depois de Pepa Delgado.

Pepa Delgado

A letra cantada em 1890 fazia alusão a um costume de D. Pedro II: quando ia aos teatros ele sempre tomava uma canja de galinha no intervalo do primeiro para o segundo ato. 
Já a letra gravada por Pepa Delgado substitui a palavra Monarca por Mulata. No final da segunda estrofe, também há uma mudança. Os versos originais "deste modo provaram como o ridículo mata", foram substituídos por "deste modo provaram como gostam da mulata".


As Laranjas da Sabina




Sou a Sabina, sou encontrada
todos os dias lá na calçada
lá na calçada da Academia
da Academia de Medicina
Um senhor subdelegado
moço muito resingueiro
Ai, mandou, por dois soldados
retirar meu tabuleiro, ai...


Sem banana macaco se arranja
Mas não pasa o Monarca ( a mulata) sem canja
Mas estudante de medicina
nunca pode
passar sem a laranja
a laranja
a laranja da Sabina.


Os rapazes arranjaram
uma grande passeata
Deste modo provaram
como o ridículo mata (como gostam da mulata).






Agradecimentos ao ARQUIVO NIREZ.
Fontes:
Jornal O PAIZ, Rio de Janeiro, 26 de Julho de 1889
Livro Nossas Atrizes-cantoras: de 1859 a 1926, de Marcelo Bonavides de Castro, 2009.
Livro Viva o Rebolado, de Salvyano Cavalcanti de Paiva, 1991.
Blog Cozinha Cultural http://is.gd/hkbvK
Foto Gravura http://is.gd/hkcyu



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A REPÚBLICA

Há 121 anos, em 15 de novembro de 1889, era proclamada a República.
A Monarquia era substituída pelo regime Republicano, provocando a expulsão da Família Real do País.

Proclamação da República. Tela de Benedito Calixto. 1893.
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