domingo, 10 de julho de 2011

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO, 1944





1
Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Do pampa, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios,
Da minha terra natal.

2
Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse "V" que simboliza
A Vitória que virá;
Nossa Vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil!

Eu venho da minha terra,
Da casa branca da serra,
E do luar do meu sertão;
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma da minha mão.
Braços mornos de Moema, 
Lábios de mel de Iracema
Estendidos para mim!
Ó minha terra querida
Da Senhora Aparecida
E do Senhor do Bonfim!

4
Você sabe de onde eu venho?
É de uma Pátria que eu tenho
No bojo do meu violão;
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração.
Deixei lá atrás meu terreiro
Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de jacarandá,
Minha casa pequenina
Lá no alto da colina,
Onde canta o sabiá.

Venho de além desse monte
Que ainda azula o horizonte,
Onde nosso amor nasceu;
Do rancho que tinha ao lado
Um coqueiro que, coitado,
De saudades já morreu.
Venho do verde mais belo,
Do mais doirado amarelo,
Do azul mais cheio de luz,
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham, deslumbradas,
Fazendo o Sinal da Cruz!





Essa belíssima canção é da autoria de Spártaco Rossi (melodia), com emocionante letra do poeta Guilherme de Almeida.

Foi gravada em 08 de setembro de 1944 em disco Odeon 12.504-A, matriz 7646, lançado em outubro de 1944. Acompanhamento da Orquestra Odeon, sob direção do maestro Fon-Fon.
Francisco Alves declama a estrofe 1, o coro canta a 2 e, novamente Chico sola a estrofe 4.


O pesquisador Abel Cardoso Junior comentou a música em seu livro Francisco Alves - As Mil Canções do Rei da Voz:
"Pode ser considerado o hino da Força Expedicionária Brasileira (F.E.B.). Este disco teve seu lançamento quando 3 dos 5 escalões da F.E.B. já se encontravam na Itália. Em setembro de 1944, os pracinhas haviam recebido o batismo de fogo.

Guilherme de Almeida retrata em seus versos o perfil e os valores do homem do povo brasileiro, que vai lutar em outras terras levando no coração a saudade da Pátria. Aproveita ditados populares, resenha canções consagradas e exalta nossa natureza. Nunca uma canção militar foi tão comovente e tão desprovida da figura do inimigo.

Quando da edição impressa, o maestro Spártaco Rossi juntou aos originais de sua melodia um bilhete aos Irmãos Vitale, pedindo que o primoroso e longo poema do Príncipe dos Poetas Brasileiros (grifo do autor) fosse publicado na íntegra. Sensíveis ao apelo e principalmente à beleza poética, os Vitale assim fizeram".

Em 1998, a parte do coro foi cantada na peça Dôra, Doralina, de Rachel de Queiroz, em adaptação e direção de Nazaré Fontenelle, encenada pelo Grupo Em Cena do Colégio Christus, formado por alunos e ex-alunos (Grupo que eu fiz parte com muito orgulho), e que durante mais de uma década levam aos palcos adaptações dos livros que seriam cobrados pelo vestibular da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza. Dessa forma, os versos de Guilherme de Almeida e a melodia de Spartaco Rossi são lembrados até hoje por aqueles adolescentes que há 13 anos viveram as emoções de Dôra, Brandini e Estrela.






Fonte:
Francisco Alves - As Mil Canções do Rei da Voz, de Abel Cardoso Junior, 1998.
Agradecimento ao ARQUIVO NIREZ

2 comentários:

  1. Olá! Adorei seu blog, muito criativo! Também tenho um blog e gostaria que vc desse uma olhada. O endereço é: http://www.criticaretro.blogspot.com/ Passe por lá! Lê ^_^

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  2. Taí eu não conhecia nada sobre essa música. É só vir aqui e tomar um banho de cultura brasileira. Lindo post!

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