quinta-feira, 28 de julho de 2011

CLARK GABLE NO RIO

 



Pelo Rio de Janeiro muitas celebridades já passaram e ainda irão passar.
Em 1935, a revista Carioca, em seu primeiro exemplar,
cobria a vinda do Rei de Hollywood à Cidade Maravilhosa.
Reproduzi a matéria na íntegra, com pontuação, grifos,
acentuação e, até, erros originais.



CLARK GABLE NO RIO
Uma viagem de repouso
transtornada pelo enthusiasmo das "fans"





























"A celebridade tem tambem as suas desvantagens. Se nos offerece prazeres e vantagens materiaes, não deixa, todavia, de ter os seus inconvenientes. O individuo famoso já não pertence a si proprio. É um escravo da notoriedade. Não tem tranquilidade, não tem socego, não póde viver calma e docemente como o commum dos mortaes. Esse é o caso de Clark Gable, o notavel actor cinematographico, que acaba de visitar o Rio, em viagem de recreio. Saiu o interprete de “Mares da China” silenciosamente da California, para realisar um “raid” de avião em torno do continente. Começou pela costa do Pacifico, para, em seguida, percorrer a do Atlantico, demorando-se alguns dias em cada uma das grandes cidades sul-americanas. Apesar de não desejar exhibir-se, furtando-se o mais possivel ao contacto com as multidões, pois o seu unico proposito era gosar tranquilamente suas férias, Clark Gable teve que arrostar em Lima, Santiago e Buenos Aires o enthusiasmo de milhares de “fans”.



Foi comprimido por multidões em delirio, obrigado a assignar centenas e centenas de autographos, posar para milhares de photographias, deixar-se entrevistar por dezenas e dezenas de jornalistas. A viagem, que era de repouso, transformou-se, assim, em verdadeira roda viva. O “astro” não conseguiu repousar um dia sequer, pois quando terminavam as homenagens ruidosas dos “fans” recolhia-se á cabine do avião, para ouvir o ronco ensurdecedor dos motores. Em Buenos Aires, Clark Gable não teve outro remedio. Mandou cancellar a passagem do avião e tomou um dos mais morosos navios americanos, para fazer em sete duas o trajecto da capital argentina ao Rio, tendo assim a opportunidade de descansar uma semana, muito embora não goste de andar embarcado. Isso limitou o prazo de permanência do celebre artista na nossa capital. As “fans” brasileiras foram prejudicadas, desse modo, pelo excesso de enthusiasmo das peruanas, chilenas e argentinas. É natural, porém, o enthusiasmo do publico feminino do continente, em face da “personal appearence” de Clark Gable, que é, hoje, o que era Rodolpho Valentino ha doze annos atrás. Verdadeiro idolo dos “fans”, Clark Gable, com suas maneiras masculas, um tanto rudes, não é uma figura de salão, um galã elegante, mas encarna, sem duvida, o typo sportivo, energico, decidido, audacioso, que realisa o ideal da mocidade moderna.

Sua carreira cinematographica, um tanto accidentada, mostra que elle tem, na vida real, a mesma decisão que revela nos films. Começou trabalhando em pequenas produções da Universal e da Warner ?, projectando-se, mais tarde, como figura de primeiro plano em films de Joan Crawford e Norma Sheare. Quando as sympathias do publico, depois de “Uma alma livre”, se definiram em seu favor, Clark Gable fez greve contra a Metro, exigiu augmento de salarios, primeiros papeis, vantagens de varias ordens, ameaçando ir trabalhar no theatro em Nova York. Foi assim que se impoz como “astro”, pois a Metro se curvou aos seus desejos. Entre seus melhores trabalhos figuram “A irmã branca”, com Helen Hayes; “Possuida”, “Redimida” e “Quando o diabo atiça”, com Joan Crawford; “Susan Lennox”, com Greta Garbo; “Terra de paixão”, com Jean Harlow, e “Gigante do Céo”, com Wallace Beery.".


Os "fans", no cáes, aguardando a chegada do famoso "astro"


Clark Gable, no "deck" do Pan American",
quando o navio se achava em frente ao edificio d´A NOITE


 "Em Santos, São Paulo e no Rio, recebeu Clark gable expressivas manifestações dos “fans”. Sua passagem pela nossa capital foi rápida, pois o notável intérprete de “Aconteceu naquella noite” tem pressa de chegar aos Estados Unidos, para recomeçar o trabalho nos estúdios. Quando o “Pan American” atracou no cáes, era enorme a multidão de “fans”, que o aguardava, predominando o elemento feminino. Clark Gable foi vivamente ovacionado quando appareceu no, “deck” do navio. E milhares de jovens se contentaram em contemplar, á distancia, a figura elegante do galã celebre, que é o novo ídolo masculino do écran. Clark Gable declarou que não desembarcaria. Mais tarde, porém, illudindo a multidão de admiradores e, sobretudo, de admiradoras, tomou uma lancha e foi desembarcar ao longe, percorrendo a cidade em tranquillo icognito.". (Revista Carioca, 1935. O artigo não estava assinado).



Entre os jornalistas, a bordo do "Pan American"






Agradecimento ao ARQUIVO NIREZ


















sexta-feira, 22 de julho de 2011

Em breve

Alô amigos!
Estou com problemas no notebook.
Em breve, trarei mais novidades para vocês.
Grande abraço!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

MARCAS D´ÁGUA PARTE 2

Já faz um bom tempo em que as marcas d´água apresentadas nas fotos deste blog foram motivo de polêmica. http://zip.net/bktjh4
Novamente, alguém (sempre como anônimo, nunca se identificam) vem reclamar do fato das marcas existirem e serem grandes.
Bom, mais uma vez eu afirmo: as marcas d´água ficam.
Eu sei o quanto custa ter que reunir fotos e ilustrações e também sei o quanto custou aos meus colegas que cedem essas imagens. É um trabalho que só que realiza sabe a dificuldade encontrada.
Na net há várias fotos já divulgadas por mim, em minhas pesquisas, que ninguém colocou o devido crédito. Então, nada mais justo elas existirem.

domingo, 10 de julho de 2011

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO, 1944





1
Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Do pampa, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios,
Da minha terra natal.

2
Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse "V" que simboliza
A Vitória que virá;
Nossa Vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil!

Eu venho da minha terra,
Da casa branca da serra,
E do luar do meu sertão;
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma da minha mão.
Braços mornos de Moema, 
Lábios de mel de Iracema
Estendidos para mim!
Ó minha terra querida
Da Senhora Aparecida
E do Senhor do Bonfim!

4
Você sabe de onde eu venho?
É de uma Pátria que eu tenho
No bojo do meu violão;
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração.
Deixei lá atrás meu terreiro
Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de jacarandá,
Minha casa pequenina
Lá no alto da colina,
Onde canta o sabiá.

Venho de além desse monte
Que ainda azula o horizonte,
Onde nosso amor nasceu;
Do rancho que tinha ao lado
Um coqueiro que, coitado,
De saudades já morreu.
Venho do verde mais belo,
Do mais doirado amarelo,
Do azul mais cheio de luz,
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham, deslumbradas,
Fazendo o Sinal da Cruz!





Essa belíssima canção é da autoria de Spártaco Rossi (melodia), com emocionante letra do poeta Guilherme de Almeida.

Foi gravada em 08 de setembro de 1944 em disco Odeon 12.504-A, matriz 7646, lançado em outubro de 1944. Acompanhamento da Orquestra Odeon, sob direção do maestro Fon-Fon.
Francisco Alves declama a estrofe 1, o coro canta a 2 e, novamente Chico sola a estrofe 4.


O pesquisador Abel Cardoso Junior comentou a música em seu livro Francisco Alves - As Mil Canções do Rei da Voz:
"Pode ser considerado o hino da Força Expedicionária Brasileira (F.E.B.). Este disco teve seu lançamento quando 3 dos 5 escalões da F.E.B. já se encontravam na Itália. Em setembro de 1944, os pracinhas haviam recebido o batismo de fogo.

Guilherme de Almeida retrata em seus versos o perfil e os valores do homem do povo brasileiro, que vai lutar em outras terras levando no coração a saudade da Pátria. Aproveita ditados populares, resenha canções consagradas e exalta nossa natureza. Nunca uma canção militar foi tão comovente e tão desprovida da figura do inimigo.

Quando da edição impressa, o maestro Spártaco Rossi juntou aos originais de sua melodia um bilhete aos Irmãos Vitale, pedindo que o primoroso e longo poema do Príncipe dos Poetas Brasileiros (grifo do autor) fosse publicado na íntegra. Sensíveis ao apelo e principalmente à beleza poética, os Vitale assim fizeram".

Em 1998, a parte do coro foi cantada na peça Dôra, Doralina, de Rachel de Queiroz, em adaptação e direção de Nazaré Fontenelle, encenada pelo Grupo Em Cena do Colégio Christus, formado por alunos e ex-alunos (Grupo que eu fiz parte com muito orgulho), e que durante mais de uma década levam aos palcos adaptações dos livros que seriam cobrados pelo vestibular da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza. Dessa forma, os versos de Guilherme de Almeida e a melodia de Spartaco Rossi são lembrados até hoje por aqueles adolescentes que há 13 anos viveram as emoções de Dôra, Brandini e Estrela.






Fonte:
Francisco Alves - As Mil Canções do Rei da Voz, de Abel Cardoso Junior, 1998.
Agradecimento ao ARQUIVO NIREZ

segunda-feira, 4 de julho de 2011

MESQUITINHA - Um Astro Nacional

Mesquitinha, capa da revista Carioca, ao microfone da Rádio Nacional. 1937




Um dos maiores nomes do nosso teatro e cinema foi, sem dúvidas, o ator Olympio Bastos, mais conhecido como Mesquitinha.
Tendo nascido em Lisboa (19 de abril de 1902), veio ao Brasil em 1907.
Aos oito anos estreou em São Paulo, atuando na Companhia Arruda, interpretando o papel de Pirralho na revista musical A Grande Fita.
Com vinte anos foi para o Rio de Janeiro, atuando no teatro musicado e em comédias. 
Seu nome Mesquitinha surgiu pelo fato de ser afilhado de um ator veterano chamado Mesquita, e bastante conhecido no meio teatral da época.
Trabalhou com grandes nomes do teatro de revista como Margarida Max e Aracy Côrtes, logo fixando o seu no mesmo patamar.
Atuou em diversos filmes, entre musicais e comédias.
Em 1936, estreou como diretor no filme João Ninguém, que apresentou a primeira sequência colorida do cinema brasileiro.
Chegou a naturalizar-se brasileiro.
No disco, fez seis gravações entre 1930 e 1931 (quatro na Odeon e duas na Victor), em três discos.
 Mesquitinha faleceu em 1956, no Rio de Janeiro.



Monólogos de Mesquitinha:

Eu fico é com o Cavanhaque
Monólogo de Freire Jr.
Lançado em janeiro de 1930 na Odeon
Disco 10.550-A, matriz3082
Obs: Cavanhaque era o apelido do Presidente Washington Luís




Bebo
Monólogo de Freire Jr.
Lançado em janeiro de 1930 na Odeon
Disco 10.550-B, matriz 3083













Fonte: 
História do teatro no Brasil, de J. Galante de Sousa (Arquivo Marcelo Bonavides).
Agradecimento ao Arquivo Nirez (Fotos e gravações).







sexta-feira, 1 de julho de 2011

Um Mergulho aos anos 40

Vamos mergulhar no clima dos anos 40 e relembrar alguns artistas brasileiros ao som de Begin The Beguine, 
de Cole Porter, em interpretação de Artie Shaw (1938).


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...