Página voltada ao resgate de artistas que atuaram no Teatro de Revista brasileiro
e na Música Popular Brasileira, dos anos 1859 até a década de 1940. Serão enfocadas, principalmente, as atrizes e cantoras desse período.
Pretendo mostrar quem foram essas mulheres e o que fizeram por nossa cultura.
Há 24 anos, no dia 30 de dezembro de 1987, partia A Rainha da Canção Brasileira de 1930, Jesy Barbosa.
Ela, que além de cantora de prestígio em nossa música, era jornalista,
dramaturga, radio-atriz, radialista e trovadora premiada.
Uma mulher inteligente, talentosa e bonita.
Sua contribuição para a nossa cultura é grandiosa.
Uma das mais belas vozes de nosso cancioneiro.
Em breve, vocês poderão conferir uma reportagem gravada por ela quando tinha pouco mais de 80 anos. Será uma das entrevistas com grandes nomes de nossa música que estará disponibilizada no site do Arquivo Nirez.
Se fecharmos os olhos, ouvindo alguma música, podemos nos transportar.
O destino vai de acordo com nossa imaginação, emoção, sensibilidade.
Comigo não é diferente.
Quando ouço modinhas como Noite Serena, imagino logo cenas de outrora: alta noite, ruas desertas, belas casas com árvores na calçada e um trovador com seu violão fazendo serenada à alguma amada ou mesmo à lua.
Hoje, véspera de Natal, completo 23 anos de Pesquisas Musicais.
Naquele Natal de 1988 eu ganhava de minha mãe o lp
Revivendo Dalva de Oliveira com Roberto Inglez e sua Orquestra.
Como era bom, aos 13 anos, descobrir uma grande cantora de nossa música, ouvir aquelas gravações, sua interpretação. Era mágico. Me transportava a uma época que, teoricamente não tendo conhecido, era-me totalmente familiar. Ouvia inúmeras vezes seguidas Kalu, Ai Yoyô, Carinhoso, na voz de Dalva.
Nunca esquecerei o som e a sensação de sentir (sim, sentir!) sua voz.
A partir de então eu dava início às minhas pesquisas sobre música e seus intérpretes.
Na verdade, antes dessa data, eu já começava a ouvir e me interessas por gravações do passado, mas, só com esse presente que fiz disso uma constante em minha vida, vinte e quatro horas por dia. E, desde então, minha vida tomou um belo sentido.
Duas músicas que tocaram bastante naquela Natal e que faziam parte do lp, foram:
Noite de Natal (Silent, Night, Holy Night)
Dalva de Oliveira, com Roberto Inglez e sua Orquestra (1953)
Lindo Presente (Adeste Fidelis)
Dalva de Oliveira (1953), com Roberto Inglez e sua Orquestra
Aproveitando o título da ótima marcha de Assis Valente, gravada por Carlos Galhardo em 1933, deixo os meus votos de Feliz Natal aos amigos do blog
Estrelas que nunca se apagam.
Em 1935, a revista Carioca fez uma matéria sobre a vinda de Papai Noel para as estrelas do rádio. Vale lembrar que Yolanda Pereira, cuja foto aparece nessa página, era a cantora e não a nossa primeira Miss Universo 1930, ambas com o mesmo nome. Acompanhem a matéria ao som de músicas natalinas, entre marchas, canções e (até!) tango, com alguns dos melhores de nossos intérpretes.
Sinos de Natal Pedro Celestino (1926)
"A noite de Natal de Alzirinha Camargo, Carmen e Aurora Miranda, Marília Baptista, Yolanda Pereira e das irmãs Pagãs.
Natal, porta dos divinos mistérios!
Desde que, na véspera, o dia empalidece e as estrelas tuaxiam as alturas celestiais, o mundo se reveste para as crianças de formosura profunda, de indecifrável sentido. Anda-lhes à volta algo de etéreo, de imponderável, de sutil – uma leve sensação de medo e de júbilo, de inquietude e de promessa, de susto e de amor. Nos corredores ensombrados como que ouvem cicios intrigantes, vozidos maliciosos, sons fofos de passos que se esvaem tão logo se alertem ouvidos. As sombras de arvoredo entrevistas pelas vidraças parecem animadas de intenções de gestos humanos. Entre essas sombras, movediças, querem ver, de vez em vez, uma outra, solerte, gorda, de contornos irregulares, qualquer coisa como um homem barbaçudo, de ombros largos, de olhos brilhantes, vergado ao peso de uma carga que jamais se distingue com precisão. É o fantasma de Papai Noel, que perturba as imaginações infantis. Desejam-no, de certo. Mas, de outro lado, temem sua aparição subta. Nessa noite, os pequenos corações adormecem assustados e encantados. Uma asa de mosca acordá-los-ia se não fosse a vontade divina que, como um perfume, sobre eles baixa a cortina de seda do sono perfeito.
Não são apenas as crianças que esperam o Natal, com a alma cheia de ansiedade e de emoção. A gente grande também... As estrelas do broadcasting também tem a sua noite de Natal, também recebem a visita de Papai Noel.
Carioca imaginou o que seria a noite de Natal de algumas dessas figuras do meio radiofônico. E desse capricho de imaginação, desse lance de fantasia, eis os documentos colhidos pela nossa objetiva". Revista Carioca, dezembro de 1935.
Recadinho de Papai Noel Carmen Miranda (1934)
"Carmen e Aurora Miranda, as duas estrelas do microfone e irmãs inseparáveis, dormem entre os brinquedos que o bom velhinho lhes deixou..."
Se Papai Noel quisesse
Sylvio Caldas (1936)
"Enquanto Alzirinha Camargo dorme, Papai Noel lhe deixa
um punhado de lembranças".
A Bênção Papai Noel
Almirante (1934)
"As Irmãs Pagãs, precisamente por serem pagãs,
esquecidas por Papai Noel..."
Eu sou pobre, pobre, pobre Aurora Miranda
"Yolanda Pereira, do cast da Rádio Guanabara, preferiu ficar desperta
para receber Papai Noel em pessoa..."
"Marília Baptista desperta, encantada e sorridente,
entre os brinquedos que Papai Noel lhe deu".
Agradecimento ao Arquivo Nirez que sempre nos apoiou.
Hoje, Luiz Gonzaga completaria 99 anos. Entre as melhores lembrança de minha infância, a voz e o talento desse ótimo artista estão guardadas com carinho e saudade. Lembro que, lá pelos idos de 1980/1981, eu passava alguns dias na livraria de meus avós, no Centro de Fortaleza. Ao cair da tarde, a loja que ficava defronte a nós tocava alto as músicas de Gonzagão. Em especial, a que me marcou e ainda parece que escuto é Vida do Viajante. Só de ouvir seus acordes (e ela está tocando agota), me sinto transportado para um lugar feliz, com gosto de saudade.
Há 141 anos, no dia 05 de dezembro de 1870, nascia o cantor Bahiano (Manuel Pedro dos Santos).
Nascido em Santo Amaro da Purificação, Bahia, foi no Rio de Janeiro que Bahiano ficou conhecido como célebre cantor de modinhas, lundus e cançonetas. Sua popularidade o levou a ser o primeiro cantor a gravar discos no Brasil e, talvez, na America Latina, em 1902, na Casa Edison, de propriedade de Fred Figner.
A música escolhida para ser a primeira registrada em nosso país foi de um ritmo bem popular e de grande agrado, embora mal visto pela sociedade da época: o lundu. Xisto Bahia, que além de compositor inspirado era excelente ator, compôs no final do século XIX o lundu Isto é Bom. E foi essa a primeira música cantada gravada no Brasil. Há pesquisadores que afirmam que a primeira gravação foi feita pelo flautista Pattápio Silva, sendo esse disco (só instrumental) lançado depois de Isto é Bom.
Ainda em 1901, Bahiano e outros cantores, como Cadette (ou K.D.T), gravaram várias músicas ainda em cilindros Sim, meus caros, o disco não foi o objeto pioneiro para se ouvir gravações comercialmente. Antes haviam os cilindros de cera que funcionavam e um aparelho parecido com o gramofone.
Logo de início, Bahiano gravou mais de 70 músicas. Os grandes sucessos do século XIX, muitos ainda da época do império, podiam ser guardados em cera para a posteridade. Ele gravou todos os ritmos da época, valsas, lundus, cançonetas, canções, modinhas...
O jornal O Echo Phonographico fez uma homenagem a Bahiano
por seu aniversário, em 1904.
Pra Exposição
Cançoneta gravada por Bahiano em 1903
Disco Zon-O-Phone X-697
Seus duetos e tercetos tornaram-se célebres. É muito interessante ouvirmos Bahiano cantar com Senhorita Consuelo ou Júlia Martins, onde há um clima de descontração e brincadeira no estúdio de gravação.
E durma-se com um barulho desses
Dueto de J. Garcia Cristo
Gravado por Senhorita Consuelo e Bahiano em 1903
Disco Zon-O-Phone X-680
Ai, que gostos!
Dueto da autoria de Bahiano
Gravado por Júlia Martins e Bahiano em 1913
Disco Odeon Record 120.439
Na década de 1910, ele ainda era o mais popular cantor de nossa música, e olha que tínhamos outros ótimos intérpretes, como Eduardo das Neves e Mário Pinheiro.
Atuou como cançonetista no teatrinho do Passeio Público do Rio de Janeiro e no célebre Circo Spinelli.
No cinema, participou de filmes como A Marcha de Cadiz, O Cometa e Serenata Caipora, todos curtas filmados em 1910. Em 1911, atuaria em José do Fandango Quer Cantar e Serrana.
Em 1917, ele gravou o samba Pelo Telephone, que, oficialmente, viria a ser o primeiro samba gravado. Da autoria de Donga e Mauro de Almeida, a composição seria ainda reivindicada por outros compositores, que afirmavam ter participação nos versos.
Mas... antes de 1917, outras músicas já tinham a designação de Samba. O próprio Bahiano gravou A Viola Está Magoada que, no selo do disco vem como ritmo Samba.
A Viola está magoada, gravação de Júlia Martins e Bahiano de 1913, já trazia a designação de samba.
A Viola está magoada Samba de Catullo da Paixão Cearense Gravado por Júlia Martins, Bahiano e o Grupo da Casa Edison Disco Odeon Record 120.445, gravado em 1913.
Ele também era um ótimo intérprete romântico, como podemos conferir na modinha Meia Noite, um registro de como seriam as serenatas de outrora.
Meia Noite Modinha gravada por Bahiano em 1916 Acompanhamento de cavaquinho e violão Disco Odeon Record 121.062, matriz R-517
Bahiano continuou gravando regularmente até, aproximadamente, 1924.
Era casado com Almerinda Pedro dos Santos, que faleceu em 1937. Em sua homenagem, Bahiano compôs nesse mesmo ano e dedicou-lhe a valsa Dores Íntima.
Nosso célebre cantor também gravou alguns versos de sua autoria, como a segunda parte de Saco do Alferes e Cidade Nova, que gravou com a atriz Júlia Martins.
Bahiano voltou a morar em sua cidade natal, Santo Amaro da Purificação (BA), onde se dedicou ao comércio. Ele faleceu em 15 de julho de 1944, meses antes de completar 74 anos.
Fontes: Arquivo Nirez Registro Sonoro por meios Mecânicos no Brasil - Humberto Franceschi imdb.com Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira - http://www.dicionariompb.com.br/
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
O pesquisador Nirez cita as seguintesEfemérides do Calendário da Música Popular Brasileira para o dia de hoje, 05/12/2011:
Em 1870 nascia o cantor e compositor Baiano (Manoel Pedro dos Santos);
Em 1914 nascia Geraldo Mendonça;
Em 1919 era registrado Blecaute (Otávio Henrique de Oliveira) nascido em 19/11;
Em 1923 nascia o cantor Sólon Sales (Sólon Hanser Sales);
Em 1925 nascia o cantor Orlando Correia (Orlando José Corrêa)
Em 1928 nascia Carlos Poyares;
Em 1931 nascia o cantor e compositor Silvinho (Sílvio Lima);
Em 1944 nascia Egberto Gismonti;
Em 1949 nascia Ângela Ro Ro (Ângela Maria Diniz Gonçalves);
Em 1952 morria o cantor e compositor Jaime Redondo (Jayme von Garcia Redondo);
Em 1955 morria o soprano Vera Janacopulos - http://is.gd/WEwXY5
Em setembro de 1930 saia nas Notas Theatraes da revista A Noite Illustrada o seguinte comentário:
"Ítala Ferreira, estrela da Companhia Brasileira de Revistas Tró-ló-ló, que faz atualmente furor em Buenos Aires. Ítala Ferreira é também um excelente elemento no teatro de declamação, contando entre as suas grandes criações a da criada Etelvina, da comédia Cala a boca, Etelvina, a peça que maior número de representações tem dado no Brasil".
Ítala Ferreira era sobrinha de um dos grandes nomes de nosso teatro, a atriz Aurélia Delorme que, no final do século XIX esteve entre as grandes divas do teatro de revista, atuando também em dramas e comédias, sempre com grande agrado.
A peça Cala a boca, Etelvina, da autoria de Armando Gonzaga, seria adaptada para o cinema em 1960, tendo Dercy Gonçalves no papel de Etelvina, sendo dirigida por Eurípedes Ramos.
Fonte:
Arquivo Nirez
Revista A Noite Illustrada, 24 de setembro de 1930.