domingo, 8 de janeiro de 2012

ARACY CÔRTES, saudades, sapateado e leitura de mão

Há 27 anos falecia Aracy Côrtes.
Quem acompanha o blog sabe de minha grande admiração por ela.
Já publiquei dezenas de postagens, entre artigos, fotos e músicas, e vou continuar trazendo sempre seu nome como símbolo de boa música e cultura brasileira.
Hoje, trago duas novidade.
Uma, trata-se da leitura da mão e assinatura de Aracy, que saiu publicada na revista Carioca em 1936.
A outra, é uma gravação feita por ela em 1930 de um foxtrot de Ary Barroso. Aracy foi considerada uma das Rainhas do Samba, mas, também gravou foxtrotes, ritmo de muito sucesso nos anos 20, 30 e 40. A música fez parte de uma peça de teatro de revista, Diz Isso Cantando.


Vale a pena conferir!

Em janeiro de 1936, a revista Carioca publicava um interessante artigo intitulado O que elas não dizem mas as mãos revelam, onde reunia alguns artistas de rádio, com suas assinaturas e impressão das mãos, levando aos fãs algumas curiosidades sobre seus ídolos. Aracy Côrtes estava entre eles.






A linha da cabeça revela firmeza de atitudes.


Personalidade.
A linha do coração está indicando um acontecimento afetivo que determinou uma nova orientação a um trecho do caminho da vida.
E isto lhe aconteceu por causa de sua grande admiração pela arte do canto - Teve receio de imprimir os seus braceletes? -
Sua letra revela um segredo que viverá sempre no coração.
Inviolável...







SAPATEADO


Em de 1930 a Empresa A. Neves e Cia. Estreava, no Theatro Recreio do Rio de Janeiro, 
a revista Diz Isso Cantando, em dois atos.
Oduvaldo Vianna era o autor da peça e Luíz Iglesias dos versos.
Vários autores, como Ary Barroso, compuseram as músicas. 


Luíz Iglesias foi casado com a atriz Eva Todor, de muito prestígio no teatro e cinema e que, ainda hoje, nos dá felicidade de conferir seu talento na tv.

Aracy Côrtes era a estrela da peça e, entre as músicas que lançou, 
está esse divertido foxtrot de Ary Barroso e Luíz Iglesias,

Sapateado.
Gravado em 1930 e lançado em setembro desse ano.
Disco Odeon 10.680-B, matriz 3864
Acompanhamento da Orquestra Copacabana





No libreto da peça, Sapateado vem com outro título.
Copiei na íntegra e com a grafia original.
A gravação, porém, apresenta palavras diferentes, inclusive Embaixador Marciano.
Aracy, provavelmente, aparecia vestida de marinheiro. No final do século XIX e início do XX era comum as atrizes interpretarem papéis masculinos nas peças, ora vivendo garotos, senhores, padres... daí o termo travesti.

FUI A NOVA YORK VER O JULIO...
Travesti de Marinheiro Nacional
Telão para Aracy

Fui a tal Nova York só pra ver
o que foi o Julio lá fazer
Houve tanta encrenca, confusão
acabei
foi na mão!...

(Segunda parte sapateada)

Vem um gajo me diz
Allô boy!
Chamou de boi,
eu não sei
o que fiz!
Fui muito infeliz
Meu Deus! Juntou gente...
Lá na tal Bróduei...
me espalhei
que sururu!
Vem civi
militá...
Mostrei que o Brasi
Não sabe apanhá...

Só dei por mim
quando ouvi fallá
o embaixadô
Amará...
Que me mando de lá
Pra cá

(Sapateia a repetição)








Agradecimento ao Arquivo Nirez

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