quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

MALANDRINHA, modinha brasileira de 1926

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Ultimamente tenho visto na internet, com certa freqüência, a palavra modinha. No início, todo contente, achei que era algo relacionado com as canções dolentes de outrora. Que nada. Modinha, hoje, é o diminutivo moderno, descolado, para definir os modismos, tendências, ou, como se dizia outrora, aquilo que é cartaz.
Mas, no meu entender, modinha é um lindo estilo de canção. Romântica, amorosa, triste, sentimental e, até, passional. Então, caríssimos leitores, quando eu citar modinha, será o estilo musical.

Uma das modinhas mais conhecidas e, também, mais belas é A Malandrinha.
Quem assistiu a minissérie Dercy de Verdade a ouviu. Aliás, Dercy Gonçalves sempre cantava essa música em suas apresentações, ao que parecia, uma canção ligada à sua vida, assim como outras.

Vamos conhecer a história de A Malandrinha, contada pelo saudoso amigo e pesquisador Abel Cardoso Júnior em seu excelente livro Francisco Alves - As Mil Canções do Rei da Voz.

Conta Abel que a partitura trazia a música como: “Canção-tango brasileira. Música e letra de Freire Júnior. O maior sucesso da atualidade”. A foto da atriz Alda Garrido aparecia na capa e a partitura era editada pela Viúva Guerreiro.

Alda Garrido


Foi lançada na burleta Flor do Lodo (A Malandrinha), de Freire Júnior, no Cinema Ideal, que estreou em 10 de junho de 1926, com Alda Garrido.  Provavelmente é a mesma revista-burleta, A Malandrinha, reencenada por Alda Garrido e pinto Filho, no Teatro São José, em 19 de março de 1928.


Freire Júnior

Era anunciada como “nascida de uma canção”. “Outro papel de destaque é o de um vagabundo, mas de bons sentimentos, amoroso da malandrinha, que sofre a dor de tê-la perdido (...) Interpretá-lo-á, numa especial deferência para com o autor da peça, o tenor Francisco Alves, ora com o nome em voga, vulgarizando através de sua canção A Malandragem, a campeã do carnaval de 1928. Além desta, Francisco Alves cantará as canções A Malandrinha, o maior sucesso de Freire Júnior, e Meias de Seda, que se destina a ter a mesma popularidade”.  (Correio da Manhã, 14 de março de 1928, p. 8).

“Francisco Alves teve uma estréia excelente”. (Correio da Manhã, 21 de março de 1928, p.8).

Alda Garrido relembrava:

“Trabalhei ao lado de Francisco Alves, no Teatro São José... O Chico, ‘ferindo a prima’, cantava com a sua voz bonita:
‘Acorda minha linda namorada,
A lua nos convida a passear... ‘

Eu acordava e saíamos a passear... pelo palco, bem entendido, aceitando o convite da lua...”. (Revista Carioca, fevereiro de 1940).

Freire Júnior, dado o êxito da revista A Malandrinha, prepararia uma seqüência, a revista Os Malandrões, também no Teatro São José, estreada em 18 de junho de 1928.

Na edição vem num altar e para seus ninhos. Os dois violões são Rogério Guimarães e Francisco Alves.


Francisco Alves



A primeira gravação foi feita por Pedro Celestino em 1927.
Francisco Alves gravou em 1928 e em 1952.



Malandrinha
Modinha brasileira de Freire Júnior
Gravação de Francisco Alves
Francisco Alves e Rogério Guimarães fazem o acompanhamento de violões
Disco Odeon 10159-B, matriz 1592
Disco lançado em abril de 1928.





A lua vem surgindo cor de prata
no alto da montanha verdejante
A lira do cantor em serenata
reclama na janela a sua amante

Ao som da melodia apaixonada 
das cordas do sonoro violão
Confessa o seresteiro à sua amada   
o que dentro lhe dita o coração

Ó linda imagem de mulher que me seduz  
ai, se eu pudesse tu estariasno altar
És a rainha dos meus sonhos, és a luz
És malandrinha, não precisas trabalhar

Acorda minha bela namorada
A lua nos convida a passear
Seus raios iluminam toda a estrada 
por onde nós havemos de passar

A rua está deserta, oh vem querida 
ouvir bem junto a mim o som do pinho!
E quando a madrugada é já surgida 
os pombos voltarão para os seus ninhos.




Agradecimento ao Arquivo Nirez

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