quinta-feira, 3 de maio de 2012

ALDA VERONA canta VALDEMAR DE OLIVEIRA



Entre 1929 a 1934, Alda Verona gravou sete composições do pernambucano Valdemar de Oliveira.
Alda havia morado em Recife quando adolescente.



Caboca Cheirosa
Canção em parceria com Raimundo Brito
Disco Odeon 10.435-A, matriz 2725
Lançado em agosto de 1929




Teu cheiro, caboca
É um prefume de frô
É um cheiro de amizade
Quando a gente tem saudade
Que é doença do amor
É um cheiro de amizade
Quando a gente tem saudade
Que é doença do amor

O que vosmecê quisé
Mas sem alcançá
Se não houvesse na terra
Eu ia ao fundo do mar buscar
Pra dar

Teu cheiro, caboca
É um prefume de frô
É um cheiro de amizade
Quando a gente tem saudade
Que é doença do amor

Pra vosmece vou buscar
Esse seu tabaréu
As ondas do mar
E as estrelas do céu

Teu cheiro, caboca
É um prefume de frô


Maracatu
Canção em parceria com Ascenço Ferreira
Disco Odeon 10.435-B, matriz 2726
Lançado em agosto de 1929




Zabumbas de bombos
estouros de bombas
batoques de ingonos,
cantigas de banzo,
rangir de ganzás...
— Loanda, Loanda, aonde estás?
Loanda, Loanda, aonde estás?
As luzes crescentes
de espelhos luzentes,
colares e pentes,
queixares e dentes
de maracajás...
— Loanda, Loanda, aonde estás?
Loanda, Loanda, aonde estás?
A balsa no rio
cai no corrupio,
faz passo macio,
mas toma desvio
que nunca sonhou...
— Loanda, Loanda, aonde estou?
Loanda, Loanda, aonde estou?


Foi na beira do rio...
Toada em parceria com Samuel Campelo
Acompanhamento de Nelson Ferreira ao piano
Disco Odeon 10.452-A, matriz 2761
Lançado em agosto de 1929




(Toada da opereta Aves de Arribação)
Música de Valdemar de Oliveira e letra de Samuel Campello

Revista Phono-Arte, 30/11/1929.
Foi na beira do rio, foi, foi na beira do rio
que encontrei meu amor, tiritando de frio!
O sol ia morrer
ia a lua nascer
na serra se ouvia
a pintada gemer.

Foi na beira do rio, foi, era noite, inda cedo,
que encontrei meu amor, tremendo de medo!
O sol ia morrendo
ia a lua nascendo
na serra se ouvia
a pintada gemendo!

Foi na beira do rio, foi, quando a lua saia
que encontrei meu amor e lhe dei alegria!
O sol tinha morrido
e a lua nascido
porém a pintada
já tinha fugido!










Edição: Casa Ribas, Recife.
Disco odeon 10.452, cantado por Alda Verona com acompanhamento de piano por Nelson Ferreira.


Sertão
Poema em parceria com Ascenço Ferreira
Acompanhamento de Nelson Ferreira ao piano
Disco Odeon 10.485-A, matriz 2760
Lançado em novembro de 1929




Sertão! – Jatobá!
Sertão! – Cabrobó!
– Cabrobó!
– Ouricuri!
– Exu!
– Exu!
Lá vem o vaqueiro, pelos atalhos,
tangendo as reses para os currais...
Blém... blém... blém... contam os chocalhos
dos tristes bodes patriarcais.
E os guizos fininhos das ovelhinhas ternas:
dlim... dlim... dlim...
E o sino da igreja velha:
bão... bão... bão...
O sol é vermelho como um tição!
Lento, um comboio move-se na estrada,
cantam os tangerinos a toada
guerreira do Tigre do sertão:
“É lamp... é lamp... é lamp...
é Virgulino Lampião...”
E o urro do boi no alto da serra,
para os horizontes cada vez mais limpos,
tem qualquer coisa de sinistro como as vozes
dos profetas anunciadores de desgraças...
– O sol é vermelho como um tição!
– Sertão!
– Sertão!


Nininha
Valsa
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Odeon 10.631-A, matriz 3578
Lançado em julho de 1930




Quem te fez formosa
Bela como a rosa
Nunca pode pensar
Nem imaginar
Que te tornaria
Flor morena, humana
Dentre as outras, soberana

Nininha, tuas mãos são ideais
Nininha, os olhos teus são divinais
Oh, Deus
Que poeta e sonhador te fez?
Depois sorriu
?
Nininha, teus cabelos são fatais
Nininha, e os gestos teus são divinais
Nininha, és de todas as mulheres,
Rainha,
Linda Nininha


Casa Destelhada
Canção em parceria com R. de Abreu
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Odeon 10.631-B, matriz 3579
Lançado em julho de 1930




A minha vida
É uma casa destelhada
Por um vento
Por fim, pingo de chuva
As gosteiras de todas as misérias
Estão caindo com lentidão perversa
Na terra triste do meu coração
A minh´alma inquilina esta pensando
Que é preciso mudar-se
Que é preciso ir para uma casa bem coberta
As goteiras estão caindo
Lentamente, perversamente
Na terra molhada do meu coração
Mas a minh´alma esta pensando
Em adiar quanto mais a mudança precisa
Ela quer muito bem à velha casa
Em que já foi feliz
E em sonho se solta
Rápida, de frio
Fugindo às goteiras que caem lentamente
Na terra esverdeada do meu coração
Ou a felicidade, estranha, há de pensar
Que a casa agüente mais um ano
Nas paredes oscilantes
Ou a felicidade volumada
Ia adiar a mudança
Embora não ouvindo a musica da goteira triste
Que cai lentamente, perversamente
Na terra gelada do meu coração


Tão fácil a Felicidade
Canção
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.853-B, matriz 79710-1
Gravado em 02 de outubro de 1934
Lançado em novembro de 1934




Alçando vôo o pensamento
vai ansiar buscando o amor
E cruza os véus do firmamento
e nada encontra, senão dor

Volta, a buscar o esquecimento
Toda a sangrar numa só saudade
E vai pensando em seu tormento
Como és difícil felicidade!

Mais uma vez vem a ilusão
de procurar o alguém que vem
As asas põe num coração
que encontra enfim o amado alguém!

Se venturoso for-me então
descanso o vôo e a ansiedade
Te beijo, entoando esta canção
Como és tão fácil felicidade!









Agradecimento ao Arquivo Nirez






Um comentário:

  1. Canções lindas, numa voz super gostosa. Conhecia Valdemar de Oliveira como Teatrólogo. Foram amigos, meu irmão B. de Paiva e ele.
    Belo trabalho, Bonavides!
    Essa partilha, é fantástica.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...