quarta-feira, 30 de maio de 2012

RUBENS SOARES, entre o Samba e o Boxe



Rubens Soares era um homem que despertava admiração. As pessoas ficavam em dúvida qual perfil admirar: o de boxeador (pugilista ou boxeur, na linguagem dos anos 30) ou compositor. Como era sabido, ele abafava a banca, ou seja, fazia sucesso nas duas categorias.

Nasceu no Rio de Janeiro em 29 de maio de 1911. Entre 1928 a 1945, lutou boxe na categoria peso médio. Foi compositor de sucesso, membro da Polícia Especial, treinador de cavalos e treinador de boxe.

Começou a ser notado no ringue, onde assustou ou levou ao chão, vários adversários em knock-out (nocaute, em linguagem atual). Quem torcia para ele ficava delirando na platéia, enquanto a turma que era contra permaneciam aborrecidos e desapontados. Em algumas ocasiões, terminada a luta no ringue, a mesma prosseguia do lado de fora, entre as duas torcidas. As pancadas eram distribuídas em todos, inclusive nos policiais que iam apaziguar os rapazes exaltados.
Em algumas ocasiões, embora menos freqüentes, era o próprio Rubens quem era chamado para decidir algumas lutas na Avenida, calçadas... Mas, o moreno das luvas sempre levava vantagem.

Depois, o micróbio do samba o pegou de jeito. Alguns não sabiam como, outros, afirmavam ser pela companhia de artistas como Francisco Alves, Mário Reis, Nássara, Lamartine Babo, os campeões no ringue da música.
Devido a essas influências, Rubens virou sambista. E dos bons.
Com a clássica caixa de fósforos como acompanhamento, ele compunha coisas incríveis, pelos locais onde freqüentava como o Café Nice, Trianon, Universo, que eram as sucursais do samba nos anos 30.
Nesses locais, ele era sempre visto cantando e batucando. Dessa forma, surgiram pérolas como:

É bom parar
De Rubens Soares e Noel Rosa
Gravado por Francisco Alves em 28 de janeiro de 1936 e lançado no mês seguinte
Disco Victor 34.038-B, matriz 80101-1
Acompanhamento do Conjunto Regional RCA Victor






Por essa época, ele já dividia suas atenções entre o samba e o boxe, tendo duas carreiras bem sucedidas. Porém, não era um meio de vida, como dizia uma reportagem da revista Carioca, de 1936. Como havia ganho muito dinheiro no ringue, somando com uma boa herança recebia, ele era um homem abastado.
Nessa mesma reportagem para a Carioca, colhida em uma roda de samba, no Trianon, lhe perguntaram quanto havia rendido seu famoso samba É bom parar. Ele respondeu:

- Até agora foram vendidos 1.400 discos do samba. Recebo 250 réis de percentagem por disco vendido. Quanto aos direitos autorais, minha comissão é de 500 réis cada vez que a composição é cantada em estúdio e 300 reis por disco irradiado.

Isso dava, no total, alguns contos de réis. Mas, ele não estava satisfeito e esperava receber mais. Parece que em 1936 o comércio de disco andava um pouco baixo. Dizia-se que o rádio competia, levando o ouvinte a deixar de ser disco-ouvinte para ser rádio-ouvinte, sendo mais barato e cômodo.
O sambista continuou sendo boxeador. Ele não pretendia abandonar as atividades esportivas. Tampouco pensa em largar o samba, que já compunha há anos, ficando suas criações restritas ao bairro em que morava. Porém, a situação era outra. Ele tornou-se conhecido e o público queria mais.




Francisco Alves era amigo inseparável e fã número um do Rubens boxeador e, em breve, também o seria do compositor. Quando lutou com o português José Carmelino, no Estádio Brasil, seguiu para o café onde encontrou Chico. O atleta ainda trazia o rosto cheio de escoriações, mas, na cabeça trazia um samba fervilhando. Cantou-o para o Rei da Voz, que ficou encantado, propondo-se a gravá-lo. No dia seguinte, os dois seguiram para a gravadora Victor, onde fecharam o negócio. Assim, surgiu É bom parar.

Na data da entrevista, nosso compositor-boxeur estava com a mão fraturada e, por ser um apaixonado pelo boxe, esperava ficar curado logo e voltar à ativa.
Ele não tinha predileção entre o samba e o boxe, pois, acreditava que um não prejudicava o outro.




Agradecimento ao Arquivo Nirez

Um comentário:

  1. Conheço bem esse samba, mas não conhecia Rubens Soares. Estava agora blogueando e encontro essa maravilha!
    Beleza! Obrigada!

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