quarta-feira, 12 de setembro de 2012

RÁDIO NACIONAL - 76 ANOS (Parte I)

Há 76 anos era inaugurada a RÁDIO NACIONAL, no Rio de Janeiro.
Ao ouvir seu nome nós logo o associamos tempos dos programas de auditório, os locutores com suas vozes e dicções perfeitas, as encantadoras e envolventes rádio-novelas, os noticiários e, com certeza, os intérpretes de vozes inesquecíveis.
São tantos nomes, tantos fatos, recordações...
Mesmo que não viveu aqueles tempos áureos tem um carinho por essa rádio e sua história.
E as eleições de Rainha do Rádio? Até hoje temos nossas favoritas. Lembrando que Linda Batista foi eleita por onze anos consecutivos por mérito próprio.

Talvez hoje muita gente não faça ideia da força que o rádio tinha nos anos 30, 40, 50. Pode parecer exagero para alguns os partidos tomados em causa de determinadas cantoras, o fato de rasgarem as roupas de Cauby Peixoto para ter uma lembrança do astro, a catarse que as novelas causavam nos rádio-ouvintes, o luxo com que as cantoras se apresentavam nos auditórios... Tudo isso teve seu tempo e foi vivido intensamente, marcando e deixando saudades de todo um tempo onde o romantismo e, de certa forma, a inocência tinham mais espaço.
Pode parecer saudosismo, mas, não é.
É fato.

Mas, se sabemos bem quem foram os astros e estrelas da Rádio Nacional durante os anos 50, quais eram os grandes cartazes na época de sua inauguração e nos primeiros anos, período significativo que a colocou entre as maiores, até que ela atingiu o apogeu, sendo a maior da América Latina?
Esses nomes ajudaram a construí-la e aumentar seu crédito perante o público.
Do começo ao fim, ela esteve povoada de estrelas. Quer diante do microfone ou nos bastidores, todos, em todas as épocas, fizeram da Rádio Nacional a favorita e mais lembrada emissora de todos os tempos.

Vamos conhecer e/ou relembrar o seu início. Quais os artistas que a inauguraram e quais a fizeram crescer.
Entrem nessa viagem!


Revista Carioca, 12 de setembro de 1936.

A revista carioca registrou a inauguração da Rádio Nacional.
No dia do evento, publicou uma matéria afirmando que "a data de hoje se destina a marcar uma etapa nova da evolução da radiophonia no Brasil, com a inauguração da Radio Nacional, a grande e potente emissora que o Brasil inteiro esperava".
Estreando com 22 kilowatts, seria ouvida nitidamente em todo o País, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, num grande elo sonoro, numa cadeia de vibrações educativas e culturais.
A Rádio Nacional aparecia ligada ao grupo integrado pela A Noite, do qual faziam parte o famoso vespertino e revista de mesmo nome.

Ela começava com o maior e mais escolhido cast de artistas exclusivos. Faziam parte: Abigail Parecis, soprano lírico brasileira, de sucesso em Nova York; Sônia Carvalho, famosa estrela do rádio paulistano que também era muito querida no Rio; Aracy de Almeida, então a nova interprete do samba, considerada perfeita; Dolly Ennor, que interpretava canções; Marília Batista, "menina que estylisou e deu ao samba uma expressão nova"; Elisa Coelho, com seu estilo próprio, cheia de fãs; Sylvinha Mello, "a voz jovem do fol-lore brasileiro"; Amalia Diaz, "o tango em pessoa"; Bob Lazy, cantando fox; Ben Wright, cantando fox-blue; Mauro de Oliveira, de repertório internacional; Nuno Roland, com suas canções; Joaquim Pimentel, intérprete de canções portuguesas; e Pascquale Gambardella, cantor lírico.
A rádio contava com três speakers, Ismênia dos Santos, Celso Guimarães e Oduvaldo Cozzi; três diretores de orquestra, Romeu Ghipsman, Gaó e Radamés Gnatalli.
A Nacional contava, em sua inauguração, com nada menos do que nove (!) orquestras: Orquestra Sinfônica, Orquestra Vienense, Orquestra Havaiana, Orquestra de Jazz, Orquestra Regional, Orquestra Typica Argentina, Orquestra Typica Portuguesa, Orquestra Serenata e Orquestra de Cordas.
No grupo de instrumentistas, Pereira Filho (o mágico do violão) e Luiz Americano (o homem que faz o saxofone falar). 
Genolino Amado, redator chefe da Hora do Brasil, era o cronista da Rádio Nacional. O som era controlado "pelo habil e competente engenheiro L. H. Evans".
Outra atração, inovadora por sinal, eram as aulas matinais de ginástica do professor Oswaldo Diniz de Magalhães, com acompanhamento de piano, "para ritmar os exercicios," pelo pianista Jorge Paiva.

A Rádio Nacional começava com jovens profissionais que, no futuro, seriam lembrados como grandes nomes de nossa radiodifusão.

Algumas estrelas:


A estrela Sônia Carvalho, vinda especialmente de São Paulo,
é recepcionada pelo speaker Celso Guimarães.


Orlando Silva, o jovem intérprete
que ia cada vez mais ganhado fãs.


Aracy de Almeida, a jovem que
era considerada perfeita cantando sambas.


Marília Batista, a jovem que revolucionou
o modo de cantar samba.


Nuno Roland, o jovem talento de SC
que conquistou o Rio de Janeiro.


O maestro Gaó, assinava o contrato com a Rádio Nacional.





Agradecimento ao Arquivo Nirez

2 comentários:

  1. Aí pelos anos 50, a gente lá em casa, assistia as rádios cariocas. Além da Rádio Nacional, ouvíamos a Rádio Roquete Pinto e a Rádio MEC. O som não era perfeito mas dava até para acompanhar radio-novela e ouvir belas músicas.
    Adorei, a ParteI..

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  2. Que belo post, parabéns!
    Fiquei curioso com a notícia impressa que fala sobre o "competente engenheiro L. H. Evans"...seria Leslie Evans, aquele que entraria para a história como o famoso Mister Evans da RCA Victor? Creio que era. Naquele ano - 1936 - a RCA montou emissora própria, a Rádio Transmissora, antes da Nacional. Fica a dúvida: Se Mister Evans era figura de destaque na RCA, por que trabalharia na emissora concorrente? Será que houve algum acordo? E para complicar ainda mais, o equipamento da Nacional, no início, nem era RCA. Era Philips, herdado da extinta emissora do mesmo nome...coisas da história...

    Abração,
    Milton Baungartner

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