quinta-feira, 8 de novembro de 2012

ARACY CÔRTES canta ARY BARROSO (Parte 1)






Ary Barroso começou sua carreia artística no Rio de Janeiro tocando nos cinemas e fazendo parte de conjuntos famosos, como o Jazz Band Sul Americano de Romeu Silva.
Nessa época, meados da década de 1920, o Teatro de Revista ainda era o grande divulgador de músicas e compositores.

Ao mesmo tempo em que algumas de suas músicas eram lançadas nos teatros, as de mais agrado do público eram gravadas em discos.

Nessa primeira fase de sua carreira, ele teve vários sucessos gravados por Aracy Côrtes, que também os havia lançado nos palcos.

São registros preciosos, não só da carreira de Ary e Aracy, mas como uma pequena mostra de como era o teatro musical da época e seu modo de cantar e interpretar as músicas.

Ouvir Aracy Côrtes, então a Rainha do Samba, da Praça Tiradentes e do Teatro de Revista, cantando Ary Barroso é uma oportunidade única de conhecer os sambas e canções que falavam dos amores das mulheres de malandro, dos romances começados na Festa da Penha, de saudades de tempos passados, todos interpretados na forma original, saídos quentinhos dos palcos do Teatro de Revista e interpretados por uma de suas maiores representantes.

É ouvir e se deliciar!



Tu qué tomá meu home
Composto por Ary Barroso e Olegário Mariano
Um belo exemplar de samba de mulher de malandro
Disco Odeon 10.446-A, matriz 2764
Disco lançado em agosto de 1929.
Foi lançado por Aracy na revista Vamos deixar de intimidade, também em 1929,
onde levantava a platéia em ruidosos aplausos.




Por Deus me deixa sossegada
Tu qué tomá meu home
mas meu home eu não te dou
Eu gosto é de levar pancada
e até de passar fome
por amor do meu amô
Pra esse home eu esquecer
tô dando pra beber
tô dando pra roubar
E se a polícia me prender
já seu que foi você
que foi me denunciar

Não faz isso assim, não
Tenha compaixão, sim
Não queiras me encrencar
mulher malvada e mal
Gozar, me deixa a vida desgraçada
Não faz isso assim, não
tenha compaixão, sim
Não queiras me encrencar
nem me perder, porque
assim, meu destino
é só sofrer.


O Amor vem quando a gente não espera (Samba da Penha)
Samba de Ary Barroso, Cardoso de Menezes e Bittencourt
Disco Odeon 10.469-A, matriz 2.866
Acompanhamento de Orquestra
Lançado em disco em outubro de 1929.
Lançado por Aracy na revista Comigo é na madeira, de 1929.




Eu sei, eu sei
O amor vem quando a gente não espera
Disfarçadamente
morde como fera
E faz a gente padecer
sem querer
Depois,
os dois pensando
que a ventura não tem fim
Sofrem tal desilusão
e tudo acaba em vão
em dor
e é sempre assim.

Numa barraca lá da Penha
Num domingo dos barraqueiros
eu te encontrei
Quando puseste em meus olhos
os teus olhos mexeriqueiros
quase desmaiei
Sem poder me defender,
fiquei logo cativa
E o motivo dessa afeição
é uma interrogação
Uns dizem que sou
até bem feliz
Que a Santa me ajudou.


Vai cumprir o teu destino
Samba de Ary Barroso
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.505-B, matriz 3055                                                                                    
Lançado em dezembro de 1929.
Aracy o lançou na revista Não adianta você chorar, de 1929.




Meu Deus
não mereço sofrer
Eu sei
que cumpri meu dever
Mas, se nesse mundo
a gente não merece
Recompensa pelo bem que faz
tudo desaparece.
Então, ao prazer de viver
prefiro mil vezes morrer
Pois a maldade da terra
um segredo encerra
é o amor
seu real causador.

Renegaste todo o bem
que eu te fiz, malvado
Ah, tu não soubestes
ser feliz, malvado
Pois que vá cumprir o teu destino
A tua ingratidão
será tua perdição


Samba de São Benedito
Samba de Ary Barroso, Marques Porto e Luís Peixoto
Disco Odeon 10.553-A, matriz 3277
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Lançado em janeiro de 1930.




Eu só penso
no que pode acontecer
Se algum dia me convenço
que urubu que te comer
Eu dou cachaça
para meu São Benedito
para te amarrar
para te prender

Não entreguei os meus pontos, não
Vou me vingar
juro por Nosso Senhor
Faz os teus truques escondidinho
Já soltei meu cachorrinho
Mandei ele te espiar, meu amor.


Juramento
Samba de Ary Barroso, Marques Porto e Luís Peixoto
Disco Odeon 10.553-B, matriz 3276-1
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Lançado em janeiro de 1930.




Um dia em minha porta
tu virás bater, em vão.
Para o nosso amor
eu já morri, porque
o meu coração
já não é de você.
Jurei,
fiz promessas pro meu Santo
Viverei só no meu canto
sem você e sem ninguém
sem ninguém.
Hoje, eu sou mulher
e posso até
esquecer até de verdade
a saudade.


Você não era assim
Samba de Ary Barroso e Aricles França
Acompanhamento da Orquestra Pan American, direção de Simon Bountman
Disco Odeon 10.619-A, matriz 3592
Lançado em junho de 1930.




Você não me faz carinhos
Agora, já não me liga
Qualquer coisa meu benzinho
é pretexto para briga.
Quando o coronel gemia
dava tudo para mim
A existência me sorria
e você não era assim.

Não sei porque
você divvive a zombar de mim.
Antigamente bebê
você não era assim.
(Mas eu te espero
lá na esquina
e tu vais ver comigo).









Agradecimento ao Arquivo Nirez

Fontes:
Arquivo Nirez
Viva o Rebolado - Vida e morte do teatro de revista brasileiro. De Salvyano Cavalcanti de Paiva.
http://passeandopelocotidiano.blogspot.com.br






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