domingo, 29 de julho de 2012

CLARA BOW, 107 anos



Nascida em 29 de julho de 1905, no Brooklyn (Nova York – EUA), Clara Gordon Bow despontou em Hollywood no início da década de 1920.


Ruiva e de expressivos olhos, Clara Bow seria conhecida como The It Girl, a garota que tinha “It”, aquele algo que ninguém explicava, mas que a tornava atraente, especial, especial aos olhos de todos.
Ela inaugurou um tipo moderno nas telas, a mocinha despachada, meio ingênua, meio independente do pós Primeira Guerra Mundial. Logo, era um mito sexual.

No Brasil, os homens a chamavam de “Clara Boa”.

Ela foi a protagonista do primeiro filme a ganhar um Oscar, Wings (Asas), de 1927, dirigido por William A. Wellman. Ela contracenava com Charles “Buddy” Rogers e Richard Arlen. Ainda no elenco, um ainda desconhecido Gary Cooper, em um curto papel.

Nesse mesmo ano de 1927 foi lançado seu filme It, um dos maiores sucessos de sua carreira.

Foi casada com o ator Rex Bell, com quem teve dois filhos.
Ela faleceu aos 60 anos, vítima de um ataque cardíaco, em Los Angeles (California – EUA), em 27 de setembro de 1965.


Você confere um clip do filme It, ao som de She´s Got It, por Harry Raser:
Aqui, você confere o filme It completo:
Fontes: Fotos http://greenobles.com/photos/clarabow/11/ http://garycooperscrapbook.proboards.com/index.cgi?board=picsclara&action=display&thread=432 http://s396.photobucket.com/albums/pp46/MascaraMIDGE/?action=view&current=Lafa-ClaraII.jpg&newest=1 Vídeos http://www.youtube.com/watch?v=Dxo_99eaEEA http://www.youtube.com/watch?v=2Tw3o1WegXQ&feature=related

sábado, 21 de julho de 2012

PEPA DELGADO, 125 anos



Pepa Delgado estria completando 125 anos.
Nascida em 21 de julho de 1887, era filha do espanhol Lourenço Delgado e da sorocabana Ana Alves.
A menina Maria Pepa nasceu em Piracicaba.
Com aproximadamente 15 anos, no raiar do século XX, foi para o Rio de Janeiro, onde estreou em algumas peças. Logo, foi notada pelo empresário Dias Braga, que a colocou em maiores papéis, onde a jovem logo se destacou. Foi a primeira atriz conhecida a gravar discos no Brasil.



Por volta de 1905, Pepa iniciou sua carreira fonográfica, onde várias vezes foi anunciada como "Senhora Pepa Delgado". Em seu repertório estavam antigos sucessos do século XIX, As Laranjas da Sabina, e novos êxitos que ela ia lançando no teatro de revista, Café Ideal, A Recomendação. Possuía graça, comicidade e um tantinho de malícia, que lhe conferiam o agrado da platéia. Os críticos gostavam dela, alguns até reconheciam seu talento para papéis mais "sérios"; afinal, havia o constante preconceito do "teatro sério" para com o "teatro popular", as revistas musicais.




Ela lançou em disco clássicos do nosso cancioneiro dos tempos da Belle Époque, como Vem cá, mulata, O abacate, Maxixe Aristocrático...
Na década de 10 sua carreira teve mais destaque, e ela passou a ser a estrela da companhia do Theatro São José. Anos depois, montaria a Companhia Pepa Delgado.
Também fez cinema, aparecendo em filmes-revistas e em dramas.



Ainda nos anos 10 conheceu o militar Almerindo Moraes, e ambos se apaixonaram.
Nem as maledicências de algumas colegas invejosas conseguiu separar o casal.
Eles se casaram no início dos anos 20 e, aos poucos, Pepa foi deixando a carreira.
Ela já havia marcado seu nome em nossa cultura, era uma mulher independente e realizada profissionalmente; para sua total felicidade, só restava se dedicar à família. Esta, aumentou em 1925, com o nascimento de seu único filho, Heitor.


Pepa, agora, além de mãe de família, era a esposa de um bem sucedido militar, e acompanhava o esposo em solenidades. Porém, nunca deixou de lembrar e ajudar seus amigos e colegas. Ainda nos tempos em que era atriz ela se empenhou, pedindo ao empresário Fred Figner, seu conhecido e proprietário da Casa Edison, que cedesse um terreno em Jacarepaguá para a criação da Casa dos Artistas. Essa campanha deu certo, onde foi auxiliada por vários colegas, e surgiu o Retiro dos Artistas. Até o fim de sua vida, ela contribuiria na mensalidade e faria doações para a instituição.
Mas ela ajudava de outras formas seus colegas, inclusive os que iniciavam carreira. Vicente Celestino foi incentivado por ela quando começava no meio artístico. Eles contracenaram na opereta A Sertaneja, com música de Chiquinha Gonzaga, onde Pepa era a protagonista.
Em uma excursão à Curitiba, ela conheceu uma criança de uma tribo indígena, muito inteligente e carismática. Tornou-se madrinha de batismo da menina, que foi adotada por um amigo seu. Ao crescer, a indiazinha tornaria-se a famosa soprano Abigail Alessio Parecis, de fama internacional, sem nunca esquecer suas origens.
Mesmo aposentada, ela continuava a apoiar e ajudar os jovens talentos. Colé Santana morou no porão de sua casa quando iniciava carreira.
Seu esposo era primo do compositor Armando Louzada, irmão do ator Oswaldo Louzada, e a esposa de Armando, Risoleta, faria sucesso como atriz e rádio-atriz com o pseudônimo de Simone Moraes. Ela e Pepa eram muito amigas. Aliás, foi Simone a musa inspiradora para que Armando Louzada escrevesse os famosos versos, em português, da valsa Fascinação.
E sabem de mais curiosidade? Pepa Delgado e Aracy de Almeida eram vizinhas de quintal, no Encantado.
Pepa Delgado era muito religiosa e caridosa. Ajudava a igreja do bairro, que ainda hoje mantém os bancos cedidos por ela; fazia festas de São João, reunindo a vizinhança; e amava animais. Em sua casa, localizada em um grande terreno, tinha muitos gatos e cachorros, pois, ela não podia ver um animal abandonado que não levasse para casa.
Ela, que já sofria do fígado,  faleceu em 11 de março de 1945, vitima de hepatite.


Pepa na Imprensa:

Em 2007, quando eu ainda estudava jornalismo, saiu esta matéria no Jornal de Piracicaba, feita por Marcela Benvengnu.


Eu, as fotos e discos que pertenceram à atriz Pepa Delgado.

Pepa é capa do caderno Movimento. Jornal de Piracicaba, 2007.


A reportagem.

SALOMÉ PARÍSIO - O Rouxinol do Norte

É com imenso prazer que divulgo o lançamento do livro Salomé Parísio – O Rouxinol do Norte, da autoria de Thais Matarazzo, Diego Nunes e Fábio Siqueira.



O evento acontecerá no próximo dia 23 de julho, no Bar do Nelson – Rede Biroska, das 20 às 22 horas; Rua Canuto do Val, 83, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. 

O lançamento contará com a presença da própria biografada, Salomé Parísio, que esse ano completou 91 anos de vida e 73 anos de carreira. 



Salomé Parísio, 1950.

Nascida em Bonito-PE, em 03 de junho de 1921, iniciou sua carreira na Rádio Clube de Pernambuco. De família humilde, desde cedo batalhou por seu espaço. Logo, os ouvintes da Rádio Clube, enlevados por sua bela voz, a elegeram como a melhor cantora da cidade. Foi do maestro e compositor Nelson Ferreira e do locutor Abílio de Castro que ela recebeu o título de O Rouxinol do Norte. Era a época da Segunda Guerra Mundial e Salomé cantou para os soldados americanos que tinham bases fixadas no Brasil. 

Ao se apresentar em Salvador foi descoberta por Chianca de Garcia, o famoso empresário teatral. Ele a levou para o Rio de Janeiro, onde estreou em 1947 no teatro de revista, com a peça Um Milhão de Mulheres, ao lado dos atores Colé e Celeste Aída. Já estreou como cantora e vedete. Em seguida, veio O Rei do Samba e Eu Quero me Badalar, entre outras revistas, recebendo o título de A mulher com as mais belas pernas

A mulher com as mais belas pernas!
(Belle Époque, Cana 5. Programa Vicente Cesso).

Seu sucesso ultrapassou os limites do Brasil. Em 1952, em Portugal, foi a estrela da revista Saias Curtas, no Cassino do Estoril. Em 1955, fez sucesso na Argentina.

Anos depois, recebeu o convite de Carlos Machado para substituir Carmen Miranda (que havia falecido em 1955) nos Estados Unidos. Ela partiu em 1960 ao lado de Nelson Gonçalves, do Conjunto Farroupilha, entre outros artistas. Foi a estrela do espetáculo Extravaganza Brasileira, na Rádio City Music Hall, em Nova York. Porém, devido a um acidente sofrido por sua mãe, D. Josefa, ela abandonou o projeto e voltou ao Brasil. 

TV Paulista, 1958.


Porto Alegre 1958. Salomé Parísio à esquerda, acompanhada de amigos,
entre eles, Angela Maria e Lupicínio Rodrigues.

Novamente no Brasil, passou a trabalhar com mais freqüência em São Paulo, onde já havia fixado residência. Atuou nas rádios Cultura, Tupi, Bandeirantes, Record e Nacional.
Na televisão trabalhou nos canais Paulista, Tupi, Cultura e Excelsior.

Também dedicou-se ao drama, em peças como O Comprador de Fazenda, ao lado de Dulcina de Moraes, e também atuou nas primeiras adaptações de espetáculos da Broadway feitas no Brasil, como O Violinista no Telhado e Aí vem o Dilúvio.

Em 1971.

Em 1980, convidada pelo diretor Antunes Filho, integrou o elenco da histórica ontagem de Macunaíma, excursionando por 12 países.

Tudo Blue no Mercosul, 1988.

Seu último trabalho em teatro foi no espetáculo Sonhos de Vedete, de 2003, no Teatro Itália, em São Paulo.

Atualmente, Salomé Parísio continua a se apresentar em shows realizados em restaurantes e em casas de espetáculos. Há mais de 60 anos é moradora do bairro de Santa Cecília, em São Paulo.


Salomé Parísio e a empresária Lilian Gonçalves,
filha do cantor Nelson Gonçalves. 2012.




Os autores

Thais Matarazzo é paulistana, jornalista, escritora e pesquisadora musical. Tem publicadas algumas monografias sobre cantoras do Rádio brasileiro. 
É autora do livro Irene Coelho, uma brasileira de coração português, é também, produtora do podcast Cardápio Cultural (www.cardapiocultural.podbean.com/). É colunista do jornal Mundo Lusíada (SP). 
Na biografia de Salomé Parísio ficou responsável pelas partes de levantamentos de dados em torno da família da artista, suas atuações em Rádio, boates e shows. Contato: thmatarazzo@gmail.com

Diego Nunes é radialista e já desenvolveu pesquisas sobre artistas brasileiros em Hollywood e adaptações de histórias em quadrinhos para o cinema. Colaborou com a biografia da atriz Lola Savi, publicada na Itália. Trabalha atualmente nos Centros de Documentação das emissoras Record e ESPN de televisão. Nesta obra, Diego encarregou-se de traçar caminho que Salomé trilhou pelo Teatro de Revistas e em outros gêneros teatrais. Contato: diegofnunes@yahoo.com.br

Fábio Siqueira é advogado, cientista social e pesquisador da história da televisão brasileira. 
Foi conferencista da XIV CELACOM em 2010 e colaborou no conteúdo de livros editados pelo projeto Memória Globo e pela Imprensa Oficial. É Diretor Social do Museu da TV (PRO-TV). Neste livro ficou a seu cargo registrar as atuações de Salomé Parísio na televisão. Contato fabio78@aasp.or.br

Em pé: Thais Matarazzo, Sirlei Jaldim, Fábio Siqueira.
Sentados: Diego Nunes, Salomé Parísio e Osvaldinho da Cuíca.
São Paulo, 2012.




LANÇAMENTO:
23 DE JULHO DE 2012, DAS 20H ÀS 22H
BAR DO NELSON
RUA CANUTO DO VAL, 83 – SANTA CECÍLIA – SÃO PAULO - SP

domingo, 15 de julho de 2012

LUCINHA MENEZES lança seu novo CD



Hoje, a cantora Lúcia Menezes lança seu novo CD no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. O show, que já percorreu importantes espaços culturais e casas de espetáculo do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasílía, acontecerá às 20h. 



sexta-feira, 13 de julho de 2012

NESCÁO, 1934



Em 1932, a Nestlé lançou um leite achocolatado que foi desenvolvido para o mercado brasileiro, batizado de Nescáo. Era a junção dos nomes Nestlé com Cacau, que de acordo com a ortografia da época se escrevia Cacáo. Em 1954, com as alterações ortográficas, passou a se chamar Nescau.

Ao longo das décadas, à medida que ia se firmando em nosso mercado, modificou sua fórmula, transformando-se em um produto instantâneo. Desde 1972, quando passou a apresentar maior solubilidade e  riqueza de vitaminas, adotou o slogan que até hoje conhecemos: Super Nescau, energia que dá gosto.



Revista Vida Doméstica, 1934.


A interessante propaganda de Nescau trazia, de forma original e divertida, os benefícios através de ilustrações:


Para a primeira refeição não é suficiente um simples "cafezinho": 
é necessário um alimento mais substancioso.

Adotai o Nescau - alimento sadio, saboroso, substancial, 
que se prepara em poucos minutos simplesmente com água quente.

Nescau é um alimento verdadeiro: leve - nutritivo - agradável. 
O organismo encontra nele os elementos indispensáveis para o equilíbrio das forças vitais.

Nescau é mesmo a refeição ideal e além de tudo - vai tão depressa!
Nescau é preparado com produtos de primeira qualidade - 
escrupulosamente escolhidos, e dosados com minuciosidade extrema.

Numa tarde quente de verão não há refresco melhor do que Nescau gelado!

Nescau alimenta e fortifica, e é excelente para todas as pessoas cujas ocupações fatigam o cérebro.

A convalescença torna-se rápida com Nescau, o tônico delicioso.

Em conclusão: Nescau constitui o melhor alimento para crianças, adultos e convalescentes.







Agradecimento ao Arquivo Nirez

quinta-feira, 12 de julho de 2012

TODDY, 1934



Revista Vida Doméstica, junho de 1934.





PELA MANHÃ ALIMENTE BEM SEUS FILHOS


Senhora: Está comprovado que quase na totalidade as crianças vão mal alimentadas à escola. Essas ternas criaturas que crescem, cujo organismos em pleno desenvolvimento clamam por uma boa alimentação, vão à escola desprovidas de reservas orgânicas, escassas de forças e sem proteção contra as enfermidades que as ameaçam.
Três xícaras de Toddy, frio ou quente, manterão as energias vitais dos seus filhos. Dê Toddy aos seus filhos, desde hoje - e observe como aumentam de peso, semana por semana, ganhando em carnes, em cor, em forças e em energias.





Agradecimento ao Arquivo Nirez

segunda-feira, 9 de julho de 2012

REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932 - 80 ANOS

Há 80 anos, era iniciado o movimento armado que aconteceu no Estado de São Paulo e que se chamou Revolução Constitucionalista de 1932. 

O conflito ocorreu entre os meses de julho e outubro de 1932.

Era uma resposta paulista à Revolução de 1930, que havia acabado com a autonomia dos Estados durante a vidência da Constituição de 1891. Em 1930, o gaúcho Getúlio Vargas foi o responsável por impedir a posse de Júlio Prestes (que era ex-presidente de São Paulo, atualmente diz-se governador) na presidência da República e derrubou do poder o presidente da república Washington Luís, resultando no fim da República Velha, invalidando a Constituição de 1891 e instaurando o Governo Provisório, liderado pelo próprio Getúlio, que havia perdido as eleições de 1930.

Os paulistas buscavam reaver o domínio político perdido, ainda mais que o governo Provisório demorava a convocar a Assembléia Constituinte.

Procurando acalmar a situação, Getúlio apresentou um novo código eleitoral e marcou eleições para 1933. Também nomeou o paulista Pedro Toledo como interventor (um representante do Presidente da República para assumir provisoriamente o governo de um Estado). Mesmo assim, Osvaldo Aranha (que representava a ditadura), intervinha no governo de Pedro Toledo.

No dia 23 de maio, estudantes da Faculdade São Francisco fizeram um comício, protestando sobre essa situação. Eles tentaram invadir o cube 3 de Outubro, onde se concentraram os membros da Liga Revolucionária que apoiava a ditadura. Foram recebidos a balas. Morreram nesse conflito, os jovens: Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo Camargo de Andrade, as iniciais de seus nomes (MMDC) foi o nome escolhido pelo movimento de oposição à ditadura, que começava a planejar a luta armada. Depois, foi sabido que mais um jovem morreu nesse confronto: Orlando de Oliveira Alvarenga, incluído posteriormente na lista. 


Cartão Postal do MMDC.

O MMDC ganhou o apoio dos paulistas e seus principais partidos, o PRP e o Partido Democrata. Em 9 de julho as forças paulistas lideradas pelo General Isidoro Dias Lopes tomaram o estado e iniciaram a marcha para o Rio de Janeiro.

Em pouco tempo, São Paulo, que planejava uma ofensiva rápida contra a capital, se viu cercado por mais de 100 mil tropas federais. 

Mesmo sem a ajuda dos outros estados (houve poucos movimentos a favor no Rio Grande e no Mato Grosso, mas, foram logo destruídos), o povo paulista, mesmo perante a um movimento articulado pelas elites do estado, mobilizou-se e ajudou seus exércitos: houve mais de 200 mil voluntários, sendo 60 mil combatentes. 


Cartaz convocando os paulistas às armas.


Quando se iniciou o levante, uma multidão saiu às ruas em apoio. As tropas paulistas são enviadas para os fronts em todo o Estado. Porém, as tropas federais eram mais numerosas e bem mais equipadas. Foram usados aviões para bombardear cidades do interior paulista.

Para os dias de hoje, o cenário deveria ser surreal: cidades, como Campinas e Lorena, sofrendo bombardeios aéreos;o porto de Santos bloqueados por navios de guerra; cidades dos vales do Paraíba e do Ribeira sofrendo ataques de artilharia e trincheiras repletas de soldados, cavadas nas divisas do Estado.

São Paulo estava praticamente sitiado e se via sem alternativa para conseguir armamentos. Com as fronteiras do estado fechadas, muitos voluntários levaram suas próprias armas pessoais e engenheiros da Escola Politécnica do Estado( hoje EPUSP) e do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)
 passaram a desenvolver armamentos a serem produzidos pelo próprio estado para suprir as tropas. Um navio que trazia do exterior armamento para os paulistas foi apreendido pela Marinha do Brasil.

Em um teste de um novo canhão o Comandante da Força Pública, Coronel Júlio Marcondes Salgado, morreu em um acidente.

Uma das armas mais sofisticadas feitas pela indústria paulista foi o trem blindado, usado na campanha militar no Vale do Paraíba.

São Paulo criou uma moeda própria, que foi falsificada pela ditadura e distribuída na capital paulista para desestabilizar a economia do estado. O dinheiro paulista era lastreado pelo ouro arrecadado pela campanha Ouro para o bem de São Paulo, também chamado de Ouro para a vitória. Seus moradores passaram a doar ouro e jóias, visando financiar as tropas paulistas. Em troca, ganhavam um anel de prata com as gravações: Pro São Paulo Fiant Exímia e Doei Ouro Para o Bem de São Paulo. Várias famílias ainda guardam os anéis de seus antepassados. 





As armas compradas nos EUA foram perdidas quando o navio que as transportava foi apreendido. Com muita falta de munição, os paulistas inventaram e usaram um aparelho que imitava o som das metralhadoras, a matraca.

O rádio teve grande participação e importância durante o conflito, ainda uma novidade na época. O locutor César Ladeira, da Rádio Record, se destacou, animando os combatentes. Houve muita propaganda e contra-propaganda ideológica por parte da ditadura, acusando São Paulo de estar nas mãos do fascismo italiano trazido pelos imigrantes.

Os combatentes recrutados pela ditadura, brasileiros de outras regiões, eram informados que São Paulo queria se separar do Brasil.

Em meados de setembro a situação era precária. O interior do estado era invadido pelas tropas de Getúlio Vargas e a capital paulista estava ameaçada de ocupação. São Paulo tinha sua economia sufocada pelo bloqueio do porto de Santos e sobrevivia das contribuições em ouro feitas por seus cidadãos. As tropas paulistas desertavam cada vez mais.

Vendo a derrota se aproximando e, com ela, a ocupação do estado, as tropas da Força Pública Paulista (atual Polícia Militar de São Paulo), foram as primeiras a se render, no final de setembro. Com isso, a liderança revolucionária paulista se rendeu em 2 de outubro de 1932, na cidade de Cruzeiro, para as forças chefiadas pelo general Pedro Aurélio de Góis Monteiro.




Para conhecer a história da Revolução Constitucionalista de 1932 em detalhes, há o blog Tudo por São Paulo (http://tudoporsaopaulo1932.blogspot.com.br/), com muitas fotos e informações.

Na próxima postagem apresentarei músicas que abordam a Revolução de 32 e documentários sobre o tema.






As mulheres eram convocadas para serem Enfermeiras Voluntárias paulistas.


Equipe da Cruz Vermelha em Itapira (SP), 1932.


Trincheiras








O Trem Blindado










A matraca


No front


Tropas paulistas na Estação da FEPASA


Soldados e enfermeiras hasteiam a bandeira do Estado de São Paulo.










Fontes:






quarta-feira, 4 de julho de 2012

BALAIO, maxixe de Marcelo Tupinambá, 1929

Há 59 anos, falecia em São Paulo Marcelo Tupinambá, grande compositor brasileiro. Dele, falarei mais. Hoje, trouxe uma composição de sua autoria que gosto muito.


Balaio é um belo maxixe de Marcelo Tupinambá.
Foi gravado por Jesy Barbosa e Mário Pessoa em 28 de setembro de 1929 e lançado em novembro desse ano.
Disco Victor 33.219-A, matriz 50065-2.
Acompanhamento da Orquestra Victor.



Mário - Ouvi dizer que seu beijo
tem gostinho de manjar
Ai, me dê um só, pequenino
Que eu quero experimentar
Eu quero provar seu beijo
misturado com licor
Para assim jamais
esquecer de você
nem do seu amor.


Ambos - Balaio, meu bem balaio
Balaio, meu bem balaio
Me pegue senão eu caio
Me pegue senão eu caio.


Jesy - Eu vendo doce de coco
vendo bala, amendoim
Mas, o beijo que ocê me deu
esse eu guardo só para mim
Eu trago no meu balaio
uns beijinhos pra vender
Eles são de quem mais dinheiro tiver
pra me oferecer.










Agradecimento ao Arquivo Nirez

terça-feira, 3 de julho de 2012

O Mundo é uma roleta, samba de 1925

Samba de Manoel Dias gravado pelo barítono Frederico Rocha em provavelmente em 1925.
Disco Odeon Record 123.253, matriz 1074.




O mundo é uma roleta
nós somos jogadores
Joguei na sorte
logo, fiquei com tanto azar
Assim é o amor
quando é fiel
de parte a parte
Vem a morte
para só nos separar.

Não posso na roleta
mais jogar
Meu Deus, porque
estou dando muito azar.

Este mundo é cheio de ilusão
meu amor me roubou o coração.
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