quarta-feira, 29 de agosto de 2012

FOLCLORE BRASILEIRO, suas cantoras (parte II)

Continuando a postagem sobre as cantoras do folclore, vamos conferir o talento de importantes intérpretes e compositoras que pesquisaram nossas tradições, levando aos discos seus achados.


HELENA DE MAGALHÃES CASTRO

    

A volta do Bambalelê

Coco de motivo popular em arranjo de Helena de Magalhães Castro
Gravado por Helena de Magalhães Castro com violões
Disco Victor 33.341-B, matriz 50386-1
Gravado em 10 de julho de 1930 e lançado em setembro desse ano





JESY BARBOSA



Lenda Sertaneja

Canção sertaneja de Cândido das Neves (Índio)
Gravada por Jesy Barbosa, com Rogério Guimarães ao violão e coro
Disco Victor 33.284-A, matriz 50225-1
Gravado em 03 de abril de 1930 e lançado em julho desse ano




ELISA COELHO


Capelinha de melão
Samba de Amélia Brandão Nery
Gravado por Elisa Coelho e violões
Disco Victor 33.322-A, matriz 50341-1
Gravado em 21 de junho de 1930 e lançado em dezembro desse ano




DILÚ MELO



Engenho d´água
Cena brasileira de Dilú Melo e Santos Meira
Gravado por Dilú Melo e Santos Meira e grupo típico
Disco Columbia 8.345-B, matriz 3608-1
Lançado em 1938




Sapo cururu
Coco de Dilú Melo
Gravado por Dilú Melo
Disco Continental 15.126-B, matriz 725-2
Lançado em abril de 1944





STELLINHA EGG


Prenda Minha
Folclore gaucho
Arranjo de Stellinha Egg em ritmo de baião
Gravado por Stellinha Egg e orquestra
Disco RCA Victor 80-0821-B, matriz S-093000
Gravado em 27 de julho de 1951 e lançado em outubro desse ano




O Canto da Iara
Baião de Lindolfo Gaya e Eme de Assis
Gravado por Stellinha Egg com coro e orquestra
Disco RCA Victor 80-0821-A, matriz S-092999
Gravado em 27 de julho de 1951 e lançado em outubro desse ano




A Lenda do Abaeté
Batuque de Dorival Caymmi
Gravado por Stellinha Egg e conjunto
Disco RCA Victor 80-1294-B, matriz BE4-VB-0410
Gravado em 12 de abril de 1954 e lançado em junho desse ano





INEZITA BARROSO


Dança de caboclo
Dança de Hekel Tavares e Olegário Mariano
Gravada por Inezita Barroso e regional
Disco RCA-Victor 80-1430-A, matriz BE4-VB-0609
Gravado em 13 de outubro de 1954 e lançado em maio de 1955




Nhapopé
Canção popular a partir de uma lenda indígena amazonense
Gravação de Inezita Barroso e conjunto
Disco RCA Victor 80-1408-B, Matriz BE4-VB-0606
Gravado em 13 de outubro de 1954 e lançado em maio de 1955














Agradecimento ao Arquivo Nirez

Fontes:
Arquivo Nirez
Foto de Inezita Barroso: www.inezitabarroso.com.br






terça-feira, 28 de agosto de 2012

FOLCLORE BRASILEIRO, suas cantoras (parte I)

Seguindo nossa postagem sobre o folclore e seus intérpretes, trazemos agora algumas cantoras que gravaram peças folclóricas e lendas, que pesquisaram e adaptaram, divulgando nossa cultura.
Desde o século XIX, como é de maior conhecimento, algumas mulheres já se encarregavam de escrever poemas e compor melodias. É o caso das brasileiras Francisca Gonzaga e Cinira Polônio e da francesa, que teve uma bela carreira no Brasil, Rose Méryss. Já na década de 1920, as mulheres já estudavam violão e, várias, se encarregavam de pesquisar nossas tradições e adaptar cantos e melodias para apresentarem em recitais. Com o sucesso da indústria fonográfica brasileira nas duas primeiras décadas do século XX, essas moças eram convidadas a gravar suas pesquisas, cantando aquilo que haviam recolhido, composto ou adaptado. O rádio também seria um bom veículo de divulgação que, agora, passariam a ser recitais irradiados para todo o Brasil. A tradição das cantoras-pesquisadoras de folclore continuou através das décadas, revelando ótimos talentos e mantendo viva nossa tradição oral.
Vamos conferir!



ELSIE HOUSTON


























Morena cor de canela
Samba de motivo popular em adaptação de Ary Kerner Veiga de Castro
Gravado por Elsie Houston, acompanhada de Petit e Zezinho
Disco Columbia 5.217-B, matriz 380649
Lançado em junho de 1930




Cade minha pomba rola?
Batuque de motivo popular em arranjo de Elsie Houston
Gravado por Elsie Houston, acompanhada de Gaó, Jonas, Zeinho e Petit
Disco Columbia 7.014-B, matriz 380832
Lançado em setembro de 1930




Aribu
Coco do Norte de motivo popular em arranjo de Elsie Houston
Gravado por Elsie Houston, acompanhada Gaó, Zezinho e Chaves
Disco Columbia 7.053-B, matriz 380886
Lançado em 1930




Puxa o melão sabiá
Canção pernambucana de motivo popular em arranjo de Elsie Houston Peret
Gravada por Elsie Houston, acompanhada Gaó, Zezinho e Petit
Disco Columbia 7.050-B, matriz 380831-1
Lançado em 1930




Coco dendê trapiá - Ai sabiá da mata
Cocos do Norte de motivo popular em arranjo de Elsie Houston Peret
Gravado por Elsie Houston, acompanhada Gaó, Zezinho, Jonas e Chaves
Disco Columbia 7.050-B, matriz 380885-1
Lançado em 1930




Eh Jurupanã
Coco do Norte de motivo popular em arranjo de Elsie Houston
Gravado por Elsie Houston, acompanhada Hekel Tavares, João Pernambuco e Jararaca
Disco Columbia 7.053-B, matriz 380587
Gravado em dezembro de 1929 e lançado em 1930






STEFANA DE MACEDO


























Como se dobra o sino
Toada de motivo popular do Rio Grande do Norte
Arranjo de Stefana de Macedo
Gravada por Stefana de Macedo com violão
Disco Columbia 5.189-B, matriz 380439-2
Lançado em março de 1930




Bixo Caxinguelê
Cateretê de motivo popular em arranjo de Stefana de Macedo
Gravado por Stefana de Macedo com violões
Disco Columbia 5.092-B, matriz 380231-2
Lançado em outubro de 1929

Bicho Cachinguelê -
Uma espécie brasileira  de esquilo florestal.
É encontrado na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica.





O homem e o relógio
Corta jaca de Stefana de Macedo
Gravado por Stefana de Macedo com violões
Disco Columbia 5.068-B, matriz 380230
Lançado em setembro de 1929




A mulher e o trem
Corta jaca de motivo popular em arranjo de Stefana de Macedo
Gravado por Stefana de Macedo com violões
Disco Columbia 5.067-B, matriz 380229-2
Lançado em julho de 1929




Bambalelê
Samba choro de motivo popular em arranjo de Stefana de Macedo
Gravado por Stefana de Macedo com violões
Disco Columbia 5.067-B, matriz 380227-2
Lançado em julho de 1929




Toré
Canto indígena da autoria de Stefana de Macedo e Ascenço Ferreira
Gravado por Stefana de Macedo, Gaó, Chaves e Zezinho
Disco Columbia 7.010-B, matriz 380820-1
Lançado em setembro de 1930





OLGA PRAGUER COELHO



























Puntinho branco
Domínio popular em arranjo de Olegário Mariano
Gravado por Olga Praguer Coelho com violões
Disco Odeon 10.586-A, matriz 3064
Lançado em abril de 1930




Virgem do Rosário
Lundu de domínio popular em adaptação de Olga Praguer Coelho
Gravação de Olga Praguer Coelho, com Rogério Guimarães e João Nogueira aos violões
Disco Victor 34.042-B, matriz 80025-1
Gravado em 29 de novembro de 1935 e lançado em abril de 1936




Murucututu
Canção de embalo
De domínio popular em arranjo de Olga Praguer Coelho e Gaspar Coelho
Gravada por Olga Praguer Coelho, com Pereira Filho ao violão
Disco Victor 34.105-A, matriz 80130-1
Gravado em 17 de abril de 1936 e lançado em novembro desse ano




Boi boi boi
Acalanto baiano de domínio popular
Adaptação de Georgina Erisman
Gravação de Olga Praguer Coelho e Pedro Vargas
Acompanhamento de dois violões
Disco Victor 34.060-A, matriz 80149-1
Gravado em 28 de abril de 1936 e lançado em julho desse ano




Estrela do Céu
Macumba do Norte
Domínio porpular em adaptação de Olga Praguer Coelho
Gravada por Olga Praguer Coelho com Conjunto Típico RCA Victor
Disco Victor 34.325-B, matriz 80182-1
Gravado em 30 de julho de 1936 e lançado em junho de 1938














Agradecimento ao Arquivo Nirez

Fontes:
Arquivo Nirez
Foto do bicho caxinguelê: http://is.gd/tNF8gq






domingo, 26 de agosto de 2012

Gesto moderninho?



Para quem acha que certos gestos são moderninhos, 
Amélia Lopiccolo já os utilizava em 1899.










quinta-feira, 23 de agosto de 2012

TÔNIA CARRERO, 90 anos



Hoje, a bela e talentosa atriz Tônia Carrero completa 90 anos.

Maria Antonieta Portocarrero Thedim nasceu no Rio de Janeiro em 22 de agosto de 1922.
Graduada na França em Educação Física, foi como atriz que ela encontrou sua vocação, estreando em 1947 no filme Querida Suzana, de Alberto Pieralisi, onde foi a protagonista. O filme foi produzido pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, de São Bernardo do Campo (SP), onde ela foi estrela e protagonizaria outros filmes.

No teatro, Tônia Carrero estreou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, no ano de 1949, com a peça Um Deus Dormiu Lá em Casa, da autoria de Guilherme Figueiredo e direção de Adolfo Celi, contracenando com Paulo Autran,  que se tornaria um grande amigo da atriz.




Um Deus Dormiu Lá em Casa

Logo, o inevitável aconteceu, sua extraordinária beleza aliada ao seu talento dramático, transformaria a atriz em uma das mulheres mais fascinantes do Brasil. No teatro daria vida à personagens de Bernard Shaw, Jean-Paul Sartre, Noel Coward, Tennessee Williams, entre outros. Sendo uma mulher elegante, mostrou seu talento e versatilidade ao dar vida à prostituta Neusa Sueli, de Navalha na Carne, de Plínio Marcos, na versão carioca da peça feita em 1967, dirigida por Fauzi Arap. Essa montagem teve mais repercussão que a original, feita em São Paulo.

O cinema mostrou Tônia Carrero em boas atuações, como na cine-biografia do músico paulista Zequinha de Abreu, Tico-Tico no Fubá (1952), direção de Adolfo Celi, e filmado na Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Ela contracena com Anselmo Duarte, que vive Zequinha, enquanto ela é sua musa, Branca.
Também em 1952 e no mesmo estúdio, ela filmou Appassionata, dirigido por Fernando de Barros.
Tônia vivia uma pianista consagrada que prefere a carreira ao casamento. Contracenou com Paulo Autran e, novamente, Anselmo Duarte.


Tico-Tico no Fubá

Com a carreira em alta, foi notada por um veículo que cada vez crescia mais, e um estilo de dramaturgia que conquistava a população: a televisão, com sua teledramaturgia.
Em 1969, estreou na TV Excelsior (SP) na novela Sangue do Meu Sangue, vivendo Pola Renon. Era escrita por Vicente Sesso e dirigida por Sérgio Britto.

No ano seguinte, em 1970, deu vida à protagonista Cristina Melo de Guimarães Cerdeira, uma rica e jovem viúva que transformava a vida de um rapaz simples, vivido por Sérgio Cardoso. A novela era Pigmalião 70, também escrita por Vicente Sesso e dirigida por  Régis Cardoso. Era a estréia de Tônia e Vicente na Rede Globo e inaugurou o estilo de comédia no horário das 19h. O corte de cabelo da personagem de Tônia seria imitado pelas mulheres no País inteiro e tinha o nome homônimo ao da novela, corte Pigmalião 70.


Pigmalião 70

Vale lembrar a milionária Stella Fraga Simpson, de Água Viva (1980), novela escrita por Gilberto Braga com a colaboração de Manoel Carlos e dirigida por Roberto Talma e Paulo Ubiratan. Tônia havia sido escalada para viver uma megera, mas, sua excêntrica personagem personagem acabaria por conquistar o público.

Kananga do Japão (Rede Manchete-1989), foi escrita por Wilson Aguiar Filho com a colaboração de Leila Míccolis, com sinopse de Carlos Heitor Cony a partir de idéia original de Adolpho Bloch (presidente da Manchete); foi dirigida por Tizuka Yamazaki, Carlos Magalhães, Wilson Sólon.
Tônia Carrero deu vida à Letícia Viana. Milionária carioca casada com o empresário Chico Viana (Carlos Alberto) que, na década de 1930, se apaixonava pelo malandro da Praça Onze, Alex Ferreira (vivido por Raul Gazolla), e era a antagonista da personagem principal, Dora (vivida por Cristiane Torlloni).

Kananga do Japão, ao lado de Carlos Alberto.

Atualmente, Tônia Carreiro mora no Rio de Janeiro e está afastada da carreira, tendo feito seu último trabalho em 2008. Ela é mãe do também ator Cecil Thiré e seus netos seguiram a tradição de atuar da família, Miguel Thiré, Luísa Thiré e Carlos Thiré.







Parabéns à nossa Estrela!








































Fontes:


http://is.gd/6uNz5G
http://is.gd/Z0vYj9
http://is.gd/VtIFUo
http://is.gd/vs1qqk
http://is.gd/anmXnX
http://is.gd/8741va
http://is.gd/gyAN31

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

FOLCLORE BRASILEIRO, seus cantores

Dia 22 de agosto, dia do Folclore Brasileiro. A data foi firmada em 1965 através de um decreto federal.
O folclore engloba as tradições, lendas e crenças de um país. Ele pode ser manifestado de várias formas, como artesanato, alimentação, vestimentas, religião e linguagem de uma nação.

No Brasil, várias lendas vêm sendo contadas há várias gerações; algumas, trazidas do exterior e adaptadas à nossa realidade; outras, nascidas aqui. Muitas foram contadas em versos, romances, ou, até, cantadas em composições de domínio público ou de autoria de compositores que se preocuparam e divulgar as lendas de suas regiões.

Estudiosos e intelectuais se dedicaram a estudar e catalogar o nosso folclore, como Luis Câmara Cascudo e Mário de Andrade. 

Nos anos 20, várias mulheres começaram a se dedicar à pesquisa do folclore brasileiro e às adaptações do mesmo para o canto; Elsie Houston, Stefana de Macedo, Helena de Magalhães Castro, Olga Praguer Coelho, Amélia Brandão Nery e Celeste Leal Borges, são cantoras e compositoras que, a exemplo de seus colegas, foram catalogando, pesquisando e divulgando o nosso folclore. Sua iniciativa abriram portas para futuros talentos, como Sylvinha Melo, Elisa Coelho, Dilú Mello, Stelinha Egg, Inezita Barroso, para citar algumas.

Vamos conferir algumas músicas de nosso folclore. Trouxemos gravações diversas de composições como: Sacy Pererê e Sapo Cururu.


Minha Terra
Modinha do folclore cearense
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano e violão
Disco Odeon Record 40.687
Lançado em 1906




O meu boi morreu
Cantiga nortista
Gravada por Bahiano e Eduardo das Neves
Acompanhamento de coro, cavaquinho e violão
Disco Odeon Record 121.054
Lançado em 1916
Obs. Era do repertório da atriz Abigail Maia, como se anuncia na gravação.
A atriz Júlia Martins participa do coro.






Bahiano














Bumba meu boi
Samba carnavalesco de Freire Jr.
Gravado por Bahiano
Disco Odeon Record 121.975
Lançado em 1921




Dança do urubu
Canção carnavalesca
Do folclore, arranjo de Lourival de Carvalho (Louro)
Gravada por Bahiano com coro e conjunto
Disco Odeon Record 121.321
Gravado e lançado em 1917





Gastão Formenti





















Sacy Pererê
Toada de Joubert de Carvalho
Gravada por Gastão Formenti, acompanhado por violões
Disco Odeon 10.216-A, matriz 1744
Lançado em agosto de 1928




Sacy Pererê
Canção de J. Aymberê e Alcebíades Barcelos
Gravada por Gastão Frmenti
Acompanhamento do maestro Henrique Vogeler ao piano
Disco Parlophon 12.938-B, matriz 2411-1
Lançado em abril de 1929




Saci Pererê
Batuque de J. B. de Carvalho
Gravado pelo Conjunto Tupy
Disco Victor 33.556-B, 65421-2
Gravado em 18 de março de 1932 e lançado em junho desse ano




Sapo Cururu
Canção de Hekel Tavares e Olegário Mariano
Gravada por Sérgio da Rocha Miranda
Acompanhamento de Hekel Tavares ao piano
Disco Odeon 10.206-A, matriz 1705
Lançado em 1928




Francisco Alves





















Sapo Cururu
Acalanto de Hekel Tavares e Olegário Mariano
Gravada por Francisco Alves
Acompanhamento de Hekel Tavares ao piano
Disco Odeon 10.365-A, matriz 2470
Lançado em abril de 1929




Engenho Novo
Tema popular em arranjo de Hekel Tavares
Gravado por Januário de Oliveira
Acompanhamento de Hekel, Zezinho e Petit
Disco Columbia 5.141-B, matriz 380488-2
Lançado em fevereiro de 1930




Foi boto, sinhá
Toada amazônica
Da autoria de Waldemar Henrique e Antônio Tavernard
Gravada por Gastão Formenti com a Orquestra Victor Brasileira sob a direção de Pixinguinha
Disco Victor 33.807-B, matriz 79625-1
Gravado em 02 de maio de 1934 e lançado em agosto desse ano




Cobra grande
Lenda Amazônica
Da autoria de Waldemar Henrique
Gravada por Gastão Formenti com a Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.939-A, matriz 79850-3
Gravado em 14 de março de 1935 e lançado em junho desse ano





Jorge Fernandes





















Rolete de cana
Canção do folclore
Arranjo de Osvaldo Santiago e Dilu Melo
Gravada por Jorge Fernandes e o conjunto de Benedito Lacerda
Disco Columbia 55.373-B, matriz 549-1
Lançado em setembro de 1942














Agradecimento ao Arquivo Nirez






terça-feira, 21 de agosto de 2012

PEDRO DE ALCÂNTARA, 146 anos



Pedro de Alcântara era flautista, compositor e também tocava flautim.
Era filho de Pedro de Alcântara e Francisca Rosa das Chagas. Nasceu em 21 de agosto de 1866, no Rio de Janeiro. Aos 15 anos, iniciou os estudos em flauta.
Sua primeira apresentação foi na festa da igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro, fazendo um solo em sua flauta de prata, para o Imperador D. Pedro II, que estava presente.
No início de sua carreira artística apresentou-se nos cinemas Odeon, Americano e Atlântico.

Em sua casa, promovia encontros onde recebia amigos compositores e amantes do choro, como Quincas Laranjeiras, Ernesto Nazareth, Villa-Lobos, Catulo da Paixão Cearense...
Compôs, em 1907, a polca Dores do Coração, mas, mudou seu nome para Choro e Poesia, que se tornaria sua composição mais conhecida, sendo gravada em 1911. Anos depois, Catullo da Paixão Cearense colocaria letra na melodia e a composição passou a se chamar Ontem ao Luar, gravada em 1917 por Vicente Celestino, sendo muito famosa até hoje.

Em 1912, Pedro de Alcântara realizou quatro gravações junto do pianista Ernesto Nazareth, onde interpretou Choro e Poesia, de sua autoria; Linguagem do Coração, de Joaquim Callado; Favorito e Odeon, ambas de Ernesto Nazareth.

Choro e Poesia
Polca de Pedro de Alcântara
Gravada por Pedro de Alcântara no flautim e Ernesto Nazareth ao piano
Disco Odeon Record 108.788, matriz XR-1461
Gravação de 1912




Linguagem do Coração
Polca de Joaquim Antônio da Silva Callado
Gravada por Pedro de Alcântara no flautim e Ernesto Nazareth ao piano
Disco Odeon Record 108.789, matriz XR-1462
Gravação de 1912




Favorito
Tango de Ernesto Nazareth
Gravada por Pedro de Alcântara no flautim e Ernesto Nazareth ao piano
Disco Odeon Record 108.790, matriz XR-1463
Gravação de 1912




Odeon
Tango de Ernesto Nazareth
Gravada por Pedro de Alcântara no flautim e Ernesto Nazareth ao piano
Disco Odeon Record 108.791, matriz XR-1464
Gravação de 1912





Em 1929 ele deu seu último recital, na cidade de Sete Lagoas (MG), no Cine Trianon. Na ocasião, seu filho Sérgio Pedro de Alcântara o acompanhou ao violino e Geralda da Mata ao piano.
Poucos dias depois, em 29 de agosto de 1929, nessa mesma cidade, ele viria a falecer.




Ontem ao Luar
De Pedro de Alcântara e Catullo da Paixão Cearense
Gravado por Vicente Celestino com acompanhamento de violão e cavaquinho
Disco Odeon Record 121379
Gravado em 1917





Banda da Casa Edison.
O flautista Pattápio Silva é o segundo da direita para a esquerda.

Gravação de Choro e Poesia pela Banda da Casa Edison
Disco Odeon Record 10192
Gravação de 1907





Sua polca Choro e Poesia voltou às paradas de sucesso em 1970.
Nesse mesmo ano fazia sucesso o filme Love Story e a música tema era muito parecida com a melodia de Pedro de Alcântara...
Aproveitando isso, a música recebeu mais de dez gravações, porém, muitas omitiam seu nome na autoria da música, constando apenas o nome de Catullo da Paixão Cearense.
Em 1976, uma de suas netas obteve na justiça o direito de que fosse restabelecida sua autoria na polca.







Agradecimento ao Arquivo Nirez






J. BULHÕES, 131 anos

José Carvalho de Bulhões, mais conhecido como J. Bulhões, nasceu no Rio de Janeiro em 21 de agosto de 1888. Era pai do compositor Max Bulhões.
J. Bulhões foi um famoso pianeiro carioca, tendo tocado em todos os clubes do Rio de Janeiro no início do século XX.
Compôs a valsa Despedida em Lágrimas que, com letra de Alfredo Cândido, seria gravada por Bahiano, com bastante agrado.

Despedida em Lágrimas
Valsa de José Carvalho Bulhões e Alfredo Cândido
Gravada por Bahiano com acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 120.270, matriz XR-1827
Lançado em 1914





Seu grande sucesso foi a marcha Ai, Philomena!, bastante cantada no carnaval de 1915; A música fazia crítica ao então Presidente Hermes da Fonseca (a quem o povo apelidara Dudu), que era calvo e que tinha fama de ser agourento (ter urucubaca, azar).
A melodia foi inspirada na canção italiana Viva Garibaldi.

Em 1915, essa música foi lançada no teatro de revista, um dos meios de comunicação que mais faziam críticas aos governos. Coube à atriz Júlia Martins, com muita malícia, e ao ator Brandão, o Popularíssimo, darem vida aos personagens da marcha. Júlinha vivia a Philomena.  Com o título de Ai, Philomena!, a peça foi um grande sucesso.

Ai, Philomena!
Canção de J. Carvalho Bulhões 
Gravada por Bahiano e conjunto
Disco Odeon Record 120.988
Gravado em 1915 e lançado em 1916





Anos depois, o povo criou uma versão muito maliciosa, conhecida por gerações, que, até a mim chegou: “Ai, coelhinho, se eu fosse como tu, tirava a mão do bolso...” O resto vocês sabem....

Mantendo sua crônica política, compôs o samba Torna a Vortá.
Em linguagem caipira, essa composição fazia apologia ao paulista Antônio Prado, ou Prado Júnior (Antônio da Silva Prado Júnior, 1880 – 1955). Ele havia sido prefeito da cidade do Rio de Janeiro de 1926 a 1930. O samba enaltecia seu governo e sugeria sua volta nas eleições seguintes.
Porém, com a deposição de Washington Luís, e 24 de outubro de 1930 (Revolução de 1930), ele teve que deixar o cargo. Saiu cercado com o respeito dos revolucionários, que reconheceram suas virtudes de homem e administrador. Mesmo assim, foi exilado. Ele fazia parte da tradicional família Prado, de São Paulo, de grande poder econômico e político.


Torna a Vortá
Samba de J. Bulhões
Gravado por Francisco Alves e a Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.425-A, matriz 2619
Gravado em 1929 e lançado em julho desse ano





Torna a Vortá apresenta uma linguagem dita como caipira: perfeito (prefeito), internidade (eternidade), transformidade (transformação)...

O sinhô Antonho Prado
é perfeito de verdade
O seu nome tá firmado
Pra toda internidade
Ninguém pode duvidá
da sua capacidade
Quando ele for-se embora
vai nos matá de saudade

A cidade está fermosa
É mesmo de embasbacá
Seu Antonho faz que vai
e pra cá torna a vortá

É home do Braço-Forte
na beleza da cidade
Toda gente fala bem
da sua honestidade
A capitá hoje é outra
na sua transformidade
Quando ele for-se embora
vai nos matá de saudade






Agradecimento ao Arquivo Nirez
e a Abel Cardoso Júnior (In memorian).






Imersão na Belle Époque

A próxima novela das 18h da Globo vai se passar no ano de 1903. Lado a Lado é o título. 
Esse período faz parte de minhas pesquisas, então, vou aproveitar para mostrar quem eram os artistas dessa época, as músicas e compositores... 


E, já entrando no clima da Belle Époque...

Alice Roosevelt em 1903.

Alice Roosevelt Longworth (1884-1980), foi a única filha do ex-presidente norte americano 
Theodore Roosevelt com sua primeira mulher, Alice Hathaway Lee. 
Alice era conhecida como Princesa da Casa Branca.

domingo, 19 de agosto de 2012

ARACY DE ALMEIDA E CHICO ALVES, aniversariantes de 19/08

Hoje, 19 de agosto, marca o aniversário de duas lendas da nossa música: Aracy de Almeida e Francisco Alves.
Vamos ouvir algumas músicas desses dois grandes talentos.



ARACY DE ALMEIDA, 98 anos


























Aracy Telles de Almeida nasceu em 19 de agosto de 1914, no Rio de Janeiro, no bairro Encantado, onde também se criou. Seu pai, Baltasar Telles de Almeida era chefe de trens na Central do Brasil, e sua mãe, dona Hermogênea, era dona de casa. A menina Aracy cantava no coro da Igreja Batista da qual seu irmão, Alcides, era pastor. Fazendo parte de uma família protestante, e tendo apenas irmãos homens, Aracy também cantava, escondida, músicas de entidades em terreiros de umbanda e também no bloco carnavalesco Somos de pouco falar. Tendo uma infância pobre, desde criança sonhava em ser cantora de rádio. Em 1933, ao conhecer o compositor Custódio Mesquita através de um amigo, cantou para ele Bom Dia, meu amor, de Olegário Mariano e Joubert de Carvalho, que fazia parte do repertório de Carmen Miranda. Logo, conseguiu um contrato com a Rádio Educadora (depois Tamoio). Nessa rádio, ela conheceu o compositor Noel Rosa, que viria a ser seu grande amigo, logo a levando para tomar umas cervejas Cascatinha e conhecer a boêmia carioca.
Como várias cantoras iniciantes em meados dos anos 30, Aracy de Almeida imitava o estilo de Carmen Miranda, já considerada a mais famosa intérprete da música popular brasileira. Noel Rosa a ajudou a encontrar seu próprio estilo e, quando ela o fez, começou a deixar sua marca em nossa música.

Em 1934 gravou sua primeira música, a marcha carnavalesca de Julieta de Oliveira, Em plena folia. No ano seguinte, gravou Riso de criança, samba de Noel Rosa. Com enorme popularidade, atuou em várias rádios, gravando sucessos dos melhores compositores. Ao lado de Marília Batista, é considerada até hoje, a melhor intérprete de Noel Rosa, de quem divulgaria a carreira anos depois de sua morte. No final de sua vida, Aracy de Almeida, mesmo morando no Rio de Janeiro, estava toda semana em São Paulo, onde era jurada do programa Show de Calouros, comandado pelo apresentador Sílvio Santos, que era fã da cantora.


Tenho uma rival
Samba de Valfrido Silva
Aracy de Almeida gravou com o Conjunto Regional de Benedito Lacerda
Disco Victor 33927-B, matriz 79867-1
Gravado em 10 de abril de 1935 e lançado em maio desse ano




Eu por você
Samba de Kid Pepe e Orestes Barbosa
Aracy de Almeida gravou com o Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 33981-B, matriz 80006-1
Gravado em 26 de agosto de 1935 e lançado em outubro desse ano




Que baixo
Marcha de Noel Rosa e Antônio Nássara
Aracy de Almeida gravou com o Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 34007-B, matriz 80051-1
Gravado em 17 de dezembro de 1935 e lançado em janeiro de 1936




Ótima ocasião
Marcha de Luís Vassalo
Aracy de Almeida gravou com o conjunto Diabos do Céu
Disco Odeon 34027-B, matriz 80066-1
Gravado em 30 de dezembro de 1935 e lançado em janeiro de 1936




Lua indiscreta
Marcha de Antônio Nássara e Cristóvão de Alencar
Aracy de Almeida gravou com os Reis do Ritmo
Disco Odeon 34134-B, matriz 80290-1
Gravado em 07 de dezembro de 1936 e lançado em janeiro de 1937




Mandei Carimbar
Batucada de motivo popular, adaptada por Kid Pepe e Germano Augusto
Aracy de Almeida gravou com os Reis do Ritmo
Disco Odeon 34138-A, matriz 80296-1
Gravado em 14 de dezembro de 1936 e lançado em janeiro de 1937








FRANCISCO ALVES, 114 anos


























Francisco de Moraes Alves nasceu em 19 de agosto de 1898, no Rio de Janeiro, no bairro da Saúde.
Era filho de portugueses e trabalhou em vários empregos, como chofer de praça, até ingressar no teatro de revista, em meados dos anos 10. Por volta de 1916, atuando em uma companhia da qual fazia parte a famosa atriz Zazá Soares, também conhecida como a Bela Zazá, ele sempre era chamado pela estrela para cantar modinhas ao violão, já que possuía uma bela voz. Como nessa companhia havia outro Francisco, o Chico que era contra-regra, ela sempre chamava pelo Chico da viola. Assim, surgiu um de seus mais conhecidos pseudônimos, Chico Viola. No teatro musicado, ao lado de sua irmã, Nair Alves, obteve sucesso, sempre atuando em peças e fazendo parcerias com estrelas como Otília Amorim. Em 1919, a convite do compositor Sinhô (José Barbosa da Silva), gravou seus primeiros discos na gravadora A Popular, de propriedade de João Gonzaga, esposo da compositora Chiquinha Gonzaga (a gravadora ficava no quintal da residência do casal). Chico, ao lado de duas sobrinhas e acompanhado do Grupo dos Africanos, gravou Pé de Anjo, marcha; Fala, meu louro (Papagaio louro), samba; e Alivia esses olhos, samba.
Todas de Sinhô.
Faria algumas gravações por volta de 1923, 1924, mas, somente a partir de 1927, ainda no processo mecânico, passou a gravar com regularidade.
Nessa época, seu prestígio começou a subir e ele foi se tornando o mais famoso e requisitado intérprete de nossa música. Já na fase elétrica, no qual foi o primeiro a gravar, se consolidou absoluto como Rei da Voz. Nos rádios, cinema, cassinos, show, Francisco Alves era sempre querido e aplaudido pelo público e crítica. Foi o cantor que mais gravou na fase de 78 rpm e sua carreira nunca conheceu o declínio, estando sempre em alta.
Faleceu aos 54 anos, em um acidente automobilístico, na Via Dutra (SP), em 27 de setembro de 1952.


Dengosa
Toada sertaneja de Francisco Alves
Gravada por ele, tendo Américo Jacomino (Canhoto) ao violão
Disco Odeon 10019-A, matriz 1259
Lançado em agosto de 1927




Pleninúnio
Foxtrot de Erotides de Campos
Gravado por Francisco Alves e a Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon 10031-A, matriz 1264
Lançado em setembro de 1929




Guardo no coração
Valsa de Kid Pepe e Jessé Nascimento
Francisco Alves gravou com o Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 34104-A, matriz 80016-1
Gravado em 28 de agosto de 1935 e lançado em novembro de 1936




Numa noite assim
Marcha rancho de Alberto Ribeiro e Mário Lago
Francisco Alves gravou com Luciano Perrone e sua Orquestra
Disco Columbia 55259-B, 365-2
Gravado em 06 de janeiro de 1941 e lançado em fevereiro desse ano




Acorda Estela
Samba de Herivelto Martins e Benedito Lacerda
Francisco Alves gravou com Dalva de Oliveira e ambos são acompanhados
por Benedito Lacerda e seu Grande Regional
Disco Columbia 55159-B, matriz 192-1
Gravado em 16 de agosto de 1939 e lançado em setembro desse ano




Vem meu amor
Samba de Klécius Caldas e Francisco Alves
Francisco Alves é acompanhado por Orquestra
Disco Odeon 12.986-B, matriz 8610
Gravado em 27 de dezembro de 1949 e lançado em março de 1950










Agradecimento ao Arquivo Nirez






quinta-feira, 16 de agosto de 2012

ZEZÉ FONSECA, 50 anos de saudade




Há 50 anos, também em uma quinta-feira, dia 16 de agosto de 1962, falecia a cantora e rádio-atriz
Zezé Fonseca.
Maria José González Fonseca nasceu em 1915, no dia 05 de agosto. Estudou canto no Instituto de Música do Rio de Janeiro e foi uma das pioneiras dos programas de auditório no rádio, participando do Programa Casé (o primeiro programa de auditório do rádio brasileiro), desde o seu surgimento em 1932, onde era colega de Sônia Barreto, Noel Rosa e Pixinguinha.




Também foi atriz de teatro, atuando em peças como Uyara, de 1933, ao lado de Laura Suarez e Roberto Vilmar. Com Procópio Ferreira, atuou na peça Deus lhe pague, de Joracy Camargo.
Atuou também ao lado de Elza Gomes.

Nos anos 30 ainda gravou vários discos, inclusive em dupla com Breno Ferreira.
Com o surgimento da Rádio Nacional, ela passou a integrar o cast de rádio-atriz, sendo considerada a melhor por vários anos.

Um de seus maiores sucessos no rádio foi a novela Em busca da felicidade, de 1941, a primeira transmitida no Brasil. Ela deu vida à personagem Anita de Montemar, que sofria por ter que dividir seu marido, Alfredo Medina, com Carlota. O drama de Anita comoveu milhares de rádio-ouvintes, que choravam com os infortúnios da heroína.




Dona de uma bela e aveludada voz, Zezé Fonseca viveu um intenso romance com o cantor Orando Silva durante a década de 1940. Ela ainda viria a ser locutora e jornalista, produzindo reportagens e também programas femininos.

Em 1962, em seu aniversário no dia 05 de agosto, faleceu a atriz Marilyn Monroe. Nesse mesmo dia, porém, em 1955, Carmen Miranda falecia. Nessa época, Zezé morava sozinha, em Copacabana. Na noite do dia 16 de agosto, também uma quinta-feira, os vizinhos notaram fumaça saindo de seu apartamento. Quando os bombeiros arrombaram a porta, o local estava tomado pelo fogo e o corpo de Zezé, carbonizado, estava no chão. Por incrível que possa parecer, seus três cachorros se salvaram. O apartamento estava cheio de jornais e revistas. Foram levantadas hipóteses de suicídio, porém, a causa mais provável tenha sido acidente, com o gás do fogão.



Com seu falecimento, como bem descreveu um jornal da época, se encerrava o período do rádio-teatro, da rádio-novela, da magia que o rádio proporcionava com suas intérpretes e histórias envolventes.
Zezé Fonseca foi a mais bela e fiel representante desse tempo.





Algumas gravações de Zezé Fonseca:

Põe a Chave Embaixo...
Marcha de Assis Valente
Acompanhamento da Orquestra Columbia
Disco Columbia 22.179-B, matriz 381.392
Lançado em janeiro de 1933




Mulato Cheio de Bossa
Samba de Sílvio Pinto e Milton Musco
Acompanhamento da Orquestra Columbia
Disco Columbia 22.179-B, matriz 381.393
Lançado em janeiro de 1933




Êta Caboclo Mau
Marcha carnavalesca de Joubert de Carvalho e Luís Martins
Zezé Fonseca canta com Breno Ferreira
Acompanhamento da Orquestra Columbia
Disco Columbia 22.184-B, matriz 381.432
Lançado em janeiro de 1933








Agradecimento ao Arquivo Nirez






quarta-feira, 15 de agosto de 2012

NAS HORAS MORTAS DA NOITE, canção 1906

Nas horas mortas da noite é uma canção gravada e lançada em 1906 por Mário Pinheiro.
Disco Odeon Record 40 688, acompanhamento de piano.





Nas horas mortas da noite
como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
nas ondas quietas do mar
Quando a lua mais ditosa
surgindo linda e formosa
Com donzela vaidosa
nas águas que vai mirar
Nessas horas de silêncio
de tristes ais e de amor
que eu gosto de ouvir ao longe
cheio de magoa e de dor
O sino do campanário
que fala tao solitário
com esse tom mortuário
que nos enche de pavor

Então, proscrito e sozinho
eu solto os ecos da terra
Sou filho dessa saudade
que no meu peito se encerra
Esses prantos de amargores
são prantos cheios de dores
Saudades dos meus amores
Saudade da minha terra

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Quadro "Samba" de Di Cavalcanti é destruído em incêndio

Samba, de Di Cavalcanti, 1925.

O quadro Samba, de Di Cavalcanti, pintado em 1925, foi destruído nessa segunda-feira, 13 de agosto, em um incêndio ocorrido no apartamento do marchand e colecionador Jean Boghici, no bairro de Copacabana (RJ).
A obra era uma das mais importantes na história da arte brasileira, e Di Cavalcanti, um de nossos maiores pintores.

Saiba mais:
http://oglobo.globo.com/rio/samba-de-di-cavalcanti-destruida-em-incendio-em-copacabana-5779731

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1136957-pintura-samba-de-di-cavalcanti-foi-destruida-em-incendio-no-rio.shtml

Biografia de Di Cavalcanti:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Di_Cavalcanti



Foto:
Do blog Cibercultura e Democracia Online: http://cyberdemocracia.blogspot.com.br/2010/09/di-cavalcanti-samba-1925.html

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

JORGE E NORMA

O dia 10 de agosto marca o nascimento de duas figuras importantes no mundo da cultura.



Jorge Amado

Há 100 anos, em 10 de agosto de 1912, nascia o escritor baiano Jorge Amado.
Autor de inúmeros sucessos como, Tereza Batista cansada de guerra, Mar Morto, Dona Flor e seus dois maridos, ABC de Castro Alves, entre outros, ganhou fama mundial merecidamente por seu talento e estilo únicos. Atualmente, seu romance Gabriela, cravo e canela está sendo exibido em forma de telenovela na Rede Globo de televisão, em uma adaptação feita pelo dramaturgo Walcyr Carrasco. A atriz Juliana Paes dá vida à Gabriela. Trata-se da segunda adaptação do romance, a primeira exibida em 1975 trazia a atriz Sônia Braga como a protagonista e foi adaptada por Walter George Durst. Em ambas adaptações o título se manteve apenas como Gabriela.




Norma Shearer

Em 10 de agosto, porém, em 1902, nascia a atriz canadense Norma Shearer. 
Norma foi uma das grandes estrelas de Hollywood, atingindo o ápice de sua carreira em meados dos anos 30. Foi casada com o produtor Irving Thalberg, que era o braço direito de Luis B. Mayer, 
o diretor da MGM, o todo poderoso de Hollywood.
Oriunda do cinema mudo, ela foi uma das poucas atrizes que continuou carreira no cinema falado, chegando a ser a Primeira Dama das Telas. Isso se devia, em parte ao seu casamento com Thalberg, mas, também por seu carisma e elegância. Em 1930, recebeu um Oscar por seu desempenho em A Divorciada. Ainda receberia cinco indicações. Imortalizou personagens como Julieta em Romeu e Julieta, onde contracena com Leslie Howard. Mas uma de suas magníficas atuações seria em Maria Antonieta, onde ela interpreta a rainha da França. A produção recriou com perfeição o luxo de Versailles e Norma, ao lado de Robert Morley e Tyrone Power nos faz encantar e emocionar.
Era considerada a Rainha de Hollywood.





Para os dois, uma pequena homenagem na voz de Dorival Caymmi.

É Doce Morrer no Mar
Toada da autoria de Jorge Amado e Dorval Caymmi
Gravada por Dorival Caymmi em 03 de outubro de 1941 e lançado nesse mesmo mês
Disco Columbia 55.304-A, matriz 461-2
Dorival se acompanha ao violão






segunda-feira, 6 de agosto de 2012

XISTO BAHIA - 171 ANOS

Xisto Bahia

Há 171 anos, no dia 06 de agosto de 1841 (há fontes que apontam o dia 05 de setembro), nascia o ator, compositor e cantor Xisto Bahia, uma dos maiores artistas que já tivemos.

Xisto de Paula Bahia nasceu em Salvador. Como Xisto Bahia ele entraria para a história da MPB como o autor da primeira música gravada no Brasil, o lundu Isto é Bom, também conhecida como Yayá você quer morrer, composta por volta de 1857 e que foi levada à cera em 1902 pelo cantor Bahiano (Manuel Pedro dos Santos), que também era baiano.

Porém, o legado de Xisto Bahia foi bem maior. Além, de ator, compositor e cantor, ele também era violinista, violonista e dramaturgo.

Em 1861, excursionou pelo norte e nordeste do Brasil, cantando modinhas, e lundus, tocando violão.
O dramaturgo Arthur Azevedo o considerava o ator mais nacional que tivemos. Aliás, foi em uma peça de Arthur, Véspera de Reis, que Xisto obteve um de seus maiores êxitos como ator.

Em 1880, D. Pedro II o aplaudiu na peça Os perigos do coronel.

Durante o ano de 1881, foi escrevente penitenciário em Niterói (RJ).

Jornal O Paiz, sábado, 29 de janeiro de 1887.
Biblioteca Nacional.


A peça O Carioca, da autoria de Arthur Azevedo e Moreira Sampaio,
estreou no Imperial Theatro Dom Pedro II, em 31 de dezembro de 1886, sendo a revista desse mesmo ano.
Para quem não está familiarizado, a palavra revista, empregada nessa postagem, se refere à peça de Teatro de Revista, às Revistas de Ano, que eram populares no final do século XIX e que eram uma revisão através de uma peça dos acontecimentos do ano que terminava. Quando formos nos referir à revistas de papel usaremos o termo periódico, que também pode se referir a um jornal, assim evitaremos maiores confusões.

No elenco estavam Cinira Polônio, Francisco Correia Vasques, Rose Villiot, Antonio Joaquim de Mattos, a célebre atriz do Alcazar Lyrico Delmary, a famosa Adelaide do Amaral (que rivalizava nos palcos com Eugênia Câmara), Aurélia Delorme, entre outros e, com destaque, Xisto Bahia.
Esse elenco era formado por alguns dos maiores nomes do meio teatral da época.

Xisto Bahia

Foi casado com a atriz portuguesa Maria Vitorina de Lacerda Bahia, com quem teve quatro filhos.

Durante o Segundo Reinado, suas modinhas e lundus se tornaram célebres. Podemos destacar o poema de Plínio de Lima, Ainda e Sempre (Quis debalde varrer-te da memória), que ele musicou; bem como o excelente lundu A Mulata (Mulata Vaidosa), Preta Mina.

Xisto Bahia faleceu em Caxambu, em uma terça-feira, a 30 de outubro de 1894.

Jornal O Paiz, quarta-feira,
31 de outubro de 1894.
Biblioteca Nacional.

Em 1895 foi criado o periódico Xisto Bahia, provavelmente para ajudar a viúva e seus filhos, que ficaram em extrema pobreza.


Texto teatral de Xisto Bahia, 1893.

Capa manuscrita da peça Uma véspera de Reis, 1882.



Confiram as composições de Xisto Bahia que foram gravadas na primeira década do século XX:


Isto é bom (Yayá você quer morrer?)
Como já dissemos, Isto é Bom foi oficialmente a primeira gravação feita no Brasil, isso porque no selo do disco a numeração vem como 10.001, no primeiro suplemento de chapas para gramofones (discos 78 rpm) lançado ao mercado. A gravação foi feita na Casa Edison, do Rio de Janeiro, de propriedade de Frederico (Fred) Figner, em 1902 e o disco foi impresso na Alemanha sob o selo Zon-O-Phone. Coube ao então cançonetista de sucesso, Bahiano (Manuel Pedro dos Santos) fazer uma série de gravações para serem lançadas em discos, cabendo a Isto é Bom receber a numeração 10.001. No ano seguinte, saia no mercado um novo lote de discos Zon -O-Phone gravados por Bahiano; entre eles, o de número X-1.031, que foi gravado em 1902, mas lançado em 1903. Pode ser uma nova gravação do lundu de Xisto Bahia ou um relançamento da gravação original (a que saiu na chapa pioneira). Chegou aos nossos dias, por enquanto, o disco X-1031, de 1903; ou seja, Bahiano interpreta a primeira música gravada no Brasil, mas, pode ou não ser a gravação pioneira. Ainda não surgiu provas que confirmem uma ou outra versão. Podemos observar nessas gravações de 1902 e 1903 um constante acompanhamento de piano, que era o instrumento indispensável onde se pensasse em fazer música. Dessa forma, podemos ter uma boa ideia de como seriam os saraus de outrora, como era a interpretação dos cantores, a forma de dizer as gírias, soltar os chistes e cantar o lundu. Teremos uma outra forma de interpretar ao ouvirmos Eduardo das Neves com seu violão.
Daí, saímos dos salões para irmos às rodas de serenatas, onde o violão era o destaque. A interpretação, mais solta, mais despreocupada, nos mostra como os boêmios e chorões executavam suas músicas, atraindo a atenção dos presentes aos lundus e modinhas dos tempos do Império e dos primeiros anos da República.
É uma viagem no tempo, onde vozes, instrumentos e interpretações nos remetem a um tempo onde se faziam choros nas calçadas, onde podíamos topar na rua com algum célebre compositor de polcas ou cançonetas e a vida passava no compasso de um chorinho dos velhos tempos. O convite está feito!



Yayá você quer morrer?



Isto é Bom
Lundu cantado por Bahiano
Acompanhamento de piano
Gravação de 1903
Disco Zon-O-Phone X-1.031
Gravado em 1902 e lançado em 1903



Isto é Bom
Lundu gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.076, matriz XR-607
Lançado em 1907

Eduardo chega a comentar na gravação: Ah, isso me lembra do tempo do Xisto Bahia!
E depois: Meu Deus, que festa no tempo do seu Xisto!







Que Valem Flores?
Modinha de Xisto Bahia em interpretação de Geraldo Magalhães.
Disco Odeon Record 40.567
Acompanhamento de piano
Lançado em 1905





Ainda e sempre (Quis debalde varrer-te da memória)

Uma belíssima e sentida modinha, com letra do poeta baiano, de Caetité, Plínio de Lima (1845-1873),
que foi musicada por Xisto Bahia. Fez muito sucesso na virada do século XIX para o XX.
Foi gravada por Mário Pinheiro em 1909.

Plínio de Lima


Capas de partituras de Ainda e Sempre (Quiz debalde varrer-te da memória)






Ainda e sempre (Quis debalde varrer-te da memória)
Canção de Xisto Bahia e Plínio de Lima
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 108.222, matriz XR-759
Lançado em 1909





Mulata Vaidosa
Esse é um delicioso lundu com versos de Mello de Moraes Filho que Xisto Bahia musicou.
Retrata a mulata como personagem sensual.
Provavelmente foi cantado por atrizes em teatros ou cafés-concertos. Porém só homens gravaram no período do 78 rpm, e todos na década de 1900. É curioso isso, uma vez que algumas composições com versos femininos foram gravadas por homens.
Aqui, temos Mário Pinheiro cantando com desenvoltura. Em certo momento da gravação ele brinca e diz: Até virei mulata, calcula?!

Mulata Vaidosa
Tango (Lundu) de Xisto Bahia
Gravado por Mário Pinheiro
Acompanhamento de violão
Disco Victor Record 98.971
Lançado em 1910




Encontrei dois vídeos com interpretações dessa música. Em um deles, o grupo Quadro Antiquo interpreta Mulata Vaidosa, também conhecida como A Mulata.
No outro, apenas gravação, temos o grupo Lira D´Orfeo.
É uma boa oportunidade de vermos o lundu interpretado por duas cantora em sua forma original, embora com interpretações diferentes.


Quadro Antiquo 
Percussão - Kristina Augustin
Flauta doce - Mario Orlando
Canto - Sonia Wegenast
Violão - Rosiamery P. Gomes
Concerto no Museu da Imagem e Som (MIS) Maceio- (AL).
Março de 2009
Confiram: http://youtu.be/jtV-NU50q4s


Lira D'Orfeo
Intérprete: Rosemeire Moreira
Confiram: http://youtu.be/Jhaiubs5cE8



O Pescador
Lundu que fez parte da peça O Homem, estreada no Theatro Lucinda (ou Éden Dramático), o primeiro teatro do Rio de Janeiro a instalar iluminação elétrica, em 03 de janeiro de 1888, que era uma revista do ano de 1887. Da autoria de Arthur Azevedo e Moreira Sampaio, era baseada também no romance homônimo do irmão de Arthur, Aluísio de Azevedo. No elenco, ao lado de Xisto Bahia, Machado Careca, Cinira Polônio, Blanche Grau, Antônio Joaquim de Mattos, Anna Manarezzi, entre outros.

A música é uma interessante crônica/crítica à pescaria em sempre em voga, ou seja, a pratica de as pessoas darem-se bem ou arranjarem-se como podem, sejam nos negócios ou nas relações pessoais.

O Pescador
Lundu de Xisto Bahia
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de Violão
Disco Odeon Record 108.710, matriz XR-1353
Gravado em 1912 e lançado em 1913





Preta Mina
Lundu de Xisto Bahia que teve várias gravações.
O interessante é que no disco a o ritmo vem como modinha, polca e até tango. Vale lembrar que na virada do século XIX para o XX a palavra tango ou tango brasileiro significava maxixes ou lundus. Uma forma que o compositor Ernesto Nazareth e outros colegas, como Chiquinha Gonzaga e Nicolino Milano, usavam para que suas melodias populares pudessem entrar em casas de família.


Preta Mina
Polca de Xisto Bahia
Gravado pela Banda da Casa Edison
Disco Odeon Record 10.048, matriz R-197
Lançado em 1904




Preta Mina
Modinha de Xisto Bahia
Gravado por Mário Pinheiro
Disco Odeon Record 40.406
Lançado em 1905




Preta mina
Tango de Xisto Bahia
Gravado por Luís de Oliveira
Acompanhamento de violão
Disco Victor Record 98.799
Lançado em 1909










Agradecimento ao Arquivo Nirez



Fontes:

fotos
Arquivo Nirez
Biblioteca Nacional (http://hemerotecadigital.bn.br/o-paiz/178691)
http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Xisto+Bahia&ltr=X&id_perso=711
http://www.flickr.com/photos/cifrantiga/119894073/sizes/l/in/photostream/
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-do-carnaval/xisto-bahia-2.php
http://www.nemus.ufba.br/artigos/imb.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pl%C3%ADnio_de_Lima

Videos
http://www.youtube.com/watch?v=jtV-NU50q4s&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Jhaiubs5cE8
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