sábado, 29 de setembro de 2012

Adeus à HEBE CAMARGO.







Aos 83 anos, faleceu Hebe CAMARGO, Madrinha e Rainha da Televisão Brasileira.
Além de apresentadora, Hebe era cantora de sucesso, com mais de 60 anos de carreira artística.













Fonte das fotos:




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

FRANCISCO ALVES, 60 anos de Saudade



Há 60 anos falecia FRANCISCO ALVES, o Rei da Voz.
Ao cair da tarde do dia 27 de setembro de 1952, ele vinha da cidade de São Paulo, onde fizera um show horas antes. Dia de São Cosme e Damião. Na altura da cidade de Pindamonhangaba (SP), na Via Dutra, seu carro chocou-se com um caminhão e ele teve morte imediata.
Ficou a saudade e sua voz eternizada em seus discos.
Mais homenagens em breve.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

FRANCISCO ALVES - As últimas gravações


Há 60 anos, Francisco Alves realizava suas últimas gravações.
Sendo contratado da Odeon, a RCA Victor obteve permissão para que ele regravasse quatro músicas do seu antigo repertório na Victor.
As gravações aconteceram no dia 24 de setembro de 1952 e os discos foram lançados em outubro desse mesmo ano. Francisco Alves não chegou a ver os discos nas lojas, pois, esse seria seu último registro.
Ele faleceria três dias depois.


É Bom Parar
Samba de Rubens Soares
Acompanhamento de conjunto e coro
Disco RCA Victor 80-1046-A, matriz SSB-093492




Foi Ela
Samba de Ary Barroso
Com orquestra e coro
Disco RCA Victor 80-1046-B, matriz SB-093493




A Mulher Que Ficou Na Taça
Valsa de Francisco Alves e Orestes Barbosa
Acompanhamento de orquestra
Disco RCA Victor 80-1050-A, matriz SB-093490



Serra Da Boa Esperança
Samba canção de Lamartine Babo
Com orquestra
Disco RCA Victor 80-1050-B, matriz SB-093491
Ele só canta as duas primeiras estrofes








Agradecimento ao Arquivo Nirez






quarta-feira, 12 de setembro de 2012

RÁDIO NACIONAL - 76 ANOS (Parte I)

Há 76 anos era inaugurada a RÁDIO NACIONAL, no Rio de Janeiro.
Ao ouvir seu nome nós logo o associamos tempos dos programas de auditório, os locutores com suas vozes e dicções perfeitas, as encantadoras e envolventes rádio-novelas, os noticiários e, com certeza, os intérpretes de vozes inesquecíveis.
São tantos nomes, tantos fatos, recordações...
Mesmo que não viveu aqueles tempos áureos tem um carinho por essa rádio e sua história.
E as eleições de Rainha do Rádio? Até hoje temos nossas favoritas. Lembrando que Linda Batista foi eleita por onze anos consecutivos por mérito próprio.

Talvez hoje muita gente não faça ideia da força que o rádio tinha nos anos 30, 40, 50. Pode parecer exagero para alguns os partidos tomados em causa de determinadas cantoras, o fato de rasgarem as roupas de Cauby Peixoto para ter uma lembrança do astro, a catarse que as novelas causavam nos rádio-ouvintes, o luxo com que as cantoras se apresentavam nos auditórios... Tudo isso teve seu tempo e foi vivido intensamente, marcando e deixando saudades de todo um tempo onde o romantismo e, de certa forma, a inocência tinham mais espaço.
Pode parecer saudosismo, mas, não é.
É fato.

Mas, se sabemos bem quem foram os astros e estrelas da Rádio Nacional durante os anos 50, quais eram os grandes cartazes na época de sua inauguração e nos primeiros anos, período significativo que a colocou entre as maiores, até que ela atingiu o apogeu, sendo a maior da América Latina?
Esses nomes ajudaram a construí-la e aumentar seu crédito perante o público.
Do começo ao fim, ela esteve povoada de estrelas. Quer diante do microfone ou nos bastidores, todos, em todas as épocas, fizeram da Rádio Nacional a favorita e mais lembrada emissora de todos os tempos.

Vamos conhecer e/ou relembrar o seu início. Quais os artistas que a inauguraram e quais a fizeram crescer.
Entrem nessa viagem!


Revista Carioca, 12 de setembro de 1936.

A revista carioca registrou a inauguração da Rádio Nacional.
No dia do evento, publicou uma matéria afirmando que "a data de hoje se destina a marcar uma etapa nova da evolução da radiophonia no Brasil, com a inauguração da Radio Nacional, a grande e potente emissora que o Brasil inteiro esperava".
Estreando com 22 kilowatts, seria ouvida nitidamente em todo o País, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, num grande elo sonoro, numa cadeia de vibrações educativas e culturais.
A Rádio Nacional aparecia ligada ao grupo integrado pela A Noite, do qual faziam parte o famoso vespertino e revista de mesmo nome.

Ela começava com o maior e mais escolhido cast de artistas exclusivos. Faziam parte: Abigail Parecis, soprano lírico brasileira, de sucesso em Nova York; Sônia Carvalho, famosa estrela do rádio paulistano que também era muito querida no Rio; Aracy de Almeida, então a nova interprete do samba, considerada perfeita; Dolly Ennor, que interpretava canções; Marília Batista, "menina que estylisou e deu ao samba uma expressão nova"; Elisa Coelho, com seu estilo próprio, cheia de fãs; Sylvinha Mello, "a voz jovem do fol-lore brasileiro"; Amalia Diaz, "o tango em pessoa"; Bob Lazy, cantando fox; Ben Wright, cantando fox-blue; Mauro de Oliveira, de repertório internacional; Nuno Roland, com suas canções; Joaquim Pimentel, intérprete de canções portuguesas; e Pascquale Gambardella, cantor lírico.
A rádio contava com três speakers, Ismênia dos Santos, Celso Guimarães e Oduvaldo Cozzi; três diretores de orquestra, Romeu Ghipsman, Gaó e Radamés Gnatalli.
A Nacional contava, em sua inauguração, com nada menos do que nove (!) orquestras: Orquestra Sinfônica, Orquestra Vienense, Orquestra Havaiana, Orquestra de Jazz, Orquestra Regional, Orquestra Typica Argentina, Orquestra Typica Portuguesa, Orquestra Serenata e Orquestra de Cordas.
No grupo de instrumentistas, Pereira Filho (o mágico do violão) e Luiz Americano (o homem que faz o saxofone falar). 
Genolino Amado, redator chefe da Hora do Brasil, era o cronista da Rádio Nacional. O som era controlado "pelo habil e competente engenheiro L. H. Evans".
Outra atração, inovadora por sinal, eram as aulas matinais de ginástica do professor Oswaldo Diniz de Magalhães, com acompanhamento de piano, "para ritmar os exercicios," pelo pianista Jorge Paiva.

A Rádio Nacional começava com jovens profissionais que, no futuro, seriam lembrados como grandes nomes de nossa radiodifusão.

Algumas estrelas:


A estrela Sônia Carvalho, vinda especialmente de São Paulo,
é recepcionada pelo speaker Celso Guimarães.


Orlando Silva, o jovem intérprete
que ia cada vez mais ganhado fãs.


Aracy de Almeida, a jovem que
era considerada perfeita cantando sambas.


Marília Batista, a jovem que revolucionou
o modo de cantar samba.


Nuno Roland, o jovem talento de SC
que conquistou o Rio de Janeiro.


O maestro Gaó, assinava o contrato com a Rádio Nacional.





Agradecimento ao Arquivo Nirez

ZAÍRA e VICENTE

Hoje, 12 de setembro, marca duas datas importantes em nossa música.


ZAÍRA CAVALCANTI, 31 anos de saudade.
A cantora e atriz Zaíra Cavalcanti, nascida em Santa Maria (RS), falecia no Retiro dos Artistas (RJ), no dia de hoje, em 1981.
Zaíra teve uma importante carreira no teatro de revista e, também, como cantora. Excursionou pelos países da America do Sul divulgando a nossa música, sempre com muito sucesso. Sua notoriedade e beleza (ela era uma linda morena de olhos verdes) a fizeram ser convidada para atuar no filme argentino Luna de Miel en Río (1940, direção de Manuel Romero), ao lado da célebre comediante Niní Marshall. Foi uma das primeiras cantoras brasileiras a levar nossa música ao Chile.
Aliá, ela estreou no cinema ainda adolescente, com aproximadamente 13 anos, por volta de 1927.
No teatro de revista, teve seu primeiro grande sucesso com 16 anos, quando interpretou a marchinha de Ary Barroso, Dá Nela!. A partir de então, seu status passou a ser de estrela.
Ela atuaria ainda na companhia de operetas do cantor Vicente Celestino.
Como aconteceu com outras atrizes-cantoras, infelizmente, Zaíra deixou poucos discos gravados. Porém, o repertório de alguns retratavam seus sucessos no teatro, e os outros, mostravam o que havia de bom no cenário musical da época. Gravou compositores do quilate de Donga, Luís Peixoto, Ary Barroso, João de Barro, Lamartine Babo e Oscar Cardona.
No fim da vida, Zaíra estava recolhida no Retiro dos Artistas.

Zaíra Cavalcanti

Sem Querer...
Samba canção de Ary Barroso, Marques Porto e Luís Peixoto
Gravado por Zaíra Cavalcanti
Disco Parlophon 13.255-B, matriz T-16
Gravado em 1930 e lançado em janeiro de 1931




VICENTE CELESTINO, 118 anos.
Vicente Celestino nasceu no Rio de Janeiro, nesse mesmo dia, no ano de 1894.
Iniciou sua carreira como ator no teatro de revista e também nos chopes-cantantes.
Em suas primeiras peças, teve o apoio da veterana atriz Pepa Delgado que, como outros colegas, viam um grande cantor naquele jovem.
Pepa e Vicente atuaram juntos em peças como A Sertaneja (de Viriato Correia e musicada por Francisca Gonzaga), no qual ela vivia a protagonista e ele o papel de Jandaia; isso em 1915.
No ano seguinte, 1916, ele gravava seu primeiro disco trazendo as músicas,
Flor do Mal (de Domingos Correia e Santos Coelho) e Os que Sofrem (de Armando Oliveira e Alfredo Gama).
Continuou gravando regularmente, muitas vezes de costas para cone de gravação. Isso acontecia devido à potente voz de Vicente. A força de sua voz era tamanha que chegava a estragar o processo de gravação. Dizem que o mesmo se repetiria em vários episódios já na era do microfone. Por sua bela e potente extensão vocal ele receberia o apelido de A Voz Orgulho do Brasil. O grande cantor Caruso tentou levá-lo para a Itália e ensiná-lo mais técnicas de canto, porém, ele recusou e preferiu ficar no Brasil (esses convites aconteceriam com outros cantores, feitos por diferentes personalidades. Francisco Alves foi outro que recusou, preferindo ficar em sua terra).
Nos anos 20 ele faria par nos palcos com a contralto Laís Areda, em várias operetas de sucesso.
Em 1932 casou-se com a soprano, atriz e diretora Gilda de Abreu, com quem viveu até o fim de sua vida, protagonizando belas operetas para o deleite dos brasileiros.
Vicente Celestino faleceu em 23 de agosto de 1968 em um hotel de São Paulo, momento antes de ser homenageado pelo movimento Tropicalista em um programa de televisão.


Vicente Celestino

Mia GiocondaCanção de Vicente Celestino gravada por ele mesmo
Disco Victor 80-0375-A, matriz S-078381-1
Gravado em 31 de outubro de 1945 e lançado em janeiro de 1946












Fontes:
Arquivo Nirez
Foto Vicente Celestino: http://museuvicentecelestino.blogspot.com.br/






segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O TEATRO DE REVISTA EM 1889

Em 1889, o teatro de revista foi o responsável pelo lançamento de vários sucessos musicais que caíram no gosto do povo, espalhando-se pelo Brasil. Também consagrou artistas, consolidou tipos brasileiros, entre o mais famoso deles, a figura da baiana, com seu traje característico.

Em 1889, tivemos várias peças. Algumas fracassaram, outras, foram retumbantes sucessos.

Magalhães e Coimbra lançaram, em 18 de janeiro, no Theatro Lucinda, a inusitada Abolidenrepcotchindengó. Isso mesmo... o título era um anagrama formado pelas primeiras sílabas do seis assuntos mais comentados durante o ano de 1888: abolição da escravatura, indenizações aos senhores de escravos, propaganda republicana, queda do primeiro-ministro Cotegipe, a passagem de chineses pelo Rio de Janeiro, e a chegada à Corte do meteorito Bendengó, que caíra no sertão da Bahia, sendo encontrado em 1784 (isso mesmo, só chegou ao Rio 104 anos depois). A peça permaneceu apenas cinco noites em cartaz.


Chama de  Abolidenrepcotchindengó
O Paiz, 1889


Moreira Sampaio lançou no Theatro Santana, Dona Sebastiana.
Mesmo sem entusiasmar a crítica, teve agrado do público, estreando em 22 de janeiro.
A italiana Amélia Lopiccolo, já nossa conhecida do Blog, era a estrela. Com ela, ninguém menos que Correia Vasques, João Colás, Antônio Joaquim de Mattos, Isabel Porto, Blanche Grau... alguns dos melhores nomes do teatro de então.


A graciosa Amélia Lopiccolo.

Chamada Dona Sebastiana
O Paiz, 1889


Os irmãos Azevedo, Arthur e Aluísio, escreveram o segundo maior sucesso do ano, Fritzmac.
Era uma revista (leia-se peça de teatro de revista, para quem ainda não sabia) escrita em prosa e verso.
Estreou em 01 de maio no Theatro Variedades Dramáticas.
Retratava um episódio policial ocorrido em 1888: fabricação de bebidas alcoólicas pela firma Fritz Mack & Cia, do Rio de Janeiro.

Com essa referência, o público ia (re)vendo os acontecimentos do ano que findara, através da mistura da realidade com a fantasia (uma característica das revistas da época). Os assuntos retratados: pessoas sem casa pra morar, fugindo de malfeitores; debates entre o Carnaval e o Entrudo (na peça, eles eram personagens); mendigos pelas ruas, vendedores de canivetes, festejos pela abolição da escravatura, briga de caixeiros contra patrões; engenheiros discutindo reformas nos prédios dos teatros (assunto bem atual); e, aqui, seria preconceito dos autores, crítica contra a imigração chinesa.
O quatro final, saudava a participação do Brasil na Exposição Universal, em Paris; a mesma exposição que inauguraria a Torre Eiffel...


Chamada de Frotzmac (sic)
no jornal O Pai, 1889.


Fachada do pavilhão do Brasil
na Exposição Internacional de Paris, 1889.



Mas, o grande sucesso do ano foi, sem dúvidas, a peça intitulada Bendengó.
Estreou no Theatro de Variedades Dramáticas (Theatro Recreio Dramático), entre 25 a 28 de janeiro de 1889.
Era da autoria de Oscar Pederneiras que, além de dramaturgo, advogado e jornalista.
Como vemos pelo título, a base era a queda do famoso meteorito Bendengó, que na ocasião de sua chegada ao Rio de Janeiro, despertava interesse entre os brasileiros.
Era uma revista ágil e bem engraçada.
Trazia a personagem, a heroína da cidade do Rio de Janeiro (São Sebastião do Rio de Janeiro),
Dona Sebastiana.
O elenco trazia a nata das belas e talentosas atrizes que virariam musas (e a cabeça) de muita gente: Hermínia Adelaide (também conhecida apenas como atriz Hermínia; só bastava o primeiro nome pra saber de quem se tratava), Rosina Bellegrandi, Adelaide Rangel e sensual Elisa de Castro (cuja beleza levava seus admiradores ao duelo nas ruas). Alfredo Silva, Domingos Braga, Ferreira de Sousa, entre outros, estavam entre os atores.

O público lotava a casa de espetáculos e enlouquecia quando Rosina Bellegrandi dançava, com um remelexo especial de quadris. Bellegrandi era italiana e, como outras colegas, teve que se abrasileirar para expandir seu prestígio em nosso País. Ela rivalizava no palco com a brasileira Aurélia Delorme.
Mas, sobre a Delorme, falaremos em breve.


Chamada de O Bendegó.
Jornal O Paiz, 1889.


Tirei essa foto do meteorito Bendengó (ou Bendegó) em 2008.
Ele fica exposto no saguão de entrada
do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista (RJ)
.





Imagens de 1889:

A moda, segundo o Journal des Demoiselles











Anuncio do Diário Popular, 30/04/1889:



Ophelia, de  John William Waterhouse, 1889:





Fontes:
Arquivo Marcelo Bonavides
Arquivo Nacional (http://is.gd/BxziIe)

domingo, 9 de setembro de 2012

ROBERTO SILVA, adeus ao Príncipe do Samba



Hoje, fomos pegos de surpresa pela notícia do falecimento do cantor Roberto Silva, o Príncipe do Samba.
Mesmo com 92 anos, ele estava na ativa, inclusive viajando com frequência para fazer shows pelo Brasil.
Trago com ele o belo samba Normélia, da autoria de Raimundo Olavo e Norberto Martins.



Normélia
Samba de Raimundo Olavo e Norberto Martins
Gravado por Roberto Silva e conjunto
Disco Copacabana 5.494-B, matriz M-1218
Lançado em outubro/novembro de 1955









sábado, 8 de setembro de 2012

BELLE ÉPOQUE



A Belle Époque foi um período cultural que começou no final do século XIX e terminou com o início da I Guerra Mundial, em 1914.
Originada na Europa, algumas pessoas citam o ano de 1871 (fim da guerra Franco-Prussiana) como o início dessa era; outros assinalam aina como o começo da década de 1880 e, até, o ano de 1890.
No Brasil, ela aconteceu no final da década de 1880 e início dos anos 1890, precisamente em 1889 com o surgimento da República, e durou até 1922, quando a Semana de Arte Moderna se fez ver e ouvir; mas, há quem diga que ela ainda se estenderia até o final dos anos 20.

Essa Época da Beleza seria marcada por avanços tecnológicos surpreendentes, estilos artísticos que empolgariam o mundo, a cultura fervilharia ao máximo, a moda destacaria estilistas e realçaria ainda mais a beleza feminina e um brasileiro realizaria o sonho do ser humano de voar.

Belle Époque para uma grande parte do mundo, mas, nem tanto para os retirantes de Canudos ou as pessoas que se amontoavam nos cortiços, precursores das favelas.

No Rio de Janeiro, finalmente, seria possível ouvir suas modinhas e lundus preferidos sem precisar ir ao teatro, aos coretos ou cafés-cantantes, pois, já estavam sendo gravados os cilindros com artistas nacionais e, logo, esses mesmos cantores iriam gravar as chapas para gramophones (os discos 76 ou 78 rpm).

As mulheres iam cada vez mais conquistando seus espaços, embora a sociedade patriarcal, machista e preconceituosa ainda fosse muito forte. Mas, isso não impedia de que as atrizes alcançassem prestígio profissional, passassem a empresariar suas Companhias; as compositoras iam aparecendo, como branca Bilhar, e dando continuidade a seus talentos, como Francisca Gonzaga; na literatura, já se sobressaia Júlia Lopes de Almeida e, acreditem, uma futura primeira dama (filha de barões), seria a primeira caricaturista mulher de nosso país.


Pretendo mostrar um pouco de cada setor, dar algumas pinceladas sobre o que acontecia na Europa e no Brasil.

Abraço a todos!










Foto: Blog Moda e Subcultura http://is.gd/JRCk8y

FRANCISCO ALVES - Nascimento e infância (parte1)

Dando início às postagens sobre Francisco Alves (http://is.gd/LaCEvN), trago uma pequena passagem sobre sua infância.


Francisco Alves em 1921.

Francisco de Moraes Alves nasceu em 19 de agosto de 1898, na rua da Prainha, no Rio de Janeiro.  Aos sete anos, morava na rua Evaristo da Veiga, 49.
Foi uma criança como as outras, peralta e alegre, mas, não era muito amigo dos livros e não achava os estudos atraentes, pois preferia aproveitar a vida brincando nas ruas. Em seus sete anos de existência, seus únicos objetivos eram viver ao ar livre, correr e brincar, empinar papagaios (pipas ou arraias) e jogar pião com os amigos.
Era o xodó dos pais, que lhe tinham verdadeira adoração. Em casa, quando chegava alguma reclamação dos vizinhos, já sabiam que eram “artes do Chico, apelido que ganhou da família, ainda pequeno, e que levaria pela vida afora.

Seus primeiros contatos com o alfabeto, mesmo contra sua vontade, foram por intermédio de uma senhora conhecida da família, mãe de um amigo. Quando aprendeu algumas letras, seus pais resolveram que ele deveria frequentar a escola publica, "onde o rigor da disciplina deveria despertar o estudioso que parecia adormecido no bosque de minha infância", como ele mesmo escreveu.

Sua má vontade com os livros o levava a castigos. Sua mãe procurava orientá-lo em seus passos, mas, por vezes, vendo ser inúteis tais conselhos, os castigos corporais terminavam por aparecer, como a palmatória.
Chico afirmaria mais tarde que as mais vivas saudades de sua infância eram as de seus pais, que tudo fizeram para que seus primeiros contatos com a vida fossem agradáveis.
Criado em um ambiente religioso, todos iam à missa aos domingos. Igual a seus irmãos, ele aprendeu o catecismo. A religião Católica, a mesma de seus pais, ficaria, como ele mesmo escreveu, arraigada em seu espírito. Francisco Alves se considerava um católico fervoroso.
No Colégio da Ajuda, mesmo se achando um mau estudante, ele ia progredindo. Seus pais iam vencendo sua aversão à escola e aos professores, pouco a pouco, enquanto seu amor à rua e à liberdade cresciam cada vez mais. Na escola, onde se julgava prisioneiro, gostava dos livros com suas ilustrações coloridas. O resto do dia e da noite eram totalmente voltados aos brinquedos e distrações.
Por vezes, antes mesmo do café da manhã, o menino Chico já estava brincando com os amigos, jogando bola de gude ou girando pião. À tarde, mudava de roupa e ia ouvir o ensaio da banda de música do 1º ou do 2º batalhão, que faziam retretas todos os dias.
Nessa ocasião, seu gosto pela música e sua inclinação pela arte de Carlos Gomes começavam a se manifestar.



Alguns fatos de 1898 no Brasil e no mundo:

No teatro de revista, Arthur Azevedo estreava a peça O Jagunço, que foi sucesso nesse ano. Estreou em 05 de fevereiro no Theatro Recreio. No elenco, astros e estrelas como Brandão -o-Popularíssimo, Hermínia Adelaide, Blanche Grau, Estefânia Louro e Arthur Louro (pais da futura atriz Margot Louro), entre outros.

Campos Sales
No Brasil, Manuel Ferraz de Campos Sales (1841-1913) foi eleito Presidente da República em 01 de março (tomando posse em 15 de novembro, substituindo Prudente de Morais), cujo mandato durou até 1902. Em seu governo foi consolidado os interesses das oligarquias rurais, principalmente dos cafeicultores paulistas.


Afonso Segreto
Em 19 de junho de 1898, Afonso Segreto filmou a Vista da baia da Guanabara, quando chegava da Europa no navio Brèsil. Esse é considerado o primeiro filme feito em nosso país e o dia 19 de junho passou a ser o Dia do Cinema Brasileiro.







O engenheiro Ferdinand Porsch cria o Lohner-Porsche Miste Hybrid, o primeiro automóvel híbrido, com quatro motores elétricos (montados nos cubos das rodas). Baterias e um pequeno gerador forneciam a energia.


A moda de 1898





Filmes de 1898

Georges Melies - 1898 - Un homme de tetes - The Four Troublesome Heads

Georges Melies - 1898 - La lune a` un me`tre - One meter to the moon









Fontes
Arquivo Nirez
http://automoveisdomundo.blogspot.com.br/
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/governo-campos-sales-1898-1902-funding-loan-e-estabilidade.jhtm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinema_do_Brasil
http://i-like-historical-clothing.blogspot.com.br/2011/03/delineator-magazine-1898.html

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Independência do Brasil, 190 anos!



Hoje, comemoramos os 190 anos de Independência do Brasil.
A figura que quero lembrar e homenagear é da primeira mulher a governar nosso País, Maria Leopoldina de Áustria.

Em 05 de novembro de 1817, ela chegou ao Brasil já esposa (por procuração) de D. Pedro I.
Em 13 de agosto de 1822, Leopoldina recebeu de seu marido o poder, sendo nomeada chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil, com poderes legais para governar o Brasil durante dua ausência, partindo para São Paulo para apaziguar os ânimos, pois temia-se que uma revolta separasse a Província de São Paulo do resto do Brasil.

Sabendo que Portugal estava preparando ações contra o Brasil ( que essa época era Reino Unido com Portugal, mas, temia-se que voltasse a ser colônia), D. Leopoldina usou seus atributos de chefe interina do governo e, aconselhada por José Bonifácio ( Ministro das Relações Exteriores), reuniu-se na manhã de 02 de setembro de 1822, com o Conselho de Estado, e assinou o decreto da Independência, declarando o Brasil  separado de Portugal. Enviando uma carta ao marido, juntamente com uma de José Bonifácio, ela exige que D. Pedro proclame a Independência do Brasil, advertindo-o na carta: "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece". O resto, já sabemos o que aconteceu no dia 07 de setembro de 1822.

Enquanto aguardava seu esposo, D. Leopoldina, governante interina de um Brasil já independente, idealizou nossa bandeira, misturando o verde da família Bragança e o amarelo ouro da família Habsburgo.
Na cerimônia de coroação e sagração de D. Pedro I, ela foi coroada Imperatriz do Brasil,
em 01 de dezembro de 1822, no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ELVIRA PAGÃ, 92 anos!

Elvira aos 17 anos, em março de 1938

Há 92 anos nascia Elvira Pagã (Elvira Cozzolino, 06 de setembro de 1920, em Itararé-SP),
 uma das artistas mais queridas e festejada de nosso País.
Iniciando carreira nos anos 30, ao lado de sua irmã Rosina (como as Irmãs Pagãs), Elvira seguiu carreira solo a partir dos anos 40, sendo uma das vedetes mais admiradas, 
tanto por seu carisma como por sua beleza e corpo escultural.
Sendo uma das mais sensuais mulheres do Brasil, Elvira, também foi compositora, cantora, atriz e pintora.
Ainda nos anos 30, ao iniciar sua carreira de cantora ainda bem jovem, Elvira apareceria em nosso cinema participando de clássicos como Alô, Alô Carnaval (1936, em que cantava com sua irmã Rosina) e Cidade Mulher (1936, onde cantava com Orlando Silva e sua irmã Rosina). Mesmo jovem, gravou os maiores compositores de seu tempo: Noel Rosa, Ary Barroso, Custódio Mesquita, Assis Valente, Vicente Paiva...







Foto: Arquivo Nirez

sábado, 1 de setembro de 2012

STEFANA DE MACEDO, 37 anos de Saudade



Há 37 anos, em 01 de setembro de 1975, falecia a folclorista e compositora Stefana de Macedo.
Stefana foi pioneira na pesquisa e divulgação do nosso folclore, em uma época dominada pelos homens e que o violão ainda era um instrumento mal visto pela sociedade. Ela tornou-se também exímia violonista, dando aulas do instrumento.
Um de seus maiores êxitos, lembrados até hoje, é a canção História Triste de uma Praieira, que conta a alegria e decepção de uma jovem moradora de uma vila de pescadores.
A canção, de motivo popular, recebeu versos do poeta Adelmar Tavares e um arranjo feito pela própria Stefana. Foi gravada em disco Columbia nº 5.093-B, matriz 380236-2, sendo Stefana acompanhada por violões. O disco foi lançado em outubro de 1929.


História Triste de uma Praieira






Era o meu lindo jangadeiro
de olhos da cor verde do mar
Também como ele traiçoeiro
mentiu-me tanto o seu olhar
Ele passava o dia inteiro
longe nas águas a pescar
E eu intranqüila, o seu veleiro
lá no horizonte a procurar
Mas quando a tarde escurecia
um sino ouvia a repicar
A badalar a Ave Maria
vi uma vela sobre o mar
Era o meu lindo jangadeiro
em seu veleiro a regressar
E à praia o seu olhar primeiro
buscava ansioso o meu olhar

Quando ditosa eu me sentia
passava os dias a cantar
A ver se em breve escurecia
a hora feliz do seu voltar

Mas há na vida sempre um dia
dia de sonho se acabar
Este me veio em que não via
o seu veleiro regressar
Não mais voltou o seu veleiro
Não mais o vi por sobre o mar
O seu olhar lindo e traiçoeiro
não buscou mais o meu olhar
Por uma tarde alvissareira
o sino ouvi a repicar
Era o meu lindo jangadeiro
que ia com outra se casar


O mês de Setembro no Blog

O mês de Setembro será movimentado aqui no Blog.
Como havia falado dias atrás, vou falar sobre a Belle Époque, inclusive no Brasil, aproveitando que a próxima novela das 18 horas, da Rede Globo, se passará em 1903.
Outro assunto de destaque será a vida e obra do cantor e compositor Francisco Alves, o Rei da Voz. Há 60 anos, completados no dia 27 de setembro, ele falecia. Recolhi um material sobre sua vida que, ao longo do mês, também irei compartilhar.
Grande abraço a todos!

Marcelo Bonavides de Castro
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