terça-feira, 30 de outubro de 2012

SYLVIO SALEMA, 111 anos




SYLVIO SALEMA foi um dos grandes cantores da década de 1920.

Sylvio Salema Garção Ribeiro nasceu em 30 de outubro de 1901, no Rio de Janeiro. Nessa mesma cidade, faleceu em 29 de outubro de 1976, um dia antes de seu aniversário de 75 anos. Também era compositor e professor de música e canto orfeônico.

Em 1923, começou a cantar na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, interpretando músicas de câmara e ópera, tendo iniciado programas de música brasileira.

Seu primeiro disco, nº 12.852, foi lançado em outubro de 1928 pela Parlophon.
Trazia os tangos Quando me Beijas e Benzinho do Coração.

Você pode conferir a biografia completa feita pelo próprio Sylvio Salema, que foi organizada por seu filho a partir do original manuscrito, aqui: http://zip.net/bhtj6d


Primeiro disco de Sylvio Salema

Lado A
Quando me Beijas 
Tango de Pedro Cabral
Acompanhamento do Hotel Itajubá Orquestra
Matriz 1970.
Gravado por Sylvio Salema em 1928.




Lado B
Benzinho do Coração
Tango de Ary Kerner Veiga de Castro
Acompanhamento do Hotel Itajubá Orquestra
Matriz 1971
Gravado por Sylvio Salema em 1928.





Outras músicas interpretadas por Sylvio Salema.


Alma de Boêmio
Tango de Pedro Cabral
Disco Parlophon 12.918-A, matriz 2343
Acompanhamento do Hotel Itajubá Orquestra
Disco lançado em março de 1929.




Velho Pinho
Toada de P. Nimac
Disco Parlophon 12.940-A, matriz 2306
Acompanhamento do Hotel Itajubá Orquestra
Lançado em abril de 1929.




Morrer de Amor
Valsa de Pedro Cabral
Disco Parlophon 12.940-B, matriz 2344
Acompanhamento do Hotel Itajubá Orquestra
Lançado em abril de 1929.




Rosa, Meu Amor
Samba de Rogério Guimarães e André Filho
Acompanhamento da Orquestra Victor
Disco Victor 33.213-A, matriz 50031-1
Gravado em 10 de setembro de 1929 e lançado em novembro desse mesmo ano.




Seu Agache
Marcha de Ary Kerner Veiga de Castro
Alfred Agache era um arquiteto francês que esteve no Brasil fazendo o planejamento
de urbanização de algumas cidades, como o Rio de Janeiro.
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.214-A, matriz 50030-2
Gravado em 10 de setembro de 1929 e lançado em novembro desse mesmo ano.




Eu sou é Úlio
Marcha de José Francisco de Freitas
Uma clara alusão ao candidato à Presidência da República Júlio Prestes, em 1930.
Acompanhamento de coro e da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.257-A, matriz 50147-4
Gravado em 08 de janeiro de 1930 e lançado em fevereiro desse mesmo ano.




A Valsa do Meu Amor
Valsa de Gastão Lamounier e Paulo Gustavo
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Odeon 11.029-A, matriz 131415
Lançado em 1933.




Fidelidade
Canção de Gastão Lamounier e Paulo Gustavo
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Odeon 11.029-B, matriz 131414
Lançado em 1933.











Agradecimento ao Arquivo Nirez

AutoBiografia de SYLVIO SALEMA GARÇÃO RIBEIRO

AutoBiografia de SYLVIO SALEMA GARÇÃO RIBEIRO
compilada por seu filho a partir do original manuscrito.


Nasceu no dia 30 de outubro de 1901, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Seus pais foram o Dr. Francisco Salema Garção Ribeiro, médico, poeta e literato; foi considerado por Francisco de Castro o maior parteiro de sua época. Era humanitário e seus clientes pobres o denominavam “o médico dos pobres”, em São Cristóvão. Foi um dos auxiliares de Oswaldo Cruz na campanha da Peste bubônica e na Vacina Obrigatória. Era católico e chegou a ser Provedor Perpétuo da Igreja de São João e N. Sra. do Alívio, em São Cristóvão. Era descendente de D. Antonio Salema, 4º Governador das Capitanias do Sul, na época do Brasil Colônia, e do poeta Garção, um dos fundadores da Arcádia Portuguesa.

Sua mãe, D. Alda da Mota e Silva, era bisneta de um casal de índios da ilha de Marajó, cuja filha se casou com um português, que foi contador do Banco do Rio de Janeiro, além de poeta e cantor.

Até os seus 6 ou 7 anos era muito quieto, não fazia artes nem mal-criações. Ficava sempre observando os vestidos que a mamãe fazia para inúmeras freguesas. O garoto observava, sem maldade, e gostava de ver as rendas e os bordados das calças, saias brancas, corpetes, etc. ele se deleitava também com as músicas e procurava imitar seus avós e sua mãe, que possuíam lindas vozes, e mais, a uma mulata, Jovita, que cantava lindas canções. Salema procurava imita-los e, quando ia às procissões de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, na Uruguaiana, cantava com o povo. O seu primeiro presente, que ele pediu ao seu pai, foi um gramofone pequenino, para carrega-lo para o porão, tocar os discos dos grandes cantores e cantar acompanhando-os.

Seus dois irmãos e um primo órfão eram tão levados que os pais não podiam deixar o Sylvio em casa e, em virtude de seu pai ser médico dos artistas, o Sylvio assistiu a representações teatrais desde os 4 anos. O garoto ficava emocionado, assistindo Nijinski, Brazão e outros artistas e espetáculos do teatro clássico e popular. Por duas vezes “abriu um berreiro” violento. O primeiro foi na cena do cemitério de Hamlet, quando Brazão segurou uma caveira e disse o celebre: “Ser ou não ser”. Sylvio Salema saiu do teatro apavorado, porque seu pai tinha uma caveira em casa. De outra feita foi quando assistia a um daqueles dramalhões em que o “Remorso Vivo” aparece no meio da mesa do banquete. Outra saída rápida do Salema por causa das “almas do outro mundo” e “Bicho-papão”.

Aos poucos ia entrando na “turma” porque podia acompanhar os seus irmãos. Principalmente com o gude, etc, até integrar definitivamente o bando de apanhar balão, pular muros, tocar campainhas, atacar a “Chacrinha”, terreno enorme, em São Januário, onde hoje é o campo do Vasco da Gama F. R., para apanhar jambo, goiaba, manga, sapoti, etc., sempre “brigando” com os cachorros que guardavam a chácara. Havia um plano de ataque: uns garotos enfezavam, “brigando” com os cachorros e os homens de um lado, enquanto que, do outro lado, outros garotos apanhavam os frutos e, algumas vezes umas pedradas e violentas corridas, mas, “eram cavacos do ofício”.

Sylvio Salema Garção Ribeiro fez seu curso primário no Colégio Santa Cecília, onde estudou teoria musical, solfejo e inicio de piano com a professora Maria Paulina Bivar, chamada de Dona Biloca, e com o Padre Giuseppe Fonti impostação de voz e canto. Após a morte de D. Biloca, Salema passou a estudar com D. Belinha, sobrinha de D. Biloca. Aí é que começou a estória do desenvolvimento do menino que ia fazer a 1ª comunhão, e tem de se portar bem para não pecar e tirar o retrato todo de branco, com velinha e lacinho de fita, etc. O Salema formou com os outros esperando a condução. Ela estava demorando... Vai daí, um empurrão, e ele caiu completamente dentro de um buraco, cheio de lama, na calçada. Naquele tempo já havia buracos. Na hora do retrato, o único que estava de terno escuro era o Salema. Fez concurso para o Colégio Pedro II, tendo cursado até o terceiro ano quando se transferiu para a Escola Normal,terminando o curso de professor primário em 1924.

Teve também sua fase esportiva, como todos os garotos, sendo que chegou a ser vice-campeão pelo Palmeiras F. C., da Quinta da Boa Vista. No dia do jogo que iria decidir o campeonato o Sylvio Salema, que tinha 13 anos incompletos, não pôde fazer a barba. Foi uma discução terrível e o Juiz parecia uma fera, quando o Salema disse: “O Sr. pode escrever na súmula que eu estou barbado, mas tenho 13 anos incompletos, mas declaro que o Nogueira, que não tem barba, podia ser meu avô”. O jogo foi realizado e o Salema ficou sendo Vice-Campeão Infantil... Barbado...

Fez parte, aos 9 anos, do coro Santa Cecília da igreja de Sant’Ana, sob a direção do Cônego Alfeu Araújo, que lhe pagava 10$000 (dez mil réis). No dia da missa, ele dava um cálice de vinho aos cantores adultos e para os meninos, doces finos. É claro que o Salema, um dia, distraidamente, comeu todos os doces.

Salema lutou sempre e muito para vencer na vida, cantando todos os gêneros de música, da sacra, em quase todos os templos do Rio, no Coral Pio X, sob a direção do Maestro Ricardo Galli, onde foi 1º tenor até 1954, durante 33 anos. Em 1922, entrou para os Correios e Telégrafos, por concurso como praticante, ao mesmo tempo em que cursava a Escola Normal e a Escola de Canto do Teatro Municipal, tendo prestado exame final, onde foi aluno de Borgongino, Silvio Piergile e Mario Sammarco. Durante as temporadas líricas, os alunos eram obrigados a fazer pratica de cena. Dentre muitas gafes, uma delas foi importante porque ele entrou em cena vestido de caçador, tendo, além de enorme chapéu, botas, espingarda que não tinha mais tamanho e uma espada, que pouco faltava parecer maior do que ele. Do cenário figurava um castelo de onde os caçadores saiam; neste momento deu-se o inesperado: a espada prendeu-se ao cenário e o castelo andou puxado pelo Salema. O público iniciou uma gargalhada, mas, a espada caiu e o cenário voltou ao seu lugar.

Nomeado em 1927 como professor primário, trabalhou nas escolas da Penha, Escola Estados Unidos e de Santa Cruz, e na comissão de música do Instituto João Alfredo.

Durante o tempo em que esteve na Escola Estados Unidos, ensaiou 800 alunos para cantarem o Hino Norte-Americano, em inglês, na inauguração da estátua da Amizade, oferecida por aquele país ao Brasil.

Por designação do Diretor de Instrução Fernando de Azevedo, em 1929, fez parte da comissão de organização do 1º programa de música para as escolas primárias, secundárias e normalistas, programa esse que foi publicado em 1930 e continha o Orfeão Escolar e Folclore Nacional. A comissão era constituída pelo Maestro Francisco Braga, Eulina de Nazareth e Sylvio Salema. O importante é que Salema era um modesto Adjunto de 3ª classe. Este acontecimento lhe proporcionou (1930) a ser pioneiro do ensino de Canto Orfeônico (antes de Villa-Lobos – 1932) e também, do ensino oficial do Folclore Nacional.

Em 1923, começou a cantar na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro músicas de câmara e ópera, tendo iniciado programas de música brasileira. Organizou um grupo de cantores e conseguiu irradiar as seguintes operetas completas: Eva, Duquesa do Bal Tabarin, Rainha das Rosas, Amor de Príncipe, Flor de Sevilha e na Rádio Mayrink Veiga, a Viúva Alegre, Princesa das Czardas, Eva e Conde de Luxemburgo. Até 1930, cantou no Rádio Clube do Brasil, na Rádio Educadora do Brasil, na Rádio Jornal do Brasil, Tupi, Nacional, Ipanema e Philips.

Escreveu para radio uma novela que foi levada pela Radio Educadora, concorreu ao concurso de Radio Sherlok, sendo premiado na Mayrink Veiga.

Organizou e dirigiu o Programa Case e o Programa Único.

Foi radio ator do “cast” do Radio Clube do Brasil, sendo Diretor, Renato Murce e na Radio Cruzeiro, com Paulo Roberto. Com a criação da Superintendência de Educação Musical e Artística, em 1932, Sylvio Salema foi designado Assistente Técnico do Maestro Heitor Villa-Lobos, a quem já conhecia desde 1910, tendo auxiliado graciosamente, como cantor em 1917 e 1918, cantando concertos e participando da 1ª apresentação da ópera Izath (3º e 4º atos).

Em 1935 fez o curso de Orientador Especializado, curso esse que fazia parte da Universidade do Distrito Federal e era ministrado no Instituto de Educação. Os professores que terminaram o curso de Orientador passaram a Técnicos de Educação. Foi professor de música e Canto Orfeônico, em 1934, da Escola de Educação Física do Exército e neste mesmo ano organizou o Orfeão da tripulação do encouraçado São Paulo e cruzador Bahia, constituído por 1500 marinheiros.

Organizou os orfeões das bandas de música da 7ª Região Militar, com sede em Pernambuco, ensinou hinos e canções aos soldados das fortalezas de Costa Leme, São João, Laje, Vilegaignon, Rio Branco e Copacabana.

Organizou o orfeão da Fábrica de Armas, de Itajubá e da Fábrica de Estojos, de Benfica, ambas no estado de Minas Gerais. Criou e orientou o ensino de música e Canto Orfeônico nas escolas primárias de Juiz de Fora/MG.

Foi membro da Comissão do livro didático da Secretaria Geral de Educação.

Realizou palestras culturais através da Rádio Roquette Pinto, com quem trabalhou, tendo sido o primeiro locutor dessa estação (PRD5). Na música popular, Salema já vinha gravando discos desde 1918, e depois, de 1927 até 1930, quando interpretou valsas, modinhas, marchas e sambas, como artista exclusivo das marcas: Victor, Parlofon e Odeon, tendo alcançado sucesso com “Morena cor de canela”, “Voz solitária”, “Alma de Boêmio”, e a inesquecível “Valsa do meu amor”.

Em 1935, Salema gravou um disco especial para a feira Internacional de New York, como solista, sendo a música “Jaquibau”, de Villa-Lobos, sob a regência e direção do próprio autor, e o coro orfeônico de 200 vozes do Orfeão dos Professores.

Participou, em 1936, como solista dos Concertos Culturais promovidos pela Secretaria Geral de Educação no Teatro Municipal, sendo interprete na apresentação do Oratório Judas Macabeus, de Haendel, em virtude do qual seu nome está consignado na Academia de Música de Berlim, Alemanha e também, na Inglaterra, isso porque, os ingleses consideram que Haendel é Inglês e os alemães, que é Alemão. Dessa briga quem ganhou foi o Salema.

De 1932 a 1943 foi assistente do Maestro Villa-Lobos e, com a nomeação deste para o Ministério da Educação como Diretor do Conservatório de Canto Orfeônico, Salema foi nomeado Chefe do Serviço de Educação Musical e Artística (SEMA) em 1943, onde permaneceu, neste cargo, durante 12 anos, tendo criado, além do Canto Orfeônico deixado por seu antecessor, Salema iniciou o ensino instrumental nas escolas primárias externas, surgindo desse ensino 4 bandas de música; até então só existiam bandas de música nas escolas secundárias internas.

Autor dos programas de música e Canto Orfeônico para as escolas primárias e normalistas, em 1945. Criou o ensino de iniciação musical e bandas rítmicas, nos jardins de infância, ensino instrumental (piano e violino) e cursos de “ballet” nas escolas primárias. Sylvio Salema é um dos poucos músicos relacionados no livro: “Quem é quem?”, publicação oficial do Ministério do Exterior e distribuído pelas embaixadas brasileiras do exterior. Foi distinguido pelo governo do Estado de Minas Gerais com a Medalha e Diploma da Inconfidência, por serviços prestados. Foi membro da Comissão Nacional de Música do IBECC.

Obras corais aprovadas pela Secretaria Geral de Educação e Cultura:
Hino a Rio Branco (Oficializado pelo Ministério do Exterior)
O Contrabaixo
Hino à Redentora
Meu sapinho
Acalentando
Leonor
Mãe Maria
Desafio
Cateretê
Tão doce luz
Onde eu nasci
Soldadinhos
Retumba
Bango-zi-balango
Gloria a Jesus
Panis Angelicus
Ave Maria (para canto e harmônio)


Participou como representante da Secretaria Geral de Educação do 1º Congresso Nacional de Folclore, no Rio, tendo apresentado um trabalho de pesquisa: “Canjerê”, sendo esse trabalho aprovado unanimemente e o plenário resolveu que devia ser incluído nos anais do Congresso o mesmo acontecendo no 2º Congresso Nacional, realizado em Curitiba/PR, sendo também aprovado e mandado publicar pelo plenário o seu trabalho: “Origem do Samba”. 

No Congresso Internacional do Folclore, realizado durante o IV Centenário de São Paulo, defendeu, na comissão do International Folk Music Council, a diferenciação entre a música popular e a folclórica, sendo aprovada a proposição brasileira. Durante as comemorações do IV Centenário de São Paulo, fez parte da comitiva carioca dos artistas populares da Velha Guarda, tendo cantado, com sucesso “Olhos de Veludo”, em um teatro de São Paulo, acompanhado por flauta, cavaquinho, violões e saxofone (Pixinguinha, Bidi, Donga, etc). 

Realizou-se, também, em São Paulo o 1º Congresso da Juventude Musical Brasileira, tendo Sylvio Salema, que representar a Prefeitura do Distrito Federal, tendo apresentado o “Orfeão Villa-Lobos”, da Escola Normal Carmela Dutra e o “Orfeão Ernesto Nazareth”, da Escola Secundária Princesa Isabel, o primeiro, sob a direção da professora Nilza Gama e o segundo, dirigido pela professora Ivette Coelho da Cunha. 

Apresentou também uma palestra: “O papel da música na educação do jovem”, que foi aprovada e mandada publicar nos anais, recebendo os maiores elogios de Marcel Cuvelier e Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, ambos da UNESCO. Foi designado para a Comissão do 2º Congresso da Língua Falada e Cantada. Fez parte da Comissão Artística da Rádio Roquette Pinto. 

Fez parte da Comissão do Livro Didático, da Secretaria Geral de Educação, da P.D.F. Criou, no Serviço de Educação Musical e Artística, em 1943, a Comissão Consultiva Musical e o Orfeão dos Professores da Prefeitura do Distrito Federal, o qual dirigiu durante mais de 10 anos. 

Em 1948, criou a “Semana da Música”. Em 1950, conseguiu a promulgação da Lei 523, que criou os quadros de Técnicos e professores especializados em música e Canto Orfeônico. 

Em 1952 (lei 703, de  5 de junho de 1952) conseguiu a criação da Escola Popular de Educação Musical e Artística (EPEMA), atual Instituto Villa-Lobos, que hoje se denomina UNIRIO, situada na Praia Vermelha – Urca. 

Dirigiu inúmeras demonstrações de Canto Orfeônico. No Campo do Vasco da Gama (15.000 vozes), Fluminense (8.000 vozes), Botafogo (12.000 vozes), na Esplanada do Castelo (41.000 vozes), no Campo do Russel (18.000 vozes), no Campo de Santana (Congresso Catequético, com 12.000 vozes); Congresso Inter-Americano de Higiene (Teatro João Caetano), Congresso Catequético (Teatro Municipal), Congresso Inter-Americano de Educação Física (Campo do Fluminense); Campeonatos: Infantil e Juvenil, promovidos pelo Jornal dos Esportes (Campo do Fluminense e do Vasco da Gama). 

Foi Presidente do Conjunto Orquestral Francisco Braga, do Conjunto Vocal “Vozes do Brasil”, da Orquestra de Câmara do Rio de Janeiro. 

Autor de um livro de poesias: “Poemas de Luz e Sombras” e de um outro sob o título “Um Bárbaro e Cruel da História do Brasil”, que mereceu crítica, louvável não só no Brasil, como também em Portugal. 

Foi sócio efetivo do Instituto de Colonização Nacional. Foi critico musical dos jornais “O Imparcial”, “A Notícia” e “Democracia”. Teve várias de suas letras musicadas por: Villa-Lobos,Homero Dornelas, José Francisco de Freitas, Aldo Taranto, Cacilda Borges Barbosa, Lucilia Guimarães Villa-Lobos e Maria Dulce Antunes.



domingo, 28 de outubro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

GRANDE OTHELO, 97 anos



Há 97 anos nascia um de nossos maiores atores, Grande Othelo.
Além de ator, foi compositor.
Ainda criança, participou da antológica Companhia Negra de Revistas, dirigida pelo compositor De Chocolat.

Em breve, falaremos mais de Grande Othelo.






Foto:
http://www.famososquepartiram.com/2009/11/grande-otelo.html

BRENO FERREIRA, 105 anos




Há 105 anos nascia o cantor e compositor Breno Ferreira.

Breno Ferreira Hehl nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de outubro de 1907.
Ao mesmo tempo em que seguiu carreira artística, se dedicava ao curso de direito.

Em 1929, quando a gravadora Victor se instalou no Brasil, ele foi um dos primeiros cantores a gravar discos por ela. A série brasileira se iniciava no disco de número 33.200 e o disco de Breno era o quarto a ser lançado, com a numeração de 33.203.

Trazia a música Forga Nêgo, uma embolada de motivo folclórico, em adaptação do próprio Breno Ferreira. No outro lado, a Orquestra Victor Brasileira, sob a direção de Pixinguinha, trazia uma música.

Foi uma das estrelas pioneiras da Victor, ao lado de Jesy Barbosa e Carmen Miranda. Os três viajaram para São Paulo em 1930, para fazerem algumas gravações na Victor paulistana.

Um de seus sucessos foi a embolada Andorinha Preta, que seria regravada por Nat King Cole na década de 1960. Ele gravou em 1932, mas, doze anos antes já fez o arranjo sobre um motivo popular. Vários artistas, como Hebe Camargo, gravariam essa embolada.

Gravou compositores de renome, como Sinhô, Joubert de Carvalho, Pixinguinha, Heitor do Prazeres e Josué de Barros.

Fez gravações interessantes, em dupla com Sylvio Caldas, em Tracuá me ferrô, ou ao lado de Josué de Barros e Carmen Miranda, na antológica Historia de um Capitão Africano.

Após formar-se em direito, passou a se dedicar à carreira de advogado.
Segundo o pesquisador Ricardo Cravo Albin, ele se destacou como pioneiro em cooperativismo no Brasil, tendo publicado alguns livros sobre o tema.

Breno Ferreira faleceu no Rio de Janeiro, em 23 de novembro de 1966.




Agradecimento ao Arquivo Nirez

CASIMIRO DE ABREU, 152 anos de saudade



Há 152 anos falecia o poeta Casimiro de Abreu, da segunda geração romântica.
Casimiro José Marques de Timo Abreu nasceu em 04 de janeiro de 1839, no município de Capivary (RJ). A partir de 1843, sua cidade natal passaria a se chamar Silva Jardim, nome que perdura até hoje.
Nasceu na Fazenda do Prata. Seu pai era um rico comerciante e fazendeiro português, José Joaquim Marques de Abreu, e sua mãe se chamava Luíza Joaquina das Neves.

Com 13 anos foi para o Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar no comércio com o pai.
Em 1853, os dois embarcam para Portugal, onde entra em contato com o meio intelectual e escreve a maior parte de suas obras.
De espírito romântico, escreve seus primeiros versos levado pela saudade de casa e da família: "estando a minha casa à hora da refeição, pareceu-me escutar risadas infantis da minha mana pequena. As lágrimas brotavam e fiz os primeiros versos de minha vida, que teve o título de Ave Maria".

Casimiro de Abreu ao 15 anos.


Em 1856, em Lisboa, foi representado seu drama Camões e o Jau, sendo publicado logo depois.
Um de seus poemas mais famosos, Meus Oito Anos, traz os versos:

"Oh! Que saudades que tenho
da aurora da minha vida,
da minha infância querida/que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,/naquelas tardes fagueiras,
à sombra das bananeiras,
debaixo dos laranjais!".


Contraindo tuberculose, volta ao Brasil em 1857, voltando a trabalhar no armazém de seu pai. 
Sua doença não impede que ele participe da vida boêmia de seu tempo. 

Precisando de melhores ares, vai para a fazenda de seu pai em Indaiaçu (o atual município de Casimiro de Abreu). Aí, o poeta vem a falecer em 18 de outubro de 1860, com apenas 21 anos. Conforme seu desejo, foi sepultado em Barra de São João, ao lado de seu pai.

Um ano antes de falecer, publicou suas poesias reunidas sob o título de Primaveras.
O sucesso veio após sua morte.
Casimiro de Abreu foi um dos grandes poetas do romantismo, abordando temas como saudades da casa paterna, saudades da terra natal e o amor.


Litografia de Casimiro em um rótulo de cigarros.


Alguns de seus versos foram musicados e, a partir de 1902, gravados.
Chiquinha Gonzaga musicou os belíssimos O Que é Simpatia? e Poesia e Amor, este último de uma beleza e bucolismo ímpar. Aliás, Poesia e Amor é um dos poemas que mais tratam da saudade e amor de forma  delicada e cativante.













Fontes:
http://apoesiadosoutros.blogspot.com.br/
http://youpode.com.br/blog/todapalavra/
http://pt.wikipedia.org/


AMÉLIA BRANDÃO NERY (TIA AMÉLIA), 29 anos de saudade




Há 29 anos falecia uma nos grandes nomes de nossa música e um dos grandes orgulhos para a cultura nordestina: Amélia Brandão Nery, ou, simplesmente, Tia Amélia. Ela era instrumentista, pianista e compositora.

Nascida em Jaboatão (PE), em 25 de maio de 1897, começou a ter contato com o piano aos 4 anos de idade. Seu pai era maestro da banda da cidade de Jaboatão, e também clarinetista e solista de violão. Sua mãe tocava piano. Aos seis anos, Amélia começou a estudar música, mas, seu pai exigiu-lhe que se dedicasse aos clássicos. Com doze anos, ela compôs sua primeira música, a valsa Gratidão.

Com 17 anos, ela se casou e seu esposo a impediu de seguir carreira como pianista, os planos que ela acalentava. Indo morar em uma fazenda nos arredores de Jaboatão, Amélia tocava somente nas festas de amigos. Ela aproveitou para estudar o folclore musical das cercanias da cidade. Com três filhos, e aos 25 anos, ela ficou viúva. Para criá-los, ela abraçou a carreira artística profissionalmente.

A Rádio Clube de Pernambuco a contratou.

Lá, ela começou a fazer sucesso.

Por volta de 1929, ela vai ao Rio de Janeiro resolver algumas questões de direitos autorais com a gravadora Odeon. Logo, é convidada a dar recital no Teatro Lírico, com grande êxito. Era chamada de a coqueluche dos cariocas. Devido a esse sucesso, ainda se apresentou nas rádios Mayrink Veiga, Sociedade e Rádio Clube do Brasil.

Ao voltar para Recife, continua na Rádio Clube de Pernambuco e retoma suas pesquisas sobre a música folclórica pelo interior do estado.

Em 1930, vários intérpretes de nossa música popular gravaram composições suas: Elisa Coelho, Vicente Cunha, Elsie Houston, Alda Verona, Jararaca, Stefana de Macedo (pernambucana como ela) e Silene Brandão Nery (sua filha).

Voltaria ainda ao Rio de Janeiro para algumas apresentações, quando o Itamarati (em 1933), a convidou para excursionar pelas Américas ao lado de sua filha, Silene , para que elas apresentassem composições inspiradas no folclore brasileiro.

Na Venezuela, o governo local a convidou para permanecer dois anos no país estudando o folclore venezuelano. Ela recusou o convite e partiu para os Estados Unidos, onde foi contratada por uma emissora de rádio de Schenactady, apresentando-se durante cinco meses sob o patrocínio da General Eletric.
Apresentou-se em Nova York e em New Orleans. EM Hollywood, ela e a filha foram convidadas para participar de um filme da RKO ao lado da orquestra de Rudy Vallee, mas não quis apresentar-se cantando e recusou.

Ela e a filha excursionaram pelo Brasil em 1939. Quando Silene se casou, ela resolveu abandonar a carreira, apresentando-se uma única vez no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, antes de se aposentar.

Foi morar em Marília (interior de SP) e, depois, em Goiânia  Lá, na casa de sua filha, conheceu a cantora Carmélia Alves, que era uma grande admiradora do talento de Amélia. Foi Carmélia quem a convenceu voltar a se apresentar. Depois de 17 anos, ela voltava apresentando-se no Rio e em São Paulo, com um repertório de chorinhos de sua autoria, agora com o nome artístico de Tia Amélia.

Apresentou-se nas grandes emissoras de rádio, como a Nacional, e na TV, em SP, nas emissoras Record, Tupi e TV Paulista.

Voltou a gravar discos (inclusive LPs) e a fazer apresentações em Recife.

Em 1960, a TV Tupi do Rio de Janeiro a contratou, onde ela fazia uma retrospectiva da época de ouro do choro brasileiro.

Fez sua última gravação em 1980, aos 83 anos, pelo selo Marcus pereira, com o LP A Benção Tia Amélia, onde interpretava 12 composições inéditas, entre valsas e choros.

Nessa época, o historiador musical José Ramos Tinhorão escreveu sobre ela: "Assim, quando se ouve o som atual de Tia Amélia, pode-se dizer que é toda a história do piano popular brasileiro que soa em sua interpretação".

Amélia Brandão Nery, a Tia Amélia, faleceu em Goiânia (GO), em 18 de outubro de 1983, aos 86 anos de idade.






Agradecimento ao Arquivo Nirez

Fontes:
Foto - Arquivo Nirez
Biografia - http://www.dicionariompb.com.br/

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

CHIQUINHA GONZAGA, 165 anos



Há 165 anos nascia Chiquinha Gonzaga, compositora e maestrina brasileira.
Chiquinha foi uma das pioneiras na emancipação feminina e nossa primeira mulher a musicar peças de teatro.

Alguns de seus sucessos:

Atraente
Polca
Grupo Chiquinha Gonzaga
Disco Odeon Record 120.918
Lançado em fevereiro de 1914




Catita
Polca
Grupo Chiquinha Gonzaga
Disco Columbia Record 11.828
Lançado em 1910




Te Amo 
Tango
Grupo Chiquinha Gonzaga
Disco Columbia Record 11.824
Lançado em 1910




Abre Alas
Dobrado
De Chiquinha Gonzaga, com arranjo de Santos Bocot
Banda da Casa Edison
Odeon Record 120.174, matriz RX-1723
Lançado em fevereiro de 1913




Plangente 
Valsa
Grupo Chiquinha Gonzaga
Odeon Record 120.929
Lançado em 1914




Falena 
Valsa
Grupo Chiquinha Gonzaga
Odeon Record 120.933
Lançado em 1914




Corta Jaca (O Gaúcho) 
Tango
Grupo Chiquinha Gonzaga
Columbia Record B-146, matriz 11781
Lançado em 1912









Agradecimento ao Arquivo Nirez

Foto de Chiquinha Gonzaga: http://pt.wikipedia.org/wiki/Chiquinha_Gonzaga






domingo, 14 de outubro de 2012

DUPLAS INESQUECÍVEIS (PARTE 1)

Em nossa música sempre tivemos boas parcerias, seja na composição ou na interpretação.
Algumas duplas ficaram célebres, outras tiveram sua fama, mas, caíram no esquecimento. Já algumas, tiveram apenas uma oportunidade de brilhar, deixando registros raros de interpretações.
Vamos conhecer, ou relembrar, algumas parcerias nas gravações.


Começamos com CARMEN MIRANDA  e BARBOSA JÚNIOR.




Em 1935, Carmen e Barbosa começaram a gravar juntos. Já eram grandes nomes. Ela, cantora de sucesso no rádio e no disco; ele, humorista famoso, que também gravava cantando. Ao todo, gravaram seis músicas.  

Algumas, como Quem é?, se tornariam clássicos de nossa música. Foi interpretado por Déo maia na revista musical Maravilhosa, e tem por subtítulo, Cena Doméstica.
Nota-se que ambos estavam bem a vontade nas gravações. Carmen Miranda dá risadas em várias ocasiões. 

Quando ela retornou dos EUA, em 1940, fez suas últimas gravações no Brasil. Seriam uma resposta às pessoas que diziam que ela havia se americanizado, perdido a bossa, a ginga.
Entre elas, gravou duas músicas com Barbosa Júnior, que seriam suas últimas músicas gravadas aqui, lançadas em seu ultimo disco brasileiro. 
Em Blaque, Blaque, lhe perguntava quais as novas gírias que a cidade usava: lesco-lesco=trabalho, lero-lero=conversa fiada, folga no manca=desajustado, louco.
Em Ginga, Ginga passavam em revista as antigas gravações que fizeram juntos.

Uma beleza!


CASAQUINHO DE TRICÔ
Choro receita de Paulo Barbosa (irmão de Barbosa Júnior)
Gravado por Carmen Miranda e Barbosa Júnior
Disco Odeon 11.285-B, matriz 5169
Acompanhamento de Benedito Lacerda e seu regional
Gravação feita em 05 de outubro de 1935
Disco lançado em novembro desse mesmo ano.



Introdução falada
CM - Barbosa Júnior
BJ - Heeeein!...
CM - Como vai você?
BJ - Bem, bem. E você?
CM - Também. Vamos cantar o Casaquinho de Tricô?
BJ - De que cô qu´é?
CM - De qualquer cor...
BJ - Então vamos!

CM - Eu vou fazer um casaquinho de tricô
pro meu amor.
BJ -  De que cô qu´é?
CM - Ai, Ioiô, de qualqué cô...
Pra começar 70 pontos no pescoço
E se for grosso aumenta logo 22
78 para o meio das laçadas
em pontos de arroz e as carreiras terminadas.

E nessa altura mata 2 de cada lado
muda de agulha para os ombros começar.
Vai derrubando, faz um meia e um tricô
e só falta arrematar com uma la de qualqué cô

BJ - Eu arranjei um vestidinho de flanela para a Estela
e disse a ela pra chegar lá na janela
Mas o pai dela, que era um tal de "sêo" Quintela
com a panela sapecou-me e quebrou-me a costela

CM - Bem feito!
BJ - Estou zangado.


QUEM É? 
Choro de Custódio Mesquita e Joracy Camargo
Disco Odeon 11.506-A, matriz 5621
Carmen e Barbosa Jr são acompanhados pelo Grupo Odeon
Gravação de 20 de julho de 1937
Disco lançado em setembro desse ano.





CM - Quem é que muda os botõezinhos na camisa?
Quem é que diz um adeusinho no portão?
E de manhã não faz barulho quando pisa?
E quando pedes qualquer coisa não diz NÃO?
Quem é que sempre dá o laço na gravata?
Quem é que arruma teus papéis na escrivaninha?
Quem é que faz o teu bifinho com batatas?
E estraga tanto as lindas mãos lá na cozinha?
E no entretanto é só você que não me liga
e ainda descobre sempre em mim cada defeito
pois é talvez porque eu sou muito sua amiga
e nunca estás por isso mesmo satisfeito
Quem é que reza por você lá no oratório, quem é?
Quem é que espera por você sempre chorando?
Quem é que sabe que não paras no escritório?
E acredita que estivestes trabalhando?
Quem é que trata dos botões da tua roupa?
Quem é que mais economiza luz e gás?
Quem é que sopra no jantar a tua sopa?
Quem é que diz no telefone que não estás?
E no entretanto você pensa em me deixar
Leva dizendo que eu sou "pau", não sei o quê?
E no entretanto você vai me abandonar
Mas é porque eu sou louquinha por você

BJ - (Espera aí!)
Quem é que paga a costureira o ano inteiro?
Quem é que aluga um automóvel todo mês?
Quem é que paga seu chatô, sua empregada?
Quem é que gasta os cobres todos de uma vez?
Quem é que vive esbodegado, amofinado?
E que trabalha noite e dia sem parar?
Quem é que só para o seu luxo extravagante
anda sem ter um niquelzinho pra gastar?
E no entretanto é só você que não me liga
Todas as outras estão querendo o meu AMOR
E se eu fosse um pouco mais pão-duro e menos trouxa
você me dava com certeza mais valor.

BJ - Quem é que finge que não vê o seu namoro?
Quem é que dorme se você quer passear?
Quem é que espera por você sempre sorrindo? (eh, eh, eh)
E cochilando fica às vezes sem jantar?
Quem é que traz os embrulhinhos todo dia?
Quem é que compra tanta coisa na cidade?
Quem é que não me liga nem um bocadinho?
Quem é que faz comigo assim tanta maldade?
E no entretanto aturo tudo tão quietinho
Fico calado sem dizer nada a ninguém
Você precisa dar valor ao meu carinho
E saber que finalmente eu sou alguém.

CM - E no entretanto você pensa em me deixar
Leva dizendo que eu sou "pau", não sei o quê?
E no entretanto você vai me abandonar
Mas é porque eu sou louquinha por você

BJ - Ah, como ela é boa!



A PENSÃO DA DONA ESTELA
Marcha de Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago
Acompanhamento da Orquestra Odeon sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 11.694-B, matriz 5984
Gravação de 22 de novembro de 1938.
Disco lançado em janeiro de 1939.



Dona Estela foi
moça de salão
Hoje tem uma boa pensão
(Muito boa)
E o seu trovador
Não quer mais amor
O que quer é tutu de feijão

CM - Picadinho à baiana (tem)
Camarão ensopado (tem)

BJ - Que cheiro bom que tem a D. Estela
Quando abre a panela
Bacalhau, na sexta feira (tem)

CM - Tem linguiça e chuchu também

BJ - Tem tudo na pensão da D. Estela
(Tem, tem, tem, tem, tem tem)

CM - E se quiser "galinha-morta" (tem)
E peru com farofa (tem)

BJ - O preço da pensão da D. Estela
É cobrado por tabela

CM - E maionese de lagosta (tem)
Até frutas tem lá (também)

BJ - Muito boas!

Tem tudo na pensão da D. Estela
(Tem, tem, tem, tem, tem tem)



QUE BAIXO 
Choro de Milton Amaral
Acompanhamento do Conjunto Odeon
Disco Odeon 11.765-A, matriz 6066
Gravado em 18 de abril de 1939
Disco lançado em setembro de 1939.




BJ - AI, não me fales! Não te entendo "baratino"
quase que eu não te perceba tua lábia indecisa
Vai desguiando, desaperta para a esquerda
Vai ver se eu estou na esquina comendo pastéis de brisa.

CM - Tu não tens "papa" para mim, eu sou de circo
Piso firme no trapézio e o meu pulo é mais seguro
"Conversa mole", vai pregar noutro deserto
Tu não sabes que eu conserto qualquer relógio no escuro

CM - Tu vens de "baixo", por baixo do baixo
e baixo tão baixo não tem no meu choro
Bem de fininho vais ficar nessa agonia, vai
que eu vou pra casa, mas não levo desaforo, não

BJ - Tu vens de "baixo", por baixo do baixo
e baixo tão baixo não soa direito
Se continuas dando baixo por aí, assim
tu vais ficar sem querer daquele jeito

BJ - Dê um jeitinho, seja um pouco camarada
Estou de cabeça virada, estou "roxo" por carinho
Perdi a bossa, eu quero virar graveto
Anda, leva este esqueleto, quer ser teu cachorrinho (au,au)

CM - Quem te conhece, que te compre, que te leve
Que isto tudo seja breve, que és veneno, não me atrevo
Mas não me venhas mais de borzeguins ao leito
Que assim não tiras proveito, eu assim não te recebo...


BLAQUE, BLAQUE 
Choro de Gomes Filho e Juraci de Araújo
Acompanhamento do Conjunto Odeon, direção de Simon Bountman
Disco Odeon 12.042-A, matriz 6467
Gravado em 27 de setembro de 1940
Disco lançado em outubro de 1941




CM - Oi, blaque , blaque
Sapo, sapo na lagoa
Que vida boa
Que vida boa

BJ - Oi, blaque , blaque
Sapo, sapo na lagoa
Que vida boa
Que vida boa

CM - E de papo pro ar cantando
Malandro está se acabando

BJ - E de papo pro ar cantando
Malandro está se acabando

CM - E, por favor Barbosa Júnior
BJ - O que há?
CM - Vá me ensinando como é
BJ - Agora mesmo
CM - A nova gíria da cidade
sem lero lero e terereré
BJ - Quem vive no lasco, lesco, lisco, losco, lusco fusco
CM - Então tá sorto
melhorou muito
se desmilinguindo
que coisa boa!
BJ - Pois é
Tô sorto
Melhorei muito
me desmilinguindo que coisa "broa"

CM - E seu vadio sapo, sapo
BJ - O que é?
CM - Boa vida é natural
Quem se debruça no trabalho
Está com folga no ma-ma-mancal


GINGA, GINGA 
Choro de Juraci de Araújo e Gomes Filho
Acompanhamento do Conjunto Odeon, direção de Simon Bountman
Disco Odeon 12.042-B, matriz 6466
Gravado em 27 de setembro de 1940
Disco lançado em outubro de 1941




CM - AI ginga-ginga, que saudade danada!
Fui dar uma virada, correr mundo com meu samba
E a batucada de inspirada melodia
era na terra estrangeira o meu pão de cada dia

BJ - Ai ginga-ginga, mas que coisa abafante!
Sem você fiquei banzeiro, não cantei com mais ninguém
E só sentia a sua voz no meu ouvido
recordando com saudades "O Que é que a Baiana tem?"

CM - "Tu vens de baixo , por baixo do baixo
e baixo tão baixo nem tem no meu choro"

BJ - É, mas subi na "Pensão da Dona Estela"
e comi muito tutu de feijão feito por ela

CM - E eu fiz depoisum "Casaquinho de Tricô"
pro meu amor

BJ - Que de cô qu´é?

CM - Oi, Ioiô de qualquer cor
E hoje quem é que está louquinha por você

BJ - Foi sua ginga que abafou o meu amor.













Agradecimento ao Arquivo Nirez


Fontes:
Arquivo Nirez
Carmen Miranda, a cantora do Brasil. De Abel Cardoso Júnior.





sábado, 13 de outubro de 2012

CRIANÇAS DE ONTEM (PARTE 2 - RESULTADO)

Aqui estão as identidades de nossas crianças da postagem anterior.
Confiram!


1

SÔNIA VEIGA, cantora e atriz.


2 e 9

ROSINA e ELVIRA PAGÃ (IRMÃS PAGÃS), cantoras e atrizes.


3

NEYDE DE BARROS, cantora.
Filha do compositor Josué de Barros.


4

MARLENE DIETRICH, atriz e cantora.


5

MARÍLIA BATISTA, cantora e compositora.


6

LUCILLE BALL, atriz, comediante e produtora.


7

JEAN HARLOW, atriz.


8

GINGER ROGERS, atriz e dançarina.


10

ELISA COELHO, cantora.


11

CHIQUINHA JACOBINA, cantora.


12

CÉSAR LADEIRA, locutor, produtor e jornalista.


13

CAROLE LOMBARD, atriz.


14

CARMEN MIRANDA, cantora e atriz.


15

BETTY GRABLE, atriz e dançarina.


16

BARBOSA JÚNIOR, humorista, cantor e ator.


17

NOEL ROSA, compositor e cantor.











Agradecimento ao Arquivo Nirez

Fontes
Arquivo Nirez
http://www.squidoo.com/jean-harlow-hollywoods-tragic-blonde-superstar
http://cashonandcompany.blogspot.com.br/2011/09/hollywoods-famous-when-they-were-babies.html
http://projects.latimes.com/hollywood/star-walk/betty-grable/
http://lisaburks.typepad.com/jeanharlow/birthday/
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/confissoes-de-noel-rosa-i
http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=8113



















sexta-feira, 12 de outubro de 2012

CRIANÇAS DE ONTEM

DIA DA CRIANÇAS

Francisco Alves

Quando falamos de músicas que falam de crianças nos vem à mente (ao menos das pessoas na casa dos 35 a 60 anos) de uns versinhos: "Criança feliz, que vive a cantar. Alegre a embalar seu sonho infantil. Oh, meu bom Jesus, que a todos conduz. Olhai as crianças do nosso Brasil".

Essa música foi passada de geração para geração, sempre cantada nas escolas e no dia da criança.

Da autoria de Francisco Alves e David Nasser, a valsa Canção da Criança foi gravada pelo próprio Chico Alves, com introdução da locutora Ismênia dos Santos e o Coro das Crianças da Casa de Lázaro (orfanato que o cantor ajudava) e acompanhamento de orquestra. A gravação foi feita na Odeon (disco 13.336-B, matriz 9416) em 09 de setembro de 1952 e o disco foi lançado em outubro desse mesmo ano.
Pelas datas, podemos observar que Francisco Alves não viu o disco ser lançado, pois, faleceria em 27 de setembro desse mesmo ano.


Canção da Criança







Postamos hoje as fotografias de várias crianças. Elas se tornariam célebres na música e no cinema.
Reuni astros nacionais e estrangeiros.
Será que você acerta quem são?


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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ALDA VERONA, 114 anos




Há 114 anos, em 10 de outubro de 1898, nascia no Rio de Janeiro, a cantora e rádio-atriz Alda Verona.
Já trouxemos Alda interpretando belas canções de Valdemar Henrique: http://zip.net/bstj75.






segunda-feira, 8 de outubro de 2012

CATULLO, RAUL, LUÍS, MARILÚ E ARY

Hoje, 08 de outubro de 2012, marca o aniversário de nascimento e morte de alguns nomes importantes de nossa MPB.
Vamos conhecer quem são.


CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE


O grande poeta nasceu no Maranhão, em 08 de outubro de 1863. Também foi compositor, cantor e teatrólogo.
Muitos de seus poemas foram musicados e gravados ainda na primeira década do século XX. Em outras ocasiões, ele aproveitou a melodia de algumas músicas e criou versos para elas.
Uma de suas mais belas composições foi feita para a atriz Apolônia Pinto, também maranhense, que fez muito sucesso nos teatros cariocas por várias décadas. Em homenagem à beleza da atriz, Catullo compôs a canção Os Olhos Dela.
Irineu de Almeida colocou a melodia.
Foi gravada diversas vezes entre 1905 e 1911, na fase dos discos de cera.

Catullo faleceu no Rio de Janeiro em 10 de maio de 1946.


RAUL ROULIEN






















Antes de Carmen Miranda conquistar Hollywood, Raul Roulien já encantava e conquistava notável destaque no polo cinematográfico mais famoso do mundo. Ele não foi o primeiro brasileiro a fazer carreira lá, mas, foi um dos primeiros a ter mais reconhecimento.
Nascido no Rio de Janeiro em 08 de outubro de 1902, ele cantava desde pequeno. Aqui, construiu uma sólida carreira como ator e cantor, criando companhia com a atriz Abigail Maia, inaugurando um novo estilo, o "teatro de frivolidades", também introduzindo espetáculos rápidos nos intervalos das sessões de cinema. No final dos anos 20, Raul era o maior galã brasileiro e considerado o "Príncipe das Normalistas", devido ao grande número de fãs estudantes.
Em Hollywood apareceu como coadjuvante no filme Voando para o Rio, ao lado de Dolores del Rio e Gene Raymond. Esse filme ficaria famoso por ter sido o primeiro da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers, então, pouco conhecidos.
No Brasil, dirigiu e atuou em filmes como O Grito da Mocidade, de 1937, ao lado de Sylvinha Mello e Alzirinha Camargo.

Roulien faleceu em São Paulo, em 08 de setembro de 2000.



MARILU















A sambista Marilu nasceu no Rio de Janeiro, em Vila Isabel, no dia 08 de outubro de 1918.
Foi um dos grandes nomes de nossa música no começo dos anos 40. Depois, seguiu carreira na Argentina, onde morou alguns anos.
Ela é a nossa garota da capa, neste blog.


LUÍS BARBOSA















Nascido em Macaé (RJ), Luís Barbosa faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 08 de setembro de 1938, aos 28 anos.
Ele foi o introdutor do chapéu de palha como instrumento em nossa música.
Você confere mais sobre Luís em: http://zip.net/bvtkff


ARY VASCONCELOS













O pesquisador Ary Vasconcelos teve uma grande importancia na preservação de nossa MPB e de seus intérpretes, principalmente os artistas da virada do século XIX para o XX.
Era jornalista, crítico e musicólogo.
Foi através de seu livro A Nova Música da República Velha, que conheci mais informações sobre a atriz Pepa Delgado.
Ary Vasconcelos faleceu no Rio de Janeiro em 08 de outubro de 2003.



Agradecimento ao Arquivo Nirez

Fontes Fotos:
Catulo da Paixão Cearense: O Nordeste (http://zip.net/bmtjSv)
Raul Roulien: http://jovenal1.blog.uol.com.br/
Marilu: Arquivo Nirez
Luís Barbosa: Arquivo Nirez
Ary Vasconcelos: Blog Thais Matarazzo (http://zip.net/bstj74)







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