segunda-feira, 26 de novembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

MARLENE, MEU BEM! 90 anos da Rainha do Rádio!



Há 90 anos nascia a cantora e Rainha do Rádio MARLENE.




Marlene, meu bem
Cantado por Marlene e Luís Delfino
Valsa de Mário Lago
1955









segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Músicas Picantes e Trovas Alegres (Parte 1)

Engana-se quem pensa que nos tempos de nossas bisavós todos eram totalmente quietinhos e/ou inocentes.


Confira a segunda parte deste post: http://zip.net/bftjV6



Com certeza havia rígidas regras sociais, uma inocência e romantismo envolvendo o ambiente, mas, também havia lugar para as idéias maliciosas, picantes, onde o sexo, conotações sexuais, ou personagens sexualizados sempre eram as figuras principais, mesmo que envoltos em versos e estrofes recheadas de palavras e expressões acima de qualquer suspeita.

Cantadas no Teatro de Revista ou nos Cafés-Concerto (ou Chopes Berrantes), elas faziam a delícia do público. A partir de 1902, começaram a ser gravadas em discos, às vezes vindo com a denominação de trovas alegres. Os melhores e mais famosos astros gravaram essas músicas, inclusive as mulheres. Pra mim, é um exemplo de emancipação e igualdade, em uma época dominada pela figura masculina, termos Pepa Delgado, Nina Teixeira, Júlia Martins, Risoleta, ou as Senhoritas Odette e Consuelo, cantando e exclamando alegremente canções e expressões de duplo sentido.


Essas composições, como se diziam na época, eram carregadas na pimenta.

Vamos à algumas delas!





Bahiano


O célebre e pioneiro Bahiano (Manuel Pedro dos Santos), não só gravou o primeiro disco no Brasil, como também deixou registradas as primeiras trovas alegres. Elas vinham ao lado de baladas românticas, modinhas, maxixes... muitas vezes utilizando esses ritmos para se camuflar.

Hoje, vamos conferir as seguintes músicas:

Não Empurre
A Pombinha de Lulu
Os Colarinhos
O Taco
O Açougueiro
Vai Entrando



Não Empurre

Cançoneta gravada em 1903
Disco Zon-O-Phone X-532




Tomei o bonde da Carris Urbanos
desses que vão até a Praça Onze
Mas, ao meu lado, dois olhos maganos
me perguntaram se eu era de bronze
Então, pra provar que eu não era
quis eu logo fazer coisa limpa
Pois, nesses casos, sou cuera,
sou mesmo supimpa.

- Isto de bolinagem é uma questão de sorte. Às vezes, a gente cutuca no pé de uma pequena... mas, é sem querer, né? Mas, anda tão caipora que, quando quando menos a pessoa atenta, ela está querendo nos desmoralizar. Mas, com esta, não se deu isso, porque na ocasião em que o bonde fazia uma curva, eu percebi, perdi o equilíbrio e cai por cima da pequena ao meu lado. Oh, ferro! E ela gostou mesmo, porque depois, me disse assim:

Não empurre, não empurre
seu Manduca
vê que assim me remói
Não empurre, não empurre
que machuca
Não empurre, assim
que dói...

Passou-se o caso na Cidade Nova
com uma viúva qual quer coisa Matos
De uma virtude rica, a toda prova
muito mais rica que os meus sapatos.
Um dia, uma longa viagem,
teve precisão de fazer
E preparava a bagagem
sem nada esquecer...

- Esta viúva estava preparando a bagagem para fazer uma viagem, mas na ocasião de fechar a mala que estava no quarto, ela não pode fazer. Chamou o primo para ajudar. Ora, o primo foi para o quarto e não prestou bem atenção no que ela disse,hein?  Foi subindo na mala desastradamente e empurrou a tampa da mala, e apertou o dedo dela sem querer. Agora, me diga uma coisa. O que é que não havia de pensar que estivesse na sala de jantar e ouvisse ela com o rapaz no quarto dizendo assim:

Não empurre, não empurre
seu Manduca
vê que assim me remói
Não empurre, não empurre
que machuca
Não empurre, assim
que dói...


A Pombinha de Lulu

Cançoneta de Costa Silva
Gravada em 1912
Disco Odeon Record 120.148, matriz XR-1692




A minha prima Lulu
Tinha um casal de pombinhos
Que no dia em que fez anos
Ganhara de seus padrinhos
O pombo todo branco
Era um primor, mui lindo
Eu, porém, gostava mais
- De que?
-Ora, ora
Da pombinha de Lulu
Eu, porém gostava mais
Da pombinha de Lulu
-Aí, malandro velho!

Quando a tarde ia brincar
No quintal, com a priminha
Quase sempre lhe pedia
Pra brincar com a pombinha
Mas o pombo, ciumento,
Ficava, então, jururu
Quando eu botava a mão
Na pombinha de Lulu
- Ah, seu malandro, hein!

Uma vez, um gato astuto
Da gaiola abrindo a porta
Mata o pombo e quase deixa
Também a pombinha morta
Nisso a prima chorando
Me disse
Oh, primo vês, tu
O gato quase matou
- O que?
A pombinha de Lulu
O gato quase matou
A pombinha de Lulu
- Ah, gato danado.
Seu tamanho ladrão!

Eu peguei na pombinha
E beijei-a tanto, tanto
Que lulu cobrindo o rosto
Desatou num longo pranto
Nisso a tia pergunta
- Que fazes, aí, Dudu?
- Tia, eu estava consolando.
- O que?
- Ora, ora.
A pombinha de Lulu.
Tia, eu estava consolando.
A pombinha de Lulu.


Os Colarinhos

Cançoneta gravada em 1913
Disco Odeon Record 108.530, matriz XR-1126




All right

Ora aqui, ora acolá
não sou hoje de veneta
Ando atrás de um menino
que me toque uma...

Pudera, não sou casado
Tal desejo não me engoda
Passo semanas inteiras
que eu não dou nenhuma...

Fora ladrões que me afobem
e por eles fui roubado
Fui à casa das pequenas
vim de lá todo...

Em galinhas,patos em marrecos
perdizes,lebre e o peru
Este prazer é bem bom
pra quem gosta de levar no...

Colarinho bem engomado
só na Rua do Sacramento
Quem for lá, nao sei se sabe
sai com grande...

Senta rapaziada
vamos todos pro trabalho
que eu fico em casa pra dar
umas injeções no...

Caramujo bem preparado
com boas formas à croquete
Quando como, tenho vontade
de fazer um bom...

Minerva deusa das artes,
ciências e sabedoria
Passave-se meses inteiros
que a deusa não...

Fumava um bom charuto
Charuto próprio das damas
Este prazer é bom
pra quem gosta de levar entre as...

Mamão, quero me casar
quero quero gozar o trabalho
Quero estar sempre ao abrigo
de experimentar um bom...

Cavalheiros, escutais
as minhas frazes tao xulas
Inda ontem no hospital
vi rasgarem duas...

Mulatinhas da Bahia
são formosas, não me engano
E depois desse xodó
muitas palmas pro Bahiano!

Bravo, bravo, bravo,
muito bem!

Então, isto né melhor do que quanta... quanto pedaço lírico há por aí, homem?!


O Taco

Cançoneta gravada em 1913
Disco Odeon Record 108.531, matriz XR-1127




Amo o jogo de bilhar
E por ele tenho um fraco
Muito sei carambolar
E sei por o giz no taco
A fazer as carambolas
sou um grande sabichão
Mexo muito com as bolas
tendo o taco, assim, na mão
Pelos jogos dou o cavaco
Com as mulheres tenho o dom
E não tiro mais o taco
se o bilhar da moça é bom

Ai, ai, ai
Qui, qui, ne, néri
Dou tacadas de revés
E jogando com mulheres,
seis ou cinco de uma vez
Sou moleque tão velhaco
No marfim dou jeito tal
Que o maldito do meu taco
só espirra no final

Bilhar é jogo velhaco
sabe a mulher que é travessa
O gosto que tem o taco
com muito giz na... na... cabeça...
Vai o taco, assim, direito
procurando perfurar
É preciso dar efeito
pra poder carambolar
Com as bolas encostadas
e a encarnada lá na frente
Dou muitíssimas tacadas
Fica o taco ainda quente

Viro tudo, ágil em tacos
Jogador, assim, não há
Quanto mais remexo o taco
mais a carambola dá

Sou moleque tão velhaco
No marfim dou jeito tal
Que o maldito do meu taco
só espirra no final

Bom sujeito modernista
é costume, salafrário,
por as bolas pela pista
com efeito no contrário
Muita vez o dito cujo
quando acaba de jogar
tá com o taco um pouco sujo
e ainda quer carambolar
É o que gosta muita gente
mas, eu, mesmo tenho birra
do gostinho que se sente
quando nosso taco espirra.

Mas, mulher que tem cavaco
quando joga com rapaz
gosta que ele espirre o taco
e se espirra, pede mais.
Sou moleque tão velhaco
No marfim dou jeito tal
Que o maldito do meu taco
só espirra no final


O Açougueiro

Cançoneta gravada em 1913
Disco Odeon Record 108.532


 


Ai, a vida do açougueiro
é pior que ado padeiro
É levada do diabo
do diabo
Vendo carne à toda gente
mas não há fregês doente
Mas, não há freguês doente
que queira levar o rabo.

Belos quartos dianteiros
e traseiros, tem a rês
Chega a noite
a carne, acabo
fica o rabo sem freguês.

- Olha! Quem quer 
um rabinho de boi
bem gostoso?!
- Ou de boi ou de vaca, meu amigo
aqui, não gostamos desta fruta!
- Bom, então, té logo!

Boa carne todo dia
pra servir à freguesia
Meu açougue é afamado, nomeado
Roubo em peso, sou completo
Tenho o fígado correto
Tenho o fígado correto
que não está acostemado

Belos quartos dianteiros
e traseiros, tem a rês
Chega a noite
a carne, acabo
fica o rabo sem freguês.

- Olha, um rabinho bom, hein!
Então, não queres te dar bem com um rabo?
Olha, que está bem lavadinho!
- Ora, vá saindo, meu amigo
não gostamos...
- Vá vender o rabo na esquina!
- Lá, não gostam desta fruta, oh!

Carne boa não tem osso
Carne ruim é a do pescoço
Mas, o quarto dianteiro
é o primeiro!
É da frente a melhor posta
Há, porém, gente que gosta
Há, porém, gente que gosta
de comer a do traseiro.

- Sai, porco!

Belos quartos dianteiros
e traseiros, tem a rês
Chega a noite
a carne, acabo
fica o rabo sem freguês.

-  Oh, os senhores olhem que o rabo
é um rabo que é, que é muito bom
Não há por aí nenhum freguês doente?
- Ora, vá saindo!

Dizem ser gostoso o rabo
ensopado com bom nabo
Acredito na piada
bem espaçada
Mas, não sei se por doença
minha sogra não dispensa
Minha sogra não dispensa
a pimenta na rabada.


Belos quartos dianteiros
e traseiros, tem a rês
Chega a noite
a carne, acabo
fica o rabo sem freguês.

- Olha, um rabinho gostoso!
Está na hora!
Está limpo que faz gosto!


Vai Entrando

Cançoneta gravada em 1913
Disco Odeon Record 108.535, matriz XR-1133




Um dia desses estava passeando
para matar o mês mais depressa
E ao passar, então, numa travessa
ouvi alguém dizer-me: vai entrando
Parando, então, pra trás olhei
e de um sobrado, na janela,
um morenão eu avistei
que pareceu-me ser mui bela

- Era, pois, feito uma morena bonita
que me tinha chamado para... para eu lhe cantar, hein.
É, cantar uma modinha.
Todos os versos de uma cançoneta
que ela tinha ouvido no fonógrafo
Eu que gosto de ser cortês
principalmente com as mulheres (né?)
perguntei-lhe qual era o número da casa
Então, ela, do sobrado,
apontava pra baixo e dizia assim:

Vai entrando
Vai entrando
Vai entrando
sem receio
Vai entrando
Vai entrando
nesta porta aqui
do meio.

E eu fui entrando
Oh, ferro
que porta gostosa!

Eu, sem demora,
entrei pela tal porta
E a escada subo mui ligeiro
Mas, estanquei aqui, no resposteiro
por ver na sala a luz
um tanto morta
Nisso, a morena aparecendo
aparecendo mui ligeira
Com voz amena foi me dizendo
o cavalheiro é muito meigo

Ora, eu fiquei acanhado
Palavra de honra!
Entrei na sala
Mas, vi a sala tão
ricamente mobiliada
que fiquei atrapalhado
Dirigi-me para um
gabinete próximo
Pousei o chapéu sobre uma cadeira
e fiquei vasculhando tudo o que devia fazer
Quando eu tava assim, meio atrapalhado
correu uma cortina
Então, a mulata do outro gabinete
dizia assim:

Vai entrando
Vai entrando
Vai entrando
sem receio
Vai entrando
Vai entrando
nesta porta aqui
do meio.

Deixando, então de ser tão acanhado
no gabinete entrei sem muito afã
e encontrei sentada em um divã
o morenão que tinha me chamado
Querido amor, lhe disse eu
Aqui me tens para assistir
Faça favor,me respondeu
de me cantar, pra divertir.

Eu não tive jeito de
não cantar a mulata.
Oh, quer dizer,
cantar pra a mulata ouvir
E não pude cantar direito
embora assim
eu só consiga solar e:

Vai entrando
Vai entrando
Vai entrando
sem receio
Vai entrando
Vai entrando
nesta porta aqui
do meio.

Eu fui entrando
e já sabe
Depois que entrei
eu saí
Eu fui-me embora
pra casa.







EVENTO IMPERDÍVEL EM SÃO PAULO


Dia 23 de novembro de 2012, sexta-feira próxima, haverá um duplo lançamento em São Paulo: O livro Pelas ondas da Mayrink, de Norma Hauer, e o novo CD da cantora Marion Duarte.

O evento acontecerá juntamente das 15h às 18h, no Auditório da Ordem dos Músicos do Brasil/SP, na Avenida Ipiranga (Centro), 318 – 6º andar, Bloco A. O endereço fica próximo à estação do metrô República. 

Sabia detalhes sobre cada um nos links:

PELAS ONDAS DA MAYRINK: http://zip.net/bktjZn

CD DE MARION DUARTE: http://zip.net/bttkCp

















PELAS ONDAS DA MAYRINK




A Rádio Mayrink Veiga foi uma das principais emissoras do Brasil durante a década de 1930. Existindo desde 1926, ela foi impulsionada com a contratação de César Ladeira. Foi ele quem profissionalizou os artistas da emissora, tornando-a pioneira no tratamento de seus funcionários, modernizando-a. Pode-se dizer que a partir daí o rádio amadureceu.
Nem o surgimento da Rádio Nacional, em 1936, abalou o poder da Mayrink, que continuou dominando o restante da década de trinta.
Os grandes artistas do rádio começaram suas carreiras na Rádio Mayrink Veiga, como Carlos Galhardo, o Rei da Valsa.
O livro Pelas ondas da Mayrink leva essas e muitas outras informações aos leitores. Sua autora, Norma Hauer, grande admiradora de Carlos Galhardo, escreveu uma obra documental, feita para ser lida, apreciada e guardada com um acervo da mais pura informação cultural.
Muitos ouvintes ainda se recordam com saudade dos programas da Mayrink.
 Suas páginas revelam a história de uma das maiores emissoras de rádio que o Brasil já teve, a Rádio Mayrink Veiga (PRA-9), que fez de Carmen Miranda uma estrela ouvida e apreciada no país inteiro.











A Autora
Norma Hauer nasceu em Curitiba (PR), mas, aos dois anos, já estava com a família morando no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa. Aí, passou boa parte de sua vida, saindo para morar na Tijuca há 19 anos.
Quando criança, nos anos de 1930, ouvia encantada o rádio que seu pai comprou, e que sua irmã mais velha tomara de conta. Ficava fascinada por aquele aparelho que, ao contrário das vitrolas de outrora, funcionava com eletricidade e não precisava dar corda.
Suas memórias e pesquisas nos dão uma bela obra, documentando uma das emissoras responsáveis pela propagação da magia do rádio para várias gerações, a Rádio Mayrink Veiga (PRA-9).

NOVO CD DE MARION DUARTE




A cantora Marion Duarte lança seu novo CD intitulado Marion Duarte, composto de 12 bem selecionados sucessos de nosso cancioneiro, como: Romaria, Pra você, As aparências enganam, Azul da cor do mar, Tocando em frente, Ouça, A galeria do amor, Doce de coco, Secretária da beira do cais, Nuvem de lágrimas, momento feliz e Padroeiro do Brasil. A produção fonográfica e direção musical é de Lúcio Mariano. As gravações ganharam nova roupagem e novos arranjos.


A Cantora
Marion Duarte nasceu no Rio de Janeiro em 18 de março de 1938. Intérprete eclética e sem preconceitos musicais, ficou conhecida na década de 1960 como Maysa dos Pobres, pois, era fisicamente parecida com a cantora Maysa Matarazzo. Diferente de Maysa que se apresentava em boates elegantes, ambientes refinados e na televisão, Marion cantava no rádio, em circos e teatros.

Ela iniciou sua carreira em 1957, quando ingressou na Rádio Solimões, na cidade de Nova Iguaçu (RJ). Atuou no programa Valores Novos, usando o pseudônimo de Valéria Duarte.
O primeiro disco foi gravado em 1958, pela etiqueta Copacabana, trazendo o samba-canção Eu sou assim, de Lina Pesce, e o bolero Eu acuso, de Getúlio Macedo.
Nesse mesmo ano, conquistou o Troféu Revelação da Revista do Rádio. Cantou em diversos programas da Rádio nacional e Rádio Mayrink Veiga.

No programa de Raymundo Nobre recebeu a faixa de “Favorita da Associação de Cabos e
Soldados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro”.

A seguir, foi contratada pela Rádio e TV Tupi. Trabalhou como “crooner” do Dancing Avenida.
Nesta ocasião, foi capa das revistas “Rouxinol”, “Radiolândia”, “Canta Moçada” e “Moda e Penteado”.

Em 1961 gravou o samba-canção “Quando corre uma estrela”, que fez razoável sucesso. Um
ano depois foi laureada com o troféu “Zé da Zilda”, entregue a cantora no programa “Discoteca do Chacrinha”. Posteriormente, foi agraciada com o troféu “Sua Majestade o Cartaz”, da TV Jornal do Comércio de Recife, e o troféu “Sete Dias em Destaque”, da TV Marajoara, de Belém.

Afastou-se da carreira artística em 1967 devido ao seu casamento. Retornou somente 12 anos depois, em 1979, época em que foi convidada para defender o samba “Praia de Amaralina” (Tião do Pandeiro / Orlando Dominguez), no “Primeiro Festival de Música da Associação Atlética do Banco doBrasil”, no Rio de Janeiro. A música se classificou em quinto lugar, esse acontecimento deu um novo impulso a sua carreira.

Lançou seu primeiro LP em meados dos anos 1980 com destaque para o samba “Sou
Pagodeira”. Para comemorar seus 40 anos de trajetória artística lançou em 1998 o CD “Marion Duarte, Eu sou assim”, no qual relançou seus antigos sucessos.

Em 2003 saiu seu segundo CD, “Fonte de Energia” (independente). Durante o ano de 2011
lançou no Rio de Janeiro seu mais recente trabalho: “Marion Duarte”, que agora chega ao
conhecimento do público paulista.




Mais informações sobre a cantora Marion Duarte acesse: www.maysadospobres.blogspot.com






quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Jesy Barbosa, 110 anos



No dia 15 de novembro de 1902, em Campos (RJ), nascia Jesy Barbosa, 
nossa querida cantora cuja voz já se fez presente várias vezes por aqui.





terça-feira, 13 de novembro de 2012

OTÍLIA AMORIM, 118 anos




Há 118 anos nascia Otília Amorim, atriz, cantora, empresária e compositora.

Confiram as gravações de Otília Amorim, comentadas por Mário de Andrade e acompanhadas de registros históricos da gravadora Victor: http://zip.net/bftjPX



Otília Amorim foi uma das grandes atrizes do teatro de revista, das burletas e comédias da primeira metade do século XX. Nasceu no Rio de Janeiro em 13 de novembro de 1894.

Ainda adolescente, interrompeu seus estudos em um colégio de freiras devido a dificuldades financeiras. Estreou no teatro em 1911, na revista Peço a Palavra, no Teatro Carlos Gomes do Rio de Janeiro. Era uma atriz de revista completa: interpretava, dançava, cantava, era bonita, sabia ser ótima caricata, desembaraçada e tinha total domínio da plateia. Orestes Barbosa afirmava que Otília era a precursora do samba no palco.

No cinema, estreou em 1912 no drama A Vida do Barão do Rio Branco, escrito por José do Patrocinio Filho e dirigido por Alberto Botelho. Em 1919, estreou os filmes de Luís de Barros: Alma Sertaneja e Ubirajara.

Foi em Alma Sertaneja que Otília aparecia tomando banho nua em um riacho. A censura caiu em cima querendo proibir o filme, mas, depois de muita luta ele foi lançado, com grande sucesso.

Otília Amorim foi uma das Rainhas do Teatro de Revista. Na segunda metade da década de 1910, atrizes como pepa Delgado e Júlia Martins já eram nomes consagrados. Otília ia cada vez mais ganhando prestígio e conquistando fãs. No começo dos anos 20, ela reinava nas revistas lançado sucessos e modas. Depois dela, teríamos Margarida Max e Lia Binatti, ainda em meados da década de 1920. Aracy Côrtes, nessa época, já mostrava a que veio e, em breve, ia receber a coroa das antigas rainhas. Mas, voltemos à Otília Amorim.


"Melindozinha, moça chique e vaporosa
anda muito bonitinha, perfumada como a rosa".
Ai, amor! (1921).


No teatro de revista, ela atuou várias vezes ao lado do cantor Francisco Alves.

Lançou vários sucessos nos palcos, como as marchas Ai Amor,  Zizinha, de José Francisco de Freitas.

Entre as peças de sucesso, estão Gato Baeta e Carapicu; Se a moda pega; Papagaio LouroPé de Anjo, onde dançou uma maxixe histórico com Pedro Dias, sendo assistida pelo Presidente Epitácio pessoa duas vezes. Ela era uma ótima maxixeira.

"Zizinha, Zizinha
Oh, vem comigo, vem minha santinha
Também quero tirar uma casquinha".
1926


Em 19 de agosto de 1963, uma segunda-feira às 17 horas, ao 69 anos, ela recebeu a medalha Homenagem ao Mérito, da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, por sua importante dedicação ao teatro brasileiro. A homenagem aconteceu durante a solenidade de abertura do Quarto Congresso de Teatro Brasileiro, no Auditório do Palácio da Cultura.

Otília Amorim faleceu em São Paulo, em 1970.







Fontes:
Arquivo Nirez
Figuras e coisas da MPB, de Jota Efegê
Viva o Rebolado, de Salvyano Cavalcanti de Paiva

OTÍLIA AMORIM, gravações e registros raros





Confiram a biografia de Otília Amorim: http://zip.net/bptkzm

Em 1989, o selo Revivendo (de Curitiba, criado pelo saudoso pesquisador Leon Barg) lançou o LP Sempre Sonhando, onde trazia três gravações suas. Assim, as novas gerações (como eu) puderam conhecer e se encantar com o talento e carisma de Otília Amorim.


Otília só começou a gravar discos em 1930, tendo deixado somente onze músicas gravadas, o que é uma pena. Também compôs um samba e gravou uma marcha ao lado do cantor Pilé.


No Arquivo Nirez (arquivonirez.com.br), encontramos o livro de registro original da gravadora Victor, onde podemos conferir todas as músicas que foram gravadas, de 1929 a 1939, em detalhes. Chegamos a saber quais e quantos instrumentos foram usados em cada gravação. Entre as gravações de Otília Amorim, podemos observar uma que não foi utilizada devido à matriz ter se quebrado.

Mulata, samba de Heitor dos Prazeres.
Gravação perdida de Otília Amorim feita em 1931.


Detalhes da gravação de Sem você e Mangueira,
ambas aproveitadas.



Em seu Compêndio de História da Música, Mário de Andrade destacou, entre suas músicas preferidas, seis gravadas por Otília: Eu sou feliz, Nego Bamba, Desgraça pouca é bobagem, Vou te levar, Sem você, Mangueira.

Desgraça pouca é bobage é um de meus preferidos, com uma letra interessante e melodia belíssima. Recentemente, pudemos ouvi-lo em um trecho da minissérie Dercy de Verdade (2011), de Maria Adelaide do Amaral, no qual Otília Amorim era citada.


Vamos conferir alguns trechos escritos por Mário de Andrade sobre as músicas gravadas por Otília:

Sobre Sou feliz:

"Se vamos ouvir a sra. Otília Amorim [Sou feliz], só temos a deplorar que, no meio duma dicção bem apropriada, apareça a 'fêlicidade', com e fechado em vez de surdo".


Sobre Nêgo bamba e Desgraça pouca é bobage:
"... preciso guardar o nome do compositor, J. Aymberê, que será talvez o substituto de Sinhô, não sei. Estas obras dele são curiosíssimas.
Mas não é apenas pela musica que Nêgo bamba e Desgraça pouca é bobage são esplêndidos. São na realidade discos perfeitíssimos como riqueza e caráter orquestral, como escolha de sonoridades vocais e como gravação.
E quem merece ainda todos os aplausos é a cantora, Otília Amorim, cuja voz gasta e admiravelmente expressiva... do que se trata, soube tirar efeitos magníficos, principalmente no Nêgo bamba, que, no gênero, é incontestavelmente uma obra-prima".




Confiram as gravações:



Desgraça pouca é bobage
Samba de J. Aymberê
Disco Victor 33.404-A, matriz 65049-1
Gravado, com Orquestra, em 10 de dezembro de 1930
e lançado em fevereiro de 1931.




Vou te levar
Marcha de Clínio Júlio D´Epiro e Vicente de Lima
Otília Amorim canta com Pilé
Disco Victor 33.404-B, matriz 65050-2
Gravado, com Orquestra, em 10 de dezembro de 1930
e lançado em fevereiro de 1931.




Eu sou feliz
Samba de J. Aymberê
Disco Victor 33.413-A, matriz 65089-2
Gravado, com Orquestra, em 30 de dezembro de 1930
e lançado em janeiro de 1931.




Nego bamba
Samba batuque de J. Aymberê
Disco Victor 33.413-B, matriz 65090-2
Gravado, com Orquestra, em 30 de dezembro de 1930
e lançado em janeiro de 1931.




Sem você
Samba de Otávio França e Otília Amorim
Disco Victor 33.423-A, matriz 65109-2
Gravado, com Orquestra e coro, em 05 de fevereiro de 1931
e lançado em fevereiro de 1931.




Mangueira
Samba de João Martins
Disco Victor 33.423-B, matriz 65110-2
Gravado, com Orquestra e coro, em 05 de fevereiro de 1931
e lançado em fevereiro de 1931.











Fontes:
Arquivo Nirez - arquivonirez.com.br
Viva o Rebolado, de Salvyano Cavalcanti de Paiva
A mmúsica popular brasileira na vitrola de Mário de Andrade, de Flávia Camargo Toni



Agradecimento ao Arquivo Nirez






segunda-feira, 12 de novembro de 2012

MEDROSO DE AMOR, 1929

No dia de hoje, há 35 anos , falecia a cantora e compositora Zizinha Bessa (Rio de Janeiro, 1887 -
Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1977).
Seu nome de batismo era Marcionilla Bessa Rodrigues do Nascimento.


Zizinha Bessa, 1930.


Como cantora, Zizinha se formou na Formada pela Escola Nacional de Música da UFRJ. Depois, passou a integrar o Coral Villa-Lobos.

Uma de suas composições figurou em uma das faces do primeiro disco da cantora Jesy Barbosa, em 1929.
Medroso de Amor é um delicioso samba canção, com letra da própria Jesy, que estava no lado B do disco Victor de número 33.208, com matriz 50034-2.

Jesy Barbosa gravou em 11 de setembro de 1929 e o disco foi lançado no mercado em novembro desse mesmo ano. O acompanhamento ficou por conta do Choro Victor.

Por essa época, a gravadora Victor estava recém inaugurando sua filial brasileira e Jesy Barbosa era a figura central entre os artistas. Em 1930, Jesy foi eleita a Rainha da Canção Brasileira, sendo apoiada por vários artistas, inclusive Zizinha Bessa.


Jesy Barbosa, 1930.



Uma beleza de gravação!

MEDROSO DE AMOR




Vem medroso sem temor
Por que é que foges
tanto assim do meu amor?
Vem medroso sem tardar
Pois que mal faz
uma criatura te adorar?

Vem, pertinho te quero ver
E tu verás que nada pode acontecer.

Eu nada dou
Tu vens suplicar
se não há a esmola
de um olhar
Não tenhas medo
Não fujas não
Pois que mal faz
que seja seu meu coração?

Por que te esquivas
longe de mim?
E o teu carinho
tu negas tanto assim?
Mas eu já sei
qual a razão.
Tu tens é medo
de enfrentar a tentação.





Fontes:
Arquivo Nirez

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

sábado, 10 de novembro de 2012

ARACY CÔRTES canta ARY BARROSO (Parte 2)

Continuando a postagem anterior (http://zip.net/bctjYk), Aracy Côrte canta mais quatro composições de Ary Barroso.




No Morro (Eh! Eh!)
Batuque de Ary Barroso e Luís Iglezias
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Aracy Côrtes canta com Augusto Vasseur
Disco Odeon 10.680-A, matriz 3863
Lançado em setembro de 1930.
Lançado em 1930, na revista Diz isso cantando




Obs. Em breve voltaremos a falar exclusivamente dessa música.
Em 1938, Carmen Miranda e Almirante fizeram uma regravação intitulada Boneca de Piche.



Sapateado
Foxtrot de Ary Barroso e Luís Iglezias
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.680-B, matriz 3864
Lançado em setembro de 1930.
Lançado por Aracy e Theda Diamant na revista Compra um bonde, em 1930.
Também tinha o título de Fox-Trot.




Fui à Nova York
só pra ver
o que foi o Júlio lá fazer
Houve tanta encrenca, confusão
acabei foi na mão
Vem um gajo e me diz:
"Alô, boy!"
Chamou-me de boi
e eu nem sei
o que fiz
Fui muito infeliz
Meu Deus, juntou gente.
Lá na tal Broduei
me espalhei
Que sururu!
Veio civil, militá
Mostrei que o Brasil
não sabe apanhá.
Só dei por mim
quando ouvi
falar o embaixador Marciano
Que me mandou de lá pra cá.


Quem me compreende
Canção de Ary Barroso e Bernadino Vivas
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia 22.035-B, matriz 381012-2
Lançado em julho de 1931




Vem ouvir-me as queixas, coração
Quero te acordar com esta canção
Ai, meu Deus do Céu
não posso mais
conter meu ais.
E sem ter no mundo mais ninguém
não suportarei o teus desdém
És a minha vida
A própria luz dos meus olhos
Oh, querida.

Felicidade, tenho saudade
dos tempos que não voltam mais
Não voltam mais
Tu me deixaste só
e nem tiveste dó
Mas, mesmo assim
eu sei que tu gostas de mim
Felicidade, tenho saudade
dos tempos que não voltam mais
Não voltam mais
Quem compreende bem
meu coração
como ninguém
é este violão.


Neném
Marcha de Ary Barroso e Luís Peixoto
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.185-A, matriz 4954
Gravado em 26 de novembro de 1934 e lançado em janeiro de 1935.




Obs. Perua foi uma famosa atriz da Belle Époque que terminou seus dias mendigando na rua, se tornando um tipo popular e recebendo essa alcunha. Vou pesquisar mais sobre ela e trago aqui.

Neném, Meném, Neném
És meu, de mais ninguém
Se queres que eu te mate, Neném
Te mato, meu bem
E morro também
Amor fatal
os nossos retratinhos sairão
na quarta edição do jornal.

A vida toda desorganizada
com a bossa virada
à beira de um precipício.
Vou acabar tendo a sorte da Perua
sem poder andar na rua
internada no hospício.

A malandragem não valeu de nada
Eu estou abafada
estou num beco sem saída
Ou tu acabas uma vez
com a vadiagem
Ou me encho de coragem
e escangalho a tua vida.






Agradecimento ao Arquivo Nirez






quinta-feira, 8 de novembro de 2012

ARACY CÔRTES canta ARY BARROSO (Parte 1)






Ary Barroso começou sua carreia artística no Rio de Janeiro tocando nos cinemas e fazendo parte de conjuntos famosos, como o Jazz Band Sul Americano de Romeu Silva.
Nessa época, meados da década de 1920, o Teatro de Revista ainda era o grande divulgador de músicas e compositores.

Ao mesmo tempo em que algumas de suas músicas eram lançadas nos teatros, as de mais agrado do público eram gravadas em discos.

Nessa primeira fase de sua carreira, ele teve vários sucessos gravados por Aracy Côrtes, que também os havia lançado nos palcos.

São registros preciosos, não só da carreira de Ary e Aracy, mas como uma pequena mostra de como era o teatro musical da época e seu modo de cantar e interpretar as músicas.

Ouvir Aracy Côrtes, então a Rainha do Samba, da Praça Tiradentes e do Teatro de Revista, cantando Ary Barroso é uma oportunidade única de conhecer os sambas e canções que falavam dos amores das mulheres de malandro, dos romances começados na Festa da Penha, de saudades de tempos passados, todos interpretados na forma original, saídos quentinhos dos palcos do Teatro de Revista e interpretados por uma de suas maiores representantes.

É ouvir e se deliciar!



Tu qué tomá meu home
Composto por Ary Barroso e Olegário Mariano
Um belo exemplar de samba de mulher de malandro
Disco Odeon 10.446-A, matriz 2764
Disco lançado em agosto de 1929.
Foi lançado por Aracy na revista Vamos deixar de intimidade, também em 1929,
onde levantava a platéia em ruidosos aplausos.




Por Deus me deixa sossegada
Tu qué tomá meu home
mas meu home eu não te dou
Eu gosto é de levar pancada
e até de passar fome
por amor do meu amô
Pra esse home eu esquecer
tô dando pra beber
tô dando pra roubar
E se a polícia me prender
já seu que foi você
que foi me denunciar

Não faz isso assim, não
Tenha compaixão, sim
Não queiras me encrencar
mulher malvada e mal
Gozar, me deixa a vida desgraçada
Não faz isso assim, não
tenha compaixão, sim
Não queiras me encrencar
nem me perder, porque
assim, meu destino
é só sofrer.


O Amor vem quando a gente não espera (Samba da Penha)
Samba de Ary Barroso, Cardoso de Menezes e Bittencourt
Disco Odeon 10.469-A, matriz 2.866
Acompanhamento de Orquestra
Lançado em disco em outubro de 1929.
Lançado por Aracy na revista Comigo é na madeira, de 1929.




Eu sei, eu sei
O amor vem quando a gente não espera
Disfarçadamente
morde como fera
E faz a gente padecer
sem querer
Depois,
os dois pensando
que a ventura não tem fim
Sofrem tal desilusão
e tudo acaba em vão
em dor
e é sempre assim.

Numa barraca lá da Penha
Num domingo dos barraqueiros
eu te encontrei
Quando puseste em meus olhos
os teus olhos mexeriqueiros
quase desmaiei
Sem poder me defender,
fiquei logo cativa
E o motivo dessa afeição
é uma interrogação
Uns dizem que sou
até bem feliz
Que a Santa me ajudou.


Vai cumprir o teu destino
Samba de Ary Barroso
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.505-B, matriz 3055                                                                                    
Lançado em dezembro de 1929.
Aracy o lançou na revista Não adianta você chorar, de 1929.




Meu Deus
não mereço sofrer
Eu sei
que cumpri meu dever
Mas, se nesse mundo
a gente não merece
Recompensa pelo bem que faz
tudo desaparece.
Então, ao prazer de viver
prefiro mil vezes morrer
Pois a maldade da terra
um segredo encerra
é o amor
seu real causador.

Renegaste todo o bem
que eu te fiz, malvado
Ah, tu não soubestes
ser feliz, malvado
Pois que vá cumprir o teu destino
A tua ingratidão
será tua perdição


Samba de São Benedito
Samba de Ary Barroso, Marques Porto e Luís Peixoto
Disco Odeon 10.553-A, matriz 3277
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Lançado em janeiro de 1930.




Eu só penso
no que pode acontecer
Se algum dia me convenço
que urubu que te comer
Eu dou cachaça
para meu São Benedito
para te amarrar
para te prender

Não entreguei os meus pontos, não
Vou me vingar
juro por Nosso Senhor
Faz os teus truques escondidinho
Já soltei meu cachorrinho
Mandei ele te espiar, meu amor.


Juramento
Samba de Ary Barroso, Marques Porto e Luís Peixoto
Disco Odeon 10.553-B, matriz 3276-1
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Lançado em janeiro de 1930.




Um dia em minha porta
tu virás bater, em vão.
Para o nosso amor
eu já morri, porque
o meu coração
já não é de você.
Jurei,
fiz promessas pro meu Santo
Viverei só no meu canto
sem você e sem ninguém
sem ninguém.
Hoje, eu sou mulher
e posso até
esquecer até de verdade
a saudade.


Você não era assim
Samba de Ary Barroso e Aricles França
Acompanhamento da Orquestra Pan American, direção de Simon Bountman
Disco Odeon 10.619-A, matriz 3592
Lançado em junho de 1930.




Você não me faz carinhos
Agora, já não me liga
Qualquer coisa meu benzinho
é pretexto para briga.
Quando o coronel gemia
dava tudo para mim
A existência me sorria
e você não era assim.

Não sei porque
você divvive a zombar de mim.
Antigamente bebê
você não era assim.
(Mas eu te espero
lá na esquina
e tu vais ver comigo).









Agradecimento ao Arquivo Nirez

Fontes:
Arquivo Nirez
Viva o Rebolado - Vida e morte do teatro de revista brasileiro. De Salvyano Cavalcanti de Paiva.
http://passeandopelocotidiano.blogspot.com.br






quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ARY BARROSO, 109 anos



Ary de Resende Barroso nasceu em Ubá (MG), em 07 de novembro de 1903.
Aos sete anos de idade perdeu os pais, em um intervalo de dois meses, vitimados pela tuberculose.
Foi criado pela avó Gabriela e pela tia Ritinha, que foi sua primeira professora de piano.
Ao 12 anos, para ajudar em casa, já tocava piano fazendo o acompanhamento dos filmes mudos, no Cinema Ideal.
Em 1921 foi morar no Rio de Janeiro, onde passou a cursar a Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Enquanto estudava, trabalhava ao piano acompanhando filmes ou nas salas de espera dos cinemas. Teve que trancar a faculdade várias vezes, só se formando em 1930, na mesma turma do cantor Mário Reis.

Você acompanha nas postagens seguintes algumas composições de Ary Barroso e seus intérpretes, ao mesmo tempo em que conhece mais sobre sua vida e carreira.





Foto Ary Barroso: http://passeandopelocotidiano.blogspot.com.br/2010/11/grandes-compositores-brasileiros-ary.html

Pó de Arroz ORYGAM DE GALLY, 1937



Como o sol ilumina a terra, 
o Pó de Arroz ORYGAM DE GALLY ilumina a beleza.


PÓ DE ARROZ
ORYGAM DE GALLY

Revista Carioca, 1937.

BIBLIOTECA DAS MOÇAS, 1937




BIBLIOTECA DAS MOÇAS
Revista Carioca, 1937

terça-feira, 6 de novembro de 2012

UM NOVO SELO



O Blog ganhou um novo selo!
Agradeço à Marcia Moreira por ter escolhido as Estrelas Que Nunca Se Apagam.
Ela mantém um excelente Blog, Clássicos, Não Antigos (http://classicosnaoantigos.blogspot.com.br/).
Visitem, pois, tenho certeza que irão gostar muito!

E para recebê-lo, sigo uma divertida regra: escrever sete coisas sobre mim e presentear outros blogueiros bacanas.

Vamos à elas:


  1. Quando eu era pequeno (uns 7 anos), sempre pedia para ver ...E o vento levou. Toda semana assistia, ao menos a metade. Adorava a música tema. Resultado: sabia decorado as falas da versão dublada.
  2. Meu primeiro contato com a MPB da Época de Ouro foi nos meus primeiros anos, através dos discos das Melindrosas. Era a época das discotecas e o título do LP era Disco Baby. Entre elas, Elizangela, cantando Touradas em Madrid, Mamãe eu Quero, Pra você gostar de mim (Taí)....
  3. Um dos primeiros filmes que eu assisti no cinema foi A Montanha Enfeitiçada. Era em um cine Drive In que ficava aqui em Fortaleza. Todas as famílias iam lá e assistíamos dentro dos carros. Era uma aventura e tanto! Em cinema fechado, um dos primeiros foi Os Saltimbancos Trapalhões.
  4. Como boa criança/adolescente dos anos 80, assisti a vários filmes que já são clássicos. Aqui em Fortaleza, no Cine São Luiz, assisti The Goonies, De Volta para o Futuro, Indiana Jones e a Última Cruzada...
  5. Antes de começar a gostar de cantoras dos anos 30, 20... eu era fã de Cyndi Lauper. Não perdia um dia o programa Clip Show (acho que era esse o nome), lá pelos idos de 1984/85. Ah, e também o Clube da Criança!
  6. Como muitos sabem, também sou ator e tenho feito algumas aparições na TV. Porém, a primeira vez que apareci em um programa de auditório foi em Brasília. Era 1980 ou 1981, no Programa do Cacareco, um palhaço. Mas, antes disso, ainda nos anos 70 (!) eu visitei com a minha escola a TVE (atual TV Ceará) que transmite a TV Cultura. Lembro bem de várias modelos muito bonitas, bem vestidas e maquiadas que iriam entrar em cena.
  7. Ainda no começo dos anos 80, eu com uns 5/6 anos, assistia ao Programa Irapuan Lima, um dos grandes nomes do rádio cearense que também fez sucesso na TV. Me divertia com os calouros, cantores e gostava de ver as Irapuetes. Um dos patrocinadores era o Guaraná Brhama, e Irapuan sempre afirmava que o seu auditório era o mais refrigerado de Fortaleza. Na minha inocência, eu achava que isso (a refrigeração) era uma alusão ao refrigerante, que era o mais regrigerado por sempre dar refrigerantes à platéia... Quando cresci um pouquinho, entendi o significado. (risos).



Os blogueiros indicados também devem comentar essas sete coisas sobre eles.
São:




Abraço a todos!

domingo, 4 de novembro de 2012

Adeus à CARMÉLIA ALVES



A cantora CARMÉLIA ALVES, A Rainha do Baião, faleceu ontem a noite no Rio de Janeiro aos 89 anos.


Um de seus grandes sucessos foi Sabiá na Gaiola, baião de Hervê Cordovil e Mário Vieira, gravado por ela em 1950.

sábado, 3 de novembro de 2012

GONÇALVES DIAS, 148 anos de saudades



Há 148 anos falecia o poeta GONÇALVES DIAS.

Ele um dos grandes poetas do Romantismo.
Ao lado de José de Alencar, desenvolveu o indianismo.
Para conhecer mais da vida e obra de Gonçalves Dias, confira o site:
http://www.brasiliana.usp.br/goncalves_dias


Trouxemos um de seus mais famosos poemas adaptado por Armando Lameira para canto.
Trata-se de Canção do Exílio, que foi gravada em 1931 como modinha, com o título de Minha Terra Tem Palmeiras.
A gravação coube à Gilca Loreti, acompanhada ao violão por Gente Boa.
Disco Odeon 10.790-B, matriz 4002, lançado em 1931.




Canção do Exílio

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

JOÃO PERNAMBUCO, 129 anos

João Pernambuco em 1926.

Há 129 anos nascia o músico, compositor e violonista brasileiro João Pernambuco.

João Teixeira Guimarães nasceu em Jatobá (atual Petrolândia), em Pernambuco, no dia 02 de novembro de 1883.
Era filho de uma índia caeté e de um português. Em 1891, seu pai faleceu e sua mãe se casou novamente, levando a família para Recife.

Por influência dos cantadores e violeiros locais, começou a tocar violão ainda na infância.

Em 1902, foi morar no Rio de Janeiro com uma irmã e passou a trabalhar em uma fundição. No Rio, fez amizade com violonistas populares, na mesma época em que trabalhava como ferreiro, fazendo jornadas diárias de até dezesseis horas. Muito popular, o número de amigos e admiradores só crescia, e a eles João ia contando e cantando as histórias de sua terra. Daí, veio o apelido Pernambuco.

No tempo em que trabalhava como ferreiro.
A sete indica João Pernambuco. 1904 ou 1905.

Em 1908, ele já era considerado um dos bambas do choro, ao lado de amigos importantes como os compositores Quincas Laranjeiras, Ernani Figueiredo, Zé Cavaquinho e Satyro Bilhar.

Da esquerda para a direita João Pernambuco e Quincas Laranjeiras.
Sentado: Augustín Barrios, na loja O Cavaquinho de Ouro,
Rio de Janeiro, 1916/1917.

João Pernambuco compunha músicas de inspiração nordestina, baseadas em cantigas e temas folclóricos.

Em 1911 compôs seu maior sucesso, uma melodia que se tornaria um verdadeiro clássico de nossa MPB, relembrado até hoje: Luar do Sertão. Após criar a música, Catullo da Paixão Cearense fez os belos versos. Pixinguinha, décadas depois, afirmaria que ouvira João Pernambuco tocar Luar do Sertão bem antes de Catullo escrever a famosa letra. João e Catullo se apresentavam nas casas da alta classe carioca.

Cantava muito bem, ao mesmo tempo em que compunha valsas, jongos, maxixes, emboladas, choros...

Foi amigo de Donga e Pixinguinha, quando esse último ainda era adolescente.
João Pernambuco participou dos grupos Turunas Pernambucanos, Grupo Caxangá e do célebre
Os Oito Batutas.

Primeira formação do Grupo Caxangá, 1917/1918.
Da esquerda para a direita, sentados: 
João Pernambuco (Guajurema), com um violão caipira; 
Raul Palmieri (secretário)  e Caninha (Mané Riachão).

Entre os percursores do violão, o célebre trio pioneiro é formado por Quincas Laranjeiras, João Pernambuco, Levino Albano da Conceição.

Durante um período, nos anos 20 e 30, vários músicos como Donga, Pixinguinha, Patrício Teixeira, Rogério Guimarães, e às vezes, Villa-Lobos, faziam animadas rodas de choro na casa de João Pernambuco.
Foi lá que Levino o apresentou ao jovem violonista Dilermando Reis.

Primeira apresentação do Grupo Os Oito Batutas.
São Paulo, outubro de 1918.

Villa-Lobos, a respeito da importância da obra violonística de João Pernambuco, afirmaria que "Bach não se envergonharia em assinar os estudos como sendo seu", tal sua densidade e profundidade.

João Pernambuco faleceu no Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1947, aos 63 anos.


As fotos dessa postagem foram tiradas do excelente site http://www.joaopernambuco.com.

Algumas gravações de João Pernambuco ao violão.


João Pernambuco, 1918.
Ao fundo, uma imagem pintada do Corcovado.



Mimoso
Maxixe da autoria de João Pernambuco
Interpretado por João Pernambuco (violão), com o acompanhamento de Rogério Guimarães (violão).
Disco Odeon Record 123.070
Gravado e lançado em 1926.




Lágrimas
Maxixe da autoria de João Pernambuco
Interpretado por João Pernambuco (violão), com o acompanhamento de Rogério Guimarães (violão).
Disco Odeon Record 123.071
Gravado e lançado em 1926.




Pó de Mico
Choro da autoria de João Pernambuco
Interpretado por João Pernambuco (violão), com o acompanhamento de Zezinho (violão)
Disco Columbia 5.174-B, matriz 380596
Gravado em 27 de janeiro de 1930 e lançado em março de 1930.




Suspiro Apaixonado
Valsa da autoria de João Pernambuco
Interpretado por João Pernambuco (violão), com o acompanhamento de Zezinho (violão)
Disco Columbia 5.174-B, matriz 380597
Gravado em 27 de janeiro de 1930 e lançado em março de 1930.




Magoada
Choro da autoria de João Pernambuco
Interpretado por João Pernambuco (violão), com o acompanhamento de Zezinho (violão)
Disco Columbia 5.175-B, matriz 380598-2
Gravado em 27 de janeiro de 1930 e lançado em março de 1930.




Rosa Carioca
Foxtrot da autoria de João Pernambuco
Interpretado por João Pernambuco (violão), com o acompanhamento de Zezinho (violão)
Disco Columbia 5.176-B, matriz 380599-2
Gravado em janeiro de 1930 e lançado em março de 1930.




Sentindo
Tango da autoria de João Pernambuco
Interpretado por João Pernambuco (violão), com o acompanhamento de Zezinho (violão)
Disco Columbia 5.178-B, matriz 380576
Gravado em 27 de janeiro de 1930 e lançado em março de 1930.




Dengoso
Choro da autoria de João Pernambuco
Interpretado por João Pernambuco (violão), com o acompanhamento de Zezinho (violão)
Disco Columbia 5.178-B, matriz 380577
Gravado em 27 de janeiro de 1930 e lançado em março de 1930.











Agradecimento ao Arquivo Nirez


Fontes:
Gravações - Arquivo Nirez (arquivonirez.com.br)
Biografia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Pernambuco
Fotos - http://www.joaopernambuco.com











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