segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ADEUS, ANO VELHO!

Achei bem interessante essa imagem da Revista Illustrada 
de 31 de dezembro de 1886.

O ano de 1886, bem velhinho, se despedindo desse mundo, 
e o ano de 1887 acabando de nascer.

Embaixo, escrito: "E o mundo é assim mesmo! Acabam uns, nascem outros".








Fonte: Biblioteca Nacional.






MÁRIO REIS, Doutor em Samba!



Há 105 anos, em 31 de dezembro de 1907, nascia no Rio de Janeiro o cantor Mário da Silveira Reis.



Seu contato com a música se iniciou em 1924, quando ele passou a ter aulas de violão com Carlos Lentine (futuro integrante do Regional de Benedito Lacerda).

Mário Reis começou sua carreira como cantor em 1928. Dois anos antes, em 1926, havia começado a ter aulas de violão com o compositor Sinhô (José Barbosa da Silva).

Foi justamente Sinhô quem o levou para gravar seu primeiro disco, com músicas de sua autoria: o samba Que vale a nota sem o carinho das mulheres? e a canção pedagógica, que Sinhô compôs especialmente para ser cantada em salas de aulas, Carinhos de Vovô.

Mário possuía uma voz suave, afinada e de curto alcance. No período da gravação mecânica (de 1902 até 1926) só barítonos e tenores podiam gravar discos. Com o surgimento da gravação elétrica no Brasil, 1927, ele podia gravar tranquilamente. Sinhô gostou de sua voz e de seu estilo de cantar, assim como o público. Em pouco tempo, os discos de Mário Reis vendiam bastante, fazendo igualdade com o grande nome de então: Francisco Alves.

Mas, isso não foi problema: os dois se uniram e gravaram vinte e quatro músicas, todas antológicas, composições de alta qualidade em uma célebre parceria. A calma voz de Mário combinou perfeitamente com a potente voz de Francisco Alves.

Em 1930, ele se formou em Direito, sendo colega de classe de Ary Barroso.

No meio artístico seus grandes amigos eram, entre outros, Carmen Miranda e Francisco Alves.

Continuou lançando sucessos, inclusive no carnaval e festas juninas.

Mesmo com várias excursões pelo Brasil e Argentina, aparecendo em filmes de sucesso, Mário Reis se afastou da cena artística na segunda metade da década de 1930, para ser funcionário público.
Voltaria a gravar algumas vezes, como em 1939, quando também participou do espetáculo Joujoux et Balangandãs.

Nos anos 50 lançaria alguns discos com gravações de Sinhô.
Voltaria vez ou outra à cena artística, com importantes contribuições.

Mário Reis faleceu no Rio de Janeiro em 05 de outubro de 1981.





domingo, 30 de dezembro de 2012

DIÁRIO DE VIAGEM - Viçosa do Ceará

  


DIÁRIO DE VIAGEM - Viçosa do Ceará
Primeiro dia:




Nesse link você confere cada dia sobre minha viagem à cidade de Viçosa do Ceará e conhece meu novo blog.
Lembrando que o nosso Estrelas Que Nunca Se Apagam continua com grandes novidades!








JESY BARBOSA, 25 anos de saudade



 Há 25 anos falecia a cantora, jornalista e poetisa, Jesy Barbosa.






quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Sá Mariquinha

Começando o dia com a rancheira do compositor cearense Luís Assunção, 
Sá Mariquinha.
Quem interpreta é o conjunto vocal cearense Quatro Ases e Um Coringa.
Disco Odeon 12.784-A, matriz 8212
Gravado em 18 de abril de 1947 e lançado em julho desse mesmo ano.











segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

FELIZ NATAL!

FELIZ NATAL!

É O QUE DIRCINHA BATISTA E O BLOG
ESTRELA QUE NUNCA SE APAGAM
DESEJAM A TODOS!



Aqui, duas versões de Boas Festas, de Assis Valente, interpretada por Carlos Galhardo.



















Agradecimento ao Arquivo Nirez

sábado, 22 de dezembro de 2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E O Mundo Não Se Acabou



Assis Valente e Carmen Miranda já disseram tudo em 1938.




E O Mundo Não Se Acabou
Samba choro de Assis Valente
Gravado por Carmen Miranda e Conjunto Regional
Disco Odeon 11.587-A, matriz 5777
Gravação de 09 de março de 1938, disco lançado em abril desse mesmo ano




Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente, lá de casa,
começou a rezar.
E até disseram que o sol
ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite, lá no morro,
não se fez batucada.

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora, fui tratando de aproveitar
Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou...

Chamei um gajo com quem não me dava
e perdoei a sua ingratidão
E, festejando o acontecimento,
gastei com ele mais de quinhentão.
Agora, eu soube que o gajo anda
dizendo coisa que não se passou
E vai ter barulho, e vai ter confusão
por que o mundo não se acabou!




Agradecimento ao Arquivo Nirez
Foto: Catraca Livre 



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

ABIGAIL MAIA, um sorriso que encanta



Há 31 anos, em 20 de dezembro de 1981, falecia a atriz ABIGAIL MAIA.



Abaixo, transcrevo parte da biografia de Abigail contida em meu livro Nossas Atrizes Cantoras: de 1859 a 1926:
A bela e talentosa Abigail Maia nasceu em Porto alegre, no Rio Grande do Sul, em 16 de setembro de 1887. Seus pais eram os atores Balbina Maia e Joaquim da Costa Maia, ele português e ela baiana. Estreou atuando em Porto Alegre, aos 15 anos de idade, em uma companhia de comédias de Assis Pacheco e Antonio Peixoto Guimarães. Depois, aos 16 anos, fez sua estréia no Rio de Janeiro. A peça foi A Fada Coral, em 16 de maio de 1903 no Theatro Lucinda.
Ela precocemente fez o que outras colegas fariam, aposentou-se pelo casamento. E ao casar-se com o comerciante brasileiro Joaquim da Silva Braga, abandona o teatro. Sua história artística terminaria aqui se não fosse a mão do destino que, da mesma forma como cedo casou, cedo enviuvou. Após esse episódio ela retornou aos palcos.
Trabalhou em empresas como Luso-Brasileira, do empresário Loureiro; Alfredo Miranda, Cristiano de Sousa, Paschoal Segreto, Leopoldo Fróes, entre outras.
Era a primeira figura, em 1921, da companhia organizada por Oduvaldo Viana, Viriato Correia e Nicolino Viggiani no Theatro Trianon. Depois que a sociedade se dissolveu ela continuou à frente, ao lado de Oduvaldo Viana. Foi a São Paulo e Buenos Aires em excursão. Nos anos 10, entre 1913 e 1916, Abigail gravou alguns discos na Casa Edison, pelo selo Odeon Record. 
Voltaria a gravar na Victor entre 1929 e 1931.
Casou-se com o maestro Luís Moreira e, depois, com Oduvaldo Viana e teve sua própria companhia teatral.
Fez parte do elenco da Radio Nacional como rádio-atriz.





Abigail Maia e o clã Montani
Na ocasião de seu falecimento, Abigail era uma das últimas representantes de uma geração de artistas que inovaram e deram um novo rosto ao teatro brasileiro, além de ser parte de uma tradicional família de célebres atrizes.
Sua mãe, a atriz Balbina Maia, era um dos grandes nomes de nosso teatro no final do século XIX. 
Balbina casou-se com o ator Augusto Montani, nascendo dessa união a atriz Olympia Montani. Ao enviuvar de Augusto, Balbina casou-se com Joaquim da Costa Maia, nascendo a pequena Abigail. O primeiro marido de Balbina Maia era de uma tradicional família de artistas. Augusto Montani era irmão da atriz Jesuína Montani que, por sua vez, era mãe das atrizes Gabriela Montani e Olympia Amoedo.
Abigail Maia seria tia de uma grande atriz, filha de sua irmã Olympia, que ficou conhecida como Lucília Perez.
No futuro, todas trabalhariam juntas, parentes e co-parentes.




Algumas gravações de Abigail Maia:



Súplica
Canção
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 121.170
Lançado em 1916



O Cumbuco e o Balaio
Coco baiano
Acompanhamento de coro e piano
Disco Odeon Record 121.172
Lançado em 1916




Sorriso da Mulher
Canção de Marcelo Tupinambá e Oduvaldo Viana
Acompanhamento de Quarteto de Cordas
Disco Victor 33.425-A, matriz 65111-2
Gravado em 24 de fevereiro de 1931 e lançado nesse mesmo ano




Flor de Maracujá
Canção de Marcelo Tupinambá e Amadeu Amaral
Acompanhamento de Quarteto de Cordas
Disco Victor 33.425-B, matriz 65112-2
Gravado em 24 de fevereiro de 1931 e lançado nesse mesmo ano








Agradecimento ao Arquivo Nirez

Fonte: Nossas Atrizes Cantoras: de 1859 a 1926, de Marcelo Bonavides de Castro





terça-feira, 18 de dezembro de 2012

FRANCISCO MANOEL DA SILVA - O Autor de nosso Hino

Francisco Manoel da Silva por
Luís Aleixo Boulanger.


Há 147 anos, em 18 de dezembro de 1865, falecia no Rio de Janeiro o compositor Francisco Manoel da Silva, compositor do Hino Nacional Brasileiro.

Além de compositor, ele era regente, multiinstrumentista (dominando o violoncelo, violino, piano e órgão) e também professor.


Foi um dos grandes compositores eruditos do Império, mas, também deixou uma importante contribuição para a nossa música popular, compondo valsas, quadrilhas, modinhas e lundus, como o antológico Lundu da Marrequinha, que recebeu letra de Paula Brito. Na época de sua composição, esse lundu fez muito sucesso, figurando depois em vários livros sobre modinhas, lundus e cançonetas.

Francisco Manoel da Silva nasceu no Rio de Janeiro em 21 de fevereiro de 1795. Era filho de Joaquim Mariano da Silva e Joaquina Rosa. Ainda menino, começou a estudar música com o célebre compositor Padre José Maurício. Foi também aluno de Policarpo Beltrão e Marcos Portugal, aperfeiçoando-se depois com Sigismund Neukomm.

Em 1857, D. Pedro II lhe ofereceu a condecoração máxima, a cruz de Cavaleiro da Ordem da Rosa.

O compositor faleceu em sua casa, no centro do rio (Rua Visconde do Rio Branco, nº49), vítima de "tísica na laringe".


HINO NACIONAL BRASILEIRO
De Francisco Manoel da Silva e Osório Duque Estrada
Gravado por Vicente Celestino, Coro e a Banda do Batalhão Naval
Disco Odeon Record 121.342
Gravado e lançado em 1917





Francisco Manoel da Silva



A MARREQUINHA
Do livro Canções Populares do Brazil








TE DEUM









Fontes:
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira - http://www.dicionariompb.com.br
Wikipedia (Fotos)
Internet Archive - http://archive.org
Youtube:








RONALDO LUPO, 99 anos



Há 99 anos nascia RONALDO LUPO, em 18 de dezembro de 1913, em São Paulo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

GONZAGÃO para começar o dia



Vamos começar o dia ouvindo Luiz Gonzaga 
e alguns de seus sucessos dos anos 40.





Balanço do Calango
Calango de Luiz Gonzaga e J. Portela
Acompanhamento de conjunto
Disco RCA Victor 80-0527-A, matriz S-078726-2
Gravado em 03 de março de 1947 e lançado em agosto desse ano.




Mangaratiba
Chote de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga
Acompanhamento de conjunto
Disco RCA Victor 80-0604-B, matriz S-078888-1
Gravado em 07 de junho de 1949 e lançado em outubro desse ano




Seridó
Seridó de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
Acompanhamento de conjunto
Disco RCA Victor 80-0606-A, matriz S-078893-1
Gravado em 09 de junho de 1949 e lançado em outubro desse ano.




Légua tirana
Valsa toada de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga
Acompanhamento de conjunto
Disco RCA Victor 80-0606-B, matriz S-078894-1
Gravado em 09 de junho de 1949 e lançado em outubro desse ano.




Gato angorá
Marcha baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
Acompanhamento de regional
Disco RCA Victor 80-0629-B, matriz S-078945
Gravado em 09 de outubro de 1949 e lançado em janeiro de 1950.






Agradecimento ao Arquivo Nirez.
Foto de Luiz Gonzaga: Jornal do Commércio










quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

LUIZ GONZAGA, 100 anos!



Há 100 anos nascia o Rei do Baião, LUIZ GONZAGA.
O maior representante do Nordeste na música.











terça-feira, 11 de dezembro de 2012

NOEL, por ele mesmo



Há 102 anos, no dia 11 de dezembro de 1910, nascia o compositor Noel Rosa, no Rio de Janeiro.
Considerado um dos gênios de nossa música, Noel faleceu em 1937, vítima de tuberculose, com apenas 26 anos de idade.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

ALZIRINHA CAMARGO, 97 anos



Há 97 anos nascia a cantora e atriz Alzirinha Camargo. 

Alzira de Camargo nasceu em São Paulo, no bairro do Brás, em 10 de dezembro de 1915.
Foi criada por seus padrinhos em Itapetininga (SP), onde se formou professora da Escola Normal.

BOM DIA



Pra começar o dia bem!
Nesse endereço (http://zip.net/brm7dn), a professora de gastronomia Juliana Cestari ensina algumas receitas com café.








Fonte: Blog Contando Histórias na Cozinha

domingo, 9 de dezembro de 2012

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Grande abraço!

COCADA, Yayá?



Depois da feijoada, que tal aquela cocada maravilhosa?



Vindo de Angola, esse doce fez a alegria dos brasileiros.
Pode ser preparado de várias formas.
Há receitas que usam até polpas de frutas.

No Candomblé e culturas afro, a cocada é denominada de Santo Antônio, e dessa forma é solicitada nas bancas das calçadas de Salvador (BA).

Branca ou preta (ou ambas), dão água na boca! ---> receita1, receita2 e receita3.

E há até a cocada rosa, cantada por Aracy Côrtes. ---> receita.

Em Angola, a mais consumida é a cocada amarela ---> receita.














Curiosidade: A Cocada Bahiana é um doce de coco cremoso produzido em Belo Horizonte (MG) desde 1907. Mais detalhes aqui.


Fazendo parte da gastronomia brasileira, não demoraria para a cocada estar inserida no imaginário popular através das artes. Na música e no teatro, ao mesmo tempo em que surgia a figura da baiana, logo a cocada teve um lugar especial em seu tabuleiro, ao lado de outras iguarias.

As Músicas

Trago duas músicas que falam de baianas e cocadas.
Em breve, voltaremos a falar sobre essas músicas.

A Baiana tem Cocada é uma toada interpretada pela cantora Gilda de Abreu.
Da autoria de Ary Kerner Veiga de Castro, traz o acompanhamento da orquestra Pan American, sob a direção de Simon Bountman.
Disco Odeon 10.651-A, matriz 3713.
Lançado em agosto de 1930.




Velha Baiana, é um importante registro do teatro de revista, interpretado pela cantora e atriz Aracy Côrtes e o compositor (e também cantor) Alberto Ribeiro. É uma ótima oportunidade de conhecermos um pouco de como eram feitas as cenas no teatro musical dos anos 30. Detalhe para o improviso de Aracy e a resposta de Alberto, quando ele esbarra em alguma coisa no estúdio de gravação, fazendo barulho.

Trata-se de uma cena típica de Napoleão Tavares e do próprio Alberto Ribeiro.
Acompanhamento da Orquestra Columbia.
Disco Columbia 22.134-B, matriz 381287
Lançado em julho de 1932.











Agradecimento ao Arquivo Nirez.


Fonte: http://pt.wikipedia.org
Foto: http://www.marasemalca.com.br/2012/06/top-five-delicias-juninas.html

Receitas: http://receitasrapidasdamena.blogspot.com.br
http://www.tudook.com/receitasbrasileira
http://iranifelix.blogspot.com.br
http://myafrica.allafrica.com
http://quysantaalimentos.com.br/acocadabahiana.php







FEIJOADA BRASILEIRA



Domingo é um dia ideal para se saborear uma bela feijoada.
Pode ser preparada de diversas formas em cada região, mas, com certeza, sempre será muito gostosa.
Vamos ouvir três músicas que falam sobre feijoada.



Feijoada Completa
Gravada por Eduardo das Neves e Bahiano
Disco Odeon Record 120.067, matriz XR-1603
Lançado em 1912.




Feijoada
Laís Areda, famosa cantora de operetas, gravou esse samba de Henrique Vogeler e Lamartine Babo.
Acompanhamento da Orquestra Rio Artists.
Disco Odeon 10.368-A, matriz 2449.
Lançado em abril de 1929.




Feijoada
Cançoneta cômica gravada pelo ator Ildefonso Norat.
Da autoria de Rogério Guimarães e Ornelas.
Acompanhamento de piano e violão.
Disco Victor 33.202-B, matriz 50018-1.
Gravado em 05 de julho de 1929 e lançado em novembro de 1929.








Confira uma receita de feijoada aqui.

Aqui, a sobremesa.





Agradecimento ao Arquivo Nirez.

Crédito das foto:
http://www.blogjurereinternacional.com.br/2011/03/31/feijoada-spazzio/
http://allrecipes.com.br



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Datas do dia 05 de dezembro

05 de dezembro de 2012,
esse dia marca os seguintes eventos de personagens da nossa MPB:


HELENA PINTO DE CARVALHO
75 anos de Saudade



















ADEUS A NIEMEYER



Faleceu hoje, dia 05 de dezembro de 2012, o arquiteto OSCAR NIEMEYER.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Músicas Picantes e Trovas Alegres (Parte 2)

As Cantoras


Desde o início da indústria fonográfica brasileira as mulheres participaram das gravações em cilindros e/ou discos.

O repertório era vasto e retratava os ritmos e tendências da época, como modinhas, lundus, maxixes, canções, entre outros. As célebres cançonetas tinham lugar de destaque. Por si, a cançoneta já trazia um estilo jocoso, engraçado, alternando canto e falas, acompanhadas de uma encenação. Algumas delas eram carregadas de malícias. Mas, o duplo sentido podia ser observado em uma inocente valsa, bastava seus autores liberarem a criatividade.
Vamos conferir algumas!



Confira a primeira parte deste post: http://zip.net/bjtjYS


SENHORITA ODETTE

A Borboleta Gentil

Esta bela valsa fazia parte da peça A Inana, estrelada pela atriz Pepa Ruiz, que estreou em 1901.
A melodia da valsa francesa Frou Frou foi a inspiração para a bela Borboleta Gentil. Em nossa versão, uma gentil e interessada borboleta vagueia pelas rosas, jasmins, bebendo no hastil das flores o doce mel que elas lhe ofereciam. Assim, ela nunca se fixava em flor alguma, sempre variando, acabando de sugar o que uma oferecia, já partia para outra. Jasmins, rosas ou violetas, todas eram bem vindas. É uma bela figuração das famosas cortesãs da Belle Époque que, gentis que eram,se desdobravam em atenção à vários clientes, recebendo muito em troca de seus carinhos e atenções. Os versos da estrofes eram bem claros: o gozo (da vida) estava no variar. Amor constante era uma grande tolice e, quando ele se aproximasse, a borboleta gentil deveria se afastar rápido. Voar, voar, fugir, fugir, fugir...

Gravada por Senhorita Odette em 1903
Disco Zon-O-Phone X-537
No disco vem como modinha.
Foi gravada em 1902 e 1903 pelo Bahiano
Aqui, temos a versão de Senhorita Odette.





Oh, borboleta gentil
Oh, borboleta bilontra
Que vai sugando no hastil
o mel das flores que encontra
Eis o que sou, meu amigo
Eis o que sempre hei de ser
Amor constante é perigo
Foge dele após colher

Amor! Amor!
Se a voz do amor fruir
Voar! Voar!
Fugir! Fugir! Fugir!

Se enjoar primeiro um jasmim
Ébria de amor beijo a rosa
Beijo a violeta, sequiosa
Como é bom amar assim
Isto de amores, já disse
e podes acreditar
Amor constante é tolice
O gozo está no variar


SENHORITA CONSUELO

Mamãe me Enganou

Uma delícia de cançoneta!
Era do repertório da atriz Rose Méryss, que a lançou por volta de 1879.
Foi gravada por Senhorita Consuelo em 1903.
Disco Zon-O-Phone X-688.
Por que será que a mocinha citada se desiludiu tanto com o casamento?




Desde a infância, desde a escola
no casamento ouvi falar
A mamãn virou-ma bola
para que eu me fizesse casar
Eu confesso tinha medo
de alguma desilusão
Não conhecia o segredo
dessa espécie de união

Logo ao sair da igreja
rubra como a cereja
Suspirei: Ai, ai,
Que mamãe me enganou

Não é tudo, eu fui para casa
querendo risos mostrar
Mas, eu tinha o peito em brasa
Não podia o pranto abafar
Me diziam toda a gente
em coro e no mesmo tom:
Amanhã estarás contente
Que o casar é muito bom!

Dias depois, minha tia
me disse uma vez no jantar
Menina! Eu não te dizia?
Nada melhor do que casar!
Não senhora, nada! Nada!
É uma perfeita ilusão!
Já a mamãn foi a culpada
da minha dura aflição.

Chorosa, disse-lhe ao ouvido:
Eu não sei para que serve um marido!
Suspirei: Ai! Ai, que
Mamãe me enganou!



PEPA DELGADO



O Abacate

Cançoneta da autoria de Chiquinha Gonzaga, foi lançada com sucesso na revista Cá e Lá.
A atriz Pepa Delgado cantava no palco e, depois, no disco, os efeitos e benefícios que o abacate proporcionava.
A letra foi escrita por Tito Martins e Bandeira de Gouvêa, autores da peça.

Disco Odeon Record 10.059, matriz R-379, com acompanhamento de piano.
Gravado e lançado em 1904.

Obs. Esse disco pertencia à própria atriz Pepa Delgado. Hoje, faz parte do Arquivo Marcelo Bonavides.








Tem mui preciosas propriedades
Artes possui, misteriosas
Pra corrigir na terna idade
os descalabros e outras coisas
Levanta um morto
E, se nos vivos,
produz desejos de morrer
É pra de novo, e mais ativos
breve, tornarem-se a erguer!

Assim num moribundo
Que é caso sabido
Já de todo perdido
Não dava uma palavra
Tal efeito profundo fez o abacate
Em suma, em suma
até que fez
Que o homem em vez d´uma
Deu duas?
Deu três palavras,
sim, senhor!
E qual a morte houvera
às pressas erguido o voo
o morto (horror!) ainda ficou
pra mais conversa!...

Restaurador por excelência
dos organismos desfalcados
Ele não é sem consistência
como os tônus mais afamados
A Panaceia abençoada
da sua crème tem sabor
Pode salgada, pode gelada
a prova já nos dá calor!


O Eixo da Avenida

Valsa de Assis Pacheco, cantada por Pepa Delgado na revista musical Avança, em 1904, e gravada por ela em 1904, disco Odeon Record 10065. Fazia alusão, de forma maliciosa, à abertura da Avenida Central.
Obs. Esse disco pertencia à própria atriz Pepa Delgado. Hoje, faz parte do Arquivo Marcelo Bonavides.





Já não tenho prazer nesta vida
Infeliz, como eu sou, jamais vi!...
Pois por causa da tal avenida
O meu noivo querido perdi
Era um moço de louro cabelo
Olhos grandes, chamava-se Aleixo
Mas, fugiu! Nunca mais pude vê-lo...
Desde que houve...a abertura do eixo.

A princípio, era bom, amoroso
Sempre amável e sempre a sorrir...
Tão gentil, tão...tão...tão carinhoso!
E tão mau afinal me sair!
Enganou-me o tratante, o malvado!
Desse engano é que aflita me queixo
Percebi que me havia enganado
Só depois... da abertura do eixo!

Conheci-o num baile valsando...
Vê-lo e amá-lo foi quanto bastou!
Ai, Jesus! Chorarei até quando?...
Que infeliz! Que infeliz, ai que eu sou!
Enganou-me o vilão, foi esperto!...
E a culpada foi eu! É bem feito!
Mas agora que está o eixo aberto
Vou ter noivos a torto e a direito.



NINA TEIXEIRA






Falando da Vida Alheia
Canção alegre
Gravada por Nina Teixeira em 1910
Disco Odeon Record 108.357, matriz XR-923



Quando em Paris eu estava
conheci um rapaz
que o bonde só tomava
do lado de trás.

E outras coisas mais
Ele tomava pra ali
que seriam demais
vir dizê-las aqui...

Um ramo fui comprar
ao lado de um francês
E, então, sem reparar
saí levando três.
E outras coisas mais
ainda levei pra alí
Que seriam demais
vir dizê-las aqui...

As moças de Botafogo
são cheias de etiqueta
E falam da vida alheia
fazendo muita ... careta
E outras coisas mais
elas fazem pra alí
Que seriam demais
vir dizê-las aqui...

Também, outras que moram
pros lados de Itapiru
Quando saem de casa
nem lavam o... biju.
E outras coisas também
elas não lavam pra alí
Que seriam demais
vir dizê-las aqui.

Essas mocinhas que moram
no bairro de Catumbi
vivem a toda hora
fazendo só... xixi.
E outras coisas também
que eu aqui dizer não posso
E outras coisas mais
Lá, lá....

As meninas da Tijuca
são muito coquetes
E gostam do primo Juca
porque lhes faz... omelete.
E outras coisas mais
ele faz pra alí
Que seriam demais
vir dizê-las aqui...

As raparigas que habitam
a estação de Cascadura
fazem os homens ficar
num instante com a... cara dura.
E outras coisas mais
elas faz pra alí
Que seriam demais
vir dizê-las aqui...

Outras que moram, ainda
na estação do Riachuelo
vivem coçando com o dedo
o seu rozadinho... cabelo.
E outras coisas mais
elas coçam pra alí
Que seriam demais
vir dizê-las aqui...

Não cantes mais, te peço
que estás muito fatigada
Vem comigo pra casa
inventar que estás... cansada.
E outras coisas mais
tu vais fazer pra alí
Que seriam demais
vir dizê-las aqui...









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