quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

MÁRIO PINHEIRO, O TROVADOR (Parte1)


Mário Pinheiro



Há 90 anos falecia o cantor Mário Pinheiro, um dos mais importantes nomes de nossa cena lírica e popular no começo do século XX, sendo um dos pioneiros nas gravações de discos no Brasil.

Em setembro de 1922, o barítono Mário Pinheiro se afastara da cena artística. Isso causou apreensão no meio, uma vez que ele era um dos mais ativos artistas de então, atuando na companhia lírica da empresa Walter Mocchi.

A maior causa da preocupação foi, porém, o fato de Mário ter passado mal em sua casa e ser encontrado desmaiado. Ao acordar, foi acometido por soluços que resistiam a quaisquer medidas para combatê-los. Seu médico resolveu interná-lo imediatamente. Dia a dia, mesmo com várias intervenções cirúrgicas, seu estado se agravava de forma dolorosa.

Sem recursos, senão para as primeiras despesas da internação, Mário teve a ajuda de três amigos que fizeram subscrições, reunindo meios para o colega e o acompanhando nessa difícil fase.
Às três horas da tarde do dia 10 de janeiro de 1923, uma quarta-feira, Mário Pinheiro falecia na extrema pobreza, na Casa de Saúde Affonso Dias, à Rua Aristides Lobo, 115, Rio de Janeiro.
Estava cercado por sua irmã, filhos e alguns amigos.
Tinha 38 anos.
O que o vitimou foi uma fístula no estomago, de caráter sifilítico.

Seus amigos e familiares não tinham dinheiro sequer para um modestíssimo funeral, contrastando com a fama e prestígio do artista. Diante disso outros amigos, Rachel Bastos e Di Agostini, telegrafaram ao Presidente da República. Arthur Bernardes respondeu comunicando que já havia expedido ordens para se realizarem os funerais de Mário Pinheiro, à custa da União. A Fazenda  Nacional amparava o grande artista nessa última etapa na terra.

Em seu velório havia várias coroas, onde se liam:
“Ao meu querido Mário, toda saudade e lágrimas de tua Lenita”.
“Ao amigo Mário Pinheiro, profunda saudade da amiga Rachel Bastos”.
“Sincera saudade de De Agostini Braga e filha”.
“Ao Mário, saudade de Chocolate”.
“Saudade da Empresa Mocchi, do Theatro Municipal”.
“Homenagem da Casa dos Artistas”.
“Homenagem de Leopoldo Fróes”.

Entre os que visitaram a câmara ardente e acompanharam o enterro, estavam:
Bahiano, Catullo da Paixão Cearense, Asdrúbal Miranda, entre dezenas de artistas, empresários e representantes de empresas ligadas ao meio artístico. 




O Paiz, terça-feira,
16 de janeiro de 1923.





Continuaremos na próxima postagem falando sobre a vida e obra de Mário Pinheiro.





Fonte:
Biblioteca Nacional

2 comentários:

  1. Como a gente se enriquece, aqui.
    Tantos valores, tantas histórias de vida que passo a conhecer. Obrigada!
    Parabéns,por divulgar!

    ResponderExcluir
  2. Sou fã de Mario a muitos anos. Desde quando comprei um LP remasterizado dele. Pra mim a voz mais interessante do Brasil. Pois pegou a época mais dificil e ainda sim é bonito ouvi-lo. Tenho um depoimento do cantor Paraguassu dizendo que ele foi o maior baixo da america do sul.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...