segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

MÁRIO PINHEIRO, O TROVADOR (Parte2)

Mário Pinheiro


Continuando a postagem sobre a vida do cantor Mário Pinheiro, vou contar um pouco sobre sua carreira.


Mário Pinheiro tem ligação com Fortaleza (CE) através de sua mãe, que trabalhou na Santa Casa de Misericórdia, localizada nessa capital. Porém, Mário nasceu na cidade de Campos, Rio de Janeiro, em 03 de outubro de 1883 (segundo um jornal da época. Há fontes que dão, aproximadamente, o ano de 1880).

Começou a trabalhar como palhaço em um circo localizado no bairro carioca de Piedade, já fazendo sucesso. Depois, passou a cantar cançonetas e modinhas no palco do teatrinho que havia no Passeio Público, no Rio de Janeiro, acompanhando-se ao violão. 
Era boêmio e saia com amigos pelas ruas, fazendo serenatas, quando mais uma vez soltava a sua bela voz de barítono entoando as belas modinhas brasileiras de então.

Sua popularidade fez com que fosse contratado por Fred Figner para gravar discos na Casa Edison. A partir de 1904, os discos de Mário Pinheiro eram gravados e lançados ao mercado, aumentando seu prestígio. Logo, estava ao lado dos grandes intérpretes da primeira década do século XX, como Bahiano, Cadete, Lino, Campos, Eduardo das Neves, Geraldo Magalhães, Nozinho, Neco, entre outros.

Seu repertório é bem variado e ele se destacava em todos os estilos. Seja nas serenatas, modinhas ou canções, como nas cançonetas, lundus e maxixes.
Gravou vários clássicos de nossa música. Alguns, hoje, já esquecidos como, Por um beijo, Rosa do sertão, Lágrimas do passado, Namorados da lua, Mulata vaidosa; ou, outros conhecidos até hoje, como, O gondoleiro do amor, Casinha pequenina, O talento e a formosura, A casa branca da serra, A mulata.

Mário Pinheiro fez dupla com os grandes nomes da época. Gravou desafios com Eduardo das Neves, João Barros, Nozinho, Benjamim de Oliveira e Nina Teixeira. Mas, sua mais conhecida parceria nos discos foi feita com a atriz e cantora Pepa Delgado. Juntos, Mário e Pepa gravaram clássicos como Vem cá, Mulata!, ou repertório do teatro de revista, como, Agulhas e Alfinetes. Também gravaram juntos o curioso Um Samba na Penha, em 1910. (esse merece uma posterior postagem).

Seus discos e modinhas faziam tanto sucesso que seu repertório era ouvidos e conhecido no Brasil inteiro. Em uma época onde a divulgação das músicas ainda era muito precária, suas modinhas faziam sucesso até no interior do Ceará, como Yara (Rasga o Coração).
Os trovadores do Norte e Nordeste conheciam e respeitavam o nome e repertório de Mário Pinheiro.

Em 14 de julho de 1909, Mário estava no elenco da ópera Moema, de Delgado de Carvalho, que inaugurou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.


O Paiz, 14 de julho de 1909.


O prestígio alcançado por Mário Pinheiro fez com que ele recebesse o convite para gravar na Victor dos Estados Unidos. Segundo registros, lá, conseguiu mais sucesso e o que ganhou fez com que ele partisse para Milão, para aprimorar seu canto. Na Itália, com o canto aperfeiçoado, largou a vida boêmia ao casar-se com a sobrinha de um empresário.
Em Lyon, fez sua estréia na cena lírica européia.

Retornou ao Brasil com a Companhia Galli-Curci-Lazzaro, e depois, com Rotoli-Biloro.
Em 1917, no Theatro Apollo, cantou na ópera Aída, interpretando Ramphis; em Gioconda, interpretou Alvise; e foi protagonista em Mephistopheles, o de sua predileção.

Separado de sua esposa, teve dois filhos.

No Brasil, contratado pelo empresário Walter Mocchi, voltou a se apresentar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e, também, em São Paulo, Itália e Argentina (Theatro Colon, de Buenos Aires).

Em 1920, ao lado da soprano gaucha Zola Amaro, participou da ópera O Condor, de Carlos Gomes, interpretando Almansor, e Zola fazendo o papel de Odaléa.

Quando adoeceu estava em cartaz no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, porém, sua última aparição pública foi em uma vesperal no Theatro Trianom, organizada por Leopoldo Fróes, onde cantou dois números, um dos quais de origem argentina, que foi obrigado a bisar.

Na época de sua morte, em 10 de janeiro de 1923, ocorrida no Rio de Janeiro, os jornais diziam que seus filhos estavam em companhia de sua irmã.
Os jornais dão como sendo 38 anos a idade com que Mário Pinheiro faleceu. Sendo isso verdade, sua data de nascimento seria 1884.



Obs: Esse artigo continua.




Fonte: Arquivo Nirez e Biblioteca Nacional

Um comentário:

  1. Adalzira Bittencourt ao escrever, em 1943, "Surgiu no céu mais ema estrela: homenagem póstuma à Edda Bezerra Pinheiro", livreto de 44 p., relatou que Mário Pinheiro era parente e conterrâneo do méd. Manuel Alfredo Rodrigues Pinheiro, pai da Edda; e este informou que o cantor nasceu em Cachoeira/CE, mas na seca de 1888, tendo ele 5 anos de idade, se retirou com toda a família para São Paulo; ali um paulistano o adotou para o mundo e o mandou estudar na Itália. Ele nasceu em 1883 ou 1884. É um cantor desconhecida no município. Escrevo a história da minha terra. Espero encontrar as suas origens nos livros de batismo da paróquia local. O livreto da Edda me chegou há uma semana. Sucesso me desejem. Fco. Dantas Pinheiro, Solonópole (ex-Cachoeira), 1/12/2018.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...