domingo, 24 de março de 2013

JANUÁRIO DE OLIVEIRA Interpreta SINHÔ

Januário de Oliveira.


Há 111 anos, nascia no Rio de Janeiro, em 24 de março de 1902, o cantor, humorista e compositor Januário de Oliveira Januário de Oliveira Chirico).


Januário de Oliveira consolidou sua carreira em São Paulo.
Estreou na Rádio Sociedade, indo depois para a Rádio Clube do Brasil. O compositor Sinhô (José Barbosa da Silva), o levou para São Paulo em 1929, para tomar parte em um espetáculo, no Theatro Municipal dessa cidade, que apoiava a candidatura de Júlio prestes à Presidência da República, promovido pelo Clube da Antropofagia.

Curiosidade: Nesse evento houve o lançamento do samba de Sinhô, Eu Ouço Falar, abordando Júlio Prestes. 

Em São Paulo, Januário de Oliveira passou a se apresentar, por intermédio de Sinhô, na Rádio Educadora Paulista (hoje Gazeta). Também foi um dos principais artistas contratado pela gravadora Columbia, tendo gravado quase todos os seus discos nessa empresa.

Em 1938, Januário de Oliveira veio ao Ceará em uma bem sucedida excursão. Ele ficou hospedado no célebre Excelsior Hotel, na Praça do Ferreira.

Foi um dos pioneiros da gravadora Columbia no Brasil, onde gravou cerca de 59 discos e 103 músicas, no período de 1929 a 1938.
Nos anos 40, ele voltou ao Rio de Janeiro. Fazia humorismo nos Cassinos e na Rádio Nacional e imitava com perfeição todas as vozes de uma opereta: barítono, tenor, soprano, contralto.

Estava em São Paulo, novamente, onde pegou o advento da televisão, mas, logo seria apenas empresário artístico, até falecer, em 22 de fevereiro de 1963.

Januário de Oliveira foi um dos grandes intérpretes de nossa música. Hoje, esquecido pela maioria das pessoas e lembrado por poucos que se interessam em descobrir nosso passado musical. Sua discografia é de primeiríssima qualidade, revelando o que de melhor havia em sambas, canções, valsas, no final dos anos 20 e durante os anos 30.

Felizmente, ele seria relembrado pelo selo Revivendo de Curitiba, fundado pelo saudoso pesquisador Leon Barg. Foi através dessa empresa que conheci o trabalho de Januário de Oliveira. Entre as músicas que mais me marcaram estavam Cauhã e Engenho Novo.


Vamos ouvir Januário de Oliveira interpretando Sinhô (José Barbosa da Silva), nas treze músicas gravadas por ele.


Sinhô (José Barbosa da Silva).




"Chequerê" 
Choro, gravado na Colúmbia, em São Paulo
Sinhô estava presente, pois havia viajado em maio de 1929 para São Paulo para o lançamento da candidatura de Júlio Prestes. Aproveitou e realizou cinco gravações na Colúmbia, inclusive fazendo o acompanhamento de piano e violão. O outro violão era de Pedroso, famoso instrumentista de São Paulo.

Acompanhamento de Sinhô e Pedroso
Disco Colúmbia 5.084-B, matriz 380269
Lançado em setembro de 1929




Como Se Gosta
Valsa
Acompanhamento de Sinhô ao piano e Pedroso ao violão.
Disco Colúmbia 5.104-B, matriz 380270-1
Lançado em setembro de 1929



Minha Branca
Samba gravado na temporada paulistana de Sinhô.
Acompanhamento de Sinhô ao piano e Pedroso ao violão.
Disco Colúmbia 5.085-B, matriz 380271
Lançado em setembro de 1929




“Nossa Senhora do Brasil”
As aspas no título desta canção se justificam pelo fato da santa não ser a de Aparecida do Norte, e sim, a pintora Tarsila do Amaral, que recebeu Sinhô com muito carinho em São Paulo, em 1929, e, de certa forma, foi sua protetora.
Nos versos Sinhô cita: “Nossa Senhora Tarsila, é a santa brasileira. Que a gente não vacila, em chamar bem brasileira”.

No estúdio de gravação, só “feras”.
Sinhô ao piano, Pedroso ao violão, Januário de Oliveira no canto e, na segunda voz o ator Henrique Chaves.

Disco Columbia 5.084-B, matriz 380272
Lançado em setembro de 1929.




Missanga
Marcha chula editada com o nome de Ó Rosa (Muito Brasileira), para o carnaval de 1926, em homenagem a N. S. da Penha, sendo gravada por Pedro Celestino. Foi regravada com o nome de Miçanga pelo Jazz Band Columbia em 1930, na voz de Januário de Oliveira, cujo nome não aparece no selo do disco. Sinhô assina como J. Curangi, um de seus pseudônimos.

Marcha com estribilho
Disco Colúmbia 5.167-B, 380544
Lançado em fevereiro de 1930




Sem amor
No selo do disco vem como marcha, mas, trata-se de um samba.
Foi gravada originalmente por Carlos Serra em 1927.

A gravação de Januário de Oliveira tem o acompanhamento de Gaó, Jonas, Petit, Zezinho, Sutte e Grany (alguns dos melhores músicos de São Paulo).
Disco Colúmbia 5.185-B, matriz 380610
Lançado em março de 1930.
Viva a Penha
Editado em 1926 (e dedicado aos Irmãos Vitale), era tido como maxixe, e assim foi gravado nesse mesmo ano pelo American Jazz-Band Sílvio de Sousa.
Gravado com letra somente em 1930 por Januário de Oliveira, foi designado como samba.
Acompanhamento do Jazz-Band Columbia.
Disco Colúmbia 5.212-B, matriz 380679
Lançado em junho de 1930




Cauhã
Cauã (também conhecido como acauã) é um pássaro brasileiro. Sinhô amava os pássaros e compôs várias músicas com seus nomes: Bem-te-vi, Sabiá, Maitaca...
Cauã é uma valsa choro e, por sinal, uma das mais bonitas valsas brasileiras. Foi tocada na novela Kananga do Japão, de 1989, somente instrumental, enquanto os personagens Sílvia (Júlia Lemmertz) e Henrique (Paulo Castelli) dançavam.

Acompanhamento de Orquestra
Disco Colúmbia 5.215-B, matriz 380671
Lançado em junho de 1930



Sou da Fandanga
 Marcha carnavalesca.
Aqui, eis uma dúvida: como já dissemos, Januário de Oliveira imitava diversas vozes, inclusive soprano. Mas, nesta gravação, penso que a voz feminina seja da cantora Elsie Houston. Januário e Elsie gravaram três músicas juntos. Pela numeração dos discos, Sou da Fandanga está muito próximo a uma gravação que os dois fizeram (provavelmente feitas no mesmo dia). Como no selo do disco não vem o nome de Januário de Oliveira, somente Jazz Band Columbia, é provável que Elsie Houston tenha participado da gravação.

Disco Colúmbia 5.226-B, matriz 380709
Acompanhamento do Jazz Band Columbia
Lançado em julho de 1930



Salve-se quem puder
Samba com estribilho. No selo do disco não vem o nome de Januário de Oliveira, somente da Jazz Band Columbia.
Disco Colúmbia 5.226-B, matriz 380732
Lançado em julho de 1930



Bemzinho
Choro canção
No selo do disco não consta o nome de Januário de Oliveira, apenas traz o da Jazz Band Columbia.
Disco Columbia 5.229-B, matriz 380687
Lançado em julho de 1930

Antes, ainda teve gravações feitas por Gustavo Silva e Arthur Castro, ambas em 1926.



Fala macacada
Samba toada
Januário de Oliveira gravou com o Jazz Band Columbia, dirigido pelo maestro Gaó.
Disco Columbia 7.017-B
Lançado em setembro de 1930, um mês após o falecimento de Sinhô



Professor de Violão
Samba
Foi gravado em disco Arte Fone, uma pequena gravadora de São Paulo instalada, no fim de 1931, no alto da Moóca, na Rua Hípia.
Uma gravação de Januário de Oliveira muito rara.
Segundo Abel Cardoso Junior, Sinhô havia sido professor de violão e, neste samba, celebrava a aceitação do instrumento, da música popular e do preto (ele) na casa da “fina elite”. Deve ter sido composto em São Paulo, sob a impressão da recepção calorosa que teve. Foi gravado mais de um ano depois do falecimento de Sinhô.

Acompanhamento de Regional
Disco Arte Fone 4.020-A, matriz 4020-A
Lançado em 1932.








Agradecimento ao Arquivo Nirez
Fonte dos dados: Abel Cardoso Junior e Marcelo Bonavides
http://www.dicionariompb.com.br








3 comentários:

  1. Isso é Música (com letra maiúscula).

    Beijos!

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  2. Meu Avô. Documentos e discos foram entregues por meus tios (já falecidos) no Museu da Imagem e do Som em São Paulo.

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  3. Meu tio, irmao de meu pai, se vc, anonimo, e neto de januario de oliveira chirico, vc e filho de um dos meus primo. faca contato.

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