sábado, 16 de março de 2013

JOSUÉ DE BARROS - 125 ANOS

Revista O Violão, janeiro de 1929.




Há 125 anos nascia o compositor, violonista, letrista, bandolinista e cantor JOSUÉ DE BARROS.

Josué de Barros é mais conhecido por ter descoberto a cantora Carmen Miranda.
Porém, o que poucos sabem é que ele foi um ótimo violonista e compositor inspirado, entre outras atividades.

Nascido em Salvador (Bahia), no dia 16 de março de 1888, Josué Borges de Barros era descendente do Visconde da Pedra Branca (Domingos Borges de Barros, que foi advogado, escritor, diplomata e político).

Em 1904, Josué e seu irmão Otaviano foram para o Rio de Janeiro em formaram a dupla Irmãos Barros. Como não obtiveram sucesso, retornaram à Bahia. 

Novamente no Rio, Josué assina um contrato com a gravadora Columbia e lança sua composição Aventureira (uma polca que ele interpretou ao violão) em disco, no ano de 1910.

Pouco depois, com os também baianos Duque e Arthur Castro, viajou à Europa. Sem muito êxito, conseguiram com a embaixada brasileira em Paris o retorno, com uma escala em Lisboa. Aí, ele e Arthur Castro obtiveram êxito e foram contratados para gravar alguns discos em Berlim, pela Decca Records. Sozinho, voltou para Salvador.

Em 1928, Josué retornou ao Rio de Janeiro. 
Nesse mesmo ano a grande estrela do teatro musicado, Aracy Côrtes, gravou a canção sertaneja da autoria de Josué, Chora Violão. Uma delícia de composição, melodia e interpretação.  

Em 1929 conheceu a jovem Carmen Miranda em uma festa. Começou a lhe ensinar canto e dar dicas sobre interpretação. Quem também ia recebendo os conselhos musicais de Josué, era a pequena Aurora, irmã de Carmen que, aos 13 anos ainda não sonhava em se tornar cantora. A jovem Carmen, fã do trabalho de Aracy, tratou de aprender Chora Violão incorporou em seu repertório de cantora amadora. Quando cantava essa música, era a sua melhor imitação de Aracy Côrtes.




Josué de Barros, à esquerda, sentado com o violão.


Gravando suas composições ao violão, cantando ou ainda entregando a outros intérpretes, Josué de Barros foi deixando sua marca em belas músicas.


A cantora Jesy Barbosa, em sua primeira gravação (na Victor, em 1929), registrou uma música de Josué: Olhos Pállidos. Jesy seria eleita, em 1930, Rainha da Canção Regional.

Em 1932, acompanhado de seu filho Betinho, Carmen Miranda, Roberto Vilmar e Mário Cabral, fez uma excursão à Argentina, com muito sucesso. Ficou morando nesse país (em Buenos Aires) por seis anos, onde foi chefe de orquestra.

Em 1938, ao retornar ao Brasil, se afastou da carreira artística. Em 1953, ele daria uma entrevista e explicaria o motivo de seu afastamento: “De volta ao Brasil encontrei muita coisa mudada. O rádio tomava rumos diferentes daqueles que eu deixara (...) Por outro lado eu já estava velho, muito velho mesmo. Preferi ceder lugar ao moços (...) Minha tarefa estava extinta.”.

Até aposentar-se, Josué foi funcionário do Ministério da Educação.

Josué de Barros faleceu no Rio de Janeiro em 30 de novembro de 1959, quatro anos depois de sua pupila Carmen Miranda.

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Josué de Barros e Carmen Miranda




Em setembro de 1929, após acompanhar Carmen em algumas rádios, Josué a levou para gravar seu primeiro disco na Brunswick, recém instalada no Brasil. Ela gravou duas músicas de sua autoria: o samba Não Vá Simbora e o o choro Se o Samba é Moda. Carmen é acompanhada pelo Trio Barros, do qual ele fazia parte e, talvez, seu filho Betinho.
Como o disco demoraria a ser lançado (somente em janeiro de 1930) e isso atrapalharia na divulgação do trabalho da cantora, Josué a levou para um teste na Victor (também recém instalada aqui), onde o compositor e violonista Rogério Guimarães, amigo de Josué, era o diretor artístico. Rogério gostou da voz de Carmen e ela foi contratada. Seu primeiro disco na Victor trazia também músicas de Josué: Triste Jandaya, canção toada, e Dona Balbina, samba. O acompanhamento foi feito pelos violões de Josué e do próprio Rogério Guimarães. 
A secretária da Victor lembrava que, ao ouvir a prova, a jovem cantora começou a rir, e sentou-se no chão, batendo palmas, emocionada com o resultado.
Depois disso, enquanto o primeiro disco de Carmen chegava às lojas, também era lançado o seu terceiro na Victor trazendo a marcha de Joubert de Carvalho, P´ra Você Gostar de Mim, mais conhecida como Taí, que fez um estrondoso sucesso, alavancando a carreira da jovem e eclipsando o disco da Brunswick. Hoje, porém, os dois discos (principalmente o gravado na Brunswick) são raridade total.


Curiosidades:

  • Em 1915, Josué de Barros casa-se com Hozana de Barros, que era prima do marechal Floriano Peixoto. Tiveram os filhos: Zuleika, Odete e Alberto Borges de Barros.
  • Josué de Barros era pai dos artistas Alberto Borges de Barros (o Betinho) e Zuleika Borges de Barros. Betinho, além de violonista e compositor de sucesso, também ficou famoso por introduzir o rock´n roll no Brasil. Zuleika, com o pseudônimo de Neyde de Barros, fez sucesso nos anos 30 como cantora.
  • Além de descobrir Carmen Miranda, Josué também revelou o grupo Bando da Lua. O interessante é que Carmen e o Bando fariam sucesso nos EUA e em Hollywood a partir de 1939.
  • Foi Josué quem introduziu no Brasil o violão elétrico, em 1929.
  • Ao lado de Carmen Miranda, compôs a marchinha Por Ti Estou Presa, que Carmen gravou no final de 1930.
  • Gravação histórica: No final de 1929, na Victor, Josué foi gravar um batuque humorístico de sua autoria, História de um Capitão Africano, onde misturava um pequeno esquete com batuque, tendo temas do candomblé. Nessa gravação, além de Josué, participam o cantor Breno Ferreira e a própria Carmen Miranda, que por acaso estavam pelo estúdio. Breno interpreta o feitor e Carmen, a mulatinha que vai interceder pelo moleque. Ainda uma cantora desconhecida, Carmen já mostrava seu carisma. Foi a única vez que Josué e ela gravaram juntos, cantando.
Breno Ferreira, Carmen Miranda e Josué de Barros, 1930.


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Josué de Barros e sua filha, a cantora Neyde de Barros.



Gravações de Josué de Barros

Babaô Miloquê
Batuque africano
Interpretado pelo autor
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.253-A, matriz 50113-3
Gravado em 22 de novembro de 1929 e lançado em janeiro de 1930



Tome Disso
Polca interpretada pelo autor e seu filho Alberto Barros (Betinho) ao violão
Disco Victor 33.484-A, matriz 65200-2
Gravado em 22 de julho de 1931 e lançado em novembro desse ano.



Gemidos d´Alma
Valsa
Interpretada pelo autor e seu filho Alberto Barros (Betinho) ao violão
Disco Victor 33.484-B, matriz 65201-2
Gravado em 22 de julho de 1931 e lançado em novembro desse ano.



Mimo de Amor
Valsa interpretada pelo autor ao violão
Disco Brunswick 10022-A, matriz 93
Lançado em fevereiro de 1930



Sinhá, Sinhô
Marcha interpretada pelo autor e coro
Acompanhamento de Simão e sua Columbia Orquestra
Disco Columbia 22.006-B, matriz 380947
Lançado em janeiro de 1931



Minha Cachacinha
Samba interpretada pelo autor e coro
Acompanhamento de Simão e sua Columbia Orquestra
Disco Columbia 22.006-B, matriz 380953
Lançado em janeiro de 1931








Agradecimento ao Arquivo Nirez

Fontes:
http://carmen.miranda.nom.br
http://www.onordeste.com
http://hemerotecadigital.bn.br/





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