sexta-feira, 22 de março de 2013

O POETA GUIMARÃES PASSOS




Há 146 anos, em 22 de março de 1867, nascia o poeta e jornalista GUIMARÃES PASSOS.

Nascido em Maceió (AL), Sebastião Cícero dos Guimarães Passos foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, criando a cadeira de nº26, tendo como patrono Laurindo Rabelo.

Fez seus estudos primários e preparatórios em Alagoas. Aos 19 anos seguiu para o Rio de Janeiro, fazendo amizade com os jovens boêmios e intelectuais. Entrou para a redação dos jornais e passou a fazer parte do grupo de Paula Ney, Olavo Bilac, Coelho Neto, José do Patrocínio, Luis Murat e Arthur Azevedo.

Colaborou com a Gazeta da Tarde, a Gazeta de Notícias, A Semana. Publicava crônicas e versos e, por onde trabalhou, também escreveu sob o pseudônimo de Filadelfo, Gill, Floreal, Puff, Tim e Fortúnio.

Ele também era arquivista da Secretaria da Mordomia da Casa Imperial. Porém, com a proclamação da República, essa repartição foi extinta e ele passou a viver somente de seus trabalhos jornalísticos.

Exilou-se em Buenos Aires, devido ter participado de revolta contra Floriano Peixoto. Na Argentina colaborou com os jornais La Nación e La Prensa, também fazendo conferências sobre temas literários relacionados ao Brasil.

Voltou do exílio em 1896, sendo um dos primeiros poetas chamados para formar a Academia Brasileira de Letras.
Viu que o Rio de Janeiro de sua geração estava completamente transformado, com vários antigos companheiros em cargos bem remunerados, sendo ele o último boêmio.

Contraindo tuberculose e não tendo melhoras no Brasil, seguiu para a Ilha da Madeira e, daí, para Paris, onde veio falecer, em 09 de setembro de 1909, aos 42 anos.

Somente em 1921, a Academia Brasileira de Letras conseguiu trazer seus restos mortais para o Brasil.

Guimarães Passos era um poeta parnasiano, lírico e, às vezes, um pouco pessimista. Foi também humorista quando colaborou para O Filhote, tendo seus escritos reunidos, depois, no livro Pimentões, publicado em parceria com Olavo Bilac.  

O poeta José Veríssimo, seu contemporâneo, assim o via quando se referia aos Versos de um simples: “poeta delicado, de emoção ligeira e superficial, risonho, de inspiração comum, mas de estro fácil, como o seu verso, natural e espontâneo, poeta despretensioso, poeta no sentido popular da palavra".



Jornal do Brazil, 12 de julho de 1891.
(grafia original)

Um de seus poemas mais famosos, A Casa Branca da Serra, foi musicado por Miguel Emídio Pestana, se tornando em uma das canções/modinhas mais conhecidas de todos os tempos. Sendo gravada por vários intérpretes.



O Pharol, 19 de abril de 1908.



Casa Branca da Serra
Modinha com versos de Guimarães Passos
Música de Miguel Emídio Pestana

Gravações

Mário Pinheiro
Acompanhado ao violão

Disco Odeon Record 40.139, matriz RX-2
Lançado em 1904




Disco Victor Records 98.910
Lançado em 1910

 



João Barros
Acompanhamento de Orquestra
Disco Victor Record 98.899
Lançado em 1909




Cadete (K. D. T.)
Disco Odeon Record 108.491
Lançado em 1911




Arthur Castro
Disco Phoenix Record 281, matriz 1492
Lançado em 1913







Algumas poesias
(Clique para ver em tamanho maior)


A Mai de Família,
31 de maio de 1887.
(Grafia original)


O Mequetrefe, 20 de janeiro de 1887.



Cidade do Rio, 04 de junho de 1888.


O Mequetrefe, fevereiro de 1892.








Fontes:
Arquivo Nirez
http://www.jornaldepoesia.jor.br
http://www.casadobruxo.com.br
http://memoria.bn.br









Um comentário:

  1. Marcos de Farias Costa17 de fevereiro de 2016 11:22

    Guimarãres Passos,poeta, boêmio,jornalista, modinheiro e autor de livros em parceria com Olavo Bilac é monstruosamente esquecido em sua prorpia cidade, Maceió. Tal deformação deve-se à penúria educativa do Brasil e à miséria pedagógica alagoana, há séculos. Nenhum governo ou político dá a mínima pra cultura ou educação, querem mesmo é encher a burra. Sonetista inspirado e homem cheio de coragem pessoal (enfrentou no Paraná as tropas de Floriano Peixoto), o poeta e boêmio Guimarães Passos deve ser nome de rua ou de praça, o máximo que as autoridades alaghoanas podem fazer por um grande poeta. Naturalmente que construir praças deve sobrar propina para alguém. Digam-me um político honesto e eu mostrarei um buraco negro.

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