quarta-feira, 14 de agosto de 2013

ANACLETO DE MEDEIROS, 106 anos de Saudade


Anacleto de Medeiros
http://banda.cbmerj.rj.gov.br



Há 106 anos, em 14 de agosto de 1907 (também uma quarta-feira), falecia o compositor, regente e instrumentista ANACLETO DE MEDEIROS.

Anacleto Augusto de Medeiros nasceu em Paquetá (RJ), em 13 de julho de 1866, na antiga Rua dos Muros. Era filho de uma escrava alforriada e, ao se batizar, foi escolhido o nome do santo do dia.

Com apenas nove anos ingressou na Companhia de Menores do Arsenal de Guerra, iniciando ali seu aprendizado de música, tocando flautim. A banda da Companhia era dirigida pelo maestro e compositor Antônio dos Santos Bocot (que teria algumas composições gravadas. Entre elas um arranjo feito especialmente para a música de Chiquinha Gonzaga, Abre Alas).

Anacleto passou a trabalhar na Imprensa Nacional (que na época era Tipografia Nacional), em 1884. Nesse mesmo ano, matriculou-se no Conservatório de Música. Ainda na Tipografia, ele organizaria o Clube Musical Guttenberg.

Em 1886, ao se formar no Conservatório de Música, Anacleto tocava vários instrumentos de sopro, mas, preferia o sax soprano. Fundou a banda da Sociedade Recreio Musical Paquetaense, reunindo alguns músicos da extinta Banda de Paquetá.
A partir de 1887 passou a compor com mais frequência, se dedicando principalmente a lançar polcas, valsas e xotes (ou, na linguagem da época schottisch).

Ainda organizou e regeu várias bandas, como Banda da Fábrica de Tecidos de Bangu, Banda da Fábrica de Tecidos de Macacos (depois Paracambi) e a Banda da Piedade (Magé).
Foi em 1896 que ele passou a organizar a Banda do Corpo de Bombeiros, que ficou famosa sob a sua direção. Essa banda, sob sua batuta, gravou alguns dos primeiros discos brasileiros, em 1902.

A Banda do Corpo de Bombeiros gravou várias músicas de Anacleto e de outros compositores.
O poeta Catullo da Paixão Cearense colocou versos em várias de suas composições. Dessa parceria, surgiriam alguns de nossos clássicos musicais, como: Terna Saudade, O Fadário, Yara (Rasga o Coração), Palma de Martírio, Perdoa, O que tu és.

Entre os cantores que primeiro gravaram Anacleto estão Bahiano, Mário Pinheiro e João Barros. Suas músicas melodias também seriam gravadas por outras bandas.

Em 14 de agosto de 1907, Anacleto de Medeiros faleceu em Paquetá (RJ).

Décadas depois, o cantor e pesquisador Paulo Tapajós consideraria Anacleto de Medeiros como um dos pilares da estruturação da música popular brasileira, “em definição harmônica para conjuntos maiores ou bandas”. (http://www.dicionariompb.com.br/)

Suas músicas de mais destaques são sempre lembradas e regravadas por novas gerações.


Banda do Corpo de Bombeiros
Em destaque, Anacleto de Medeiros



Músicas


Yara
Schottisch gravado pela Banda da Casa Edison
Disco Odeon Record 10.079
Lançado em 1904




Brasil e Portugal
Dobrado gravado pela Banda da Casa Edison
Disco Odeon Record 40.059, matriz RX-58
Lançado em 1904




Café Avenida
Tango gravado pela Banda da Casa Edison
Disco Odeon Record 40.077, matriz RX-133
Lançado em 1904




Despedida
Valsa gravada pela Banda da Casa Edison
Disco Odeon Record 40.099, matriz RX-172
Lançado em 1904




Implorando
Schottisch gravado pela Banda do Corpo de Bombeiros
Disco Odeon Record 40.574
Lançado em 1905




Terna Saudade
Valsa gravada pela Banda do Corpo de Bombeiros
Disco Victor Record 98.768
Lançado em 1909




Pavilhão Brasileiro
Passo Dobrado gravado pela Banda do Corpo de Bombeiros
Disco Victor Record 98.889
Lançado em 1909




Moreira Cesar
Passo Dobrado gravado pela Banda do Corpo de Bombeiros
Disco Victor Record 99.707
Lançado em 1910




Os Boêmios
Tango gravado pela Banda do 52º de Caçadores
Disco Columbia Record B-62, matriz 11786
Lançado em 1912



  
O que tu és
Schottisch gravado por G. de Almeida na flauta e o maestro Arthur Camilo ao piano
Disco Odeon Record 108.803
Lançado em 1912 




Tres Estrelinhas
Choro gravado pelos Oito Batutas
Disco Victor 73.834-A, matriz 73834-A
Lançado em 1923








Revista da Semana
25 de agosto de 1907
http://memoria.bn.br


Jornal O Paiz, quinta-feira, 15 de agosto de 1907.
http://memoria.bn.br



O Paiz,terça-feira, 20 de agosto de 1907http://memoria.bn.br


O Século, quarta-feira, 21 de agosto de 1907.
http://memoria.bn.br



Um ano depois, mais homenagens

O Paiz, quinta-feira, 13 de agosto de 1908










Agradecimento ao Arquivo Nirez











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