domingo, 4 de agosto de 2013

SINHÔ, 83 anos sem o Rei do Samba

Sinhô em 1926, na ocasião do lançamento do maxixe Pega-Rapaz.
Arquivo Almirante - Museu da Imagem e do Som
Livro Nosso Sinhô do Samba, de Edgard de Alencar.
Arquivo Marcelo Bonavides



José Barbosa da Silva, mais conhecido por Sinhô, morava em na Ilha do Governador (RJ). Para chegar à cidade do Rio de Janeiro, era preciso pegar uma barca.

No fim da tarde de 04 de agosto de 1930, uma segunda-feira, o conhecido compositor tomava a Sétima, na habitual trajetória. Faltava exatamente um mês e quatro dias para que ele completasse 42 anos. 
Muitas dessas décadas foram dedicadas à composição de músicas que caiam sempre no agrado do povo. Pioneiro no samba, e bem sucedido nesse estilo, ficaria conhecido ainda na virada dos anos 10 para os 20 como Rei do Samba. Esse título foi “oficializado” em uma noite de 1927, em São Paulo, quando Oswald de Andrade o coroou, perante uma plateia de intelectuais e modernistas que lotava o Teatro República. 
Seu prestígio se estendia ao teatro de revista, onde era um fértil compositor e lançador de sucessos. Ainda estava na memória a noite de estreia da revista Microlândia, quando a estrela Aracy Côrtes cantou pela primeira vez o seu samba Jura!... . O público, enlouquecido pela música e interpretação da cantora, fez com que ela repetisse sete(!) vezes seguidas e ainda exigiu a presença do compositor no palco. Ele subiu à ribalta aos prantos de felicidade. 
Esse e outras composições o faziam um dos mais populares e queridos compositores daqueles tempos.

Mas, às 17:45 daquele 04 de agosto, José Barbosa da Silva, que era tuberculoso, sofreu uma crise de hemoptise (quando a pessoa tosse sangue). 
A que Sinhô teve foi , provavelmente, do tipo maciça (a mais violenta). Com esse ataque, ele faleceu.
Quando a barca chegou à estação da Cantareira, foi com pesar que os funcionários comunicaram a ocorrência à polícia do 1º distrito. O comissário Brito compareceu ao local e forneceu a guia para o corpo ser enviado ao necrotério da Saúde Pública.

O velório aconteceu na capela do Hospital Hannemanniano, e foi concorridíssimo. Mesmo com a presença de intelectuais e artistas, foi o povo e seus personagens do dia a dia quem mais lotou o local.

Automaticamente, há 83 anos, ao cair da tarde, o compositor e toda sua vida gloriosa iriam fazer parte da história e lembrança de muitos.

Uma semana depois, na segunda-feira seguinte, dia 11 de agosto de 1930, uma cantora novata e de talento admirável entrava nos estúdios da Victor para gravar (provavelmente) a última composição inédita do compositor. 
Carmen Miranda registrava Feitiço Gorado*, o segundo samba que ela gravava de Sinhô, mas, que só seria lançado dois anos mais tarde.

Por uma dessas estranhas coincidências, Carmen viria a falecer 25 anos depois, em 05 de agosto de 1955, um dia depois da data que marcava o falecimento de Sinhô.
Coisas da vida.



*Me baseei pela data da gravação. Outras composições de Sinhô foram lançadas no segundo semestre de 1930, em 1931 e em 1932. Porém, como não havia data da gravação (só do lançamento) e Feitiço Gorado, mesmo sendo gravado em 11 de agosto de 1930, só seria lançado em março de 1932, podemos supor também o atraso dos outros discos.


Jura
Samba
Gravado Pela Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.346-A, matriz 2331
Lançado em março de 1929






Repercussão do falecimento de Sinhô em jornais Cariocas no dia 05 de agosto de 1930.



A Noite




Jornal do Brasil




Gazeta de Notícias



Diário de Notícias




Diário da Noite




Diário Carioca




Correio da Manhã




A Batalha









Fontes:
Arquivo Nirez (www.arquivonirez.com.br)












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