sábado, 9 de novembro de 2013

HEDY LAMARR - 100 ANOS



Há 100 anos nascia a inventora e atriz  Hedy Lamarr, um dos grandes mitos de Hollywood.


Não bastando sua imensa beleza, Hedy era também inteligentíssima, tendo inventado o sistema que possibilitou a telefonia celular, sendo considerada a "mãe do telefone celular".

Hedwig Eva Maria Kiesler nasceu em 09 de novembro de 1913 em Viena, Áustria, filha de pais judeus. Seu pai, Lemberg (nascido Emil Kiesler), era diretor bancário; sua mãe, Gertrud (nascida Lichtwitz), era uma pianista de Budapeste. Até os 10 anos, Hedwig estudou balé e piano.

Sua carreira foi impulsionada ao estrelar, em 1933, o filme tcheco Ecstasy, de Gustav Machatý, rodado em Praga. Uma das cenas entrou para a história do cinema quando Hedy, completamente nua, corria entre a vegetação, banhava-se em um rio e simulava um ato sexual, com a câmera dando um close em seu rosto no momento do orgasmo. Para se obter as expressões de êxtase (olha aí o nome do filme), reza a lenda que espetaram um alfinete em suas nádegas. 
Mais curiosidades sobre o filme: foi o primeiro filme não pornográfico a mostrar um nu frontal (o dela).

O belo nu frontal captado pelas câmeras de Machatý causou revolta no marido da atriz, Friedrich Mandl. 
Eles haviam casado recentemente e Mandl, um vienense fabricante de armas, 13 anos mais velho que ela, dono de uma fortuna, gastou altas somas tentando readquirir e destruir as cópias do filme. Felizmente, não conseguiu dar fim a todas. 

Ele era um marido controlador, que tentava mantê-la trancada na mansão do casal, onde ela era vigiada por uma empregada. Eles frequentavam jantares no qual comparecia a ascendente elite nazista, com quem Mandl se relacionava. Ele a exibia como a uma obra de arte. Como várias artistas alemãs e austríacas, Hedy não concordava com o regime nazista, mas, em anos pré-Segunda Guerra era obrigada a comparecer a tais eventos. 

Ela não precisou suportar os nazistas e muito menos o marido por muito tempo. Em 1937, vivendo ainda em Viena, ela dopou a empregada e vestiu suas roupas, se disfarçando. Com todas as suas jóias, Hedy seguiu para Paris, onde pediu o divórcio.
Uma vez que recebia um péssimo tratamento de seu marido e estando cada vez mais perto de suas amizades nazistas, essa era a única e melhor opção que a jovem artista judia podia tomar.

Curiosidade: mesmo amigo de nazistas, Mandl era judeu.

De Paris, ela foi para Londres e, depois, para Hollywood, onde pôde retomar sua carreira. 
Quando trabalhou em Berlim com o produtor e diretor teatral Max Reinhardt, ela a considerava a mulher mais bela da Europa. Na capital do cinema, ela seria considerada a mais bela do mundo, a própria Deusa da Beleza.

Atuando em filmes onde sua beleza se destacava, Hedy também era sedutora e elegante, abusando do glamour em uma época onde isso era essencial.

Ela afirmava: "Qualquer mulher pode ser glamurosa: basta ficar quieta e fazer uma expressão de burra".

Porém, ela não era apenas um bela mulher. Também era inteligente, aliás, inteligentíssima!

Quando ainda era casada com Mandl, Hedy não participava somente de eventos sociais. Também frequentava os encontros técnicos de seu marido. Possuindo grande aptidão à matemática, ela aprendeu os princípios de tecnologia militar, principalmente no que dizia respeito ao interesse de Mandl: controlar torpedos por ondas de rádio. 


O invento

O músico George Antheil também era alguém muito inteligente. Além da música, ele se dedicava à invenções, tendo se notabilizado ao experimentar o controle autômato de instrumentos musicais (como o visto no filme Ballet Mécanique, de Fernand Léger, de 1924). Antheil tinha tão vasto conhecimento geral que escreveu um livro sobe endocrinologia. Ele e Hedy se conheceram por volta de 1940, quando passaram a ser vizinhos em Hollywood. Ela o procurou buscando conselhos sobre como aumentar os seios (lembrem-se que ele possuía um vasto conhecimento). Acabaram ficando amigos.


George Antheil


Nessa época, ela, que tinha muitos conhecimentos de física e eletrônica, tendo acompanhado o trabalho de seu ex-marido, já havia criado o Frequence Hooping (Alternância de Frequências), que funcionava assim: se o emissor e o receptor mudassem constantemente de frequência, somente eles poderiam se comunicar, sem correrem o risco de serem interceptados pelo inimigo.

O site nerdpai.com nos explica melhor: "Imagine sua estação de rádio mudando de posição constantemente e seu aparelho acompanhando a alternância. Você conseguiria ouvir a transmissão, mas outros rádios não teriam como sintonizar a estação, por não saber qual a posição certa no dial, até porque ela mudaria constantemente".

Para saber como realizar isso, Hedy contou com a ajuda de seu amigo músico Antheil, que tinha raiva de Hitler, pois o ditador realizou uma caça à Música Moderna (que considerava uma "aberração judaica") em prol do Romantismo (Wagner).  Sua solução veio justamente de sua obra Ballet Mécanique (a música): a sincronização entre emissor e receptor seria feita exatamente como ele fez ao sincronizar 16 pianos no filme, usando rolos perfurados. 
Transportando para os transmissores e receptores de rádio, ele e Hedy Lamarr desenvolveram uma técnica capaz de usar 88 frequências diferentes numa mesma transmissão, o mesmo número das teclas de um piano.
Aliás, ambos experimentaram ao piano, em um dueto: ela repetindo em outra escala as notas que ele tocava, experimentando o controle dos instrumentos. 

A ideia recebeu o nome de Sistema de Comunicação Secreta.

Eles patentearam o invento em 1942. Ela assinou como Hedy Kiesler Markey, achando que não seria levado a sério se assinasse Hedy Lamarr. Porém, os militares não gostaram de sistema adaptado de um instrumento musical. Hedy e Antheil passaram a colaborar par alevantar fundos para a guerra, mas, usando apenas suas famas de artistas.


Parte da patente de Hedy Lamarr e George Antheil.


A patente ficou esquecida até 1957. Nesse ano, engenheiros da Sylvania criaram um sistema que usava o mesmo projeto, mas eletrônico e não mecânico. Até 1962, esse projeto ficou em sigilo, quando foi utilizado na crise dos Mísseis Cubanos. Infelizmente, nessa ocasião, a patente de Hedy e Antheil (que faleceu em 1959) já havia expirado. 



Nos dias de hoje

Novamente, o site nerdpai.com nos explica.
"Hoje, a ideia de alternância de freqüência serve como base na técnica moderna de comunicação por espalhamento espectral, que garante a confiabilidade dos dados. Essa técnica é usada hoje nos protocolos Bluetooth, Wi-Fi e CDMA. Portanto, toda vez que você fizer uma ligação, lembre-se que uma estrela de Hollywood tornou isso possível". 

Resumindo tudo isso, foi graças à invenção de Hedy Lamarr que surgiu a tecnologia necessária para a telefonia celular. 

Mas, nem ela e nem sua família ou a família de seu amigo e parceiro receberam um centavo por sua invenção.

Somente em 1997, quando ela estava com 84 anos e Antheil já falecido, ambos foram homenageados com um prêmio da Eletronic Frontier Foundation, entidade sem fins lucrativos dos EUA que luta pelos direitos digitais. Na ocasião, Hedy Lamarr declarou por telefone: "O que eu ganho com isso? Não tenho motivo para estar orgulhosa desse prêmio".

Em 2005, o primeiro Dia dos Inventores, na Alemanha, foi criado em sua honra, em 09 de novembro, data de seu aniversário de 92 anos.



Voltando à Estrela

Em 1938, após sua fuga de Viena, ela estrelaria ao lado de Charles Boyer o filme Argélia (Algiers), dirigido por John Cromwell. Ao lado de Robert Taylor, apareceu em 1939 no filme Flor dos Trópicos (Lady of the Tropics), dirigido por Jack Conway e Leslie Fenton. De 1940 até 1948, Hedy Lamarr apareceu em 16 filmes.

Em 1949 seu nome entraria definitivamente para a história do cinema ao estrelar Sansão e Dalila (Samson and Delilah), dirigido por Cecil B. DeMille, onde interpretava Dalila e atuava ao lado de Victor Mature (Sansão), e ainda, George Sanders e Angela Lansbury. Nesse filme, sua beleza e sensualidade são lembradas até hoje.

Depois desse sucesso, apareceria em mais doze filmes até 1958.

Nos anos 60, foi acusada de roubo, sendo considerada inocente.

Em 1998 uma ilustração de seu rosto foi usada Corel Corporation na publicidade para o CorelDRAW8 software, sem a autorização da atriz. Em 1999, o caso foi resolvido.



A fotografia original e a ilustração usada pela empresa Corel Company.



Hedy Lamarr faleceu na Flórida, EUA, em 19 de janeiro de 2000, aos 86 anos. Seu desejo foi atendido: suas cinzas foram levadas para Viena e espalhadas na floresta Wienerwald.



Curiosidades

Casou-se seis vezes. Entre seus maridos estavam o roteirista Gene Markey e o ator John Loder. Namorou o brasileiro Jorginho Guinle.

Foi uma das primeiras mulheres a fazer implante de silicone, aumentando os seios.

Era a dona da mansão usada no filme A Noviça Rebelde (The Sound of Music), de 1965.

Em sua biografia escreveu que para se tornar estrela em Hollywood era preciso ir para a cama com agentes, atores, diretores e produtores. "E nessa ordem. É brutal, mas, é a realidade", afirmou.

Fora o processo na empresa Corel Corporation, processou também o diretor Mel Brooks,por ter utilizado seu nome no filme Banzé do Oeste (Blazing Saddles), de 1974.

No jogo de computador Half-Life 2, o personagem Dr. Isaac Kleiner possui um headcrab de estimação chamado Lamarr, em sua homenagem.

Seu sobrenome Lamarr é uma homenagem à atriz Barbara La Marr, famosa em Hollywood nas décadas de 1910 e 1920, tendo falecido  em 1926 aos 29 anos. O poderoso presidente da MGM Louis B. Mayer, que era fã de Barbara, foi quem escolheu o sobrenome. Louis contratou Hedy ainda em Londres, após a fuga de Viena.

Hedy Lamarr serviu de inspiração para Walt Disney criar (ninguém menos) que o personagem Branca de Neve.









Fontes:
http://cinemaclassico.com/
http://ofalcaomaltes.com/
http://www.geek.com.br/
http://ela.oglobo.globo.com/
http://nerdpai.com/
http://www.hedylamarr.com/
http://www.hedylamarr.org/
http://www.doctormacro.com









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