sexta-feira, 27 de setembro de 2013

FRANCISCO ALVES - 61 ANOS DE SAUDADE



Há 61 anos falecia o cantor Francisco Alves, o Rei da Voz.

Ao cair da tarde do dia 27 de setembro de 1952, ele vinha da cidade de São Paulo, onde fizera um show horas antes. Dia de São Cosme e Damião. Na altura da cidade de Pindamonhangaba (SP), na Via Dutra, seu carro chocou-se com um caminhão e ele teve morte imediata.
Ficou a saudade e sua voz eternizada em seus discos.



Tua Partida

Samba canção de Pereira Filho e Mário Morais
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 34.182-A, matriz 80326-1
Gravado em 11 de março de 1937 e lançado em julho desse mesmo ano












sábado, 21 de setembro de 2013

Lançamento do livro "Fado no Brasil: Artistas & Memórias", de Thais Matarazzo



Os fadistas e artistas da canção portuguesa em terras brasileiras serão homenageados no livro Fado no Brasil: Artistas & Memórias, da jornalista e pesquisadora Thais Matarazzo.
Com está obra, uma lacuna sobre o tema será preenchida, uma vez que os artistas luso-brasileiros, que dedicaram suas carreiras à música portuguesa no Brasil nem sempre recebem o merecido destaque, seja na mídia ou nas páginas da história.

Dia 29 de setembro, às 15 horas, Thais estará fazendo um pré-lançamento de seu livro no Clube Português de S. Paulo, atendendo ao convite da Diretora Cultural Maria dos Anjos Oliveira.

O lançamento oficial será também em São Paulo, dia 14 de outubro, no Auditório da Ordem dos Músicos do Brasil
No dia 19, a autora fará sessão de autógrafos na Casa Amadeus Musical, também em São Paulo. 

O livro também será lançado em Portugal, em 25 de outubro, no Encontro "Expressões Femininas da Cidadania!”.
No final desta matéria vocês podem conferir os horários e endereços.


O livro tem participação da jornalista Eulália Moreno, que escreveu: “Essas vozes pioneiras aqui fizeram escola e constituíram sucessoras não esquecidas neste trabalho de recolha de biografias e memórias. São as vozes das muitas Marias do Fado no exercício dos seus ofícios e cumprindo o seu fado no país que as acolheu, cantando ‘até que a voz lhes doa’ e no qual desenvolveram e aprimoraram as suas qualidades artísticas tornando-se uma referência obrigatória da cultura luso-brasileira, estrelas maiores nesta obra de Thaís Matarazzo que faz justiça a alguns nomes do panorama artístico luso-brasileiro, perpetuando a sua memória para as gerações vindouras já que a vertente do Fado Imigrante em terras brasileiras era uma lacuna somente agora preenchida pela autora com o rigor ao qual já nos habituamos pela leitura dos seus trabalhos anteriormente publicados”.


Neste primeiro volume, são registrados 23 perfis biográficos de artistas veteranos e contemporâneos. Do primeiro time, pertencentes a geração da “Era de Ouro do Rádio”, são apresentados, Arminda Falcão, Cidália Meireles, Dina Teresa, Ester de Abreu, Francisco José, Gilda Valença, Irmãs Meireles, Joaquim Pimentel, Lucas Junot, Manoel Monteiro, Olivinha Carvalho, Quincas Gonçalves, Rosária Meireles e Salúquia Rentini. Da geração intermediária, décadas de 1960/70, temos, Adélia Pedrosa, Conceição de Freitas, Glória de Lourdes, Maria Alcina, Maria de Lourdes e Terezinha Alves. Das fadistas contemporâneas, encontramos as biografias de Ciça Marinho e Marly Gonçalves.

O livro conta com o apoio cultural da Ordem dos Músicos do Brasil / CRESP, e com a colaboração do radialista Gerdal dos Santos, da jornalista Eulália Moreno, do historiador português Rui Lopes e do pesquisador musical Luiz Amorim.


Sobre a autora
Thais Matarazzo. Jornalista, pesquisadora musical e escritora. E-mail:thmatarazzo@gmail.com . 
Autora dos livros: 
Irene Coelho, uma brasileira de coração português (2011); 
A Dinastia do Rádio Paulista (2013), parceria com Valdir Comegno; e 
A Música Popular no Rádio Paulista, 1928-1960 (2013). 

Thais também é produtora do podcast www.cardapiocultural.podbean.com e do blog www.radiomemoria.blogspot.com



Pré-Lançamento:

Livro Fado no Brasil: Artistas & Memórias

Dia 19 de setembro, as 15 horas.

Local: Clube Português de S. Paulo, na Rua Turiassú, 59, Perdizes - São Paulo.




Lançamento :


Livro Fado no Brasil: Artistas & Memórias
Data: 14 de outubro de 2013
Horário: das 15h às 18h
Local: Auditório da Ordem dos Músicos do Brasil/SP, Avenida Ipiranga, 318, 6º andar, bloco A - (próximo a estação República do metrô).



Sessão de autógrafos:

Livro Fado no Brasil: Artistas &  Memórias
Data: 19 de outubro de 201.
Horário: das 10h às 13h
Local: Casa Amadeus Musical, Rua Quintino Bocaiuva, 22, 1º andar, centro (próximo a estação Sé do metrô).



LANÇAMENTO EM LISBOA-PT




Encontro "Expressões Femininas da Cidadania!”
Realização da Associação Mulher Migrante – Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade.
Painéis do Encontro, em síntese: 24/10 - Manhã: Política e Associativismo; 24/10 - Tarde: Empreendedorismo - Ciências; Noite - Tertúlia; 25/10 Manhã - Contributos Culturais - Artes e Letras; Tarde: Narrativas de vida e encerramento.
Informações: rag@sapo.pt
Local: Ministério dos Negócios Estrangeiros - Palácio das Necessidades - Largo do Rilvas - Lisboa
O Encontro é Livre e a assistência aos Painéis também.
http://mulhermigranteemcongresso.blogspot.com.br/





Alguns artistas retratados em Fado no Brasil: Artistas & Memórias




Manoel Monteiro


Olivinha de Carvalho


Gilda Valença



Irene Coelho, Manoel Monteiro e Quincas Gonçalves


Ester de Abreu



Maria Alcina




Terezinha Alves


Ciça Marinho


Marly Gonçalves


Adelia Pedrosa



Maria de Lourdes












quarta-feira, 18 de setembro de 2013

HELENA DE MAGALHÃES CASTRO, 111 anos

Para a Phono-Arte
Helena de Magalhães Castro.
Rio, 3/7/930.
Arquivo Nirez


Há 111 anos, nascia a cantora e declamadora HELENA DE MAGALHÃES CASTRO, que também era pesquisadora do folclore brasileiro, pianista, violonista, professora e homeopata. Sem dúvida, uma intelectual, bonita, carismática e com múltiplos talentos.


Graças à importante pesquisa da historiadora Marcelle de Andrade, de São Paulo, podemos saber importantes detalhes da biografia dessa fascinante mulher.

Nascida em São Paulo, no bairro dos Campos Elísios em 18 de setembro de 1902, Helena de Magalhães Castro era filha de José Ferraz de Magalhães Castro, conceituado médico homeopata, e de Helena Faria de Magalhães Castro.

Formou-se professora na Escola Normal de São Paulo, Caetano de Campos.

Estando ligada à música desde pequena, ela era pianista, mas, optou por acompanhar-se ao violão em seu primeiro concerto, realizado no Theatro Municipal de São Paulo, em 1924.

Em 1931, ao lado do poeta Guilherme de Almeida e do maestro João Souza Lima, Helena fundou a Instrução Artística do Brasil (IAB).

A partir de então, “passou a engajar-se na divulgação da arte na difusão da instrução artística, uma vez que a instituição também tinha o propósito de levar a arte para as escolas, portanto, entende-se que a atuação de Helena ultrapassa o campo das manifestações artísticas para projetar-se no das educacionais, uma vez que, do mesmo modo que como outros intelectuais da época, via na arte, e especialmente na música, um instrumento de formação do indivíduo”, nos conta Marcelle.

Desde 1926 ela se correspondia com Mário de Andrade e, por suas ideias e atuação na IAB, eles se aproximaram mais.

Marcelle ainda lembra que “também por meio da IAB, Helena participou da Revolução de 1932, coordenando o Lunch Expresso, kits em caixinhas distribuídos para os soldados, promovendo concertos, aliando-se a campanha Ouro para o bem de São Paulo e lançando revistas comemorativas sobre esse evento político”.

Helena lecionou declamação e música até meados de 1980, em sua residência na Alameda Barão de Limeira. Ela ainda conduzia a antiga farmácia de homeopatia da família, iniciada por seu pai.

Solteira e sem herdeiros, em 1987 propôs a doação de sua casa e de todo o seu acervo, incluindo a farmácia de seu pai, ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico de São Paulo (Condephaat), da Secretaria de Estado da Cultura. Mesmo sendo considerado um bem de grande interesse cultural, as negociações não prosperaram e, após sua morte, seus bens foram se dispersando, restando apenas alguns documentos e fotografias que foram recolhidos por técnicos do Condephaat e se encontram informalmente depositados nesse órgão.

Helena de Magalhães Castro viveu bastante. Em 1995, sofreu um derrame e ficou bastante debilitada, vindo a falecer de causas naturais nesse mesmo ano.

Atualmente, a historiadora Marcelle Pride vem se dedicando à revitalização do acervo deixado por Helena e escrevendo sua biografia.  


Em breve, mais informações sobre Helena de Magalhães Castro e suas gravações.



Helena de Magalhães Castro batizando um avião.
À esquerda, no primeiro plano, um sorridente Catullo da Paixão Cearense.
Década de 1930.
Acervo pessoal de Helena de Magalhães Castro.
Foto gentilmente cedida por Marcelle de Andrade.



Helena de Magalhães Castro em 1980.
Acervo pessoal de Helena de Magalhães Castro.
Foto gentilmente cedida por Marcelle de Andrade.







Agradecimentos à Marcelle de Andrade e ao Arquivo Nirez












domingo, 15 de setembro de 2013

COMO SE FAZ UM SAMBA



Uma interessante matéria foi publicada na revista Carioca de 18 de janeiro de 1936.
Intitulada Como Se Faz Um Samba, nos dava uma ideia de como eram feitos, se não todos, muitos dos sambas e composições dos anos 30.
Fiz uma matéria em cima do que foi publicado.


Como Se Faz Um Samba

O cenário, geralmente, era o mesmo: uma mesa de café e alguns sambistas (três ou quatro). Mais do que isso, “não dava certo”. A localização do café cariava. Às vezes era na Avenida Rio Branco, mas, podia ser também no Estácio. Aliás, geralmente, era dalí que tinham saído os melhores sambas, pois, “o sambista que se preza não abandona o Estácio...”.
A reunião acontecia sempre depois de meia noite. Antes disso, não haveria tempo do “malandro” sentir a bossa. Três, quatro horas da madrugada, era o ideal. Mais cedo, só quando eram sambas feitos na Avenida...
A inspiração nunca faltava, chegava sempre. O motivo podia ser encontrado nas coisas mais insignificantes: um homem que entra para vender bilhetes, um sujeito que bate na porta, um garçom que demora em trazer a média, uma notícia de sensação nos jornais, às vezes um simples anúncio pregado na parede e tínhamos a melodia já encaminhada pelo tamborilar dos dedos na mesa do café ou em uma caixa de fósforos. Às vezes, o chapéu de palha entrava em cena. Findando a noite, o sambista se retirava para sua casa, levando no ouvido a música e, não raro, as palavras.

Mas, nem todos os sambas eram feitos assim. Muitos surgiam após uma briga com a pequena: aí, eram os sambas sentimentais.
Ao invés de ser imaginado em um café, o sambista buscava um local quieto, longe de ruídos e até mesmo dos companheiros.

E assim se faziam is mais belos sambas, dos quais Pra Esquecer era o padrão.
Com o ouvido cheio da melodia da véspera e a memória ainda transbordante do ritmo da música improvisada, o sambista ia no dia seguinte procuram por quem lhe escreva a música, pois, a maioria era leiga no assunto e desconheciam as notas musicais. Sabiam murmurar os compassos que eram impedidos de traduzir no papel.

A reportagem citava Aldo Taranto, “a creatura que vae resolver as difficuldades em que se encontra o autor da música”. Aldo rascunhou O Teu Cabelo Não Nega, Linda Morena, Trem Blindado, Garota da Rua, Agora é Cinza, A Tua Vida é um Segredo...
Diante dele, o sambista punha-se a cantar a melodia e Aldo, exímio pianista, rapidamente ia transportando ao piano o que ouvia ser cantarolado. Do piano, para a pauta musical, era uma pequena distância. Aldo se dedicava a isso desde 1931. Muitas músicas e sucessos já haviam passado por suas mãos, nesse sistema.

Mesmo os sucessos escritos e adaptados por ele, tinham seu nome omitido na hora de ser anunciado por um speaker, por exemplo.

Já tendo passado por Aldo, onde o samba era interpretado ao piano, o sambista ia procurar o que lhe faltava: a orquestração. Não raro, uma orquestração bem feita era o maior fator de êxito de uma música, e dela dependia sempre “mais de 50 por cento de seu sucesso...”.

Rua do Chichorro, 25, sobrado.
Subia-se uma escada e logo uma voz amável atendia a reportagem:
- Queiram se sentar.
O repórter estava diante de Alfredo Vianna, o Pixinguinha.  Era ele quem fazia a orquestração (entre outros maestros).
Pixinguinha possuía, como ninguém, uma alta dose de senso do efeito que podem causar ao público os vários tipos de orquestração.
Conhecia e sabia perfeitamente quais modulações que deveriam ser colocadas e o seu resultado: Ride, palhaço, Foi Ela, Formosa, O Teu Cabelo Não Nega, entre outros.
E ele ainda dizia:
- Esse ano (janeiro de 1936) tive poucas músicas. Umas oitenta mais ou menos. Não é nada, em relação ao ano findo (1935), em que tive quatrocentas...
Lhe perguntaram se o carnaval estava fraco.
- Não, responde o maestro, apenas houve um pequeno atraso. No ano passado, por esta época, os estúdios de gravação já tinham encerrado os seus trabalhos. Este ano, agora é que estão começando a atividade...

Como dizia o repórter, ao sair da casa de Pixinguinha, ele era o homem que mais músicas tinha orquestrado, sendo o ponto final da confecção do samba.

Assim, não faltava mais nada para o samba ser lançado. Aliás, faltava apenas uma coisa: um nome de cartaz que gostaria de cantá-lo. Essa fase podia ser a mais difícil para o sambista, se ele fosse pouco conhecido. Dificilmente um cantor famoso lançaria um samba de um desconhecido. As cantoras preferiam lançar composições de pessoas já conhecidas. Assim, podiam começar as desilusões e os padecimentos: “ ‘contras’, estações de rádio que para ele se fechavam, diretores ‘que não estavam em casa’, etc. E o sambista desconhecido via que o ambiente era contra ele e que suas ilusões, uma a uma, iam sendo desfeitas.

“E o malandro soffredor volta e na mesa do café compões uma melodia talvez mais linda que a outra, narrando a amarga história de um samba que foi recusado e ninguém quis cantar...”, assim terminava a reportagem.



Nota do autor do Blog

É uma matéria bem interessante que nos mostra o processo que algumas composições levavam para chegar ao ouvido do público. Com certeza esse caminho era menor para composições de pessoas que conheciam música, como o próprio Pixinguinha e Aldo Taranto.

Mas, nos mostra onde geralmente surgia um samba, os parceiros (nem sempre creditados), o arranjo a ser feito em cima da melodia e a busca de um intérprete para gravá-lo e divulgá-lo. Sabemos de várias histórias de músicas recusadas por cantores e cantoras e de compositores que buscavam determinados intérpretes para gravarem suas músicas. Era muito mais fácil quando intérprete e compositor eram amigos, assim, tudo acontecia de forma rápida e até divertida.





Fotos da matéria
Obs. A revista trocou as legendas de Pixinguinha e Aldo Taranto.








Aldo Taranto




Pixinguinha


























quinta-feira, 12 de setembro de 2013

ZAÍRA CAVALCANTI, 32 anos de Saudade

Zaíra Cavalcanti e Cascatinha, 1941.
www.funarte.gov.br


Há 32 anos falecia a cantora e atriz ZAÍRA CAVALCANTI.

Em breve falaremos mais sobre sua vida e carreira.
Trago o belo samba canção de Ary Barroso, Marques Porto e Luís Peixoto
Sem Querer
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.255-B, matriz T-16
Lançado em janeiro de 1931

Gravação gentilmente cedida pelo colecionador Djalma Cândido.




Foi sem querer que eu te amei
e que meus velhos deixei
naquela noite sem fim
em que abusaste de mim
Que desprezava o teu amor
de sonhador
Foi sem querer que depois
já muito preço custou
Ao ver que tu me fazias sofrer
e com outras querias viver
Te deixei sem querer

Hoje, sem ti
eu que sou a mulher de qualquer
Que passa a vida a chorar,
a sorrir, a mentir
É sem querer que me deixo
aos boléus conduzir
No turbilhão em que eu cair
pensando sempre em ti.





sexta-feira, 6 de setembro de 2013

LEÔNIDAS DA SILVA, 100 anos do Diamante Negro!

blogs.spfc.net


Hoje, o jogador LEONIDAS DA SILVA estaria completando 100 anos.
Ele foi um dos maiores jogadores de futebol dos anos 30 e 40, sendo o criador do gol de bicicleta.

O Google o homenageou com um bonito doodle, acompanhado de uma grande matéria, com o depoimento da cantora Elizeth Cardoso, que namorou Leônidas: http://zip.net/bptkXd



Os Jornais O Povo e Diário do Nordeste, ambos de Fortaleza, também homenagearam o jogador.

O Povo: Rei dos Anos 30 (http://zip.net/bbtj9w).
Diário do Nordeste: Se estivesse vivo, Leônidas da Silva estaria completando 100 anos (http://zip.net/bttkYb).




www.saopaulindas.spfc1935.com.br




www.tabelaonline.net



Curiosidade
O jornalista francês Raymond Thourmagem, da revista Paris Match, o batizou de Diamante Negro, fascinado com o talento de Leônidas da Silva.
Logo após a Copa de 1938, o jogador tinha fama internacional, sendo considerado o melhor jogador daquela copa.
A empresa Lacta lançou um chocolate com o mesmo apelido de Leônidas, o Diamante Negro, para a população francesa, em 1939, pagando três mil dólares ao jogador pelo uso da marca.
Quando chegou ao Brasil, o chocolate Diamante Negro logo se tornou o mais vendido.
Até hoje é encontrado, sendo um dos mais saborosos.



A homenagem em ritmo de samba


Confiram  o samba de Nelson Petersen em que o jogador, conhecido como Diamante Negro, era homenageado. Quem gravou o samba foi Carmen Miranda, com direito a introdução com locução Ary Barroso simulando a narração de uma partida e sua gaita. Lembrando que Ary, além de compositor e advogado, era também  locutor de futebol, marcando os gol com sua gaita.

Carmen dá um show de bossa e dicção, brincando com o refrão.
Acompanhamento da Orquestra Odeon sob a direção de Simon Bountman.
Disco Odeon 11.640-A, matriz  5898.
Gravado em 02 de agosto de 1938 e lançado em setembro desse mesmo ano.



Deixa Falar



Narração de Ary Barroso:
Jogo Brasil X Tchecoslováquia.
Entra em campo os tchecos.

Grito de torcida.

Narração de Ary Barroso:
E agora os brasileiros.

Grito de torcida.

Narração de Ary Barroso:
Vai começar a partida.
Leônidas entrega a Perácio.
Perácio a Leônidas.
Leônidas avança pelo centro...
Gol!

Barulho da gaita de Ary Barroso.


Carmen Miranda canta:

E todos tem seu valor
Deixa falar
Este samba tem Flamengo,
tem São Paulo, São Cristóvão,
tem pimenta e vatapá.
Fluminense e Botafogo
já tem seu lugar.

Você pensava que o Diamante
fosse joia de mentira pra tapear
Você pensava que o caboclinho
fosse nêgo de senzala para se comprar
Só porque viu que ele tem um pé
que deixou o mundo inteiro em revolução
Quando ele bota aquele pé em movimento
chuta tudo para ver que não tem sopa não.

Quando você dizia que trocava
a gostosa feijoada pelo macarrão
Desconfiava que você não era
brasileiro abençoado deste meu rincão
Você torcia pelo italiano
Apostou, ganhou dinheiro
e nem sequer me deu
Jogou a minha feijoada fora,
falou mal da minha gente
e ainda me bateu.


Voz de Ary Barroso, seguida por sua gaita:
E era uma vez na Tchecoslováquia, ih!






Agradecimento ao Arquivo Nirez





quarta-feira, 4 de setembro de 2013

CARMEN BARBOSA, Alegrias e Saudades



O cenário musical dos anos 30 foi, sem dúvida, um dos mais ricos de todos os tempos. Até hoje encontramos fãs de artistas que começaram suas carreiras nessa longínqua década. Porém, na formação dessa riqueza também tomaram parte alguns artistas que tiveram participações meteóricas, seja no disco, rádio, teatro. Mesmo tendo uma curta carreira na música, muitos deles deixaram sua marca e o gostinho da saudade em seus admiradores.

Alguns saíram de cena por motivos pessoais, como o casamento ou um emprego mais estável, já outros se retiraram pelo fato de suas jovens vidas terem chegado ao fim.

Assim aconteceu com a cantora CARMEN BARBOSA.

Ela foi, sem dúvida, uma das melhores sambistas que já conhecemos, dona de bonita voz e dicção perfeita. Carmen Barbosa tinha toda a bossa para interpretar sambas e marchas.
Infelizmente, ela faleceu em 03 de setembro, no ano de 1942, vitimada pelo diabetes. 
Pouco antes, havia amputado uma perna.
E querem saber o que e mais irônico e incomum de tudo isso? No dia seguinte seria seu aniversário. Pois é... Ela se enterrou no dia em que estaria completando trinta anos, em 04 de setembro de 1942.
Enfim, a vida tem desses mistérios.

O artigo que escrevi foi baseado em minhas pesquisas e também nas pesquisas da jornalista e pesquisadora musical Thais Matarazzo e no acervo do Arquivo Nirez.


Carmen Barbosa nasceu no Rio de Janeiro, no bairro do Catumbi, em 04 de setembro de 1912. 
Tinha sete irmãs. De família humilde, com uma ótima voz, desde criança gostava de cantar.
Ela era uma moça reservada, que não gostava muito de se expor à publicidade, mesmo quando estava fazendo sucesso.

Sua carreira teve início em 1932. Devido à sua boa voz, passou a fazer parte do coro nas gravações de Carmen Miranda, na Victor.
Ela começou no rádio em 01 de dezembro 1934, na Rádio Cruzeiro do Sul, indo depois para a Rádio Tupi.
Sua oportunidade surgiu em 23 de dezembro de 1934, quando foi chamada a substituir a cantora Madelou de Assis, que havia faltado um programa de rádio por estar doente.

Do rádio para o disco foi um caminho natural.
Estreou na gravadora Columbia com o pé direito, interpretando dois sambas da autoria de Pixinguinha e Cícero de Almeida , o Baiano (não confundir com o cantor da Casa Edison). Gravou também alguns discos na Victor e um na Odeon. Entre os compositores que gravou, só havia bambas: Herivelto Martins, Buci Moreira, Roberto Martins, Zé Pretinho, Benedito Lacerda, só para citar alguns
Aliás, Benedito Lacerda foi seu amigo e grande incentivador, compondo várias músicas para ela e acompanhando suas gravações com sua flauta.

Ao todo, ela gravou 27 músicas em 14 discos.

Com seu talento para o samba e bonita voz, Carmen Barbosa conseguiu vencer sozinha. Em suas gravações era afinada, sabia colocar sua personalidade e a malícia necessária, caso a música pedisse.
Bonita, era morena, cabelos negros, olhos castanhos escuros, pesava 56 quilos, medindo 1,58 metros. Em algumas reportagens era citada como a Estrela Morena.

Atuou também na Rádio Club, onde ficou até seu falecimento.

No rádio, tinha como colegas, Sônia Barreto, Trio de Ouro, Francisco Alves, Gastão Formenti, Noel Rosa, Antenógenes Silva, Sylvinha Mello, entre outros cartazes.



Na Rádio Tupi, anos 30.
A foto foi publicada na Revista do Rádio de setembro de 1948,
em matéria que relembrava artistas dos anos 30.


Em 30 de dezembro de 1939, não pode comparecer ao evento organizado pela Rádio Clube, por estar adoentada. Dircinha Batista, que iria se apresentar, cantou também as músicas de Carmen.

Em 1940, ainda estava adoentada, vítima do diabetes, mesmo assim continuou cantando no rádio.

Em setembro desse mesmo ano, fez uma temporada em São Paulo, nas Rádios Cosmo e Cruzeiro do Sul, ao lado de Elisa Coelho e Orlando Silva.

No intervalo entre 1940 e 1941, passou a cantar esporadicamente.

Desde o final de 1941 e ainda no primeiro semestre de 1942, a imprensa soltava notícias e reportagens esperançosas, afirmando que ela voltaria em breve ao microfone da Rádio Clube.

Mas, a doença lhe impossibilitava de trabalhar.

Doente, esquecida e sem condições de se tratar, foi encontrada em sua casa pelo humorista Barbosa Junior, que mobilizou a classe artística no intuito de ajudá-la, já que ela se encontrava em dificuldades financeiras.
O jornal Diário da Noite sempre esteve ao lado de Carmen Barbosa durante sua enfermidade. 

Estampou com alegria o fato de que ela, mesmo afastada, tencionava voltar ao rádio.

"Com saúde a vida é outra coisa. E estou louquinha para voltar ao microfone. Quero cantar muito. Voltar a me corresponder com meus fãs. Não imagina o Diário da Noite as saudades que eu tenho sentido da cadência do samba. Dessa cadência que é como bater do grande relógio da existência, marcando a vida da gente. quando esse relógio não trabalha, como que não vivemos.", afirmava a cantora.

Suas amarguras e saudades eram disfarçadas sob seu sorriso franco, cheio de vivacidade.

"Para que chorar? Sorrindo a gente esquece. E esquecer é uma maravilha.", ainda ensinava Carmen.

O Diário da Noite também exprimia a revolta de seus editores durante o agravo da enfermidade da cantora. Chegou a ajudá-la financeiramente, na pessoa de alguns colaboradores. Carmen também recebeu a solidariedade de uns poucos amigos. Segundo o jornal, ela estava esquecida. A maioria dos que a aplaudiram quando estava no apogeu havia desaparecido. Entre os artistas que se emprenharam em ajudá-la, o jornal citava Moreira da Silva e Benedito Lacerda, que organizavam um espetáculo em benefício da cantora.

Em agosto de 1942, Carmen Barbosa precisou amputar uma de suas pernas. Isso só agravou seu estado. Os colegas chegaram a providenciar uma perna mecânica, mas, o tempo para Carmen estava se extinguindo. Ela não chegou a usar a prótese.
Na época de seu falecimento, Carmen Barbosa era contratada da Rádio Club (ou Clube). O diretor Renato Murce chegou a se defender (e a própria Rádio) das acusações do jornal em 02 de setembro de 1942. 

No dia seguinte, 03 de setembro de 1942, uma quinta feira, Carmen Barbosa falecia.

Ela foi sepultada no dia seguinte, 04 de setembro de 1942, o mesmo dia de seu aniversário onde completaria 30 anos.


Ela foi uma pessoa que, mesmo esquecida por uns, despertou o sentimento de pesar em quem menos era de se esperar. Foi o caso do Jornal do Brasil que, em 27 de setembro de 1942, quase um mês após o falecimento da cantora, emitiu uma nota onde afirmava não gostar do samba e de seus intérpretes, mas se compadecia do drama de Carmen Barbosa. Ainda expunha o fato dela ter morrido em extrema pobreza e esquecida pela maioria dos colegas. Segundo o jornal, as pessoas que se dedicavam aos gêneros populares, como o samba de morro, eram "egoístas" e "desunidas".

É preciso lembrar que alguns artistas, pessoas que se dedicavam ao gênero popular e aos sambas de morro, também se empenharam em ajudá-la. Nem todos foram egoístas ou desunidos.







Jornal do Brasil,
27 de setembro de 1942.
http://memoria.bn.br





Caricatura de Carmen Barbosa.
Coluna Radioatividades, Jornal das Moças, 1941.
http://memoria.bn.br





A expectativa da volta após uma melhora na saúde

A Noite Illustrada, 1941.
http://memoria.bn.br




Notícias do jornal DIÁRIO DA NOITE sobre a enfermidade de CARMEN BARBOSA

11 de abril de 1942



17 de julho de 1942




05 de agosto de 1942




12 de agosto de 1942




21 de agosto de 1942




01 de setembro de 1942




02 de setembro de 1942




05 de setembro de 1942
(na verdade Carmen faleceu no dia 03, e não no 04 como dá a entender a reportagem.
Ela fazia aniversário em 04 de setembro).




07 de setembro de 1942




09 de setembro de 1942






Outros periódicos

A NOITE

04 de setembro de 1942



 10 de setembro de 1942










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