quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

MÁRIO REIS - 108 ANOS



O cantor MÁRIO REIS estaria completando hoje, 31/12, 108 anos.



SABIÁ
Canção de José Barbosa da Silva (Sinhô)
Acompanhamento de dois violões
Disco Odeon 10.257-A, matriz 1935
Lançado em outubro de 1928




MARGOT
Samba de Alfredo Dermeval
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.298-B, matriz 2082
Lançado em dezembro de 1928



N´ALDEIA
Samba de Euclides Silveira (Quindinho)
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.728-B, matriz 4058
Lançado em janeiro de 1931



UMA JURA QUE FIZ
Samba de Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.928-A, matriz 4482
Gravado em 12 de julho de 1932 e lançado nesse mesmo ano



A TUA VIDA É UM SEGREDO
Samba de Lamartine Babo
Acompanhamento do Grupo da Guarda Veha
Disco Victor 33.614-B, matriz 65615-3
Gravado em 03 de dezembro de 1932 e lançado em fevereiro de 1933

  

NA HORA “H”
Marcha de Walfrido Silva e Alcir Pires Vermelho
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.286-A, matriz 5142
Gravado em 09 de setembro de 1935 e lançado em dezembro






Agradecimento ao Arquivo Nirez













quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

JESY BARBOSA - 28 ANOS DE SAUDADE



Há 28 anos falecia a cantora e poetisa JESY BARBOSA.
Trago algumas de suas canções com sua interpretação única.




QUEM AMA VIVE A SOFRER
Canção de Sátiro de Melo
Acompanhamento de Rogério Guimarães ao violão
Disco Victor 33.283-A, matriz 50229-2
Gravado em 09 de abril de 1930 e lançado em maio



SAUDADE DANADA
Canção de Joubert de Carvalho
Acompanhamento de Rogério Guimarães ao violão
Disco Victor 33.283-B, matriz 50230-2
Gravado em 09 de abril de 1930 e lançado em maio



ILUSÃO DE AMOR
Tango canção de Homero Dornelas e Bastos Carvalho
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira, sob a direção de João Martins
Disco Victor 33.707-A, matriz 65453-2
Gravado em 13 de abril de 1932 e lançado em outubro de 1933



QUÉ MAS FINGE NÃO QUERÊ
Toada de Alfredo Dourado e Gilberto de Andrade
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira, sob a direção de Pixinguinha
Disco Victor 33.707-B, matriz 65474-2
Gravado em 28 de abril de 1932 e lançado em outubro



NINHO DESFEITO
Canção de Zelita Vilar e Réa Cibele
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 11.024-A, matriz 4658
Gravado em 28 de abril de 1933 e lançado em junho



NUNCA MAIS
Foxtrot de Zelita Vilar e Réa Cibele
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 11.024-B, matriz 4659
Gravado em 28 de abril de 1933 e lançado em junho








 Agradecimento ao Arquivo Nirez


















quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

27 ANOS DE PESQUISAS MUSICAIS



Há 27 anos minhas pesquisas musicais começaram oficialmente. 
Era 24 de dezembro de 1988. Eu tinha 13 anos de idade.

Já faziam alguns meses que eu buscava um novo tipo de música, mas, não sabia onde encontrar. Nessa época, estava passando a novela Vida Nova, na Rede Globo, onde a história se passava na década de 1940. Lembro que o que mais me fascinava, fora a recriação de época, eram as músicas que saiam dos rádios capelinhas, aquelas caixas de madeiras bem trabalhadas. Era um som abafado, diferente dos sucessos dos anos 80 que eu conhecia. A música era acompanhada de orquestra.

Lembro das músicas que tocavam nas cenas, como Deusa da Minha Rua interpretada por Sílvio Caldas (descobri o nome da canção e do cantor depois), e achava bonita, era algo com que eu me identificava. Por mais que eu gostasse dos sucessos pop´s, de Cyndi Lauper por exemplo, faltava algo. Eu não sabia identificar o quê. Depois de comprar o LP da novela, passei a buscar por mais músicas daquele estilo. Lembrei de uma cantora cuja imagem eu conhecia desde criança, principalmente dos tempos de carnaval: Carmen Miranda.
Eu pensava: essa cantora é do passado, cantava Mamãe eu Quero e Tico tico no Fubá, então, parece ser o que eu procuro.
E lá fui eu buscar a Carmen que o mundo conhecia.

Ao chegar na loja Francinet Discos, situada no primeiro Shopping de Fortaleza, o Center Um, eu encontrei dois LPs que me chamaram a atenção. O de Carmen e o de Dalva de Oliveira. Fui ouvir os dois. Porém, como meus ouvidos ainda não estavam educados e o disco da Carmen trazia suas gravações iniciais, feitas em 1930, eu estranhei. Afinal, buscava a Carmen de Mamãe eu Quero... Fui ouvir o de Dalva, onde ela era acompanhada pelo maestro Roberto Inglez. O LP da Revivendo trazia doze músicas que ela havia gravado em Londres no ano de 1952. Eu gostei do som, pois parecia o que saia dos rádios na novela. Era dia 23 de dezembro e, como sempre, eu demorava para escolher meu presente de Natal (até hoje é assim). Mas, foi esse disco que escolhi e ganhei de meus pais no dia 24. No dia seguinte, 25, ouvindo as faixas, decidi procurar por mais músicas e intérpretes desse estilo.

Finalmente eu havia me encontrado culturalmente e aquela sensação de vazio havia sumido. Era isso que eu buscava!
Com o tempo, fui educando meus ouvidos e, a medida que voltava no tempo, mais gostava das gravações. Logo depois, veio Carmen Miranda em sua fase brasileira e, quando ouvi novamente, me apaixonei. Francisco Alves, Mário Reis também chegaram. Aracy Côrtes chegou reinando absoluta em minha imaginação e ouvidos e, depois, veio Pepa Delgado, mas, conto essas histórias depois.

Após meu pai gravar a fita desse disco, eu ouvia o tempo todo. Kalu não saia do rádio, nem Ai Ioiô. Os parentes tomaram conhecimento e começaram a lembrar de músicas e intérpretes.


Lembro até hoje que o ambiente mudou, o som fazia com que tudo ficasse mágico. É uma sensação e lembrança que não sei descrever bem, mas, posso garantir que foi muito marcante e especial.
Agora, vamos ouvir a Dalva de Oliveira.

Obs. Alguns trechos da gravação podem apresentar defeitos.






Revivendo DALVA DE OLIVEIRA

COM ROBERTO INGLEZ E SUA ORQUESTRA



LADO A
Fim de Comedia, Carinhoso, Brasil Saudoso, Encontrei Afinal, Sem Êle, Noite de Natal

LADO B
Kalú, Fôlha Morta, Pequña, Distancia, Ai Yôyô (Linda Flôr), Lindo Presente






























































































terça-feira, 22 de dezembro de 2015

AURORA MIRANDA E ALMIRANTE - SAUDADES

O dia de hoje, 22 de dezembro, marca a partida de dois grandes nomes de nossa música, Aurora Miranda e Almirante.

Vamos ouvir os dois cantando músicas de Natal.


AURORA MIRANDA


Faleceu há 10 anos, em 22 de dezembro de 2005, aos 90 anos.


NATAL DIVINO
Marcha de Milton Amaral
Acompanhamento da Orquestra Odeon, sob a direção de Simon Bountman
Gravada em 1935




ALMIRANTE

www.mis.rj.gov.br

Faleceu há 35 anos, em em 22 de dezembro de 1980, aos 72 anos.


A BENÇÃO PAPAI NOEL
Marcha de Alcebíades Barcelos (Bide) e Alberto Ribeiro
Acompanhamento dos Diabos do Céu, sob a direção de Pixinguinha
Gravado em 1934













sábado, 19 de dezembro de 2015

ADEUS À ISA RODRIGUES


ISA RODRIGUES
Revista Carioca, 1937.
Arquivo Nirez




Nessa semana, precisamente no dia 15 último, faleceu aos 88 anos a atriz ISA RODRIGUES, a Shirley Temple brasileira.

Elisa Rodrigues Correia de Melo nasceu em São Paulo, a 17 de julho de 1927.

Era filha dos atores Alzira Rodrigues Bouza e Benito Rodrigues Bouza. Tendo iniciado sua carreira cantando e sapateando por volta de 1934, recebeu o título de Shirley Temple brasileira, já que a pequena atriz americana homônima estava em pleno sucesso.

Menina prodígio, atuou com sucesso na Rádio Nacional.


Isa Rodrigues.
Revista Carioca, 1937.
Arquivo Nirez.



Isa Rodrigues.
Revista Carioca, 1937.
Arquivo Nirez.


Quando cresceu, Isa Rodrigues tornou-se vedete e brilhou nos teatros e na TV Excelsior.

No cinema, atuou em cinco filmes.

Desde 1990, quando faleceu seu esposo, o também ator Carlos José Correia de Melo, ela decidiu morar no Retiro dos Artistas. Deixou filhos e netos.

Sua despedida artística aconteceu em 1985 na peça Viva a Nova República, que foi encenada no teatro do Copacabana Palace.



Isa Rodrigues (de vermelho) e Daniele Ramalho.
http://www.danieleramalho.com.br/




Depoimento de Isa Rodrigues










quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

ALZIRINHA CAMARGO - 100 ANOS

Alzirinha Camargo, figura graciosa do "broadcasting", enfeitiçou os paulistas e se fez, agora,
um dos ídolos dos cariocas. Figurou nos "films" "Allô, Allô, Carnaval" e "Fazendo fita".
Revista Carioca, 1936.
Arquivo Nirez



Há 100 anos nascia a cantora e atriz ALZIRINHA CAMARGO. 


Alzira de Camargo nasceu em São Paulo, no bairro do Brás, em 10 de dezembro de 1915.
Foi criada por seus padrinhos em Itapetininga (SP), onde se formou professora da Escola Normal.

Não chegou a lecionar, pois, o rádio a encantou. 
Com 17 anos, em 13 de junho de 1933, estreou na Rádio Record de São Paulo.

Após firmar carreira em algumas rádios paulistanas, Alzirinha foi levada por Silvia Autuori (conhecida por Tia Chiquinha) para o Rio de Janeiro, em novembro de 1935. Lá, apresentou-se na Rádio Cruzeiro do Sul, fazendo logo sucesso.

Jovem, bonita e talentosa, Alzirinha logo seria convidada a participar do cinema, estreando em Fazendo Fita (1935), comédia musical dirigida por Vittorio Capellaro. 

Em 1936, gravou seu primeiro disco na Victor com as músicas: Cinquenta por Cento (50%), marcha de Lamartine Babo; e Você vai se arrepender, samba de Germando Augusto, Kid Pepe e Alberto Fabel.
Nesse mesmo ano, foi contratada para cantar em uma cadeia de cassinos espalhada por todo o país.

Apareceu vibrante no filme Alô, Alô Carnaval (1936), com direção de Adhemar Gonzaga. 
Em 1937, Raul Roulien a dirigiu em O Grito da Mocidade.
Em 1954 apareceria no filme português Agora é que são elas, dirigido por José César de Sá e Fernando Garcia.

Quando excursionou em Buenos Aires, em 1936, Benedito Lacerda compôs para ela a marcha Meu Buenos Aires Querido e, com Herivelto Martins, o samba Ritmo do Coração. Os argentinos adoraram.

Com sucesso nas rádios, cassinos e discos, Alzirinha Camargo partiu para os EUA em 1940, quase a mesma época que Carmen Miranda. Ficou até 1949, apresentando-se ao lado do esposo, o maestro peruano Ciro Rimac.

Entre 1950 a 1953, percorreu a Espanha e Portugal, apresentando-se no Cassino Estoril.
Regressou ao Brasil em novembro de 1953, sendo contratada pela Rádio Nacional para fazer o programa Gente que brilha, de Paulo Roberto.

Nos anos seguintes, ela atuaria ocasionalmente em rádios e televisão, e também gravaria algumas músicas na Polydor.

Em 1964, abandonou a vida artística e tornou-se funcionária pública do INSS, no Rio de Janeiro. 
Quando se aposentou foi morar em Santos (SP), onde faleceu em 09 de dezembro de 1982, um dia antes de seu 67º aniversário.



Alzirinha Camargo, 1936.
Revista Cinearte.
http://www.bjksdigital.museusegall.org.br/




Curiosidades:
Em 1936, Alzirinha Camargo media 1,65 e pesava 50 quilos.
Seus cantores preferidos, em 1976 eram: Carmen Miranda, Francisco Alves, 
Elis Regina e Roberto Carlos.

                     














sábado, 5 de dezembro de 2015

ADEUS À MARÍLIA PÊRA




Em 1991, eu fui assistir, com minha avó Aldaísa, ao espetáculo Elas por Ela, estrelado por Marília Pêra, no Theatro José de Alencar, em Fortaleza.

Eu sabia que em algum momento ela sortearia um livro sobre Carmen Miranda, que eu queria muito.
Mas, o espetáculo me chamava a atenção pelo fato de Marília interpretar várias cantoras da MPB, entre elas Aracy Côrtes e Carmen Miranda, minhas preferidas.

No intervalo, ela sentada no palco, com o bonitos cabelos negros soltos, conversava com o público.
Perguntaram o que ela fazia para ser tão boa atriz, e sua resposta foi "Eu fiz escola com Bibi Ferreira".

Eu estava na parte térrea do teatro, perto do palco e, quando ela falou que ia sortear algo importante, eu levantei o braço. Felizmente, uma de suas acompanhantes me viu e já apontou o dedo para mim.
Eu havia ganho o livro, de Cassio Emmanuel Barsante.

Marília me disse, "Marcelo, você vai adorar este livro".
Minha avó me beijou feliz e satisfeita por eu estar tão contente.

Hoje, soube que Marília Pêra faleceu. Uma de nossas maiores artistas, de todos os tempos.
Lembro aquele longínquo 1991 e penso, "É verdade, Marília, eu adorei o livro!".






sexta-feira, 27 de novembro de 2015

AURÉLIO DE ANDRADE NO ÁLBUM DO RÁDIO-FAN

AURÉLIO DE ANDRADE, 1937.
Revista Carioca.
Arquivo Nirez.



Em 26 de março de 1937, a revista Carioca trazia o poster do locutor AURÉLIO DE ANDRADE, de vinte anos, para o Álbum do Rádio-Fan. Eis o que estava escrito sobre o jovem:

Aurelio de Andrade nasceu em 11 de abril de 1917. Ingressou no “broadcasting” através de um concurso radiophonico na PRG-3, onde actuou por muito tempo.

Esteve ainda na “Jornal do Brasil” e actualmente pertence á Radio Nacional, onde tem actuado nas Aulas de Gymnastica do professor Oswaldo Diniz Magalhães, e nos programmas de estudio.


Aurelio de Andrade, que é um dos mais jovens “speakers” do radio carioca, tem 1m,79 de altura e pesa 71 kilos. Olhos e cabellos castanhos.




Aurélio de Andrade (Aurélio Cristino Lúcio Cabral de Andrade) nasceu no Rio Grande do Sul, em Paraíba do Sul, e foi um dos maiores locutores de nosso país.
Estreou na Rádio Tupi em 1935, quando ela foi inaugurada. Numa noite de festa, coube a ele apresentar ao público o italiano Guglielmo Marconi, considerado o pai do rádio

Antes da inauguração da Rádio nacional ele já era contratando, tendo ajudado a organizar e lançar. Isso antes dos vinte anos. 

Foi ele quem primeiro apresentou o Repórter Esso.

Na Rádio Nacional, foi diretor comercial, diretor administrativo, diretor da sucursal de São Paulo, diretor de vendas e promoções e gerente geral.

Ele ainda trabalhou na BBC de Londres, durante a II Guerra Mundial. Depois foi para a CBS-NBC de Nova York. Narrou filmes de longa metragem para a MGM, nos EUA. Na França, organizou a seção brasileira da Radiofusion Française.

No Brasil ainda apresentou noticiários na TV Excelcior e na TV Rio, e foi locutor da "Voz do Brasil". Foi ainda ainimador de auditório, repórter e radioator.

Aurélio de Andrade faleceu em 1997.







Fontes:
Arquivo Nirez
Revista Carioca
Museu da TV







segunda-feira, 23 de novembro de 2015

LAURA SUAREZ - 106 ANOS




Há 106 anos nascia a cantora e atriz LAURA SUAREZ.

Ela foi eleita Miss Ipanema 1929 e também era violonista e compositora. 

Nascida em 21 de novembro de 1909, seu pai  era proprietário do primeiro hotel balneário do Brasil , o Balneário Ipanema, no mesmo bairro. 
Entre 1929 e 1931 gravou onze discos com vinte e duas músicas, na Brunswick, quase todas de sua autoria.
Em 1933 casou-se com William Melniker, diretor geral da Metro - Goldwyn - Mayer na America do Sul.

Laura Suarez, de branco e ao centro, em seu casamento, 1933.


Em 1938, nos Estados Unidos, participou do primeiro programa mundial de televisão, na N. B. C., em Nova York, cantando peças de Tchaikovsky.
Se dedicou por mais de cinquenta anos ao teatro, tendo feito cinema, rádio e televisão, onde atuou na  novela da Rede Globo, Te Conrei?.

Sua última peça foi Frank Sinatra 4815, de João Bethencourt, em 1985, no Teatro Mesbla, no Rio.








domingo, 15 de novembro de 2015

JESY BARBOSA - 113 ANOS

Jesy Barbosa, 1932.
Revista O Cruzeiro.
http://memoria.bn.br/


Hoje, a cantora e poetisa JESY BARBOSA completaria 113 anos.

Jesy também era violonista, rádio-atriz, dramaturga e jornalista.
Em 1930, foi eleita Rainha da Canção Regional e teve poemas publicados.











segunda-feira, 9 de novembro de 2015

EVA TODOR - 96 ANOS



Nossa queridíssima EVA TODOR completa 96 anos hoje.


Uma de nossas maiores atrizes é, sem dúvida alguma, Eva Todor.
Com mais de 80 anos de carreira, Eva vem encantando gerações com seu talento, seja no teatro, cinema ou televisão.

Nascida na Hungria em 1919, veio menina ao Brasil e ainda adolescente iniciou carreira no teatro, tendo brilhado no teatro de revista dos anos 30 ao lado de grandes nomes como Aracy Côrtes, Alda Garrido e Francisco Alves.

Seu último trabalho foi na novela Salve Jorge, de Glória Perez, exibida pela Rede Globo em 2012.
Atualmente, podemos vê-la na reprise da novela O Cravo e a Rosa, de Walcyr Carrasco, também exibida pela Rede Globo.

Aprenda com ela:



COMO SE DESCOBRE UMA PEÇA




Em 13 de dezembro de 1941, a revista O Cruzeiro publicou a reportagem de Márcio Cunha intitulada COMO SE DESCOBRE UMA PEÇA. Nela, o repórter iniciava chamando a atenção sobre o fato de a maioria do público quando vai assistir a uma peça ignorava todo o trabalho que havia sido feito para ela ser exibida, o esforço em conjunto dos que apareciam em cena e dos que permaneciam ocultos nos bastidores. Mas, havia um trabalho maior que todos esses. Era, justamente, a escolha da peça a ser montada.
E com a pergunta "Como se escolhe uma peça?", Márcio Cunha chegou ao elegante apartamento do diretor, empresário e compositor Luiz Iglezias, localizado em Ipanema (RJ). Luiz respondeu:

Passando noites inteiras acordado - lendo, lendo, lendo infatigavelmente - em português, francês, inglês, espanhol, italiano, alemão e até húngaro!

- Você conhece também alemão e húngaro? (perguntava o repórter).

- Não, essas línguas são familiares à Eva Tudor, primeira atriz de minha companhia e, há oito anos, longos e felizes, dominadora absoluta do lar desse seu creado...

- Então...

- Sei que vai me fazer duas perguntas inevitáveis em tais circunstâncias, e apresso-me a respondê-las. Primeiro, Eva, apesar de sua juventude, está casada comigo há oito anos, isto é, desde os quatorze - segundo, além de ser uma atriz brilhante e personalíssima (segundo a crítica unânime, e a minha opinião pessoal, inteiramente franca) é uma companheira ideal, inteligente e possuidora de um raro sentimento artístico que a faz conhecer imediatamente, deante de um original, se vai agradar ou não. Assim, além de me auxiliar grandemente na leitura das peças, preferentemente em alemão e húngaro, línguas que lhe são familiares, pois nasceu em Budapest, é a primeira pessoa a quem entrego os meus originais, com absoluta confiança em sua crítica sagaz e construtiva. Eva...

- Estão falando de mim? Bem ou mal? 

"A creadora inimitavel de Chuvas de Verão e Sol de Primavera, acabava de entrar com sua esfusiante alegria, uma garota autêntica em seu elegante pijama caseiro".

- Estava explicando, como é difícil escolher uma peça - dizia seu esposo.

- Difícil? Verdadeiro pesadelo! Organizar repertório para uma temporada, representa o esforço bem maior, para os responspaveis por uma companhia, do que todo o trabalho de ensaiá-la e apresentá-la ao público. Agora mesmo, para chegarmos a resolver sobre a última peça que levaremos no Rio, antes da excursão às Estações de Águas e ao Norte, tivemos que ler nada menos de trinta e cinco originais, em sete idiomas. Está será, provavelmente "Una noche de Pirmavera sin sueno", uma deliciosa comédia romântica do escritor espanhol Enrique Jardiel Poucela.

Luiz Iglezias voltou a falar, dizendo:

- Depois da escolha, devo procurar obter os direitos de tradução, em se tratando de obra estrangeira, e eu mesmo me encarrego, em gral, desse trabalho, sendo necessário na maior parte das vezes, adaptá-la, não só ao nosso ambiente, e muitas vezes ao tipo dos intérpretes disponíveis. É uma batalha insana, onde conto também, ainda uma vez com o auxílio de Eva, que interpreta para que eu sinta o efeito de certas falas, não só o seu papel, como os outros, inclusive os masculinos... Aliás, esses são os bons momentos do trabalho, porque então me faço de espectador. Veja só - espectador único de uma grande atriz!

- Olha a máscara... E se fico convencida?

Luiz Iglezias sorriu.

- Eu sei uma receita infalível para isso. Mas por enquanto não é necessária.

Sobre quantos dias eram necessários, em média, para uma escolha, Luiz afirmou:

- Depende Muitas vezes em poucos minutos descobrimos a mina, mas geralmente muitos dias se passam até o momento em que resolvemos finalmente sobre um original. Decepcionante se torna, porém, quando depois de tudo, quando por um motivo qualquer (impossibilidade de obter os direitos, por exemplo) todo esse trabalho se torna inútil. O ideal, seria, que existissem autores que escrevessem comédias, especialmente para Eva. Isso acontece, de quando em quando, e eu mesmo o tenho feito algumas vezes. Mas, em geral, aqui, como em toda a parte, os diretores é quem devem procurar a peça para os personagens... O resto, apesar de trabalhoso, é quase nada...

- Quase nada comparativamente. mas custa muito, principalmente quando temos que abandonar essa paisagem maravilhosa de Ipanema, num dia lindo assim, para ensaiar horas a fio, na certeza de que à noite temos duas seções ainda para representar!

Mas isso era outra história. Nós a contaremos oportunamente. Assim terminava a reportagem de Márcio Cunha.






























Agradecimento ao Arquivo Nirez







HEDY LAMARR, ATRIZ E INVENTORA - 101 ANOS

Hedy Lamarr como Dalila,
em Sansão e Dalila, 1949.


Há 101 anos nascia a inventora e atriz  Hedy Lamarr, um dos grandes mitos de Hollywood. Em sua homenagem, o Google criou um dos melhores Doodles já feito.






Não bastando sua imensa beleza, Hedy era também inteligentíssima, tendo inventado o sistema que possibilitou a telefonia celular, sendo considerada a "mãe do telefone celular".

Hedwig Eva Maria Kiesler nasceu em 09 de novembro de 1913 em Viena, Áustria, filha de pais judeus. Seu pai, Lemberg (nascido Emil Kiesler), era diretor bancário; sua mãe, Gertrud (nascida Lichtwitz), era uma pianista de Budapeste. Até os 10 anos, Hedwig estudou balé e piano.


Em Conspiradores, 1944.



Sua carreira foi impulsionada ao estrelar, em 1933, o filme tcheco Ecstasy, de Gustav Machatý, rodado em Praga. Uma das cenas entrou para a história do cinema quando Hedy, completamente nua, corria entre a vegetação, banhava-se em um rio e simulava um ato sexual, com a câmera dando um close em seu rosto no momento do orgasmo. Para se obter as expressões de êxtase (olha aí o nome do filme), reza a lenda que espetaram um alfinete em suas nádegas. 
Mais curiosidades sobre o filme: foi o primeiro filme não pornográfico a mostrar um nu frontal (o dela).

O belo nu frontal captado pelas câmeras de Machatý causou revolta no marido da atriz, Friedrich Mandl. 
Eles haviam casado recentemente e Mandl, um vienense fabricante de armas, 13 anos mais velho que ela, dono de uma fortuna, gastou altas somas tentando readquirir e destruir as cópias do filme. Felizmente, não conseguiu dar fim a todas. 

Ele era um marido controlador, que tentava mantê-la trancada na mansão do casal, onde ela era vigiada por uma empregada. Eles frequentavam jantares no qual comparecia a ascendente elite nazista, com quem Mandl se relacionava. Ele a exibia como a uma obra de arte. Como várias artistas alemãs e austríacas, Hedy não concordava com o regime nazista, mas, em anos pré-Segunda Guerra era obrigada a comparecer a tais eventos. 

Ela não precisou suportar os nazistas e muito menos o marido por muito tempo. Em 1937, vivendo ainda em Viena, ela dopou a empregada e vestiu suas roupas, se disfarçando. Com todas as suas jóias, Hedy seguiu para Paris, onde pediu o divórcio.
Uma vez que recebia um péssimo tratamento de seu marido e estando cada vez mais perto de suas amizades nazistas, essa era a única e melhor opção que a jovem artista judia podia tomar.

Curiosidade: mesmo amigo de nazistas, Mandl era judeu.

De Paris, ela foi para Londres e, depois, para Hollywood, onde pôde retomar sua carreira. 
Quando trabalhou em Berlim com o produtor e diretor teatral Max Reinhardt, ela a considerava a mulher mais bela da Europa. Na capital do cinema, ela seria considerada a mais bela do mundo, a própria Deusa da Beleza.

Atuando em filmes onde sua beleza se destacava, Hedy também era sedutora e elegante, abusando do glamour em uma época onde isso era essencial.

Ela afirmava: "Qualquer mulher pode ser glamurosa: basta ficar quieta e fazer uma expressão de burra".

Porém, ela não era apenas um bela mulher. Também era inteligente, aliás, inteligentíssima!

Quando ainda era casada com Mandl, Hedy não participava somente de eventos sociais. Também frequentava os encontros técnicos de seu marido. Possuindo grande aptidão à matemática, ela aprendeu os princípios de tecnologia militar, principalmente no que dizia respeito ao interesse de Mandl: controlar torpedos por ondas de rádio. 


O invento

O músico George Antheil também era alguém muito inteligente. Além da música, ele se dedicava à invenções, tendo se notabilizado ao experimentar o controle autômato de instrumentos musicais (como o visto no filme Ballet Mécanique, de Fernand Léger, de 1924). Antheil tinha tão vasto conhecimento geral que escreveu um livro sobe endocrinologia. Ele e Hedy se conheceram por volta de 1940, quando passaram a ser vizinhos em Hollywood. Ela o procurou buscando conselhos sobre como aumentar os seios (lembrem-se que ele possuía um vasto conhecimento). Acabaram ficando amigos.


George Antheil


Nessa época, ela, que tinha muitos conhecimentos de física e eletrônica, tendo acompanhado o trabalho de seu ex-marido, já havia criado o Frequence Hooping (Alternância de Frequências), que funcionava assim: se o emissor e o receptor mudassem constantemente de frequência, somente eles poderiam se comunicar, sem correrem o risco de serem interceptados pelo inimigo.

O site nerdpai.com nos explica melhor: "Imagine sua estação de rádio mudando de posição constantemente e seu aparelho acompanhando a alternância. Você conseguiria ouvir a transmissão, mas outros rádios não teriam como sintonizar a estação, por não saber qual a posição certa no dial, até porque ela mudaria constantemente".

Para saber como realizar isso, Hedy contou com a ajuda de seu amigo músico Antheil, que tinha raiva de Hitler, pois o ditador realizou uma caça à Música Moderna (que considerava uma "aberração judaica") em prol do Romantismo (Wagner).  Sua solução veio justamente de sua obra Ballet Mécanique (a música): a sincronização entre emissor e receptor seria feita exatamente como ele fez ao sincronizar 16 pianos no filme, usando rolos perfurados. 
Transportando para os transmissores e receptores de rádio, ele e Hedy Lamarr desenvolveram uma técnica capaz de usar 88 frequências diferentes numa mesma transmissão, o mesmo número das teclas de um piano.
Aliás, ambos experimentaram ao piano, em um dueto: ela repetindo em outra escala as notas que ele tocava, experimentando o controle dos instrumentos. 

A ideia recebeu o nome de Sistema de Comunicação Secreta.

Eles patentearam o invento em 1942. Ela assinou como Hedy Kiesler Markey, achando que não seria levado a sério se assinasse Hedy Lamarr. Porém, os militares não gostaram de sistema adaptado de um instrumento musical. Hedy e Antheil passaram a colaborar par alevantar fundos para a guerra, mas, usando apenas suas famas de artistas.


Parte da patente de Hedy Lamarr e George Antheil.


A patente ficou esquecida até 1957. Nesse ano, engenheiros da Sylvania criaram um sistema que usava o mesmo projeto, mas eletrônico e não mecânico. Até 1962, esse projeto ficou em sigilo, quando foi utilizado na crise dos Mísseis Cubanos. Infelizmente, nessa ocasião, a patente de Hedy e Antheil (que faleceu em 1959) já havia expirado. 



Nos dias de hoje

Novamente, o site nerdpai.com nos explica.
"Hoje, a ideia de alternância de freqüência serve como base na técnica moderna de comunicação por espalhamento espectral, que garante a confiabilidade dos dados. Essa técnica é usada hoje nos protocolos Bluetooth, Wi-Fi e CDMA. Portanto, toda vez que você fizer uma ligação, lembre-se que uma estrela de Hollywood tornou isso possível". 

Resumindo tudo isso, foi graças à invenção de Hedy Lamarr que surgiu a tecnologia necessária para a telefonia celular. 

Mas, nem ela e nem sua família ou a família de seu amigo e parceiro receberam um centavo por sua invenção.

Somente em 1997, quando ela estava com 84 anos e Antheil já falecido, ambos foram homenageados com um prêmio da Eletronic Frontier Foundation, entidade sem fins lucrativos dos EUA que luta pelos direitos digitais. Na ocasião, Hedy Lamarr declarou por telefone: "O que eu ganho com isso? Não tenho motivo para estar orgulhosa desse prêmio".

Em 2005, o primeiro Dia dos Inventores, na Alemanha, foi criado em sua honra, em 09 de novembro, data de seu aniversário de 92 anos.



Voltando à Estrela

Em 1938, após sua fuga de Viena, ela estrelaria ao lado de Charles Boyer o filme Argélia (Algiers), dirigido por John Cromwell. Ao lado de Robert Taylor, apareceu em 1939 no filme Flor dos Trópicos (Lady of the Tropics), dirigido por Jack Conway e Leslie Fenton. De 1940 até 1948, Hedy Lamarr apareceu em 16 filmes.

Em 1949 seu nome entraria definitivamente para a história do cinema ao estrelar Sansão e Dalila (Samson and Delilah), dirigido por Cecil B. DeMille, onde interpretava Dalila e atuava ao lado de Victor Mature (Sansão), e ainda, George Sanders e Angela Lansbury. Nesse filme, sua beleza e sensualidade são lembradas até hoje.

Depois desse sucesso, apareceria em mais doze filmes até 1958.

Nos anos 60, foi acusada de roubo, sendo considerada inocente.

Em 1998 uma ilustração de seu rosto foi usada Corel Corporation na publicidade para o CorelDRAW8 software, sem a autorização da atriz. Em 1999, o caso foi resolvido.




A fotografia original e a ilustração usada pela empresa Corel Company.



Hedy Lamarr faleceu na Flórida, EUA, em 19 de janeiro de 2000, aos 86 anos. Seu desejo foi atendido: suas cinzas foram levadas para Viena e espalhadas na floresta Wienerwald.



Curiosidades

Casou-se seis vezes. Entre seus maridos estavam o roteirista Gene Markey e o ator John Loder. Namorou o brasileiro Jorginho Guinle.

Foi uma das primeiras mulheres a fazer implante de silicone, aumentando os seios.

Era a dona da mansão usada no filme A Noviça Rebelde (The Sound of Music), de 1965.

Em sua biografia escreveu que para se tornar estrela em Hollywood era preciso ir para a cama com agentes, atores, diretores e produtores. "E nessa ordem. É brutal, mas, é a realidade", afirmou.

Fora o processo na empresa Corel Corporation, processou também o diretor Mel Brooks,por ter utilizado seu nome no filme Banzé do Oeste (Blazing Saddles), de 1974.

No jogo de computador Half-Life 2, o personagem Dr. Isaac Kleiner possui um headcrab de estimação chamado Lamarr, em sua homenagem.

Seu sobrenome Lamarr é uma homenagem à atriz Barbara La Marr, famosa em Hollywood nas décadas de 1910 e 1920, tendo falecido  em 1926 aos 29 anos. O poderoso presidente da MGM Louis B. Mayer, que era fã de Barbara, foi quem escolheu o sobrenome. Louis contratou Hedy ainda em Londres, após a fuga de Viena.

Hedy Lamarr serviu de inspiração para Walt Disney criar (ninguém menos) que o personagem Branca de Neve.












Fontes:
http://cinemaclassico.com/
http://ofalcaomaltes.com/
http://www.geek.com.br/
http://ela.oglobo.globo.com/
http://nerdpai.com/
http://www.hedylamarr.com/
http://www.hedylamarr.org/
http://www.doctormacro.com







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