domingo, 17 de maio de 2015

MISSA CAMPAL - 1888



Há exatos 127 anos acontecia a Missa Campal celebrada em ação de graça pela Abolição da Escravidão no Brasil. 
O evento ocorreu em 17 de maio de 1888, também em um domingo, no Campo de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. 



O EVENTO

Dias antes, em 13 de maio, a Princesa Imperial Regente, D. Isabel, havia assinado a Lei Áurea, que extinguia a escravidão no país.

A fotografia da missa campal foi feita do alto pelo fotógrafo Antonio Luiz Ferreira, e é possível ter uma ampla vista do campo lotado de pessoas. Em um pequeno palanque decorado, à esquerda da foto, no lado de cima, está a Princesa Isabel e seu esposo, o Conde D´Eu. 

O site Brasiliana Fotografia, ligado à Biblioteca Nacional, conseguiu identificar, ampliando a fotografia, o escritor Machado de Assis e o jornalista José do Patrocínio, junto de seu filho, o futuro dramaturgo José do Patrocínio Filho, aos três anos. Eles estavam bem próximos à princesa. Todas essas fotografias são do site http://brasilianafotografica.bn.br/?page_id=736 , que apresenta um interessante artigo sobre a imagem e a descoberta dos integrantes ilustres.

Após a missa, José do Patrocínio convidou seu amigo Machado de Assis (que fora em sua companhia ao evento) para almoçar em sua casa. As demais integrantes do palanque foram a um almoço festivo no Internato do Colégio Pedro II.






A fotografia de Antonio Luiz Ferreira, além de ser um documento histórico de grande valor, é um registro impressionante de pessoas e seus rostos. Vemos pessoas negras e brancas juntas e comemorando o fim de uma grande vergonha nacional, a escravidão. Alguns estão sérios, outros sorriem, uns lançam um olhar curioso. Cada rosto é uma história de vida e todos buscam a lente da câmera. Sugiro a vocês ir nesse link http://zip.net/bgrgt0 e ampliar a fotografia. Felizmente, podemos ampliá-la ao máximo. No início a imagem aparece borrada, mas, logo fica nítida. Assim, podemos ver os detalhes daquelas pessoas, suas roupas, chapéus, o que seguravam, enfim, de certa forma conseguimos estar lá com eles, sentindo a mesma emoção.


Detalhes da fotografia

































A CANÇONETA

Na época desse grande acontecimento o teatro de revista estava consolidado em nosso país e a Abolição foi um ótimo tema para homenagens e referências pelos revistógrafos. Como o teatro de revista apresentava músicas cômicas, picantes e satíricas, abordando vários temas, a Missa Campal do dia 17 de maio foi a inspiração para uma cançoneta que iria fazer muito sucesso no restinho de século que faltava e no início do século XX.

A música chamava-se Missa Campal e foi lançada na revista (peça) intitulada 1888, da autoria de Raul Pederneiras, que estreou em 27 de dezembro no teatro Variedades Dramáticas. Seu criador nos palcos foi o célebre ator Machado Careca. A melodia era de uma canção francesa, da autoria de Lesorn. Mesmo com o êxito obtido, teve críticos que a combateram. Mas, o sucesso prevaleceu e a famosa cançoneta seria gravada em 1902 pelo pioneiro cantor de discos Bahiano (Manuel Pedro dos Santos), que a regravaria em dezembro de 1913. 




A revista que a música cita, provavelmente, seria a revista de tropas feita pela guarda imperial.
Degas, no contexto, era uma gíria da época para definir um sujeito contador de vantagens, um "sabichão". 
Matolatagem é o mesmo que mantimentos, suprimentos.


Ator Machado, também conhecido por Machado Careca.
Arquivo Nirez.



Bahiano, nome artístico de Manuel Pedro dos Santos.
Arquivo Nirez.



MISSA CAMPAL



Cançoneta gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 108.717
Matriz XR-1364
Lançado em 1913


Tendo um gênio vivo e pagodista
para a bela pândega descaio
Fui com a família pra revista 
em honra do Treze de Maio
Ai, que prazer calmo e jocundo
Íamos os quatro a dois de fundo
A mãe e a filha, a frente guarda
e eu, com a sogra, na retaguarda
Cada um, para a viagem,
levou matalotagem
Cá, o Degas, todo o pão levou
a esposa, o queijo, nada mal
A sogra preparou bolos e bacalhau
E a menina, um belo angu
de quicopós e caruru
Bem contentes e diligente
pra São Cristóvão fomos nós todos, afinal.
Os quatro a rir, para poder assistir
ao desfilar das tropas
e à Missa Campal


Íamos de carro e, de repente
lá surge a tropa, bela vista!
De cada corpo, um contingente
marchava à largo pra revista
Uma das bestas, espantada
levou a outra em disparada
 Ai, que sarilho,
Ai, que escarcéu
Perdi o pão, perdi o chapéu
A pobre sogra ver bem, não logra
Na confusão entra a gritar
frente a mim para saltar
Porém, no repelão
Coitada, foi ao chão
De forma tal que, por um triz
no olho entrou-lhe o meu nariz
Mas passado o caso desastrado
a pé pra São Cristóvão fomos, nós, afinal
Os quatro a rir para poder assistir
ao desfilar das tropas e à Missa Campal.


Ao campo, enfim, ei-nos chegado
na relva fomos sentar
Já pela fome torturados
Entramos logo a manducar
A revista a começar
Trepei nos ombros da mulher
e está, na filha que, pra ver
trepara mais atrás aos ombros dum rapaz.
A sogra não vê bem
trepar em todos quer, porém,
coitada foi ao chão do alto do lampião
E foi a queda tão aguda 
que a pobre velha ficou muda.







sábado, 16 de maio de 2015

MARIA CAXUXA (LA CACHUCHA) - 1836

Fanny Elssler, como Florinda, caracterizada para dançar a Caxuxa,
Ballet Le Diable boiteux, 1836.


Há muitos anos, quando li pela primeira vez o livro O Mulato, de Aluísio de Azevedo, achei interessante a passagem em que o ator narrava um velório. Durante a madrugada, enquanto várias pessoas desempenhavam diferentes funções, havia um grupo de mulheres que conversavam e contavam causos, velando a morta. Uma delas disse, "muito sentida, a história de um papagaio de grande estimação, que ela possuía, e que, um belo dia, cantando, coitado! a "Maria Cachucha", caíra para três - morto!".
Eu fiquei curioso sobre essa música e fui procurar informações.

Aqui, divido com vocês os dados interessantes que eu encontrei.



A CAXUXA

Embora a grafia estrangeira (e atual) seja Cachucha, irei usar a forma brasileira e original do século XIX, Caxuxa.

O blog http://www.streetswing.com/, afirma que a Caxuxa (La Cachucha) foi criada em Cuba em 1803, mas que é considerada uma dança espanhola. Não se conhecem o autor da dança ou música.

A bailarina austríaca Fanny Elssler (1810 - 1884) a tornou famosa em em uma coreografia de sua autoria, datada de 1830, para o ballet La Donna del Lago, de Rossini, em Londres.

Em 1836, Fanny Elssler tornaria sua coreografia mais popular, sapateando e tocando castanholas, num começo lento que ia pegando ritmo até terminar com rápidos volteios. Essa versão fazia parte do ballet Le Diable boiteux, de Jean Coralli e Gide, onde ela interpretava Florinda.

Fanny chegou a se apresentar na Ópera de Paris com sua dança que, felizmente, foi registrada por ela em detalhes, fazendo com que as/os futuras(os) bailarinas(os) pudessem recriá-la. A dança também lembrava o fandango e o bolero (este, o do século XIX). Nos EUA, ela apresentou-se na Casa Branca e o Congresso decidiu que não haveria reunião quando ela estivesse dançando.

A divulgação, ao menos no Brasil, não demorou a acontecer. Em 1830 os jornais de Pernambuco e do Rio de Janeiro já divulgavam a Caxuxa (dança), antes mesmo desta se tornar um sucesso mundial.

Em 1840 encontramos mais registros da Caxuxa (dança e música) no Brasil. A coreografia passou a ser conhecida pelas principais dançarinas dos grandes teatros da corte e pelo resto Brasil.

Já em 1864, aparecia nos jornais de Cuiabá.


Era um número artístico que os jornais faziam questão de divulgar com destaque. Ao final desse artigo confiram os recortes de jornais do século XIX falando sobre a Caxuxa. Ao que parece, havia uma versão da dança para o teatro e outra para os salões, esta, provavelmente executada em saraus e mais contida.

A palavra Caxuxa também significava barco pequeno.

O ballet La Donna del Lago foi inspirado no poema Lady of the Lake, de Sir Walter Scott, de 1810.



Fanny Elssler.
 Litografia de Joseph Kriehuber de 1830.
http://www.loc.gov/



Fanny Elssler.



1840



1840



A Caxuxa, coreografia de Fanny Elssler, interpretada por Margaret Barbieri, versão A:




A Caxuxa, coreografia de Fanny Elssler, interpretada por Margaret Barbieri, versão B:




La Cachucha, por Carla Fracci:



La Cachucha






MARIA CAXUXA

Como ocorre com melodias famosas, a Caxuxa recebeu uma versão em Portugal que, de certa forma, ganhou vida própria independente da coreografia. Também vinda ao Brasil, fez sucesso por ter versos picantes, de duplos sentidos. As datas se confundem. No livro A História do Fado, de Pinto de Carvalho (Tinop), de 1903, os versos aparecem datados ainda de 1802, um ano antes da dança ter sido criada.

Há uma versão conhecida até hoje pelos mais idosos: "Maria Caxuxa, com quem dormes tu?/ Eu durmo sozinha com o dedo no ...". 
Ou: "Maria Caxuxa, com quem dormes tu?/ Eu durmo com um gato que me arranha o ...".

Essa versão explícita (que não preciso colocar na integra aqui) era cantada e divulgada pelo povo. Porém, os versos que chegaram até nós não são nada inocentes.

Em 1944, no filme El gran Makakikus, dirigido por Humberto Gómez Landero, o ator Joaquim Pardavé canta La Cachucha.

Em 1940 o dramaturgo Joracy Camargo escreveu a comédia Maria Cachucha.

O termo "Do tempo da Maria Caxuxa" significa algo muito antigo.

Há também um doce chamado Maria Cachucha.




Maria Caxuxa, século XIX




Maria Caxuxa, século XIX





La Cachucha, por Joaquim Pardavé, 1944




A História do Fado, de Pinto de Carvalho.






A CAXUXA NA IMPRENSA


 Diário do Rio de Janeiro, Terça-Feira, 23 de Novembro de 1830





Diário de Pernambuco, Quarta-Feira, 09 de Junho de 1830





Diário de Pernambuco, 10 de Março de 1840




Diário de Pernambuco, Quarta Feira, 22 de Abril de 1840



Diário de Pernambuco, Sábado, 20 de Junho de 1840



 Jornal do Recife, Sábado, 05 de Junho de 1869






A Imprensa de Cuiabá, Quinta-Feira, 28 de Abril de 1864






Diário do Rio de Janeiro, Sábado, 29 de Janeiro de 1842





Correio Mercantil, Terça Feira, 01 de Agosto de 1848





 A Marmota na Corte, Terça-Feira, 18 de Dezembro de 1849













quarta-feira, 6 de maio de 2015

MARLENE DIETRICH - 23 ANOS DE SAUDADE



Há 23 anos falecia, aos 91 anos, MARLENE DIETRICH.


Além de ser um dos maiores mitos de Hollywood e cantora bem sucedida, Marlene foi uma voz que combateu os horrores da II Guerra Mundial, cantando pela paz.

Nascida na Alemanha, ela tinha aversão ao nazismo e decidiu se naturalizar norte-americana e combater através de sua arte a guerra que ocorria na Europa, envolvendo o mundo inteiro. Marlene conviveu com os soldados nos campos de batalha, dormindo em ambientes infestados de ratos e pondo em risco sua vida por causa das bombas que caiam perto de onde estava. Tudo isso para estar perto dos jovens combatentes e lhes levar um pouco de alegria. Após o fim da guerra, visitando uma cidade em ruínas, várias mulheres se reuniram para preparar algo para a atriz. Como sabemos, os materiais eram escassos e, com sacrifício, conseguiram fazer um bolo. Ela, que já havia frequentado os mais requintados restaurantes do mundo, afirmou a um amigo anos depois que aquele bolo, comido em meio às ruínas de uma cidade, era o melhor que ela já provara na vida.











terça-feira, 5 de maio de 2015

DATAS DE 05 DE MAIO

O dia de hoje marca o nascimento ou falecimento de alguns astros e estrelas de nossa música ou do cinema mundial.


DALVA DE OLIVEIRA



Há 98 anos nascia a cantora Dalva de Oliveira, nossa Rainha da Voz.






CIDA TIBIRIÇÁ


Há 96 anos nascia a cantora paulistana Cida Tibiriçá.
Ela foi um dos grandes nomes do rádio de São Paulo, 
sendo eleita Rainha do Rádio de São Paulo, em 1935.
Cida faleceu aos 93 anos, em 2012.



ASCENSO FERREIRA

http://www.onordeste.com/


Há 50 anos falecia o poeta e compositor Ascenso Ferreira, um dos grandes nomes da Literatura em Pernambuco.


TYRONE POWER



Há 101 anos nascia o ator Tyrone Power, 
um dos mais queridos astros de Hollywood dos anos 30 aos anos 50.







Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...