domingo, 31 de dezembro de 2017

ANO NOVO - 2018

Revista O Malho, 30 de dezembro de 1937.
Imagem editada com o ano de 2018.
http://memoria.bn.br


É chegado o dia 31 de dezembro e mais um ano se passou.
2017 foi um ano que trouxe coisas boas e outras nem tanto.
Porém, seguimos na certeza de dias e anos melhores, é esse o espírito.

Trago algumas músicas abordando o fim de ano. Leitores antigos do Blog já as conferiram em outras datas, mas os novos leitores irão conhecê-las ou relembrá-las.

Ilustrei a postagem com a capa da Revista O Malho, de 30 de dezembro de 1937. Editei-a colocando o ano de 2018 (a imagem original apresentava o ano de 1938).

Desejo a todos um Feliz Ano Novo e que 2018 seja um ano de realizações e alegrias para todos nós!




O ANO NOVO
Lundu
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.375
Lançado em 1909



ANO NOVO
Marcha de Custódio Mesquita e Zeca Ivo
Gravada por Aurora Miranda
Acompanhamento da Orquestra Odeon, sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 11.292-A, matriz 5174
Gravado em 23 de outubro de 1935 e lançado em dezembro




BATEU MEIA NOITE
Marcha de Custódio Mesquita 
Gravada por Aurora Miranda
Acompanhamento da Orquestra Odeon, sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 11.292-B, matriz 5175
Gravado em 23 de outubro de 1935 e lançado em dezembro




ANO NOVO
Valsa Sertaneja de Paraguassu
Gravada por Paraguassu e Quarteto Tupan, sob a direção de Georges Moran
Acompanhamento do Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 34.397-A, matriz 80903-1
Gravado em 26 de setembro de 1938 e lançado em dezembro




FIM DE ANO
Canção Natalina de Francisco Alves e David Nasser
Gravada por João Dias
Disco Odeon 13.199-B, matriz 9149
Gravado em 05 de outubro de 1951 e lançado em dezembro



  
ANO NOVO
Valsa de José Roy e Orlando Monelo
Gravada por Stellinha Egg
Acompanhamento de Coral e Sinos
Disco RCA Victor 80-1067-B, matriz SB-093511
Gravado em 09 de outubro de 1952 e lançado em dezembro




ANO NOVO
Valsa de Francisco Lacerda e José Maffei
Gravado por Laranjinha e Zequinha
Acompanhamento de Regional
Disco Odeon 13.553-B, matriz 9862
Gravado em 31 de agosto de 1953 e lançado em dezembro












Agradecimento ao Arquivo Nirez















MÁRIO REIS - 110 ANOS

MÁRIO REIS
Arquivo Nirez


Há 110 anos nascia o cantor MÁRIO REIS.

Mário da Silveira Reis nasceu no Rio de Janeiro em 31 de dezembro de 1907 e faleceu nessa mesma cidade, em 05 de outubro de 1981.

Sua mãe, Alice da Silveira, era de uma rica família, sendo uma das proprietárias da Fábrica Bangu de Tecidos, sendo uma pessoa conhecida na sociedade carioca. Seu pai era o comerciante Raul Meirelles Reis, que também foi presidente do América Futebol Clube, falecendo em um acidente de trem em 1925, quando Mário tinha 17 anos. O teatrólogo Silveira Sampaio era seu primo. Mesmo tendo um irmão mais velho, João, Mário tinha como apoio familiar a figura de seu tio materno, Guilherme da Silveira, e dos primos Guilherme e Joaquim.


Fon Fon 25 de março de 1916
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Começou a estudar violão em 1924 com Carlos Lentine, violonista que integraria na década seguinte o Regional de Benedito Lacerda. Em 1926, Mário ingressou na Faculdade de Direito, sendo colega de Ary Barroso. Ainda em 1926, conheceu o compositor Sinhô (José Barbosa da Silva), com que passou a tomar aulas de violão e a quem já admirava como compositor.

Sinhô ficou impressionado com a forma que Mário Reis interpretava suas músicas e o convidou a gravar um disco na Odeon, em 1928. Do lado A, o samba Que vale a nota sem o carinho da mulher, e do lado B o romance, Carinhos de Vovô, ambos de Sinhô, sendo acompanhado pelos violões de Sinhô e Donga (Ernesto dos Santos).

Seu estilo de cantar simples e coloquial, sem possuir um vozeirão, contrastava com os tenores e barítonos da época, Francisco Alves, Vicente Celestino, Frederico Rocha... Graças ao recente processo elétrico de gravação, Mário Reis podia registrar em cera várias composições, com sua voz calma e afinada. O sucesso veio logo, gravando várias composições de Sinhô e de outros autores da época, Ary Barroso, Cícero de Almeida (Baiano, não confundir com o cantor), José Francisco de Freitas (Freitinhas), Nilton Bastos, Heitor dos Prazeres, entre outros.

Um de seus sucessos, gravado na Odeon ainda em 1928, foi o samba Jura, de Sinhô, que, nesse mesmo ano, também foi sucesso na voz de Aracy Côrtes, que o lançou no teatro de revista e em disco Parlophon. Também podemos destacar Dorinha, meu amor (José Francisco de Freitas), Gosto que me enrosco (Sinhô), Novo Amor (Ismael Silva), entre outros somente no início de sua carreira.

Com o sucesso que vinha alcançando, Mário Reis passou a fazer parte do primeiro time de cantores do disco e do rádio. O grande destaque da época era o cantor e compositor Francisco Alves, o Rei da Voz. Em uma feliz ideia, os dois cantores se uniram para gravar alguns discos e fazerem várias apresentações no final de 1930. Chico Alves com seu vozeirão de tenor e Mário Reis com sua voz macia, porém forte e clara. A união vocal foi perfeita, resultando em doze discos e vinte e quatro músicas, entre sambas e marchas, além de várias apresentações de sucesso, durando até por volta do fim de 1932.


Correio da Manhã, 27 de janeiro de 1932.
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Atuando no rádio, no disco, excursionando pelo país e exterior, Mário Reis também se destacava em cassinos e no cinema, tendo atuado em filmes como Estudantes, de 1935, e Alô, Alô Carnaval, de 1936. Ao lado de sua amiga Carmen Miranda gravou alguns clássicos juninos, Chegou a Hora da Fogueira e Isto é lá com Santo Antônio; além dos célebres samba Alô Alô, Tarde na Serra e Me respeite, ouviu?. Sozinho, deixou clássicos como Cadê Mimi, Agora é Cinza, Doutor em Samba, Uma Andorinha não faz Verão, Rasguei a minha Fantasia, entre outros.


Mário Reis ao microfone da Rádio Mayrink Veiga em 1935.
Revista Vida Doméstica, outubro de 1935.
Arquivo Nirez


Paralelo a sua carreira artística, empregou-se em 1933 como fiscal de jogo. Porém, em 1936, aos 28 anos e em pleno sucesso, abandonou a carreira artística, assumindo o cargo de oficial de gabinete do então prefeito do Distrito Federal, o cônego Olympio Mello. Em 1939 voltou a cantar e a fazer apresentações, gravando alguns discos. Participou, nesse ano, do espetáculo beneficente Joujoux e Balangandans, organizado pela primeira dama Darcy Vargas. Gravaria ainda em 1940, parando novamente.


Mário Reis em 1939.
Revista Carioca.
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Mário Reis voltaria a gravar discos em 1951, quando lançou quatro discos pela Continental. Relançou, nos três primeiros, antigos sucessos de Sinhô, sendo acompanhado pelo maestro Radamés Gnatalli, sob o pseudônimo de Vero, que fez os arranjos, e sua orquestra. O outro disco seria lançado no ano seguinte, contendo músicas de Ary Barroso e Fernando Lôbo. Aloysio de Oliveira o convidaria, em 1960, para gravar pela Odeon um LP, o primeiro de sua carreira, Mário Reis canta suas criações em hi-fi. Com arranjos do maestro Lindolfo Gaya, gravou composições de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes. Novamente Aloysio de Oliveira o convidou, em 1965, por ocasião dos festejos do 4º Centenário da cidade do Rio de Janeiro, para gravar o LP Mário Reis: Ao Meu Rio, com arranjos de Lindolfo Gaya. Ele regravaria antigos sucessos de sua carreira, interpretando também Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida. Em 1967, pela gravadora Elenco, foi lançado o LP O melhor do samba, onde participou ao lado de Aracy de Almeida, Ciro Monteiro e Billy Branco.

Seu LP Ao Meu Rio seria relançado pela Elenco em 1971, com o título de Os grandes sucessos de Mário Reis. Nesse mesmo ano, a Odeon lançou o LP Mário Reis, onde ele cantava antigos sucessos e interpretava composições recentes, como A Banda, de Chico Buarque.

Sua última apresentação pública aconteceu em 1971, no Golden Room do Copacabana Palace, em três apresentações, onde foi aplaudido de pé por mais de dez minutos.

Atuou como compositor, criando Quem ama não esquece, que ele gravou. Segundo seu biógrafo, Luís Antonio Giron, Mário Reis usou o pseudônimo de Zé Carioca para compor o samba Nosso Futuro, também gravado por ele em 1932. Em 1995, o cineasta Júlio Bressane lançou o filme O Mandarim, onde Fernando Eiras interpreta Mário Reis.


O Malho, 21 de março de 1935.
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Trago algumas músicas gravadas pela dupla Francisco Alves e Mário Reis e algumas composições onde Mário Reis canta sozinho.



MÁRIO REIS E FRANCISCO ALVES

Diário Carioca, 16 de janeiro de 1932.
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SE VOCÊ JURAR
Samba de Francisco Alves, Ismael Silva e Nilton Bastos
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.747-B, matriz 4080
Gravado em 05 de dezembro de 1930 e lançado em janeiro de 1931



O QUE SERÁ DE MIM
Samba de Francisco Alves, Ismael Silva e Nilton Bastos
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.780-B, matriz 4162-1
Gravado em 28 de fevereiro de 1931 e lançado em abril



SINTO SAUDADE
Samba de Mário Travassos de Araújo
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco 10.850-A, matriz 4291
Lançado em dezembro de 1931



PERDÃO, MEU BEM
Samba de Angenor de Oliveira (Cartola)
Acompanhamento de Gente Boa
Disco Odeon 10.910-A, matriz 4423
Gravado em 30 de março de 1932 e lançado nesse mesmo ano



A RAZÃO DÁ-SE A QUEM TEM
Samba de Francisco Alves, Ismael Silva e Nilton Bastos
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.939-A, matriz 4472
Gravado em 02 de julho de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933
 


MÁRIO REIS

O Malho, 26 de dezembro de 1935.
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SABIÁ
Canção de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Acompanhamento de dois violões
Disco Odeon 10.257-A, matriz 1935
Lançado em outubro de 1928



DORINHA, MEU AMOR
Samba de José Francisco de Freitas
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.299-A, matriz 2126
Lançado em dezembro de 1928



NOVO AMOR
Samba de Ismael Silva
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.357-A, matriz 2400
Gravado em 27 de fevereiro de 1929 e lançado em abril



SOFRER É DA VIDA
Samba de Francisco Alves e Ismael Silva
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.872-A, matriz 4375
Gravado em 28 de novembro de 1931 e lançado em julho de 1932



MULATO BAMBA
Samba de Noel Rosa
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.928-B, matriz 4480
Gravado em 07 de julho de 1932 e lançado nesse mesmo ano



EU QUERIA UM RETRATINHO DE VOCÊ
Samba de Noel Rosa e Lamartine Babo
Acompanhamento dos Diabos do Céu, sob a direção de Pixinguinha
Disco Victor 33.698-A, matriz 65796-2
Gravado em 07 de julho de 1933 e lançado em setembro



UMA ANDORINHA NÃO FAZ VERÃO
Marcha de Lamartine Babo e João de Barro
Acompanhamento dos Diabos do Céu, sob a direção de Pixinguinha
Disco Victor 33.742-A, matriz 65903-1
Gravado em 01 de dezembro de 1933 e lançado em janeiro de 1934



NOSSO ROMANCE
Samba de Alcebíades Barcelos e Armando Marçal
Acompanhamento dos Diabos do Céu
Disco Victor 33.861-A, matriz 79698-1
Gravado em 26 de setembro de 1934 e lançado em dezembro



ESQUINA DA VIDA
Samba de Noel Rosa e Francisco Matoso
Acompanhamento de Romualdo Peixoto (Nonô) ao piano
Disco Columbia 22.242-B, matriz 381532
Lançado em 1934



MEU BARRACÃO
Samba de Noel Rosa
Acompanhamento de Romualdo Peixoto (Nonô) ao piano
Disco Columbia 22.242-B, matriz 381533
Lançado em 1934










 Agradecimento ao Arquivo Nirez












sábado, 30 de dezembro de 2017

JESY BARBOSA - 30 ANOS DE SAUDADE

JESY BARBOSA em 1930.
Arquivo Nirez


Há 30 anos falecia uma de nossas mais importantes intérpretes, a cantora JESY BARBOSA, Rainha da Canção Brasileira de 1930.

Jesy de Oliveira Barbosa nasceu na cidade de Campos (RJ), em 15 de novembro de 1902. Era filha da musicista Victoria Barbosa e do jornalista e poeta Luiz Barbosa (não confundir com o cantor).

Jesy (pronuncia-se Jezí) Barbosa também foi violonista, jornalista, poetisa, rádio atriz e autora de rádio novelas.

Quando seus pais noivaram esconderam um do outro o amor pelo violão, na época, tido como instrumento de malandros. Porém, descobriram a paixão em comum depois de casados, confirmando a sensibilidade artística que os rodeava. E foi a mãe de Jesy quem a iniciou no violão, no mesmo instrumento que mantinha desde sua juventude e que a filha guardaria consigo com muito carinho.


JESY BARBOSA
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Jesy Barbosa estudou canto com a soprano Zaíra de Oliveira, conquistando a admiração de sua professora. Assim como o pai, começou a escrever poemas e crônicas, publicados na imprensa dos anos 20. Em 1928 seu nome começa a aparecer na programação de rádios como a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, onde foi convidada e contratada por Roquete Pinto. O jornal carioca A Manhã, de quinta-feira 13 de dezembro de 1928, trazia a programação da rádio, destacando a participação de Jesy Barbosa: “Irradiação da Radio Sociedade do Rio de Janeiro. Estação SQAA – Onda de 400 metros. Programma de quinta feira, 13 de dezembro de 1928. 21 horas e 15 minutos – Concerto no Stadio da Radio Sociedade do Rio de Janeiro com o concurso da senhorita Jesy Barbosa, dos srs. Gastão Formenti, Rogério Guimarães e professor Barros (Josué de Barros)”. O programa trazia as seguintes músicas interpretadas por Jesy Barbosa: “II – Tristezas de Gaucho – Canto e violão pela senhorita Jesy Barbosa, com acompanhamento pelos professores Rogerio e Barros. V – Toada para você – de Lorenzo Fernandes – Canto pela senhorita Jesy Barbosa, ao violão, os professores Rogerio e Barros. VIII – Vozes (Thiers Cardoso) – Canto e violão pela senhorita Jesy Barbosa, com acompanhamento pelos sr. Rogerio Guimarães. XI – Olhos pallidos (professor Barros) – Canto e violão pela sentorita Jesy Barbosa, acompanhamento pelos srs. Professor Barros e Rogerio Guimarães. XIV – Morena côr de canella – Canto pela senhorita Jesy Barbosa, ao violão, srs. Rogerio Guimarães e professor Barros”.


Programação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.
A Esquerda, sábado, 11 de fevereiro de 1928.
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Em 1929 a gravadora Victor instalava sua filial no Rio de Janeiro para fazer gravações nacionais. Jesy Barbosa já era uma cantora conhecida e apreciada no rádio e a Victor logo a contratou, fazendo grande publicidade em torno de seu nome. Nesse mesmo ano, Jesy gravava seu primeiro disco, sendo também a primeira intérprete feminina a gravar nesta empresa. Seu disco de estreia trazia a canção de Josué de Barros, Olhos Pálidos, que ela já cantava no rádio. Ela contou depois uma história inusitada sobre a música: um juiz havia pedido à esposa que na hora de sua morte tocasse essa canção, pois ele muito a apreciava. Do lado B, o disco trazia o samba canção de Zizinha Bessa, Medroso de Amor. Ao todo, ela gravou 48 músicas em gravadoras como Victor, Odeon, Parlophon e Columbia. No final de 1930, fez algumas gravações na Victor de São Paulo. Também fez a versão do fox trot Amor, que ela mesma gravou em 1930.

Após parar de gravar, por volta de 1933, Jesy Barbosa dedicou-se ao jornalismo e a atuar no rádio como rádio atriz e autora de rádio novelas. Trabalhou em várias rádios, como Rádio Clube do Brasil, Rádio Tupi, Rádio Globo e Rádio Nacional. Nesta última, escreveu a rádio novela Ressurreição.

Em 1930 o jornal Diário Carioca lançou um concurso para escolher a Rainha da Canção Brasileira. Várias cantoras participaram como, Yolanda Osório, Elisa Coelho, Zaíra de Oliveira, Carmen Miranda, Stefana de Macedo, entre outras. Porém, Jesy Barbosa foi a vencedora, tendo Zaíra de Oliveira ficado em segundo lugar. Carmen Miranda, que começava uma carreira de sucesso, ao perceber que não ganharia, passou a apoiar Jesy, em uma demonstração de coleguismo. Renato Murce foi eleito o Príncipe dos Cantores Regionais.



"Jesy Barbosa, que por uma votação altamente significativa foi consagrada a Rainha da Canção Brasileira e Renato Murce, o 'gentleman' perfeito, que conquistou brilhantemente o titulo ambicionado de Principe dos Cantores Regionaes".
Diário Carioca, sexta-feira, 12 de setembro de 1930.
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Sua carreira sempre foi pontuada de muito trabalho, dedicando-se à música, poesia e jornalismo. Em 1963 ela lançou o livro de poesias, Cantigas de quem Perdoa, pela livraria Freitas Bastos, de São Paulo. Mesmo com tamanha dedicação ao trabalho, foi prejudicada ao se aposentar, pois em sua carteira de trabalho constava a função de colaboradora e não a de jornalista.

Por volta de 1984, aos 82 anos, concedeu uma entrevista gravada pelo cantor e radialista Paulo Tapajós e o pesquisador cearense Jairo Severiano, onde conta fatos sobre sua vida, relembrando sua carreira no rádio e no disco. Já trouxemos trechos dessa entrevista aqui no Blog (http://bit.ly/jesybarbosa29) e traremos novamente.

Jesy Barbosa faleceu em 30 de dezembro de 1987, aos 85 anos.


Jesy Barbosa em 1928.
Revista O Violão.
Arquivo Nirez.


Segundo o pesquisador Abel Cardoso Junior, o cronista e compositor Orestes Barbosa escreveu sobre Jesy Barbosa, afirmando que ela era “uma fisionomia macerada, com os olhos esquecidos no rosto triangular, e a dicção perfeita, tirando efeitos originais, falando dentro da música, preferindo as canções de emoção e pensamento – a última romântica num raro grupo que resiste na última trincheira da valsa que é a musicalidade da carta de amor...”.

Segundo o pesquisador Abel Cardoso Junior, o cronista e compositor Orestes Barbosa escreveu sobre Jesy Barbosa, afirmando que ela era “uma fisionomia macerada, com os olhos esquecidos no rosto triangular, e a dicção perfeita, tirando efeitos originais, falando dentro da música, preferindo as canções de emoção e pensamento – a última romântica num raro grupo que resiste na última trincheira da valsa que é a musicalidade da carta de amor...”.


Conheci o trabalho de Jesy Barbosa em 1989 através do selo Revivendo, do saudoso Leon Barg, em um LP lançado naquele ano. O disco se chamava Terna Saudade e trazia músicas em gravações originais de Sílvio Caldas, Elisa Coelho, Breno Ferreira e Jesy Barbosa. Desta última cantora tínhamos os fonogramas Olhos Pálidos, Volta e Um Beijo não é Pecado. Lembro que eu ficava horas escutando esse disco e me impressionava com a belíssima voz de Jesy, soprano dramática, tão clara e afinada. Com o tempo, e a ajuda de meu amigo Nirez (Miguel Ângelo de Azevedo), fui conhecendo mais seu repertório e ficando cada vez mais seu fã. Ela gravou mais canções românticas, várias de cunho sertanejo, verdadeiras joias, Lenda Sertaneja, Romance Sertanejo, Coração de Cabocla, Minha Viola... Também gravou samba canção e maxixe, Com Yayá é assim, Coração que esqueceu, Balaio (em dueto com Mário Pessoa), além de tanguinhos canções como Canta, canta Passarinho e Coração Magoado, entre outros ritmos. Jesy Barbosa era uma cantora romântica e exalava esse romantismo em cada gravação, com uma interpretação sentida que dava um sabor especial a cada composição.


Jesy Barbosa.
Vida Doméstica, julho de 1930.
Arquivo Nirez



Vamos conferir 21 gravações de Jesy Barbosa realizadas em 1929 e 1930 na Victor, entre elas, as suas primeiras gravações.

Obs. As fotografias do Catálogo Victor com as informações das gravações está disponível no site do Instituto Moreira Salles.




OLHOS PALLIDOS


Canção de Josué de Barros
Acompanhamento da Orquestra Victor de Salão
Disco Victor 33.208-A, matriz 50037-1
Gravado em 11 de setembro de 1929 e lançado em novembro



MEDROSO DE AMOR


Samba Canção de Zizinha Bessa
Acompanhamento do Choro Victor
Disco Victor 33.208-B, matriz 50034-2
Gravado em 11 de setembro de 1929 e lançado em novembro



CISMANDO
Valsa de Rogério Guimarães
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.221-B, matriz 50050-4
Gravado em 18 de setembro de 1929 e lançado em dezembro



QUERO UM HOMEM BEM VESTIDO
Marcha Canção de B. M. de Souza
Acompanhamento da Orquestra Victor
Disco Victor 33.224-B, matriz 50066-2
Gravado em 28 de setembro de 1929 e lançado em dezembro



MINHA VIOLA


Canção de Randoval Montenegro
Acompanhamento de Rogério Guimarães ao violão
Disco Victor 33.264-A, matriz 50188-1
Gravado em 26 de fevereiro de 1930 e lançado em abril



CORAÇÃO DE CABOCLA


Toada Sertaneja de Plínio Brito
Acompanhamento de dois violões e um bandolim
Disco Victor 33.264-B, matriz 50172-2
Gravado em 18 de fevereiro de 1930 e lançado em abril



CANTIGA


Toada Sertaneja de Marcelo Tupinambá e C. Neto

Acompanhamento da Orquestra Victor de Salão
Disco Victor 33.269-A, matriz 50173-2
Gravado em 18 de fevereiro de 1930 e lançado em junho



VOLTA


Tango Canção de Mário Lopes de Castro
Acompanhamento de Conjunto Típico
Disco Victor 33.269-B, matriz 50189-2
Gravado em 26 de fevereiro de 1930 e lançado em junho



AMOR
Fox Trot de E. Goulding, Elsie Janis, arranjo de Ted Eastwood
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.274-B, matriz 50227-2
Gravado em 04 de abril de 1930 e lançado em maio



QUEM AMA VIVE A SOFRER
Canção de Sátiro de Melo
Acompanhamento de Rogério Guimarães ao violão
Disco Victor 33.283-A, matriz 50229-2
Gravado em 09 de abril de 1930 e lançado em maio



SAUDADE DANADA
Canção de Joubert de Carvalho
Acompanhamento de Rogério Guimarães ao violão
Disco Victor 33.283-B, matriz 50230-2
Gravado em 09 de abril de 1930 e lançado em maio



LENDA SERTANEJA


Canção Sertaneja de Cândido das Neves (Índio)
Acompanhamento de Rogério Guimarães e Coro
Disco Victor 33.284-A, matriz 50225-1
Gravado em 03 de abril de 1930 e lançado em julho



ROMANCE SERTANEJO


Canção Sertaneja de João Valença e Raul Valença
Acompanhamento de Rogério Guimarães e Coro
Disco Victor 33.284-B, matriz 50224-2
Gravado em 03 de abril de 1930 e lançado em julho



FRUTA DO MATO
Tanguinho de Randoval Montenegro e Domingos Magarinos
Acompanhamento de dois violões
Disco Victor 33.309-A, matriz 65040-2
Gravado em 22 de novembro de 1930 e lançado em fevereiro de 1931



CORAÇÃO FECHA OS OUVIDOS
Canção de Osvaldo Orico e Zizinha Bessa
Acompanhamento de Rogério Guimarães ao violão
Disco Victor 33.309-B, matriz 50220-2
Gravado em 29 de março de 1930 e lançado em fevereiro de 1931



CANTA, CANTA PASSARINHO
Tanguinho Canção de Sátiro de Melo
Acompanhamento de dois violões
Disco Victor 33.320-A, matriz 503230-2
Gravado em 14 de junho de 1930 e lançado em agosto



CORAÇÃO MAGOADO
Tanguinho Canção de Josué de Barros
Acompanhamento de violões e bandolim
Disco Victor 33.320-B, matriz 50322-2
Gravado em 14 de junho de 1930 e lançado em agosto



EU GOSTO ASSIM
Toada de Mário Lopes de Castro e Domingos Magarinos
Acompanhamento de Violões
Disco Victor 33.332-A, matriz 50332-1
Gravado em 18 de junho de 1930 e lançado em junho



CANÇÃO DA SAUDADE
Canção de Randoval Montenegro
Acompanhamento de violões
Disco Victor 33.332-B, matriz 50348-1
Gravado em 23 de junho de 1930 e lançado em junho



COM YAYÁ É ASSIM
Samba Canção de Cândido das Neves (Índio)
Acompanhamento de orquestra e violões
Disco Victor 33.406-A, matriz 65043-2
Gravado em 24 de novembro de 1930 e lançado em fevereiro de 1931



CORAÇÃO QUE ESQUECEU
Samba Canção de Randoval Montenegro
Acompanhamento de violões e violino
Disco Victor 33.406-B, matriz 65042-1
Gravado em 22 de novembro de 1930 e lançado em fevereiro de 1931









Agradecimento ao Arquivo Nirez
















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