sexta-feira, 5 de maio de 2017

DALVA DE OLIVEIRA - 100 ANOS

DALVA DE OLIVEIRA
Arquivo Nirez


Há 100 anos nascia DALVA DE OLIVEIRA, A Rainha da Voz.

Vicentina de Paula Oliveira nasceu em Rio Claro (SP), em 05 de maio de 1917.

Filha mais velha de Mário de Oliveira e Alice do Espírito Santo, tinha as irmãs Nair, Margarida e Lila. Ainda teve um irmão, que morreu na infância. Seu pai, também conhecido como Mário Carioca, era marceneiro e nas horas vagas tocava clarinete e realizava serenatas com os amigos músicos. A pequena Vicentina gostava de acompanhar o grupo.

Quando seu pai faleceu, ela tinha apenas oito anos de idade e a família passou por dificuldades. A mãe teve que trabalhar como governanta e as filhas ficaram em um internato.

Após alguns empregos, inclusive com a participação de Vicentina, sua mãe vai morar no Rio de Janeiro em 1934, levando as filhas. Nessa época, já se chamando Dalva, já tinha algum contato com o meio artístico.

No Rio de Janeiro, trabalhando como costureira numa fábrica de chinelos, foi um dia ouvida por um dos proprietários, Milton Guita, o cantor Milonguita, que era diretor da Rádio Ipanema (atual Mauá). Foi aprovada em um teste e depois se transferiu para as rádios Sociedade e Cruzeiro do Sul. Passou pela Rádio Phillips, até conseguir trabalho na Rádio Mayrink Veiga.

O diretor da rádio, Adhemar, levou-a para conhecer o maestro Gambardella que, mesmo achando que ela tinha potencial para se tornar uma cantora lírica, aconselhou-a a usar a voz para o canto popular; uma vez que a carreira lírica no Brasil era muito difícil, mais seguida por pessoas ricas.

Trabalhou com Jayme Costa e também na Casa de Caboclo, ao lado de Jararaca e Ratinho, Ema D ´Avila, entre outros. Em São Cristóvão, em um teatro regional, apresentava-se imitando a atriz Dorothy Lamour.

Foi aí que conheceu o cantor e compositor Herivelto Martins que, na época, formava uma dupla com Nilo Chagas, a Dupla Preto e Branco. Ela e Herivelto começaram a namorar ao mesmo tempo que ele a convidou para atuar ao lado da dupla, apresentando-se no Teatro Fênix, de Paschoal Segreto.

No início o grupo se chamava Dalva de Oliveira e a Dupla Preto e Branco. Porém, o radialista César Ladeira sugeriu para que trocassem pelo nome Trio de Ouro. Foram contratados pela Rádio Mayrink Veiga e gravaram seu primeiro disco em 1937, trazendo no lado A o batuque indígena de Príncipe Pretinho, Itaquarí; e no lado B, a marcha sinfônica com trechos de melodia de Carlos Gomes e Príncipe Pretinho, Cecy e Pery.

TRIO DE OURO
(Da esq. para a direita: Nilo Chagas, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins)
Arquivo Nirez


Nessa época, Dalva estava grávida e o público pedia que se fosse menino se chamasse Pery e, se caso menina, Cecy. Assim, ao nascer, Dalva batizou seu filho de Pery, que seria o futuro cantor Pery Ribeiro. Ela e Herivelton também teriam outro filho, Ubiratã.

Em 1938 transferiram-se para a gravadora Odeon. Porém, Dalva também gravou algumas músicas na Columbia ao lado de Francisco Alves.
O sucesso do Trio de Ouro tornava seus integrantes populares, apresentando-se em cassinos, rádios, shows e no cinema.

Em 1945, Dalva de Oliveira gravou com Carlos Galhardo e Os Trovadores, na Continental, a adaptação de João de Barro para a história Branca de Neve e os Sete Anões, com músicas de Radamés Gnatalli.

A cantora gravou algumas músicas sozinha nos anos 40 e em 1947, gravou o samba canção Segredo, da autoria de Herivelto Martins e Marino Pinto, foi um grande sucesso. Nesse ano, porém, as brigas de Dalva e Herivelto aumentaram, fazendo o casamento de deteriorar.

Dalva saiu do Trio de Ouro em 1949, durante uma excursão com a Companhia de Dercy Gonçalves pela Venezuela. A partir de então, iniciou uma carreira solo. O casamento também havia terminado. Ela ficaria mais um ano na Venezuela, apresentando-se ao lado do maestro Vicente Paiva.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1950, a gravadora Odeon a rejeitou, pois não acreditava no sucesso de sua carreira solo. Vicente Paiva, que era um dos diretores artísticos da gravadora, porém, interveio em seu favor dizendo que se o samba Tudo Acabado, de J. Piedade e Osvaldo Martins não fizesse sucesso, ele se demitiria.

O samba foi um grande sucesso na voz de Dalva de Oliveira e iniciou uma duradoura batalha musical entre ela e Herivelto Martins, que usavam a música para se acusarem mutuamente pelo fracasso do casamento. Isso rendeu várias músicas de sucesso e a carreira de Dalva só aumentava o prestígio.

Em 1951 foi eleita Rainha do Rádio e, com os sucessivos sucessos no disco, excursionou por vários países, inclusive Londres, onde gravou várias músicas acompanhada pela Orquestra de Roberto Inglez e chegou a se apresentar para a rainha Elizabeth II.

Dalva de Oliveira seguiu sua carreira com sucesso, apresentando-se em rádios, fazendo shows e TV. Em 1970, emplacou mais um sucesso, Bandeira Branca, de Max Nunes e Laércio Alves.

Dalva faleceu em 1972, em 31 de agosto, no Rio de Janeiro.

Várias homenagens têm sido feitas a ela desde então.

A partir de 1987, o selo Revivendo relançou várias músicas de Dalva de Oliveira em Lp.

Em janeiro de 2010, a Rede Globo apresentou a minissérie Dalva e Herivelto, que contava a vida de Dalva de Oliveira ao lado de Herivelto Martins. Eles foram interpretados por Adriana Esteves e Fábio Assumpção.

Fãs de outrora ou recentes se unem para propagar o legado de Dalva de Oliveira. Passados 100 anos de seu nascimento, é gratificante ver como a memória de Dalva de Oliveira continua viva, inclusive entre os jovens que, através das redes sociais divulgam o trabalho da cantora.



Trago algumas gravações do Trio de Ouro, inclusive seu primeiro disco.


ITAQUARY
Batuque Indígena de Príncipe Pretinho
Acompanhamento dos Boêmios da Cidade
Disco Victor 34.206-A, matriz 80512-1
Gravado em 01 de julho de 1937 e lançado em setembro



CECY E PERY
Marcha Sinfônica de Carlos Gomes e Príncipe Pretinho
Acompanhamento dos Boêmios da Cidade
Disco Victor 34.206-B, matriz 80513-1
Gravado em 01 de julho de 1937 e lançado em setembro



ESTOU TRISTE COM VOCÊ
Samba de Herivelto Martins e Darci de Oliveira
Acompanhamento do Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 34.285-B, matriz 80642-1
Gravado em 22 de dezembro de 1937 e lançado em fevereiro de 1938



IAIÁ BAIANINHA
Samba Toada de Humberto Porto
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto Regional
Disco Odeon 11.611-A, matriz 5830
Gravado em 11 de maio de 1938 e lançado em junho



BATUQUE NO MORRO
Batuque de Herivelto Martins, Humberto Porto e Ozon
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto Regional
Disco Odeon 11.611-B, matriz 5831
Gravado em 11 de maio de 1938 e lançado em junho



QUEM MORA NA LUA
Batuque de Príncipe Pretinho
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto Regional
Disco Odeon 11.652-A, matriz 5878
Gravado em 27 de junho de 1938 e lançado em abril de 1939



MADALENA SE ZANGOU
Samba de Sinval Silva e Ubenor Santos
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto Regional
Disco Odeon 11.652-B, matriz 5879
Gravado em 27 de junho de 1938 e lançado em abril de 1939



BRANCA DE NEVE
Marcha de Benedito Lacerda e Herivelto Martins
Acompanhamento da Orquestra Odeon sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 11.696-A, matriz 5973
Gravado em 24 de novembro de 1938 e lançado em fevereiro de 1939



ADEUS ESTÁCIO
Samba de Benedito Lacerda e Gastão Viana
Acompanhamento do Grupo da Odeon
Disco Odeon 11.696-B, matriz 5989
Gravado em 08 de dezembro de 1938 e lançado em fevereiro de 1939








 Agradecimento ao Arquivo Nirez
























Um comentário:

  1. Parabens pela publicação realmente ela era divina..

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