domingo, 5 de novembro de 2017

O FADO E A MODINHA - MEDINA DE SOUSA E OLÍMPIO NOGUEIRA, 1909

MEDINA DE SOUSA, CHIQUINHA GONZAGA E OLÍMPIO NOGUEIRA


Chiquinha Gonzaga foi nossa primeira maestrina, sendo também uma de nossas maiores compositoras, em um período em que a música popular no Brasil começava a tomar forma e ocupar seus espaços. O pioneirismo da compositora se estendeu também ao teatro, sendo a primeira mulher a compor para o teatro musicado, em especial o teatro de revista.

Em 1904, estreava no Rio de Janeiro, no Teatro Recreio, a revista Cá e Lá, da autoria de Tito Martins e Bandeira de Gouvêa. Entre os autores das músicas estava Chiquinha Gonzaga. No elenco, entre outros, Aurélia Delorme, Cinira Polônio, Pepa Delgado e Alfredo Silva. Segundo Edinha Diniz, biógrafa de Chiquinha Gonzaga, em 1908, a peça foi reapresentada na cidade do Porto, Portugal, onde Tito Martins adaptou-a ao meio português, utilizando como tema a exposição que estava acontecendo no Rio de Janeiro, estreando no Teatro Carlos Alberto em novembro. Chiquinha Gonzaga, nessa época, morava em Lisboa e compôs toda a parte musical, num total de 41 músicas. Entre elas, estava o Dueto do Fado e da Modinha Brasileira.

No Brasil, a música seria gravada pela atriz-cantora portuguesa Medina De Sousa e o ator Olímpio Nogueira, com o título de O Fado e a Modinha, em disco Victor Record lançado em 1909. Vale a pena conferir!


O FADO E A MODINHA
Gravado por Medina de Sousa e Olímpio Nogueira
Acompanhamento de Orquestra
Disco Victor Record 98.818
Lançado em 1909


Medina –
Cupido, quando nasceu,
Dois beijos, à mãe, pediu...

Olímpio –
Ei! Não sei como é essa história!
Tão pequeno e tão brejeiro
Outro, assim, nunca se viu!...
Toca pra Mouraria, venha um fado a valer!

Medina –
Fado do meu coração,
Oh! Meigo e terno fadinho,
Ou alegre, ou choradinho,
Tu és ternura, és paixão!...
Do amor, por tradição,
Traduzes toda a tristeza;
Descreves, da natureza,
Os encantos sem igual;
És o hino de Portugal,
És a alma portuguesa!

Olímpio –
Pras modinhas brasileiras,
Com todo o seu requebrado,
São as mulatas faceiras
O que o amor é pro fado...
Moda não há
Em que as gaiatas
Das tais mulatas
Não apareçam!
Esperem lá
Sem os seus autores
Os cantadores
Delas se esqueçam!...


Os dois cantam juntos suas partes.









Fontes:
http://www.chiquinhagonzaga.com (Com informações de Edinha Diniz)
ims.com.br
Arquivo Nirez






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