quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

ABIGAIL MAIA - 36 ANOS DE SAUDADE

ABIGAIL MAIA
Theatro & Sport, 21 de agosto de 1915.
http://memoria.bn.br



Há 36 anos a atriz cantora ABIGAIL MAIA nos deixava, com a idade de 94 anos.
Trago seu esboço biográfico e algumas de suas gravações.


Abigail Maia nasceu no Rio de Janeiro (algumas fontes dão como Porto Alegre) em 16 de setembro de 1887. Era filha dos atores Balbina Maia, baiana, e Joaquim da Costa Maia, português. Sua mãe era viúva e já tinha dois filhos quando conheceu Joaquim. Aos cinco anos de idade, cantava acompanhada por guitarra portuguesa, com seu pai ou seu irmão, Magnus. Mesmo artistas, seus pais não queriam que ela seguisse a carreira artística. Seus irmãos também eram artistas, Magnus era ator e Augusto, contra-regra, sendo genro da atriz Henriqueta Thibau e do célebre ator Vasques. Aos dez anos, Abigail perdeu o pai, tendo que viajar com a mãe, atriz contratada da Companhia Dias Braga; em 1898, falece seu irmão, com 23 anos de idade.

Com 17 anos incompletos, em 1903, casou-se com Joaquim da Silva Braga, tendo uma filha em 1905. Nesse mesmo ano, seu esposo faleceu de tuberculose. Em 1909, Abigail casou-se com o maestro e compositor Luís Moreira e, um ano depois, em Portugal, nascia seu segundo filho, que ela batizou com o nome de seu irmão, Magnus. Ficou novamente viúva em 1920, casando-se no ano seguinte com Oduvaldo Viana, tendo duas filhas.


Abigail Maia
Theatro & Sport, 15 janeiro de 1916.
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Mesmo contra a vontade dos pais, estreou como atriz em Porto Alegre aos 15 anos de idade, quando substituiu uma atriz na peça Maridos na corda bamba, onde sua mãe atuava como primeira atriz. Quando voltou ao Rio não pretendia retornar aos palcos, mas, mesmo a contragosto, aceitou um papel de menina-moça, a princesa Açucena, na pela A Fada de Coral, na Companhia Silva Pinto, onde sua mãe também trabalhava. Passou a trabalhar definitivamente no teatro em 1905, com o falecimento de seu primeiro marido, onde se viu em dificuldades financeiras. Passou a fazer parte da Companhia Luso-Brasileira, de propriedade do empresário Lago, que atuava no Teatro São Pedro; durante um ano e meio atuou em revistas. Com a peça Flor de Junho, do paulista José Pisa, excursionou por diversos estados.

Em 1910, contratada pelo empresário Alfredo Miranda, viajou para Portugal, atuando no Teatro Sá Bandeira, na cidade do Porto, onde interpretou operetas vienenses. Voltou para o Brasil em 1911, quando sua mãe faleceu. Depois, entrou para a Companhia José Loureiro, onde seu segundo marido, Luís Moreira, era maestro. Na cidade de Santos (SP), ela e o marido conheceram o humorista João Foca e resolveram formar um trio, ela cantava, Luís Moreira tocava piano e João Foca fazia a parte de comédia. Excursionaram pelo estado de São Paulo e, por essa época, a imprensa a denominava de Rainha da Canção Brasileira. De volta ao Rio em 1915, o trio se apresentou no Cinema Pathé, na Avenida Rio Branco, porém, nesse mesmo ano, se desfez com a morte de João Foca. Continuou atuando com sucesso, sendo uma das mais populares atrizes da década de 1910, ao lado de Júlia Martins, Pepa Delgado, Cecília Porto, Laura Godinho e a estreante Otília Amorim.


Abigail Maia
Theatro & Sport, 11 de outubro de 1919.
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De 1912 a 1931, Abigail Maia gravou 14 músicas nas gravadoras Phoenix Record, Odeon Record, Gaúcho Record e Victor, tendo gravado também ao lado do ator Olímpio Nogueira. A canção O Meu Boi Morreu, gravada por Bahiano e Eduardo das Neves, em 1916, era do repertório da atriz, como o próprio Bahiano afirma no início da gravação.

Contratada em 1920 por Pascoal Segreto para ser estrela de sua companhia, no Teatro São Pedro, estreou com sucesso a opereta A Juriti, onde fazia a protagonista, ao lado de Vicente Celestino. A peça era da autoria de Viriato Correia e tinha música de Chiquinha Gonzaga. Algumas de suas canções seriam gravadas em 1930 pela cantora paulistana Helena Pinto de Carvalho.

Ainda em 1920, atuou no filme O Guarany, de José de Alencar, dirigido por João de Deus, interpretando Cecy, ao lado de Carmen Ruiz, o próprio João de Deus, Carmen Botelho e Humberto Catalano.

Abigail Maia atuou ao lado de grandes nomes do teatro como Leopoldo Fróes e Procópio Ferreira. Aliás, ela é madrinha de batismo de Bibi Ferreira, filha de Procópio, que escolheu o nome Abigail em homenagem à amiga que o lançou no teatro.


Theatro & Sport, 26 de março de 1921.
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Retornou ao Teatro Trianon em 1921, onde já havia atuado, porém, agora na condição de primeira figura da companhia organizada por Oduvaldo Viana, seu terceiro marido. Nos anos 20, excursionou por Buenos Aires e Montevidéu. Atriz consagrada, Abigail Maia se dedicaria ao rádio-teatro em 1940, atuando como rádio-atriz, onde emocionava os ouvintes com suas interpretações em novelas, com destaque para a personagem Conceição na novela O Direito de Nascer. Quando completou 80 anos de idade, em 1967, resolveu se aposentar.

Vinda de uma família de artistas, Abigail Maia era sobrinha da atriz Jesuína Montani e prima das atrizes Gabriela Montani, Olympia Amoedo e tia da atriz Lucília Perez.


Theatro & Sport, 23 de agosto de 1924.
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Em 20 de dezembro de 1981, Abigail Maia faleceu vitima de edema pulmonar, aos 94 anos de idade. Deixou quatro filhos, Magnus Moreira, Elza Braga, Marilza e Yeda Viana, além de sete netos e quatro bisnetos.


Na ocasião de seu falecimento, o compositor e ator Mário Lago, seu colega na Rádio Nacional, afirmou que com sua morte se encerrava um ciclo do teatro, “do qual talvez, fosse a única sobrevivente”. Com a morte de Abigail Maia terminava uma época especial do teatro nacional.


Jornal do Brasil, 21 de dezembro de 1981.
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Jornal do Brasil, 21 de dezembro de 1981.
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Abigail Maia (à esquerda) e Josephina Barco (à direita) no filme O Guarany, 1920.
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GRAVAÇÕES DE ABIGAIL MAIA


SÚPLICA
Canção
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 121.170
Lançado em 1916



FACEIRA
Canção
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 121.171
Lançado em 1916



O CUMBUCO E O BALAIO
Coco Baiano
Acompanhamento de coro e piano
Disco Odeon Record 121.172
Lançado em 1916



CHICO, MANÉ, NICOLAU
Batuque Paulista
Acompanhamento de coro e piano
Disco Odeon Record 121.173
Lançado em 1916



SARARÁ
Toada e Eduardo Souto
Acompanhamento de Conjunto
Disco Odeon 10.510-A, matriz 3041
Lançado em dezembro de 1929



MEU PRÍNCIPE ENCANTADO
Canção de Armando Ângelo e Guilherme de Almeida
Acompanhamento de Conjunto
Disco Odeon 10.510-B, matriz 3042
Lançado em dezembro de 1929

  

SORRISO DA MULHER
Canção de Marcelo Tupinambá e Oduvaldo Viana
Acompanhamento de Quarteto de Cordas
Disco Victor 33.425-A, matriz 65111-2
Gravado em 24 de fevereiro de 1931 e lançado nesse mesmo ano



FLOR DE MARACUJÁ
Canção de Marcelo Tupinambá e Amadeu Amaral
Acompanhamento de Quarteto de Cordas
Disco Victor 33.425-B, matriz 65112-2
Gravado em 24 de fevereiro de 1931 e lançado nesse mesmo ano













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