sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

JOÃO DA BAHIANA - 44 ANOS DE SAUDADE

JOÃO DA BAHIANA
http://zedobelo.com.br



Há 44 anos falecia o compositor e pandeirista JOÃO DA BAHIANA.

João machado Guedes nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1887, sendo filho de Perciliana Maria Constança e Féliz José Guedes. Seus avós eram ex-escravos e tinham uma quitanda com artigos afro-brasileiros no Largo da Sé. Seu apelido João da Baiana (Bahiana, na grafia da época) surgiu pelo fato de sua mãe, Tia Perciliana, ser baiana; isso o distinguia de seus xarás do bairro. Ainda na infância, fez amizade com os futuros compositores Donga (Ernesto dos Santos) e Heitor dos Prazeres. Com frequência, seus pais faziam festas de candomblé, tendo que tirar licença com o chefe de polícia, já que na época o samba, a batucada e o candomblé eram manifestações proibidas.

Seus pais tiveram doze filhos, todos baianos, com exceção dele. Seu irmão, O Mané, era palhaço do famoso Circo Spinelli e também tocava violão e cavaquinho.

Dedicando-se à música desde garoto, João da Baiana foi o responsável pela introdução do pandeiro no samba. Em seu depoimento ao Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro, ele afirmou: “[...] na época o pandeiro era só usado em orquestras. No samba quem introduziu fui eu mesmo. Isto mais ou menos quando eu tinha oito anos de idade e era Porta-machado no ‘Dois de Ouro’ e no ‘Pedra do Sal’. Até então nas agremiações só tinha tamborim e assim mesmo era tamborim grande e de cabo. O primriro não era igual ao atual. O dessa época era bem maior”.


João da Bahiana
revistaraca.com.br


Ao lado de Donga e Pixinguinha, compôs em 1924 o samba Mulher cruel, e em 1928 passou a atuar no rádio como ritmista, tocando pandeiro, prato e faca, atuando nas Rádios Cajuti, Transmissora, Educadora e Philips.

A primeira gravação de uma composição sua ocorreu em 1930, quando Patrício Teixeira registrou na Odeon o samba Pelo amor da mulata, que ele havia composto em 1923. Em 1931, João da Baiana passou a integrar o Grupo da Guarda Velha, conjunto que Pixinguinha organizou, reunindo alguns dos maiores instrumentistas brasileiros da época, tendo acompanhado intérpretes como Carmen Miranda, Sílvio Caldas, Mário Reis, Jonjoca e Castro Barbosa. Uma das famosas gravações do Grupo da Guarda Velha é a chula raiada de João da Baiana, Donga e Pixinguinha, Patrão prenda seu gado, gravada em 1931, onde podemos destacar a voz de Zaíra de Oliveira (esposa de Donga), no canto ao lado de uma voz masculina.

Também era um conhecedor do candomblé, tendo gravado diversos corimás, com algumas palavras em dialeto africano, onde eram cantados no início das sessões de candomblé.

Ainda sobre sua juventude, há alguns fatos interessantes. O senador Pinheiro Machado era seus admiradores e promovia várias festas em sua residência, no Morro da Graça. Em 1908, ele convidou João da Baiana para uma dessas festas, porém, o jovem havia tido seu pandeiro apreendido pela polícia durante a tradicional Festa da Penha, onde se apresentou. Ao saber o motivo da ausência, Machado o presenteou com um pandeiro novo, inscrito: “Com a minha admiração, ao João da Bahiana – Pinheiro Machado”. Com tal dedicatória, ele pode voltar várias vezes à Festa da Penha, tocando no Grupo do Malaquias, sem que a polícia o importunasse.

Ele passou a trabalhar no Cais do Porto em 1910, e em 1920 foi promovido a fiscal. Por isso não acompanhou Os Oito Batutas à Paris, pois não queria trocar um emprego certo pela aventura de ir à Europa. Aposentou-se em 1949. Casado e com doze filhos, perdeu quatro ainda na infância. Foi recolhido ao Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, em 1972. Em 12 de janeiro de 1974, João da Baiana falecia.


Da esquerda para a direita: Pixinguinha, João da Bahiana e Donga (Ernesto dos Santos).
http://www.elfikurten.com.br



Vamos conferir algumas gravações de sua autoria na voz de diversos artistas.




PELO AMOR DA MULATA
Samba
Gravado por Patrício Teixeira
Disco Odeon 10.678-A, matriz 3857
Lançado em setembro de 1930



PATRÃO PRENDA SEU GADO
Chula Raiada em parceria com Donga (Ernesto dos Santos) e Pixinguinha
Gravado pelo Grupo da Guarda Velha
Disco Victor 33.492-B, matriz 65270-2
Gravado em 27 de outubro de 1931 e lançado em dezembro
Obs. A voz feminina, muito provavelmente, é a soprano Zaíra de Oliveira.



CABIDE DE MOLAMBO
Samba
Gravado por Patrício Teixeira
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.883-A, matriz 4402
Gravado em 23 de janeiro de 1932 e lançado nesse mesmo ano



BEIJO DE MOÇA
Samba
Gravado por Patrício Teixeira
Acompanhamento do Grupo da Guarda Velha
Disco Victor 33.606-B, matriz 65600-2
Gravado em 24 de novembro de 1932 e lançado em janeiro de 1933



SEU PAI NÃO QUER
Samba
Gravado por Castro Barbosa
Acompanhamento dos Diabos do Céu
Disco Victor 34.141-B, matriz 80283-1
Gravado em 02 de dezembro de 1936 e lançado nesse mesmo mês



CABOCLO DO MATO
Macumba em parceria com Getúlio Marinho
Gravado por J. B. de Carvalho
Acompanhamento do Conjunto Gente de Casa
Disco Victor 34.158-A, matriz 80341-1
Gravado em 18 de março de 1937 e lançado nesse mesmo mês



NO FUNDO DO MAR
Macumba em parceria com Getúlio Marinho
Gravado por J. B. de Carvalho
Acompanhamento do Conjunto Gente de Casa
Disco Victor 34.158-B, matriz 80342-1
Gravado em 18 de março de 1937 e lançado nesse mesmo mês



É MELHOR CONFESSAR DO QUE MENTIR
Samba
Gravado por Odete Amaral
Acompanhamento do Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 34.283-A, matriz 80626-1
Gravado em 14 de dezembro de 1937 e lançado em fevereiro de 1938



DONA CAROLA
Samba em parceria com Francisco Santos
Gravado por Manezinho Araújo
Acompanhamento dos Boêmios da Cidade
Disco Odeon 11.779-B, matriz 6158
Gravado em 17 de julho de 1939 e lançado em outubro



SORRIS DE MIM
Samba
Gravado por Odete Amaral
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 34.657-B, matriz 33463-1
Gravado em 09 de julho de 1940 e lançado em setembro










Agradecimento ao Arquivo Nirez
















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